Pacóvio - A História de um Primeiro Amor Trouxa
2 Melhores amigos por enquanto
As ondas dos fios de cabelo de Pietro pareciam maiores na medida que balançavam com o vento que vinha do ar condicionado. Dennis o observava enquanto decidia o que colocaria na questão sobre polímeros do teste da cadeira de Materiais. Era difícil se concentrar quando alguém tão bonito quanto o melhor amigo estava parado um pouco mais a sua frente, tentando resolver as questões.
Pietro não era muito inteligente e seu esforço não valia de muita coisa, então ele sempre ficava de substitutiva e passava raspando, literalmente. Dennis havia passado a noite anterior na casa dele, com o intuito de ajudar o garoto com as dificuldades que ele tinha na matéria — que não eram poucas. Mas só de pensar em passar uma noite inteira dormindo ao lado dele, valia todo o esforço do mundo.
Doze anos antes, eles trocavam suas primeiras palavras. No dia em que Dennis chegou a escola e não conseguiu nem mesmo passar mais do que meia hora sem chorar, Pietro fora atrás do garoto sem pensar quando ele saiu da sala chorando. Ele também havia perdido o pai recentemente, logo sabia exatamente o que o outro estava sentido. E, apesar de ter aprendido duramente todos os dias que homem que chora era viado, Pietro abraçou Dennis e disse, especificamente, que ele poderia chorar o quando quisesse. Já que ele estaria ali para consola-lo sempre que ele precisasse.
Enquanto voltava a questão e finalmente a respondia, Dennis desejava profundamente que aquele garotinho que um dia o consolou ainda continuasse forte dentro do Pietro crescido, porque seria mais fácil de contar a verdade para ele.
Dennis estava apaixonado por Pietro desde aquele dia há doze anos.
― Estou esperando você do lado de fora ― murmurou Dennis ao levantar para entregar o teste ao professor e Pietro sorriu em resposta.
O garoto não vira, mas Dennis fazia uma careta por não conseguir controlar as batidas do coração. Saia da sala e lamentava por todo aquele sentimento impossível.
Se jogou no chão e logo tirou o celular do bolso, cuja as notificações ja mostravam mensagens de Jorge, que perguntava sobre a seu teste e se ele já havia finalizado.
Não houve necessidade de uma resposta, pois segundo depois, Jorge sentou-se ao seu lado. O garoto ajeitava os óculos no rosto e olhava através do vidro os alunos ainda respondendo ao teste.
― Sua arqui inimiga ja saiu? ― indagou ele.
― A ruiva falsa é a última a sair. Sempre. Eu não sei porque ela faz isso, a resposta não cai do céu.
― Parece que para ela sim, já que ela está sempre entre os cinco melhores.
― Aposto que ela tem uma pesca escondida naquele cabelo desidratado.
Jorge riu enquanto observava os alunos. Logo ele encontrou quem procurava: Pietro ainda respondia uma questão, mas parecia que estava entrando em desespero, o temp estava acabando e Jorge tinha certeza de que ele já havia esquecido de tudo que Dennis havia o ensinado na noite anterior. Era até um pecado Dennis ser melhor amigo dele: um completo desperdício de amizade.
― Quer apostar como ele vai tirar menos de cinco? ― Brincou Jorge.
Dennis sorriu de início e deu um leve tava no braço do amigo, explicando que o melhor amigo tinha muita dificuldade para aprender, mas que era realmente esforçado.
― Você é responsável. Ele é só um carinha chato e desatento. E ele estão vindo pra cá, então eu vou embora antes que eu vomite com a presença dele.
Dennis apenas balançou a cabeça e lamentou por seus amigos não de darem bem. Quer dizer, Pietro não tinha noção de que Jorge realmente o odiava — sim, era algo forte a esse ponto -, porque era lerdo demais para notar. Sempre achava que Jorge tinha um horário corrido a ponto de sempre fugir dele quando chegava.
― Tá tudo bem com ele? ― Perguntou Pietro a Dennis quando saiu da sala.
― Sim, ele precisa... Buscar a namorada em... Algum lugar ― inventou Dennis enquanto Pietro sentava-se ao seu lado. ― Como você foi? Sua cara na era uma das melhores. Lembrou do que eu ensinei?
Pietro mudou sua expressão confusão para uma manhosa e encontrou a cabeça no ombrobdo amigo.
― Eu lembrei, mas sinto que vou levar bomba novamente ― ele era um pouco mais alto do que Dennis, orecisava escorregar um pouco mais para poder conseguir colocar a cabeça no ombro do amigo.
― Então, que tal um cinema? A gente compra um Burguer King e aquela Pepsi que você gosta.
― Eu recebi meu salário hoje ― anunciou Pietro, sorrindo.
― Ótimo, você paga.
x.x.x.x.x
― Vocês jantaram? ― Perguntou Ivan, pai de Dennis, quando ambos chegaram tarde da noite.
Os garotos afirmaram e logo adentraram no quarto de Dennis. O local mantinha uma cama de casal, um guarda roupa, escrivaninha e uma cadeira, além de um pequeno criado mudo ao lado da cama. Era pequeno, mas absurdamente aconchegante. Haviam pôsteres de filmes e bandas, prateleiras de livro, parecia o quarto de uma criança. Pietro sentia-se muito confortável ali, principalmente ao lado do amigo.
Quando se jogou na cama, buscou logo o cubo mágico de Dennis, em cima do criado mudo. Dennis trocava de roupa.
― Posso dormir aqui no fim de semana que vem também?
― Claro, mas aconteceu alguma coisa? ― indagou o menor.
― Meu primo Gabriel vai se mudar pra um apartamento na segunda, mas vem na sexta pra pintar o apartamento.
Dennis não entendeu o que ele queria dizer. Afinal, eles eram amigos. Não melhores, mas sempre se deram bem.
― E o que tem?
― Eu não quero dormir com ele ― Dennis ainda não havia entendido onde havia problema em dormir com ele. Já dividiram o quarto a antes. ― Ele se assumiu viado semana passada. Eu não quero ter que dividir o quarto com ele. E se ele me atacar? Deus me livre.
Dennis bateu a porta do guarda roupa com força. Odiava quando escutava Pietro falando sobre o quanto gays são nojentos. Mas ela sempre tolo demais para falar alguma coisa em resposta, apesar de Pietro saber que Dennis não gostava de alguns de seus comentários intolerantes.
― Ele deve estar passando por um momento difícil. O seu tio é intolerante.
― Coitado dele, isso sim. Ter que conviver com vergonha do filho. E eu do primo.
― Não devia falar assim. Ele é seu primo ― Dennis se alterou. ― Ele precisa de apoio.
― Por que você se importa tanto com ele?
― Quer saber? Se ele não é bem vindo na sua casa, ele pode passar o fim de semana aqui. Agora, seria melhor se fosse pra casa. Você sabe que eu odeio quando você fala esse tipo de coisa. Não é certo.
― Okay, okay ― Ele levantou da cama se dirigindo a Dennis. ― Me desculpa.
Pietro abracou o amigo e acabou sua cabeça. Apesar de ter dito que sentia muito, em sua cabeça, ainda sentia nojo do primo. Pra ele, deveria ficar longe o máximo que pudesse. E se conseguisse manter Dennis longe dele, melhor ainda.
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