Padecendo no Paraíso
16 Capítulo XVI
Notas iniciais
Raziel voltaria e ninguém o convenceria do contrário. Anjos tentariam lhe convencer com palavras que passariam reto por seus ouvidos, arcanjos usariam a força para fazê-lo ficar no céu e ele revidaria cada soco... Seu Pai foi o único que meio que lhe apoiou, Ele deu de ombros dizendo algo sobre "humano o suficiente" e "livre arbítrio". Bem, não importava, com ou sem benção de seu Pai, ele ia descer.
Ele tentou pular direto para baixo algumas vezes e, simplesmente, não conseguia cair.
O arcanjo tentou todos os tipos de pulo que conhecia, bala de canhão, golfinho, parafuso e até a infame barrigada, sempre sem sucesso. Ele perdera minutos, horas e, talvez, até dias tentando... E não importava o quanto ele quisesse ser humano, parecia que lhe faltava algo e, enquanto ele não encontrasse o que é esse algo, ele não conseguiria voltar.
Suspirou cansado, aqui estava ele tentando se enganar de novo. Ele sabia exatamente o que faltava... Ou, no caso dele, o que ele tinha em excesso. Um par de asas.
Para poder voltar para a Terra, para poder ser um humano, ele teria que aprender a voar sem asas... Foi um processo doloroso, mas nada seria mais doloroso que uma vida inteira longe daquelas pessoas e daquele lugar que ele aprendeu a amar... Nada seria mais doloroso que uma vida sem viver.
E caiu. Caiu por minutos e minutos, por horas e horas... E sorriu em cada instante (mesmo se caísse de barriga, ele continuaria a sorrir).
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