Eu estava em uma sala quase vazia – tinha somente uma mesa com um gravador, duas cadeiras. Era uma sala de interrogação. Nessa sala três pessoas, a garota que matou todas aquelas pessoas estava sentada na cadeira, calma como um anjo. Ela aparentava mais jovem que das outras vezes.
Os outros dois que estavam na sala eram policiais, uma senhor velho, baixo e gordo, trajando um terno cinza. O outro era alto, aparentava uns trinta anos, trajava roupas mais informais, mas o cabelo castanho estava penteado para trás e os olhos sérios – e verdes – o dava um tom de respeito.
— Você é a principal suspeita de matar três pessoas – ele disse, a voz grossa, a mesma voz do monstro que eu acabara de matar.
— Eu não os matei... – ela disse, também séria.
— Eles eram da sua família e você foi a ultima pessoa que eles viram antes de morrer. – mais velho disse.
— Eu não faria mal a ninguém! – ela disse, começando a chorar – Ainda mais eles, apresar de tudo o que fizeram comigo.
— Mas tudo indica a você... – ele revidou.
— Tudo o quê? – ela perguntou.
Eles então se calaram e cochicharam entre si. Então o mais velho disse.
— Você está liberada.
A visão mudou. Eu estava agora no estacionamento da delegacia. O policial alto que havia interrogado a garota abria o carro – um Opalla cinza.
Ele estava distraído, assoviando uma musica alegre e descontraída. Então um vulto pequeno e feminino o golpeou por trás, na nuca.
A névoa me cercou de novo e estávamos numa cela de uma delegacia abandonada – “Silent Hill – pensei”. Ela abria o estomago do policial, assoviando a mesma canção que ela assoviava no estacionamento”

A névoa me cobriu e ouvi alguém chamar meu nome. Levantei do chão e me vi de volta a sala.
— Que porcaria! – Natalie sussurrava, aprecia fraca – Me tira logo daqui!
— Ok! – eu disse, desamarrando a corrente que a prendia – Você está bem?
— Não. – ela disse, sangrava pela boca.
Então a desamarrei completamente e somente então vi uma ferida aberta pouco abaixo do peito direito. Ela colocou a mão sobre a ferida e começou a chorar.
— Me tira daqui. – ela sussurrou.
Eu não sabia como sair dali, não havia nenhuma dica. Então corri para a porta e tentei abri-la, eu não consegui. Batia na porta, gritando por ajuda.
— Me tira daqui! – ela dizia sem parar – Não quero morrer aqui!
Então olhei que em uma das paredes e vi vários pôsteres colados. Todos eles relacionados a assassinatos e serial killers, menos um. Esse era um pôster de um parque de diversão. Fui em sua direção, lembrando do que o monstro disse – “mais diversão”.
Então tirei o pôster e vi colado na parede uma chave, velha, com a pedra verde. Quebrei a chave e vi a porta se abri. Guardei a pedra no bolso e peguei Natalie no colo, em seguida. Eu tinha que salvá-la.
— Vou levá-la ao hospital! – eu disse – Você se lembra onde fica?
— Sim! – ela disse, ainda fraca – Vou dizendo para onde tem que ir.
— Ok! – eu disse, apressando meus passos.
Eu já estava na rua, ela me dizia às ruas que tinha que entrar. Eu a obedecia, tinha pressa. Então vi um vulto vir em nossa direção.