POSSÍVEIS PASSADOS PARALELOS

34 Konbanwa, Hirohito-Sama


Notas iniciais
Um plano para reduzir a catástrofe no Japão, poupando vidas e garantindo que, naquela realidade, o País do Sol Nascente tambem seja o principal aliado do Ocidente.

CAPÍTULO 33


KONBANWA, HIROHITO-SAMA





Através de uma Chave de Portal os três bruxos retornaram a Paris, depois de se despedirem do General MacAuliffe. Patton já estava prestes a iniciar seu avanço em direção à Alemanha, com a intenção de chegar a Berlim antes dos soviéticos. Antes dos bruxos retornarem a Paris, Harry foi se despedir do General Patton, com o qual havia estabelecido um forte laço de amizade.

_Bem, General, Tom e eu teremos que retornar a Paris. Parece que o General Eisenhower tem mais missões para nós.

_Eu sei, Harry. _ disse Patton _ Ike conversou comigo sobre essa missão. Ele disse que vocês já haviam tido uma conferência com ele e que isso seria necessário.

_Sim, General. É importante, pois o Japão será nosso principal aliado no Extremo Oriente, depois que essa guerra terminar. _ disse Harry _ Por isso, será fundamental que a ocupação se desenvolva da maneira mais diplomática possível.

_E eu pensava que nosso maior apoio seria a China.

_As circunstâncias vão mudar, General. _ disse Voldemort _ Infelizmente a China irá se tornar extremamente vermelha.

_Bem, precisamos ir. _ disse Harry _ Faremos o possível para que nos encontremos em Berlim. Até lá.

_Até, Harry. Até, Tom. _ disse Patton, em despedida.

Em um clarão verde-azulado, os bruxos rodopiaram para Paris, onde Eisenhower já esperava por eles.

_Bem-vindos, jovens. _ disse Eisenhower _ Estava esperando por vocês, com notícias atualizadas.

_O que há de novo, General? _ perguntou Voldemort.

_Creio que Dumbledore já deve ter dito algo a vocês, sobre a próxima missão de “Batman” e “Robin”. Hirohito já teve ideias de romper com Hitler, mas teme algumas coisas. A primeira delas é a certeza de represálias por parte da Alemanha. E outra, bastante significativa, é o senso de honra dos japoneses, que não aceitariam uma mudança de lado e muito menos uma capitulação por parte do Imperador, havendo o risco de revoltas e de recusa em se renderem, lutando até o último homem.

_Isso poderia significar o extermínio de quase toda a população masculina do Japão, como ocorreu com o Paraguai no Século XIX, contra a Tríplice Aliança. Até hoje a população de homens adultos naquele país não é muito grande. _ disse Harry.

_E é por isso que vocês deverão cumprir essa missão secreta. Mas, antes de irem ao Japão, farão uma escala nos EUA. Roosevelt, Doc Savage e “Daddy” Warbucks estão esperando por vocês. _ disse Eisenhower _ Aqui está a Chave de Portal.

Harry e Voldemort seguraram um capacete e, no instante seguinte, rodopiaram para Washington em um clarão verde-azulado.

A Chave de Portal os levou até o Salão Oval da Casa Branca, onde já eram esperados. Franklin e Eleanor Roosevelt, “Daddy” Warbucks, Grace, Annie e Punjab, Doc Savage, Pat, os “Cinco Magníficos”, Einstein e outro cientista que Harry logo reconheceu.

_Harry, que bom revê-lo. _ disse Roosevelt _ E esse deve ser o Tenente Tom Riddle, seu parceiro de missões.

_Exato, Sr. Presidente. _ disse Voldemort _ É uma honra conhecer o senhor, aliás, é uma honra conhecê-los a todos, principalmente o senhor, Prof. Einstein.

_Muito obrigado, Tenente Riddle. _ disse Einstein _ Harry me falou de você e do seu grande poder.

_Que está à disposição dos Aliados. Se conseguirmos voltar ao nosso tempo e realidade... bem, aí veremos. _ disse Voldemort, com certa hesitação.

_Mas vejo alguém que eu só conhecia de nome. _ disse Harry _ Muito prazer em conhecer o Diretor Civil do “Projeto Manhattan”, Dr. ROBERT OPPENHEIMER.

_Ora, então o senhor me conhece, Tenente Potter? _ perguntou Oppenheimer.

_Sim, senhor. _ respondeu Harry _ Creio que o senhor já deve ter sido informado dos motivos e circunstâncias de nossa presença aqui.

_Sim, Einstein me contou e o Presidente confirmou. Incrível, eu cheguei a teorizar sobre deslocamento temporal, mas vocês ultrapassaram minhas ideias e acenderam a curiosidade por universos paralelos e realidades alternativas.

_Mesmo pesquisadores bruxos não acreditariam se nós contássemos, Dr. Oppenheimer. _ disse Voldemort _ Embora muitos já tenham estudado o assunto.

_Mas o principal é que o Projeto Manhattan deu resultado em nossa realidade. A bomba de teste funcionou aumentando a credibilidade nas pesquisas e culminando em duas bombas plenamente operacionais. _ disse Harry.

_Então funcionou, mesmo. _ comentou Einstein, olhando para baixo e com uma expressão triste no rosto _ Meus temores se concretizaram.

_Por mais cruel que possa parecer, essas bombas precisarão explodir, nos mesmos dias e locais de nossa realidade. _ disse Harry.

_Mas por quê? _ perguntou Einstein _ Já calculamos a devastação e os efeitos da muito provável precipitação radioativa, Por que lançar esse artefato?

_Discutíamos isso, antes de tomarmos a Chave de Portal para cá. E, realmente, é importante que elas explodam. _ disse Voldemort.

_Chega a dar arrepios esse assunto. _ comentou Annie _ Mas posso imaginar alguns dos motivos. Depois que “Daddy” me adotou e se casou com Grace, estudei muito a História e as tradições do Japão. É um povo movido pela sua honra e que não pensaria duas vezes antes de se auto-imolar até o último homem, em nome do Império.

_Exatamente, Annie. _ disse Harry _ Como eu já havia dito ao Presidente Roosevelt, será preciso um gesto de descomunal impacto. Será a única coisa capaz de fazer com que o Japão se renda, sendo confrontado com uma situação impossível de vencer.

_Principalmente o fato deles não saberem quantos artefatos operacionais os EUA possuem ou possuirão. _ disse “Daddy” Warbucks _ Com isso eles certamente achariam permitir a aniquilação do país algo mais desonroso que a rendição, já que esta última permitiria a eles preservarem sua honra.

_Então, creio que deveremos ir a Tóquio. _ disse Voldemort _ Hirohito deverá ser confrontado com a verdade nua e crua. Só não deverá saber, é lógico, quantos artefatos estão disponíveis.

_O Palácio Imperial deve ter defesas mágicas, além de Sensores de Atividade Mágica, já que o Imperador deve ter conselheiros bruxos. _ disse Doc.

_Quanto aos Sensores, não haverá problema. _ disse Harry _ Nós sabemos como neutralizá-los.

_E se for necessário duelar com bruxos japoneses, também estamos preparados, pois fomos treinados em Magia Onmiyô por Renata Wigder, que foi treinada por seu pai adotivo, Ryusaku Komori. _ disse Voldemort.

_Muito bem. _ disse Roosevelt _ Vocês podem ir a qualquer momento, assim que resolverem aquele assunto.

_Ah, sim. _ disse Harry _ Elas chegaram, então?

_Sim, Harry. _ respondeu Eleanor Roosevelt _ Vou chamá-las.

A Primeira-Dama dos EUA saiu da sala e retornou, acompanhada por duas jovens, já nossas conhecidas. Estas, ao reconhecerem os dois rapazes, correram para abraçá-los, pois não se viam há algum tempo.

_Harry! Tom! Que bom vê-los bem! _ disse Anne Frank.

_Estávamos com muitas saudades. _ disse Audrey Hepburn.

_Nós também estávamos com saudades. _ disse Harry _ Sempre nos mantivemos informados do ativismo de Anne Frank, denunciando os horrores Nazistas e não permitindo que neguem o Holocausto. As vítimas dos campos de concentração não podem ser esquecidas.

_Você trouxe o que pedimos, Audrey? _ perguntou Voldemort.

_Está comigo, Tom. _ disse Audrey _ Miep me entregou e disse para que eu o desse a Anne.

_O quê? Você está com o meu... _ e Audrey completou a frase da amiga.

_... Seu diário. Harry e Tom pediram para que Miep Gies o entregasse a mim, para que eu o trouxesse a você.

_Nós iríamos entregá-lo só após o final da guerra, mas pensamos melhor e achamos que você deveria continuar a escrever e, depois, publicá-lo. O mundo tem que saber logo dos horrores perpetrados pelos Nazistas. _ disse Harry _ Em nossa realidade, você morreu de tifo em Bergen-Belsen, a publicação foi póstuma e sua contraparte é um símbolo de luta, dando nome a diversas instituições, principalmente escolas.

_Mas aqui, você está viva. _ disse Voldemort _ E sua voz poderá ecoar por todo o mundo, bem como os seus escritos.

_Farei tudo para estar à altura das expectativas. _ disse Anne Frank.

_Agora, teremos que ir para o Japão. _ disse Harry _ Vamos colocar em prática o plano que fizemos e torcer para que Hirohito seja acessível aos nossos argumentos.

Voldemort pediu licença a Roosevelt e pegou uma espátula de abrir envelopes, que estava sobre a Mesa Resolute.

_ “Portus”! _ com um brilho azulado, a espátula tremeu levemente e o bruxo a segurou, juntamente com Harry _ Lá vamos nós.

Harry beijou Pat Savage em despedida e os dois bruxos desapareceram da sala, rumo ao País do Sol Nascente.

_Espero que tenham sucesso. _ disse Annie Warbucks.

_Se eles não tiverem, não sei quem mais teria. _ comentou Anne Frank.

Palácio Imperial do Japão, 1-1 Chiyoda, Chiyoda City, Tokyo. Meia-noite, horário local.

Nos aposentos privativos, o Imperador Hirohito caminhava de um lado para o outro, pensativo, tendo uma xícara de chá verde nas mãos. Sua esposa, Nagako, havia ido dormir e o deixara a sós com seus pensamentos, o que vinha ocorrendo com muita frequência.

Ele não conseguia se libertar do pensamento inquietante de que era uma simples questão de tempo. Maldizia-se pelo entusiasmo que demonstrara, quando, apoiado por seus ministros, envolvera o Japão naquela guerra e mais ainda por acompanhar as ideias de Tojo, Nagano, Shimada, Togo e outros, que culminaram no ataque a Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941.

A resposta não tardou, com os “Bombardeios Doolittle”. Aquilo provou que os EUA não haviam sido tão gravemente feridos quanto o Império pensava e trouxe à sua memória as palavras que lhe disseram terem sido ditas pelo Oficial que planejara o ataque a Pearl Harbor, Almirante Yamamoto Isoroku, logo ao término do ataque. “Nós perturbamos um gigante adormecido. Teremos que estar preparados para quando ele se levantar”. Tais palavras revelaram-se proféticas. Cerca de seis meses depois, o Japão sofrera uma enorme derrota na Batalha de Midway, na qual quatro porta-aviões que haviam participado do ataque a Pearl Harbor foram afundados: o Akagi, o Kaga, o Hiryu e o Soryu.

Absorto nesses pensamentos, o Imperador do Japão ouviu uma respeitosa voz dirigir-se a ele, do lado de fora do escritório.

_ “誰ですか” (Quem está aí)? _ perguntou Hirohito.

_“侍従の山中健と岡田一です。明かりがついていたので、陛下に何かご用がないか伺いに伺いました” (Yamanaka Ken e Okada Hajime, os camareiros. Vimos a luz acesa e viemos ver se Vossa Majestade precisa de algo).

Hirohito mandou que entrassem. No instante seguinte, estava paralisado por um Feitiço do Corpo Preso.

_Konbanwa, Hirohito-Sama. Pedimos que Vossa Majestade nos perdoe, pela quebra de protocolo e por termos que paralisá-lo. Mas precisamos conversar e não podemos correr riscos. _ disse Harry, enquanto fazia uma respeitosa reverência.

_Vamos substituir o Feitiço do Corpo Preso por um Feitiço Imobilizador, que não inibe a fala e vamos executar um “Abbaffiatto”, para que ninguém nos ouça e nos perturbe. _ disse Voldemort.

Os bruxos retornaram às verdadeiras aparências, mudaram o feitiço e preservaram sua privacidade. O Imperador permaneceu imobilizado, mas já podia falar.

_Quem são vocês? Por que estão aqui? Vieram me matar? _ perguntou ele.

_Respondendo à primeira pergunta, somos bruxos ingleses, Ajudantes de Ordens do General Patton. _ disse Voldemort.

_Em segundo lugar, viemos cumprir uma missão. _ disse Harry.

_E, em terceiro lugar, não viemos matá-lo, Majestade. Nossa missão é conversar com o senhor e chegar a um meio de fazer com que o Japão possa encerrar sua participação nessa loucura. _ disse Harry _ E sair dela de uma forma honrada, sem sacrificar muito mais o seu povo.

O Imperador olhou para os dois, espantado. Pensava que fossem agentes a soldo dos Aliados e que haviam vindo para matá-lo ou, no mínimo, sequestrá-lo.

_Não esperava por isso. _ disse Hirohito _ Como chegaram até aqui? Temos bruxos experientes em Magia Onmiyô e Sensores de Atividade Mágica.

_Nós sabemos neutralizar os Sensores, Majestade. _ disse Harry _ E, quanto aos defensores bruxos, nós temos conhecimento de Magia Onmiyô e também temos treinamento Ninja, graças à filha adotiva de um mestre, que se refugiou no Dojo de Magia Shinobi, para não ter seus conhecimentos usados para a guerra.

_Estão falando de Ryusaku Komori-san? _ perguntou Hirohito _ Cheguei a conhecê-lo, antes da guerra. Eu sabia que ele havia adotado uma menina Gaijin e que ela vivia na Grã-Bretanha.

_Sim, Majestade. Espero que nos ouça com atenção e que medite profundamente em nossas palavras. _ disse Voldemort _ O destino do Japão poderá depender do resultado de nossa conversa.

_Então, sou todo ouvidos, meus jovens. Acabei por arrastar meu país e seu povo para esse horror e creio que já não há mais como sair, a esta altura.

_Infelizmente Vossa Majestade está certo. _ concordou Harry _ O Japão já se comprometeu de tal modo, que o povo se sacrificaria, para manter a honra.

_É um dos nossos valores mais fortes e importantes, senhores...

_... Potter. _ disse Harry.

_E Riddle. _ disse Voldemort _ Como dissemos, somos bruxos, oficiais do Exército Britânico e lotados como Ajudantes de Ordens do General George Patton.

_E temos um aviso a lhe dar, Majestade. _ disse Harry _ Esta guerra está perdida para o Eixo.

_E graças ao ataque a Pearl Harbor, que lançou os EUA diretamente no conflito, a maré virou. _ disse Voldemort _ O poderio de uma das nações mais industrializadas do mundo foi totalmente direcionado para o esforço de guerra, não mais limitando-se ao que constava da “Lei Lend-Lease”, que permitia aos EUA venderem material bélico aos outros Aliados.

_Eu sei. _ disse Hirohito _ As palavras de Yamamoto se revelaram proféticas. O gigante adormecido se levantou e está ganhando terreno cada vez mais. Como eu disse, pela honra o povo se sacrificaria até o último homem e, não duvido, mulher e criança.

_Um conceito de séculos, que poderia significar o fim de uma das mais belas e singulares civilizações deste mundo. _ disse Harry _ Os Aliados também não querem a aniquilação do povo japonês. E, justamente por isso, estão dispostos a lançar mão de um gesto de descomunal impacto.

_Mas o que seria? _ perguntou Hirohito _ Esperem... mas pelos deuses! Não me digam que eles já têm aqueles artefatos de destruição em massa? O programa de pesquisas atômicas deles já está assim tão adiantado?

_O senhor já tinha conhecimento? _ perguntou Voldemort.

_Sim, Tenente Riddle. _ Hirohito concordou _ Nós sabemos que a Alemanha tem o seu programa de pesquisas e que, obviamente, os EUA não ficariam para trás, ainda mais com o ataque à usina de Vemork e o bombardeio das represas do Vale do Ruhr, que atrasou o programa alemão.

_Os EUA têm artefatos, funcionais. _ disse Voldemort, meio que “esticando” a verdade para Hirohito _ Obviamente não podemos dizer quantos, mas o próprio Presidente Roosevelt nos mandou dizer que os possuem.

Uma lágrima desceu pelo rosto de Hirohito, que já antecipava os horrores que tanto temia.

_Destruição, morte e doenças de envenenamento. Quem conhece a história de Madame Curie e a causa de sua morte sabe que o que pode curar, também pode matar. _ disse Hirohito _ E eu já imaginava que os americanos estivessem mais adiantados que os alemães. A guerra já está perdida para nós, é apenas questão de tempo para que tudo termine. Mas, meus jovens, como podemos dar um desfecho que não nos seja desonroso?

Voldemort desfez o Feitiço Imobilizador e conjurou um conjunto para preparar chá: um fogareiro, um bule e uma xícara tradicional. Diante do Imperador Hirohito e de Harry Potter, executou uma “Cha-no-Yu”, uma Cerimônia do Chá. Serviu uma xícara ao Imperador, que tomou os três goles tradicionais. Depois foi a vez de Harry e, por fim, do próprio Voldemort. Em seguida, expuseram a Hirohito os contornos de um plano que não evitaria as explosões já nossas conhecidas, mas reduziria os danos por elas provocadas a um ponto que forçaria os comandantes militares a aceitarem a rendição, a fim de evitarem a aniquilação do povo em um sacrifício sem sentido, o que seria algo muito mais desonroso.

_Então, Majestade, esses locais deverão ter sua população deslocada e submetida a Feitiços de Memória. _ disse Voldemort.

_Mas ainda nos resta a questão de que o número de vítimas deverá ser o mesmo, ou o mais aproximado possível. _ disse Harry.

_Como assim, “o mesmo”? _ perguntou Hirohito _ Vocês falam como se já soubessem disso há muito tempo... não me digam que vocês são os dois viajantes do tempo dos quais me falaram, que usam os codinomes “Batman” e “Robin”?

_ “はい、天皇陛下 (Sim, Imperador-Sama).” _ disse Harry _ Por isso, sabemos que as explosões deverão ocorrer nos mesmos dias e locais que em nossa realidade e com a quantidade de vítimas mais aproximada possível. Talvez possamos conjurar corpos inanimados, a partir de matéria orgânica existente, tipo troncos ou algo assemelhado, como fizemos para enganar os alemães, em Malmedy.

_Talvez possa parecer cruel e até meio absurdo, mas estou certo de que poderíamos encontrar até mesmo voluntários. _ disse Hirohito.

_Como é?! _ exclamaram Harry e Voldemort, surpresos.

_Eu explico. _ disse Hirohito _ Há uma grande população carcerária, a maior parte com sentença de prisão perpétua ou formas desonrosas de execução, o que aumentou nestes tempos de guerra, com deserções e outros crimes militares.

_E algum deles se sacrificaria? _ perguntou Voldemort, com uma expressão de incredulidade no rosto.

_Sim, meus jovens. _ explicou Hirohito _ Estou certo de que considerariam isso uma honra, ainda mais porque seriam reabilitados frente ao país e suas famílias. Lógico que, até a guerra terminar, isso deverá constituir um dos maiores segredos.

_Maior até mesmo que a “Unidade 731”. _ disse Harry, enquanto Hirohito fez uma cara de surpresa, que não durou muito.

_Esse é um dos maiores segredos militares mas, como vocês são viajantes do tempo, para vocês deve ser História. _ disse Hirohito _ Aliás, não tenho a menor satisfação em dizer que realizamos tais experimentos que, embora tivessem uma finalidade científica, eram conduzidos de forma nem um pouco honrada.

_Resta agora resolvermos como deverão ser os procedimentos para os dois primeiros alvos. _ disse Voldemort _ Evacuar e substituir a população de Hiroshima e Nagasaki (eles mantinham o mistério sobre quantas bombas os EUA possuíam).

_Por ser uma guarnição militar, a população civil de Nagasaki não é tão grande quanto a de Hiroshima, embora Hiroshima seja, além de um importante porto e centro industrial, a sede um grande QG. _ disse o Imperador _ Mas procedimentos de evacuação certamente comprometeriam o sigilo do plano.

_Então o efetivo militar e a população civil de Nagasaki acabarão por ter que ser sacrificados. _ comentou Harry _ A maior parte dos esforços deverá ser concentrada em Hiroshima.

_As mortes imediatas foram ou serão entre 70 e 80 mil pessoas. _ Voldemort começou a recordar o que sabia , desde seu tempo de recém-formado _ Mas os efeitos a longo prazo irão elevar o número total de vítimas para mais de 200 mil.

_Creio, então, que o número de condenados deverá cobrir as necessidades de ambas as cidades. Se for o caso, poderemos recorrer aos corpos conjurados a partir de matéria orgânica para complementar, então. _ disse Hirohito _ Amanhã mesmo darei ordens para que a população civil seja evacuada e substituída, de forma sigilosa.

_Obrigado, Imperador-Sama. _ disse Harry _ Para assegurar a veracidade de suas ordens, será melhor que sua memória seja apagada e implantado um gatilho para que o senhor se lembre no momento certo. “OBLIVIATE”.

O gatilho foi implantado na mente do Imperador Hirohito e os dois bruxos tomaram uma Chave de Portal de volta à Casa Branca.

_E então, jovens, tudo certo com o Imperador? _ perguntou Roosevelt.

_Sim, Sr. Presidente. _ respondeu Harry _ Hirohito-Sama mostrou-se bastante receptivo às nossas palavras.

_Ele é uma pessoa muito racional, Sr. Presidente. _ Voldemort corroborou as palavras de Harry _ Inclusive, o plano para poupar o máximo possível da população civil, principalmente de Hiroshima, estará sendo levado a cabo.

_Então, vamos retornar à Europa. _ disse Harry _ Ainda há muito o que fazer, a corrida para Berlim está em curso e temos que fazer o possível para chegarmos antes dos soviéticos.

Despediram-se de todos, Harry sentindo um aperto de tristeza no peito, sabendo que aquela poderia ser a última vez em que veria Franklin Delano Roosevelt com vida.

_Tentarei estar com você o mais breve possível, Harry. _ disse Pat Savage, beijando-o de forma apaixonada _ Nossas aeronaves irão reforçar as tropas que se dirigem a Berlim.

_Leve o Champagne. Brindaremos lá. _ disse Harry _ Um último beijo e os bruxos rodopiaram de volta à Europa.

No QG Aliado, em Paris, uma importante reunião transcorria, a fim de estabelecer os detalhes do avanço em direção ao Reno e ao coração da Alemanha. Nesse momento, Harry e Voldemort apareceram no corredor, em meio a um clarão verde-azulado. Duas sentinelas fizeram menção de levantar suas armas, mas os dois bruxos se identificaram e foram liberados.

Bateram à porta e sua entrada foi autorizada. Na sala de reuniões, encontravam-se Eisenhower, Patton, Montgomery, Churchill e Dumbledore. Quando eles viram a dupla chegar, logo convidaram-nos a sentarem-se à mesa e participar da reunião.

_Então, jovens, tudo certo no Japão? _ perguntou Dumbledore.

_Sim, senhor. _ disse Voldemort _ O Imperador concordou com o plano e já começou a colocá-lo em prática.

_Aliás, quase toda a população carcerária do Japão, refiro-me aos condenados à morte ou prisão perpétua por crimes hediondos, principalmente crimes relacionados a situações de guerra, voluntariou-se. Fizeram isso depois que o Imperador garantiu que eles seriam reabilitados e suas famílias seriam amparadas. _ disse Harry.

_Creio que isso ainda não bastará para cobrir o número de perdas que vocês nos relataram, jovens. _ disse Montgomery _ A não ser que exista algum plano de contingência.

_Existe, Marechal. _ disse Voldemort _ E, com isso, teremos o número mais aproximado possível de como foi na nossa realidade. Poderemos fazer isso, graças aos nossos poderes e o Imperador já está ciente.

_O gatilho que implantamos no Feitiço de Memória vai se ativar e ele vai se lembrar do que deve fazer e como. _ comentou Harry _ Agora, temos outro assunto a resolver, relacionado com a corrida para Berlim.

_Realmente, senhores. E já faço uma ideia do que poderia ser esse assunto. Será importante para chegarmos antes dos soviéticos. _ disse Voldemort, olhando para o mapa à sua frente _ Os chucrutes deixaram esse flanco aberto, depois da Batalha das Ardenas e nós temos que aproveitar.

_Se começarmos a agir logo, será possível atravessarmos o Reno antes da data na qual isso ocorreu em nossa realidade. _ disse Harry _ Eu e o Tenente Riddle poderemos realizar um trabalho preliminar de desminagem, antes da chegada das tropas. E se Nick Fury e o Comando Selvagem constituírem um grupo avançado, usando o Panzerkampfwagen com o Canhão de Pulso Sônico, aquela posição será conquistada mais cedo e mantida com mais facilidade. Poderemos ganhar dias ou mesmo semanas.

_Mas vocês estão falando... _ e Eisenhower deixou a frase interrompida, sendo completada por Patton.

_... Da única ponte sobre o Reno que ainda se encontra intacta, não atingida por nós e nem destruída pelos alemães, talvez por ainda precisarem dela.

_A Ponte Ludendorff, em Remagen. _ Harry e Voldemort concluíram.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.