P.O.R.T.A.L.L.E.R. - Reworked
12 Portais da Contagem
Lana não via esperança. Aquela lança atravessaria seu corpo. Ela sentia um frio. Um frio que circulava seu corpo desde os fios de cabelo ás pontas dos pés. Aquela era a sensação. A fria e aterrorizante sensação da morte.
Mas essa sensação é trocada por uma sensação quente. Do amor, da vida. Do calor humano.
Quando a aproximadamente dois metros da lança sombria, Raiko a segura no ar, e, com ela nos braços, desce ao chão. Dread fecha a expressão, demonstrando uma raiva psicótica.
— Não é permitido interromper a luta, sabia, Tamashiro? – Diz Dread, indignado.
— Que luta? Essa luta tinha acabado. Lana não podia reagir! Foi covardia! E pelo que eu saiba, não é permitido atacar oponentes visivelmente inconscientes! – Dread grunhe com o argumento.
Hecs acaba com a tensão simplesmente ignorando a arena e anunciando o vencedor:
— Então, eu declaro Dread o vencedor dessa luta! Mais uma vitória para a Dark Kuroki! – O time da Dark Kuroki e seus torcedores urram loucamente pela vitória de seu líder.
Raiko, sério, carrega Lana até a enfermaria, ao mesmo quarto antes ocupado por Ox. Cruza com Dread no caminho até a entrada da ala hospitalar, sem olhar nos olhos do jovem sem sobrenome. Dread cospe no rosto de Raiko enquanto ele passa, com escarro. Raiko ignora completamente a ação do líder da Dark Kuroki. A única coisa que importava naquele momento era Lana estar segura.
Enquanto isso, Julie se dirige lentamente a Dread, parando de frente ao rapaz, olhando profundamente em seus olhos, com convicção.
— Que pena, não, Julie? Nem conseguimos lutar... – Diz Dread, rindo com sarcasmo.
— Eu irei pega-lo, Dread. Eu juro, nem que eu tenha que vencer este torneio para tal. – Retruca Julie, séria.
— Veremos. – Dread se retira, cruzando com Julie e indo para junto de seus companheiros de equipe. Hecs continua o evento:
— Então galera!!! – Prossegue Hecs, tentando animar ainda mais a furiosa plateia. – Está na hora da última batalha desta fase da competição! E já temos certeza de quem serão os lutadores, afinal, foram os últimos que restaram! Da Chronicle: Juuuulie Walker!!!
Os expectadores da Chronicle gritam o nome de sua última lutadora num belo coro que jurava Julie ter sido ensaiado. Se ela vencesse, a equipe teria vantagem no torneio. Se perdessem, concederiam a mesma à Dark Kuroki.
— E obviamente, da Dark Kuroki: Jackson Oxford!
Jackson, o último competidor da equipe rival, possuía cabelos ruivos, olhos de um tom vermelho, bem similar ao de Raiko. Possuía sardas no rosto e aparentava ter em torno de 18 anos. Era alto e tinha porte atlético, usando um colete de couro marrom e uma camiseta regata preta por baixo. Completava sua vestimenta com uma calça jeans preta e um sapato de couro, também marrom. No ombro esquerdo, á mostra, sua marca de Portaller, negra e na forma de uma cobra se entrelaçando em outra, formando dois círculos.
Julie já estava na arena, então mal precisou se mexer até sua posição. Enquanto Maggie e Ox saem do campo de batalha para irem até as arquibancadas, Oxford vai caminhando lentamente da área dos Dark Kuroki até o local indicado. Ambos os adversários ficam um de frente ao outro, esperando Hecs, que em pouco tempo aparece para dar inicio ao combate.
— Estão prontos? – Hecs abaixa a bandeira.
— Sim. – Julie fala primeiro, calma.
— Com certeza. — Confirma Jackson, descontraído.
— Então, sem mais delongas... Comecem!! – Ele levanta a bandeira, saltando para longe da arena e iniciando a batalha.
— Portal Gate... OPEN! – Dizem os dois ao mesmo tempo.
— The Ice! – Uma aura azul-clara envolve a pequena Walker.
— The Strings! – Uma aura marrom envolve Jackon.
Julie e Jackson pulam para trás se afastando, como padrão de todas as lutas. Julie já começa correndo primeiro, planejando dar um chute em Jackson. O mesmo se desvia, dando um murro no rosto de Julie como contra ataque, que aguenta o golpe e faz o mesmo no rosto de Oxford. Os dois vão para trás.
— Ice Sword! – Julie cria a espada de gelo lindamente ornamentada e igualmente letal e ao se recuperar do soco na face, parte para mais uma investida. Ela dá um, dois, três golpes com a espada, mas só o terceiro acerta de raspão o braço de Jackson, gerando um corte superficial.
— Sua...! — Ele limpa o sangue do braço, aparentemente irritado, quebrando seu semblante inicial de descontração.
Julie fica encarando o oponente.
— Acha que pode me vencer com gelo? Vou te mostrar o poder do The Strings! Slip String! – Da palma de sua mão, após um breve silvo de aura, é liberada uma corda metálica de cor dourada, que agarra o pulso esquerdo de Julie, apertando-o com força surpreendente.
— Acha que essa corda pode me segurar? – Julie ameaça levantar o outro braço, porém...
— Slip String! – Outra corda metálica prende a mão direita de Julie. – Como se sente, The Ice? Presa por minhas terríveis cordas!
— Você parece ter uma auto estima muito baixa pra ficar se gabando dessas cordinhas, hein? — Aponta Julie, inocentemente.
— Observe, Julie Walker! Eletric Current! — A aura marrom de Jackson pisca brevemente num tom dourado, gerando um ataque elétrico que percorre a corda metálica e eletrocuta Julie, repetindo o movimento várias vezes.
Julie começa a ficar tonta após vários choques, que apesar de não serem tão intensos, eram um após o outro, não tendo como reagir, mas mesmo assim aguentava todos, embora quase não estivesse mais conseguindo se manter de pé.
— Você vai perder!! – Grita Jackson, com um tom homicida.
Na arquibancada, Maggie e Ox olhavam para Julie, nervosos.
— “Faz alguma coisa, The Ice! Revida!” – Pensa a ruiva.
Julie, na arena, já não aguentava mais tantos golpes seguidos. Começava a enxergar tudo escuro, como se fosse desmaiar. Até que, num momento confuso para a lutadora da Chronicle, Jackson a solta, recolhendo suas Slip Strings.
— Como está se sentindo, Julie? Está bem? – Ele diz com alto nível de sarcasmo.
— Cala a boca, idiota. – Ela responde, tonta. – Você ainda não viu nada!
— Na verdade, isso eu digo para você. Você ainda não viu nada! Veja bem, eu não gosto de lutas tão... clichês. Eu prefiro brincar um pouco com minhas presas, entende? Enquanto estava presa por minhas Slip Strings, as cordas estavam provocando em você algo que chamo de “Tension”.
— T-tension? – Pergunta ela.
— Você pode me ver como um medíocre usuário de cordas com baixa auto estima, mas eu sou mais do que isso! Como sabe, ou não, muitos portallers dominam elementos, podendo ser uma habilidade primária ou secundária de seu portal.
É constatado entre as classificações de portais que existem portallers que se usam da própria aura e/ou de energias elementares secundárias ou primárias em suas habilidades, estas que podem ser: fogo, terra, água, ar, eletricidade, gelo, metal, luz e trevas. Há ainda uma classificação a parte para portallers que só usam a aura como meio de energia para suas habilidades, os Non-Elemental.
— E daí? – Pergunta a jovem Walker, irritada com tanta enrolação.
— E daí, que a energia secundária que meu portal de cordas abusa é a eletricidade. Minhas descargas elétricas não são muito fortes, mas quando a vítima se prolonga á alguns instantes de estresse, essa incomum descarga age, fazendo que em mais ou menos seis minutos, os movimentos do corpo cessem, uma paralisia nos impulsos elétricos relacionados aos músculos. – Julie começa a se sentir tonta novamente e cambaleia para frente. – E olha só, você tem cinco minutos depois de toda essa explicação! Você tem aproximadamente um minuto para cada membro do corpo. Vamos ver como se sai agora, Julie Walker!
Hecs, vendo que um novo conceito da batalha acabara de surgir, toma essa oportunidade única para si e o apresenta para o público com imenso entusiasmo.
— Olha isso, galera!! O Jackson propôs à pequena Walker o desafio de vence-lo em cinco minutos, caso contrário, ela será automaticamente eliminada por não ser capaz de continuar!! Vamos ver como ela se sai nessa... Bataaaaalha Turbo!!
A platéia urra em êxtase por um novo estilo de batalha diferenciado nunca antes presenciado na história do torneio.
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— Batalha Turbo, não é?
Maggie leva um susto. Ox ri do susto da amiga. Como se vindo do nada, Raiko surgira do seu lado e estava sentado. Ela, numa reação imediata, golpeia o rosto de Raiko com uma tapa, mas ele não liga, continuando a olhar a arena.
— COMO VOCÊ FAZ ISSO?! Chegando perto dos outros sem nem manifestar som? – Diz ela, gritando.
— Isso não interessa. O que importa é que Julie está em perigo ali. Ela só tem cinco minutos para vencer o que parece ser um portaller Control que agora vai fazer de tudo pra se defender das investidas dela, ou melhor, agora ela tem quatro minutos e trinta e cinco segundos. — Maggie suspira, voltando a se concentrar na batalha.
— Tension, não é? – Ela volta a focar a arena.
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Julie fica olhando para Jackson, pensando se era um blefe ou não. "Eu realmente só tenho mais cinco minutos?", pensava a garota. Mas ela não correria o risco.
— Ice Sword! – Julie cria a espada de gelo novamente, partindo para cima de Oxford, ignorando a tontura.
— Creepy String! – Uma corda negra, de aparência viscosa, sai da palma da mão de Jackson novamente e se enrola o braço que Julie usava para segurar a espada com ainda mais velocidade que a Slip String, em seguida puxando o corpo de Julie para si. E quando Julie chega a alguns centímetros do garoto, ele chuta a face da garota, que voa para trás e se choca contra chão. – Quatro minutos e dez segundos, Julie!
— Já mandei calar a boca! – Ela levanta e parte em direção à Jackson, que começa a correr fugindo dela.
— Está fugindo não é, seu covarde? Volte aqui! – Ela continua correndo atrás do adversário, ainda com a espada em mãos.
— Infernal Strings! — Jackson toca no chão e várias cordas finas e avermelhadas com pequenos espinhos saem do solo abaixo da garota, tentando agarrar seus pés e impedir sua movimentação. Julie desvia de todas com perícia e cortando algumas com a Ice Sword.
— PEGUEI VOCÊ! — Julie finalmente consegue chegar perto o suficiente do inimigo, atacando-o já com os olhos brilhando num tom verde escuro característico de sua raiva.
— Três, dois, um e... – Jackson para de correr e vira na direção dela, estalando os dedos. Julie já estava pronta para descer a Ice Sword com violência de cima a baixo em Oxford, porém, ela para no meio do golpe e deixa a espada cair no chão.
— “Como? Não estou sentindo meu braço!” – Pensa a garota.
— Quatro minutos! Primeiro, o seu braço direito vai parar! Fiquei sabendo que é destra não é? JULIE?! – Fala, sempre mantendo o sorriso psicótico.
— Maldito... – O seu braço direito havia parado de se mexer, não importava o quanto ela tentasse, não conseguia sentir o próprio braço.
— Três minutos e cinquenta e cinco, Walker! – Julie se levanta e corre usando a mão esquerda para tentar acerta-lo, já num misto de fúria e desespero.
— Creepy String! – Ele libera a corda esguia novamente, prendendo a mesma no pulso bom da garota, puxando-a logo depois para perto de si e dando uma cotovelada no rosto da mesma, fazendo Julie cair no chão.
Mal ela cai, já levanta num pulo, numa bela acrobacia. Infelizmente para a The Ice, quando menos percebe, Jackson já está na sua frente, armando um chute. E acerta. Julie voa para trás, mais uma vez. Quando finalmente cai no chão...
— Três minutos e trinta, Julie! Infernal Strings!! – As cordas avermelhadas novamente saem do solo e prendem a garganta de Julie, a apertando com força contra o terreno.
— I-isso é... – Ela tenta respirar com esforço. — ... c-covar...dia! J-jackson! – Ela fala enquanto Oxford se aproxima devagar, ainda com o olhar psicótico e a aura marrom ainda mais forte o envolvendo.
— Três minutos e vinte segundos... – Seu olho esquerdo tremia, sob uma neurose de espasmos inacreditáveis de satisfação e prazer. – E te soltar? Logo agora? Mas o jogo está tão emocionante!
Raiko na arquibancada suava frio. Ele sabia que Julie estava em grave perigo. Faltavam três minutos e dez segundos para o braço esquerdo de Julie se paralisar e sem os braços ela perderia metade da eficiência. A batalha estava tomando um rumo difícil.
Julie se contorcia em busca de apoio para soltar aquela corda de seu pescoço. Ela resolve puxar com uma das mãos. Mas quando conseguiu subir a mão na altura do pescoço...
— Nada de trapacear no meu joguinho! Infernal String!! – Outro aglomerado de pequenas cordas espinhosas sai do chão e prende a mão esquerda de Julie. – E três, dois, um e...
Julie para de sentir o braço esquerdo assim que Jackson estala os dedos.
— AHA!!! O que acha Walker? Como poderá usar seus golpes sem poder movimentar os braços? Não poderá contar com sua Ice Sword e...
— Ice Thorn!! – Uma grande e espessa vinha de espinhos de gelo surge do chão e atinge a barriga de Jackson, que cancela as cordas infernais e cai no chão á 4 metros para trás. Julie respira fundo, com marcas vermelhas na garganta devido a força exercida pelas Infernal Strings. Suas mãos não funcionavam, mas desde que elas estivessem tocando no chão, seu portal conseguiria usar o Ice Thorn.
Raiko, Ox e Maggie nas arquibancadas dão um suspiro de alívio ao mesmo tempo. Jackson se distraíra por um segundo e Julie se aproveitou extremamente bem disso. Jackson levanta forçando ficar de pé, com um profundo corte no tórax, arfando. O golpe lhe acertara em cheio.
— Sua filha da... – Ele leva uma joelhada da já de pé Julie Walker no queixo e quando ele iria cair no chão, ela com o pé o acerta mais uma vez, fazendo-o cair para trás denovo.
— Fica calado! É bem melhor para você.
— Quieta! Argh! – Ele vomita sangue. "Aparentemente, o Ice Thorn acertou em algum órgão de Jackson", pensa a garota. – V-você só tem vinte segundos, com... – Ele pausa, engolindo algo, provavelmente sangue. — ...com o tronco, nanica! Em vinte segundos, contará só com o movimento das pernas!!
— Já mandei se calar! – Ela arma outro chute em Jackson.
— Mas, como você é teimosa, acho que terei de acabar com você antes! – Ele grita, ainda caído no chão. E posiciona as duas mãos, com as palmas apontadas para a oponente e pulsos encostados um no outro. – Overload Strings!!!
E um clarão dourado de energia elétrica emana da aura do ruivo, levando consigo mais uma lutadora do Chronicle.
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— “Mestre Fair...”
Olhando pela janela de seu apartamento na cidade alta de Shinji, estava Alexan, pensando em seu mentor. Fair. Conhecido entre os seus poucos servos como “O Justo".
— “Mestre Fair é tudo para mim. Se não fosse ele, eu estaria hoje provavelmente nas mãos... daquele garoto...”
FLASHBACK / ABRE
— E aí? Não vai trabalhar, inútil?!
Alexan recebe um chute no estômago de um garoto de aparentemente um ano a mais que ele. Na época, ele tinha somente oito anos. O chute viera de um garoto com olhos provavelmente pretos e cabelos ainda mais do que os olhos, mas ainda assim, lustrosos e curtos. Era branco e usava uma roupa inteiramente negra, com uma jaqueta preta e calças, camiseta e sapatos também pretos. Não era possível ver seu rosto naquela escuridão.
Pois na Torre do Medo, ninguém pode se olhar nos olhos.
— Sim, senhor... – O pequeno garoto de cabelos prateados pegava um estranho pacote, de uma pilha com diversos outros pacotes, recheado de pedaços de um cristal laranja e colocava dentro de uma maleta preta, que pelo que parecia mantinha aquilo inteiro e preservado.
Alexan sentia nojo de ter de tocar, e mesmo olhar para aquilo. Olhar para aquela maldita droga que o tirara de seus parentes. HD.
HD era uma droga introduzida no mercado negro á pouco tempo, e tinha o mesmo efeito tanto quando ingerida quanto como em forma de pó ou inalada. Seu efeito durava aproximadamente dez minutos e quando ele acontece, dizem que o usuário consegue rever momentos de sua vida em forma de memórias visuais, mas somente momentos aleatórios, onde o usuário nunca pode escolher o que quer ou não ver, fazendo algumas pessoas se viciarem pelo desespero de vivenciar novamente uma experiência em específico.
E pensar que tudo aquilo estava nas mãos de um garoto de nove anos.
FLASHBACK / FECHA
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Um minuto depois...
Na arena do Night Fight, um menina estava caída no chão, de barriga para baixo. Enquanto um garoto, seu adversário, estava de pé, olhando-a de longe, com desdém.
Hecs, o narrador e juiz da batalha, fica encarando seu corpo trêmulo e relutante, como se esperando que ela se levantasse.
— Então é isso pessoal, o vencedor dessa luta é... – Hecs anunciaria que Jackson era o vencedor. Raiko abaixa a cabeça.
— Eu tô bem! – E uma voz é ouvida de Julie.
Raiko volta a levantar a cabeça.
— Ainda faltam... – Julie fala, completamente abatida. — ...um minuto... Jackson...
— “Como a pirralha está se mexendo? Ela sobreviveu ao Overload Strings??" – Agora era a vez de Oxford ficar preocupado. Sua habilidade , Overload Strings, consegue transformar tensão corporal em energia elétrica e locomover tal energia por meio de uma corda luminosa que ele controla como bem entender. Com tanta tensão acumulada nos dois adversários, como ela consegue se manter consciente?
— Eu ainda posso mover... – Ela dá uma pausa. — ...a cabeça... – Ela usa o queixo para empurrar o corpo para frente, já sangrando de tanto ser arrastado pelo chão arenoso com pequenas pedra arranhando a pele.
— Idiota! Por que ainda tenta? Você já perdeu! — Ele dá um chute no rosto de Julie. Mas a mesma, após se recuperar do impacto, continua se movendo, rastejando.
— Porque... – Uma pausa. — ...eu sou uma lutadora... – Desta vez, uma pausa proposital. – DA CHRONICLE! – Ela usa suas poucas energias nesse grito. — Eu fui escolhida pela Maggie para estar aqui pois ela acredita no meu potencial e me quis nesse torneio. Eu estou aqui por que o Raiko e o Ox me salvaram e agora eu devo parte de minha integridade a eles. EU ESTOU AQUI POR QUE EU FAÇO PARTE DELES! E EU NÃO VOU DESISTIR SÓ POR QUE UM IDIOTA DE BAIXA AUTO ESTIMA SABE BRINCAR COM CORDAS!
Nas arquibancadas, Dread, sério, sente uma mistura de apatia e admiração contida. Raiko, Maggie e Ox sentem um orgulho no peito e sorriem. E mais outra pessoa sorri. Mas essa já não estava ligando para o próprio sorriso. Essa pessoa nem devia notar o próprio sorriso. Como poderia? O desdém de Jackson supera toda e qualquer manifestação de um sorriso consciente.
— CHRONICLE?? CHRONICLE? Você liga pra isso? – Ele pega Julie pelo pescoço, levantando-a até a sua altura, rindo incontrolavelmente, com o espasmo no olho agindo de forma frenética. – Sabe o que você devia fazer?? Esquecer esses merdas da Chronicle!!
— E sabe o que você devia fazer, Jackson? – Ela dá um sorriso. – Lembrar que eu ainda tenho a perna esquerda.
Neste momento Jackson percebe sua estupidez. Mas percebe tarde demais. Ele leva um chute no estômago que o faz ser jogado com força para trás. E Julie também percebe que se não fizesse nada, ela perderia, pois não poderia se mexer novamente e ele, sim. Faltavam cinco segundos para ela perder os movimentos de todo o corpo.
Ambos cairiam ao mesmo tempo. E enquanto Julie e Jackson ainda estavam no ar, ela reúne todas sua energia que restou, e aposta na força de seu portal. Um último sopro de energia. Porque...
“...4...”
...os seres humanos...
“...3...”
...quando querem...
“...2...”
...são capazes de feitos...
“...1...”
...extraordinários.
— ICE BREATH!!!!
Com uma explosão cônica de gelo saído de sua boca, como uma baforada de um dragão lendário, ela encerra a última luta das preliminares do Night Fight, com sua nova técnica.
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