PLDT-Novos conflitos

24 Jantar De Ensaio/A Escolha


Notas iniciais
Depois de MUITO tempo afastada,veio por meio desse capítulo dizer que a história está de volta.Peço desculpas pela demora,se é que alguém está lendo isso ! Teremos Links camuflados! Boa Leitura!!

(Música Do Capítulo)

Sentada naquele banco do jardim da mansão Scott,senti as lembranças me acolherem,foi exatamente aqui que Bernardo meu pediu em casamento,há 7 anos atrás,o local permanecia do mesmo jeito,mas algo naquela cena se encontrava diferente,e eu poderia supor que era eu.Observando o luar,sozinha,sentindo o frio abraçar meus braços,enquanto toda a festa ocorria lá dentro,da casa que estava hiper mega decorada com os exageros da Jessy,era incrível como ela fazia um simples jantar de ensaio se tornar um evento digno da realeza.Senti a presença de alguém ao meu lado,e não precisei me virar para saber de quem se tratava.Somente pelo cheiro de menta pude reconhecer a pessoa.

—Gostei do novo visual,combinou com você — Bernardo elogiou e eu sorri de lado,e o observei pelo canto do olho.Tinha total certeza que vendo-me aqui,com um ar nostálgico,a última coisa que ele notou foi meu visual.

—Mudar as vezes é necessário —comentei por alto e ele soltou uma risada graciosa.

—Se eu te perguntasse onde você estava todo esse tempo,você me contaria ? — indagou curioso,e eu arqueei uma sobrancelha.

—Você me conhece o suficiente para saber a resposta —afirmei e ele imediatamente concordou,ele realmente me conhecia,e não poderia discordar daquilo.

—É lógico que você não contaria — constatou um pouco tarde demais,e eu sorri.

—É passado,estou um pouco cansada de viver nele...Se bem que daqui a pouco terei que recordar minha adolescência quando meus pais me repreenderem por ter sumido e não ter dado noticias,sendo irresponsável como uma garota de 16 anos — debochei divertida,me sentindo feliz ao constatar que eu ainda conseguia levar uma conversa agradável com Bernardo,não queria perder isso.Não queria perder as sensações que ele me trazia,não queria perder sua presença constante em minha vida.

—Mas você agiu como uma —ele retrucou brincalhão,me empurrando com o ombro.

—E eu não nego...Mas não sou mais uma garota de 16 anos,posso fazer isso,e ainda sim não ser errado —disse de volta,querendo enfatizar que eu não era a mesma de antes,não era a garota pela qual ele lutou até o fim.

—Só estão preocupados com você...Todos estamos — contou,dando um suspiro em seguida.

—Quando vão entender que eu não preciso que cuidem de mim.?..As pessoas que fazem isso sempre se machucam no final —questionei,dizendo o obvio,e Bernardo se levantou e ficou de frente para mim.

—Eu não sei eles...mas eu prometi que sempre estaria ao seu lado — ele disse galanteador,me oferecendo sua mão para que eu me levantasse também,olhei para suas mãos,depois para seus olhos verdes e sorri, aceitando,me pondo de pé.

—Promessa estúpida —não perdi a oportunidade de ser “Mel” e ele assentiu,enquanto começávamos a caminhar de volta em direção ao jantar.

—É o que eu penso todos os dias — confidenciou fingindo,e eu sorri por sua brincadeira.

Passamos pela entrada,e logo estávamos na área de festas.Apesar de ser uma comemoração reservada.Tudo estava esplendoroso demais,várias luzes azuis piscavam ao nosso redor,jarros de flores brancos.Alguns repórteres discretos,que assim que viram eu e o Bê entrando juntos,fizeram questão de registrar o momento.Várias mesas de acrílico semelhantes a diamantes,com arranjos ornamentados as decorando,uma pista de dança,um palco improvisado no centro do local,um piano posicionado em cima dele,um telão enorme acoplado a parede,e um mini bar no canto superior.Jessy realmente não tinha jeito.

—Ainda não entendi por que a Jessy se formou em moda,se o talento dela é realmente organizar festas — murmurei para Bê,enganchando meu braço no dele,para fazer esse comentário,ele sorriu ao ouvir minhas palavras,e nesse momento sentimos um flash de um dos fotógrafos em cima de nós,mas não nos incomodamos com aquilo.

—Ela é multi tarefas,ainda não ficou sabendo ? — Bernardo questionou divertido,e eu gargalhei baixinho.Era ótimo vê-lo tão feliz,ter certeza que mesmo que o tenha machucado,ele havia conseguido superar a dor.O fitei pelo canto do olho pela centésima vez hoje,quando ele estava distraído, observando algumas pessoas,e sorri.

—É ela realmente é — confirmei,querendo disfarçar meu momento anterior.Um garçom passou próximo a mim,e eu peguei uma taça de champanhe para mim,e outra para Bê,que aceitou de bom grado e agradeceu.Ainda segurando nele,fomos em direção a mesa reservada para nós,e nos sentamos em nossos lugares.

—Não é estranho?...sabe... estarmos aqui hoje,no jantar de ensaio do Ícaro,depois de tantos anos...Parece que foi ontem que apresentei a Duda a ele,e agora eles vão casar — falei notando aquilo,e em seguida me servindo com um pouco da minha bebida.

—Estranho é o Ícaro ter me chamado para ser padrinho do casamento dele —Bernardo comentou e eu tive que concordar — Eu tinha muito ciúme de vocês dois,da amizade que você tinham —ele disse lembrando-se dos velhos tempos.

—Tinha mesmo...Mas vamos combinar que tinha motivo...Eu cheguei a cogitar tentar algo com ele — admiti sabendo que agora não faria diferença.Bê me olhou reflexivo.

—Eu pensei que se algum dia te perdesse para um cara...seria para ele — Bernardo contou,me deixando surpresa,mas o que ele disse a seguir,me surpreendeu mais ainda —Acabei te perdendo por minha culpa,não sei se algum dia irei me desculpar por isso —suas palavras me afetaram,mas eu não sabia como respondê-las.Fiquei em silêncio,e ele também,e assim um clima constrangedor se iniciou,que foi cortado com a chegada de uma pessoa,que a muito tempo não víamos.Encarei Eshyley totalmente abismada,e podia postar que estava com a boca escancarada,a loira nos olhou com um enorme sorriso no rosto,e não demorou para que eu me levantasse,e abraçasse ela.Céus ! Não nos víamos há anos.

—Quanto tempo — eu disse a frase mais clichê do mundo,quando nos separamos e ela foi abraçar Bernardo.Ela me encarou com aquela expressão de sonsa que eu tanto odiava nela,mas que passei a ter saudade e sorriu.

—Todos reunidos em um só lugar,há quanto tempo isso não acontece ? —ela indagou e eu considerei aquela uma ótima pergunta.

—Acho que da ultima vez que isso aconteceu,nós nos odiávamos —falei irônica,e Bernardo riu.Eshy me olhou com desdém.

—Não se gabe tanto disso,eu ainda continuo te odiando —ela disse como se não fosse nada.E era ,nada mais que uma brincadeira ridícula.

—O sentimento é reciproco,posso garantir isso — afirmei cruel.Logo ela se sentou conosco,e começamos uma conversa nostálgica,sobre o tempo em que ela namorava Bernardo apenas para me atingir.O que antes era dramático tornou-se cômico,o que antes nos fazia chorar,agora nos fazia rir.

Ela nos contou um pouco sobre sua vida como professora em Londres,e felizmente não tocou no assunto do término de nosso noivado.Pela primeira vez na vida dela,minha prima foi sútil e eu agradeci mentalmente por isso.Seria um saco falar sobre isso com a Eshyley.Estávamos falando sobre a minha tia,quando avistamos Cat vindo em nossa direção,ainda com aquele corpo magricelo de modelo,toda sorridente.Ela soltou um gritinho animado,e praticamente correu até nós,se jogando em nossos braços.

—Isso é insano, nós três nos odiávamos no ensino médio,e agora estamos felizes por nos encontrarmos — falei não querendo tornar aquele momento fofo,fazendo com que elas revirassem os olhos ao mesmo tempo.

—Você sempre sendo a escrota do grupo —Catarina disse bufando,e aquilo me fez sorrir.

—Essa pode ser a coisa mais estúpida que eu já disse na minha vida,mas eu senti falta de vocês — contei o que há alguns anos seria considerado impossível.Eu simplesmente estava adorando o fato de todos terem dado um tempo de suas vidas atribuladas em diferentes lugares do mundo,apenas para prestigiarem um amigo.

—Pode parecer masoquismo...Mas a vida era muito mais fácil quando simplesmente só amávamos e odiávamos uns aos outros — Eshyley disse com um sorriso triste e todos fomos obrigados a concordar,com certeza as coisas eram melhores naquele tempo.

Cat nos disse que seu namorado super gostoso,não poderia participar do jantar e do casamento,pois estava em Madri,gravando um comercial de carros.Ficamos sabendo que ela assinou um contrato incrível de modelo em Mônaco,e a parabenizamos.Durante nosso longo papo acabamos tomando uma garrafa de champanhe completa,era muita coisa pra colocar em dia.

Ken foi o próximo a chegar,ainda totalmente egocêntrico, e com as mesmas piadinhas sem graça.Vi ele me encarar,quando já estava sentado na mesa com a gente,e arqueei uma sobrancelha,esperando que ele falasse o porquê de estar fazendo isso.

—Fique sabendo que terminou com o Bernardo...estava pensando...bem que a gente podia sair um dia desses —ele ofereceu tentando soar sedutor,ri diante da proposta dele.

—Sério Ken ? Se passaram 7 anos e você ainda não superou o fato de eu ter terminado com você ? Se toca,eu não vou sair com você — neguei convicta,revirando os olhos,e bebendo mais um pouco de champanhe.Bernardo sorriu quando me viu dando um fora no Ken.Esse por sua vez vendo que não tinha chance comigo,passou a conversar com a Eshyley.

Pedi licença para ir ao banheiro retocar a maquiagem e me levantei,passando a andar pelo salão rumo ao toalete.Parei meu percurso ao me deparar com meu certinho preferido no mundo todo.Hector De La Riva sorriu ao me ver,e não foi necessário mais nada,para que eu o abraçasse,apesar de morarmos perto um do outro quase não nos víamos,sentia falta de nossas conversas,e o meu sumiço repentino só intensificou ainda mais essa falta.Não pude falar com ele hoje mais cedo,quando fui na casa de Ícaro,porque assim que me desculpei sai de lá sem querer encarar ninguém,rumei para meu apartamento completamente destruído e me escondi lá.

—Sua maluca,você não cansa de ser imprudente, não ? — ele questionou querendo me repreender por ter desaparecido do nada.Depois que terminei com o Bê.

—Precisava de um tempo...Depois de tudo — respondi pois sabia que ele ia me entender.Ele sempre me entendia afinal.

—Como está ? —ele foi ao primeiro a me perguntar aquilo que eu estava treinando a tempos para responder.Suspirei e o olhei.

—Eu não sei — fui sincera,e ele beijou minha testa,num ato fraternal.

—Sabe sim! Só não quer falar em voz alta...Só não quer ser quem você é — ele sussurrou,e eu dei um meio sorriso.

—Só queria que as coisas não fossem tão complicadas — murmurei fazendo um biquinho.

—É você que sempre complica as coisas,Mel —ele afirmou,e eu não pude ir contra aquilo,pois estava começando a achar que era verdade.

O momento sentimental acabou assim que Sabrina apareceu para chamar seu marido.Encarei minha ex cunhada de forma divertida.Aquilo oficialmente nunca iria mudar,era quase uma regra implicarmos uma com a outra.

—Seja onde for que você estava,devia ter ficado lá —ela disse com ironia.Ouvi Hector murmurar um “vai começar”.

—Não pude,estava com muita saudade de você — retruquei com deboche,e ela revirou os olhos.

—Meu irmão tem sorte por ter acabado com você — ela afirmou,mas eu sabia que no fundo,bem no fundo,ela não queria dizer aquilo.

—Na verdade eu acho que sortuda sou eu,já que agora não terei que aturar você como cunhada —disse com uma sobrancelha arqueada,ela deu as costas e saiu da minha vista,levando Hector consigo.

Balancei a cabeça negativamente e sorri devido a infantilidade dela.Mas logo desfiz o sorriso,quando Joeye apareceu na minha frente com uma expressão nada legal em seu rosto,ótimo eu iria receber o sermão do século!

—Certo para iniciarmos eu tenho que te dizer que te odeio ! Por você ter voltado hoje,e não ter tido a dignidade de nos cumprimentar quando foi na casa do Ícaro.Te odeio por você ter abandonando a empresa e por ter deixado todo trabalho na minhas mãos...Mas te odeio mais ainda por não ter me procurado e me forçado a fazer algo estupidamente ilegal ao invés de fugir para não enfrentar suas dores — ele desabafou e eu podia apostar que aquela era sua forma de dizer “senti sua falta”.

—Como se você não soubesse o quão vadia eu posso ser as vezes...Eu sei que te devo milhares de explicações,mas não hoje,não agora — falei firme e ele assentiu — E eu tenho um servicinho para você — contei por alto e ele sorriu,depois de soltar um suspiro.

—Nunca pensei que fosse gostar tanto de ouvir essas palavras — ele disse com falsa decepção,encarei o loiro e sorri para ele.Segurei sua mão direita,e encaixei meus dedos nos seus.

—Estou tão perdida Joeye — sussurrei e ele não duvidou disso.

—Você vai se encontrar.Você sempre se encontra —ele garantiu e foi impossível não sorrir.

Conheci os parentes de Duda e eles foram muito simpáticos comigo.Por eles serem brasileiros não estavam acostumados com jantares de ensaio,porque a cultura deles é completamente diferente,mas ainda sim pareciam estar se divertindo muito.Meus pais chegaram um tempo depois com a minha irmã,claro que fizeram um discurso tedioso sobre minha irresponsabilidade,mas por estarem num evento logo se acalmaram.Eles pareciam estranhos,Lilyanna mal direcionava a palavra ao meu pai.

Leonora não poderia vir a festa,pois estava viajando com o marido,portanto também não participaria do casamento amanhã.

Voltei para minha mesa onde iniciei uma conversa animada com Joeye,que também estava lá,e logo vimos Jessy subir ao palco toda saltitante anunciando os noivos.Ícaro e Duda pareciam tão felizes que eram só sorrisos para todos.

—Eu realmente quero agradecer pela presença de todos,nesse dia tão importante.Cada um que está aqui faz parte de um momento importante em nossas vidas —Ícaro falou no microfone de forma sincera,e logo Duda continuou o discurso.

—É uma honra podermos compartilhar cada parte desse momento com vocês que são as pessoas que amamos tanto—ela disse de forma gentil.Então Jessy nos comunicou,que aquele era o momento das homenagens começarem.Os jornalistas pareciam ansiosos por isso.Os noivos se sentaram em seus lugares,na mesa principal,e a primeira a começar a falar dos dois,obviamente foi Jessy,enquanto imagens do casal rodavam no telão.Suas palavras nos fizeram rir muito.Então assim se seguiu a lista de pessoas que tinham muito a dizer sobre a ocasião e dos meus amigos.

Até agora somente quem não havia falado eramos eu e o Bê,por isso decidimos subir ao palco juntos,ouvimos os sussurros dos repórteres por nossa ação.Encachei o microfone no suporte e encarei a todos que me fitavam com expectativa.Principalmente Ícaro.

—Conheci Ícaro numa época da minha vida em que eu não costumava me apegar as pessoas.Ele era um babaca,um babaca com um senso de humor e uma animação contagiante.Acho que nos apaixonamos um pelo outro,não de maneira romântica,mas sim como uma conexão.Viramos parceiros,cúmplices,iniciamos uma amizade estranha,cheia de momentos constrangedores, de horas de apoio, bebedeiras fora de hora, demonstrações excessivas de nossas falhas, e de desculpas inusitadas...Tudo isso serviu para trilharmos um caminho único...Para nos amarmos intensamente...Agradeço por Duda ter aparecido na vida dele,por ser digna de todo o amor que o Ícaro pode dedicar alguém,porque os dois merecem a mais plena felicidade.Esse casamento tem tudo para ser o mais completo e realizado de todos —discursei o que vinha do meu coração.Meu amigo me olhou emocionado e Duda parecia estar também.Todos aplaudiram,pois me conheciam e sabiam que eu não estava exagerando.Assim passei a vez para Bernardo que tomou a voz.

—Sempre tive muito ciumes do Ícaro,achei que ele estava roubando o que era meu.Mas com passar do tempo,percebi que ele era incapaz de fazer isso,porque apesar de toda sua futilidade inicial ele era um cara legal.Acabou tornando meu amigo,e conheceu a Duda,que é tão especial quanto ele.Os dois merecem ser feliz —ele foi curto e breve,mas ainda sim foi bonito.Para emoção das pessoas,e inclusive a minha.Um vídeo com nossas fotos no ensino médio se iniciou,em datas que foram tão marcantes naquela época.Segurei minhas lágrimas ao ver aquilo.Olhei para Bê e ele assentiu,ao perceber que eu estava pronta para fazermos a surpresa que havíamos planejado.Direcionei meu olhar para Sabrina que estava lá em baixo e ela também entendeu,já que logo em seguida subiu no palco também.Jessy nos encarou temerosa,afinal aquilo não foi planejado por ela.Os outros apenas observaram a cena com curiosidade.Entreguei um microfone a Sabrina,e Bê nos deu os pontos para colocarmos no ouvido.

Nos posicionamos no palco e a banda iniciou a parte instrumental.Senti a música tomar conta de cada parte do meu corpo e sorri.E assim minha voz fluiu.

Hay algo que tal ves deba decirte,
Es algo que te hace muy, muy bien,
Se siente tan real, esta en tu mente,
Y dime si eres,
Quien tu quieres ser

Iniciei a canção,mas logo meus dois acompanhantes se juntaram a mim.Os jornalistas arregalaram os olhos,eles não esperavam que Sabrina e eu cantássemos.Meus pais me fitaram com orgulho.Ícaro se contagiou com nossa loucura momentânea e se juntou a nós.

Tómame la mano ven aquí,
El resto lo hara tu corazón,
No hay nada que no puedas conseguir,
Si vuelas alto...

Hay mil sueños de colores,
No hay mejores, ni peores,
Solo amor, amor, amor y mil canciones, Oh.
Ya no hay razas, ni razones,
No hay mejores, ni peores,
Solo amor, amor, amor y mil opciones,
De ser mejor...

Bernardo cantou esse trecho,com sua voz experiente,e várias pessoas soltaram gritinhos.O resto de nós fez o coro.Cantando e sorrindo.

Saber y decidir que hoy es posible,
(Hoy es posible...)
Que en cada pensamiento vuelva hacer,
(Uuh vuelva hacer...)
Poder imaginar que somos miles,
(Que somos miles), E el sueño que comieza a crecer...

De repente tambores começaram a rufar e a música se alegrou.Fui até o centro do palco,e iniciei a coreografia que havíamos aprendido anos atrás,em uma das aulas da Gilbert’s Parker’s e os outros fizeram os mesmo.Animados com a ideia de voltarmos no tempo.

Então para nossa surpresa todos nossos amigos subiram no palco,e começaram a cantar com a gente.Em meios as palavras erradas,e passos totalmente inusitados.Dancei com Ícaro,girando em seus braços.Me posicionei em frente a Bernardo cantando,olhando nos seus olhos de maneira intensa,então a música acabou,e continuamos a nos encarar.Enquanto as pessoas gritavam ao nosso redor e aplaudiam o show improvisado.Despertei do transe,e assim fizemos um abraço em grupo totalmente desajeitado.Amava aquelas pessoas acima de qualquer coisa.

Logo a banda começou a tocar uma música lenta que por coincidência era de Bernardo,ele me chamou para dançar,e eu não vi nenhum mal em aceitar.Logo fomos para a pista de dança,e nos movimentamos no ritmo dos instrumentos,eu abraçada a ele,sentindo seu cheiro e seus braços me rodearem.Fechei os olhos por alguns instantes,e quando os abri me surpreendi ao ver Guto e Clove adentrarem o salão de festas.Por que ele estava aqui ? Logo me recordei de que ele e Ícaro viraram amigos,portanto ele deve ter chamado.Ele procurou alguém por cima dos ombros,e quando seus olhos encontraram os meus,ele estancou no lugar.Ele não esperava por minha presença também.Achava que eu ainda estava sumida.Me remexi desconfortável com a situação,notando que era a primeira vez que Bernardo e ele estavam no mesmo ambiente depois de anos.Tornando tudo mais confuso.Me desvencilhei dos braços do meu ex noivo,com a intensão dele não perceber que eu estava tensa.Peguei um champanhe com um garçom,e bebi tudo num gole só.E decidida e direta como sempre era,fui até onde o Gustavo estava,querendo cumprimenta-lo logo,para que ele não achasse que eu estava o evitando.Forcei meus pés a irem até lá,e quando estava perto o suficiente,o encarei firmemente.Clove vendo que a situação não seria agradável,me cumprimentou rapidamente e pediu licença.

—Não achei que viria...Você sumiu,tentei te procurar usando os métodos da policia,pedi até a ajuda do Xerife,mas você parecia ter desaparecido do mapa —ele admitiu,enfiando suas mãos no bolsos da calça do terno elegante que ele estava usando.Suspirei devido suas palavras,e pude ver que Bernardo nos olhava.

—Ícaro é um dos meus melhores amigos,faria de tudo para estar aqui hoje.E quanto ao meu sumiço...Estava passando um tempo em Nova York —contei querendo resumir os fatos.

—Antes de você ir...você me ligou e disse que... — não deixei com que ele continuasse,o interrompi.

—Eu sei muito bem o que eu falei Gustavo,não estava tão louca a ponto de não lembrar...Só que...Eu não sei se queria mesmo dizer aquelas coisas...Não acho que esse seja o momento correto para termos essa conversa.Afinal,não é somente isso que precisa ser resolvido entre nós —comuniquei dando uma indireta sobre o fato dele não me falar nada sobre Cecília Banner.

—Concordo que esse não é o momento —ele afirmou,entendendo meu lado.

—Aproveite a festa... — desejei,dando a deixa para sair dali.Ele assentiu de forma leve,e eu me virei pronta para procurar algo para me distrair do fato do motivo da minha confusão interna de sentimentos estar aqui.E foi ai que eu vi meu pai perceber que Gustavo estava aqui,Lilyanna viu também,e eu posso apostar que vi um vestígio de temor nos olhos deles.Estranho,muito estranho!.

Segui em direção a eles,com a intensão de questiona-los sobre isso,mas minha ação final não se concretizou,já que Jessy apareceu no meu caminho,totalmente atordoada e eufórica.Típico da personalidade dela.

—Viu que o seu ex guarda costas gostoso,está aqui ? —ela questionou totalmente animada em poder compartilhar a informação.

—Sim — fui breve,ainda intrigada com o comportamento dos meus pais.

—Situação complicada não é? Bê e ele competindo pela sua atenção —suas palavras despertaram minha curiosidade.Arqueei uma sobrancelha.

—O que quer dizer com isso? — perguntei.

—Ele estava fuzilando o Bê com os olhos,quando chegou e viu vocês dois dançando.E o Bê quase estoura a taça que estava nas mãos dele,quando você começou a conversar com Gustavo —ela contou,e eu admito que não prestei atenção nisso.

—Quer saber isso não importa,saber isso só torna a pressão de não decidir sobre os dois maior.Vou me focar somente no jantar de hoje —afirmei querendo fazer aquilo.

—Boa sorte ao tentar se convencer de que você realmente não está ansiosa para decidir —ela desejou,e logo saiu das minhas vistas,indo em direção ao seu marido.Voltei o olhar para meus pais,e vi que os dois estavam se despedindo de algumas pessoas de sua mesa,finalmente fui até lá,e cruzei meus braços ao questionar:

—Já estão indo embora? —os dois ainda pareciam estar evitando falar entre si.Quem tomou voz foi meu pai.

—Sim,estamos.A parte difícil é convencer a sua irmã de vir conosco —ele comentou.Não sei porque mas essa sua ida repentina,parecia mais uma fuga.

—Pode deixar ela aqui,posso levar ela para casa depois —avisei ,querendo que minha irmã aproveitasse mais da festa.

—É melhor não,Melyssa,você pode beber —Lilyanna finalmente falou algo.Olhei para ela com um desdém disfarçado.Anos poderiam se passar,mas minha mãe postiça sempre esperaria o pior de mim.Isso chega a ser ofensivo.

—Mesmo alcoolizada eu fico sobre controle mãe.Garanto que quando ganhei centenas de raxas clandestinos eu não estava sóbria.Ela vai chegar em casa segura,darei tempo para vocês terem a DR que precisam —não perdi a oportunidade de debochar.Os dois suspiraram.

—Tudo bem.Não vá muito tarde —Lily cedeu,e partiu para fora,com meu pai a seguindo.Procurei por Lyndsay por cima dos ombros e encontrei ela se esbaldando na pista de dança,enquanto Bernardo cantava uma de suas canções no palco.Não resisti e esbocei um sorriso sincero.Era bonito ver sua juventude se aflorando.Fui até lá e comecei a dançar junto a ela,num ritmo contagiante.Logo após fiz um shot de tequila com Ícaro,em meio a gargalhadas estrondosas.

Quando a madrugada estava a caminho,decidi que devia ir.Me despedi dos meus amigos,dizendo que amanhã nos veríamos no casamento (ou no caso,hoje mais tarde)Acenei para Gustavo e chamei minha irmã para irmos.Fomos até o estacionamento,e entramos no meu carro,logo comecei a dirigir pelas movimentadas ruas de Los Angeles.

—Então...como vai o namoro? —questionei,me incomodando com o silêncio.

—Não vai...Terminamos no fim de semana —ela contou,enquanto arrumava seus cabelos,se olhando no espelho que estava dentro de sua bolsa.Ri pelo que ela disse,e balancei minha cabeça negativamente,enquanto girava o volante em direção a uma rua.

—Quer dizer que você é tipo eu na adolescência? Um namorado a cada semana —perguntei divertida,e ela revirou os olhos.

—Qual é! Fazia tempo que estávamos juntos,só que ele acabou me saindo um babaca ciumento,decidi que acabar era a melhor opção —ela explicou o problema.

—Fez o certo.Não pode deixar sua vida ser controlada por um idiota qualquer —concordei,e vi ela me olhar pelo canto do olho.

—Você e o Bê terminaram também...Achei que o amasse —ela disse como se estivesse decepcionada com meu término com ele.No fim,ela sempre nos viu como um exemplo de casal a ser seguido.

—O fato de termos acabado,não quer dizer que nós não nos amamos mais.É só que...Nos perdemos em nossa relação,e voltar para a parte que era boa,requer muita paciência e vontade de fazer dar certo —falei,querendo que ela soubesse como me sentia.

—Acha que ainda existem possibilidades de vocês dois voltarem a ser como era antes? —ela indagou esperançosa,sorri de lado.

—Nunca voltaremos a ser como antes.Agora,temos que descobrir se nossas versões adultas se amam da mesma forma que nossas versõe adolescentes se amavam —admiti a conclusão que eu havia chegado.Assim o silêncio voltou a reinar no ambiente.

Quando cheguei a portaria da minha casa,recebi permissão para entrar,e logo chegamos em frente a Mansão Gilbert Parker.Parei o carro,e esperei que minha irmã saísse,mas ao contrário do que eu esperava,ela se virou no banco e me encarou com expectativa.

—Que tal dormir aqui hoje? Amanhã podemos ir juntas ao casamento —ela ofereceu animada com a possibilidade.

—Não sei Lynd...acho melhor eu ir para meu apartamento —neguei e ela bufou,entendiada com a minha negativa.

—Você nunca mais dormiu aqui,não aceitarei esse “não”,desça logo desse carro —ela ordenou fingindo uma pose de durona.Revirei os olhos,mas fiz o que ela disse.Logo segui ela em direção a porta de casa,ela abriu a porta com sua chave e assim adentramos.Tudo estava quieto,as luzes estavam apagadas,e o cômodo principal silencioso.

—Eu vou subir para tomar um banho,estou suada —ela avisou,enquanto tirava seus sapatos.

—Tudo bem,eu vou a cozinha,beber um copo de água.Nos encontramos lá em cima —respondi,e ela assentiu e logo subiu a escadaria rumo ao segundo andar.

Comecei a caminhar em direção ao meu objetivo,mas parei meu trajeto ao ouvir vozes vindas da biblioteca,me aproximei mais e encostei minha cabeça na porta,com a intensão de ouvir o que estava acontecendo lá dentro.Logo notei que eram meus pais que estavam brigando.

—Achei que os segredos e as manipulações haviam acabado Ótavio.Mas me enganei...No começo não acreditei no que ouvi sobre aquele garoto,na verdade eu não queria acreditar,que você foi capaz de fazer isso,depois de tudo que aconteceu —Lilyanna falou indignada.

—Eu fiz isso para o bem da Melyssa,aquele garoto não era uma boa influência.Ela estava começando a se comportar,eu não queria estragar isso —ele disse em resposta,e eu senti um arrepio passar por meu corpo,ao ouvir meu nome.Coisa boa não viria por ai.

—Então,o ameaçou? Fez com que Gustavo Bennett se afastasse dela,usando os segredos dele ao seu favor.Se aproveitou das fraquezas do rapaz pedindo para que ele ficasse longe da Mel...E eu nunca saberia disso se você não tivesse surtado hoje,ao descobrir que ele estava de volta a vida de nossa filha,e que seu segredo sórdido podia ser descoberto —ela gritou,e nesse momento o ar escapou dos meus pulmões.Então era isso? Guto se afastou de mim por que meu pai o ameaçou com seu passado? Por que eu começo a ter a certeza que esse passado envolve Cecília Banner?.

Movida por uma raiva descomunal,abri a porta da biblioteca,e vi as duas figuras que estavam lá,arregalarem seus olhos,completamente surpresas com a minha presença.Afinal eles não esperavam que eu fosse dormir aqui.Já podia sentir as lágrimas deslizarem por meus olhos.Abaixei minha cabeça tentando controlar minha respiração,e em seguida a levantei e encarei meu pai.

—Como pôde fazer isso? Depois de saber que eu odiava mentiras?Depois de tudo com a Leonora? — indaguei chorando,meu pai tentou tocar em mim,mas eu desviei.

—Eu só queria seu melhor —ele tentou se explicar.h

—Mentira!Você só queria que tudo fosse controlado por você.Porque é um manipulador —retruquei,me sentindo quebrada mais uma vez.Por essa atitude vinda dele.

—Eu errei,eu sei.Me arrependo disso —ele disse querendo justificar suas ações.

—Você sempre só se arrepende,nunca faz nada para mudar,estou cansada de esperar que o senhor seja totalmente sincero comigo. Acha que eu não aguento a verdade,já eu acho que quem não aguenta a verdade é o senhor.A verdade é que a culpa de eu sempre ter sido manipuladora é sua,porque puxei isso de você —despejei,e depois sem dar tempo para que ninguém me impedisse,corri para fora dali,e dirigi rumo a praia.

[...]

Bati umas 30 vezes na porta de maneira desesperada.E quando ela foi aberta,um Gustavo totalmente confuso me encarou.Entrei para dentro chorando,e comecei a bater no peitoral dele,enquanto ele tentava me segurar,me perguntando o que aconteceu.

—Você se afastou de mim,por causa do meu pai —finalmente disse,quando estava mais calma. — Tudo por culpa desse maldito passado que você se recusa a me contar —disse cuspindo as palavras.

—Você descobriu —ele constatou.

—Sim.Eu descobri que você é mais cretino do que eu imaginava.Droga Gustavo! Você se afastou de mim,sem me dar a maldita escolha de decidir se eu queria isso.Inferno!Você sabia que eu tinha a porcaria de um sentimento por você —despejei toda minha frustração e ele suspirou.

—Pode parar de praguejar e me escutar ? —Gustavo questionou,sem em nenhum momento perder a compostura.

—Agora você quer falar ? E nossa que surpreendente,eu tenho a escolha de decidir se quero te escutar.Isso sim é uma novidade —falei irônica.

—Era o melhor que eu podia fazer no momento —afirmou querendo justificasse com aquelas meras palavras.

—Essa é a sua explicação...Você nem ao menos vai ter a decência de me contar o que te fez se afastar de mim,não é ? —perguntei ao notar isso.Os olhos acinzentados deles pareciam tão sôfregos.

—Vai por mim Mel,isso não vai tornar as coisas mais aceitáveis —ele disse dando a entender que não falaria nada sobre o assunto.Forcei minhas lágrimas a pararem de descer e encarei o culpado delas.

—Achei que você não me quebraria mais.Estava errada,não importa quanto tempo passe isso sempre vai acontecer,é um ciclo vicioso.Eu sempre colocando minhas esperanças em você,e você sempre me decepcionando.Eu sempre te dou mais uma chance,e o que recebo em troca é mais decepção.Sempre me considerei a pior pessoa do mundo Gustavo,mas vi que estava enganada,você é a pior pessoa do mundo.E quer saber,isso acaba aqui,cansei de depositar minhas expectativas em você,essa droga de história acabou a sete anos atrás e eu não notei isso porque sou uma estúpida.Me apoiei em você,porque meu relacionamento com o Bê acabou em algum ponto.Mas chega!Eu não te amo —falei da maneira mais fria possível,e vi que aquilo o atingiu,já que o mesmo deu um passo para trás.

—O que isso significa? —ele parecia ter medo da resposta.

—Significa que não importa quanto uma parte de mim tenha achado que amava você.Há uma parte maior que acredita que eu só amarei o Bê,porque essa parte sabe que não posso confiar em você — e dito aquelas palavras me virei e sai.

[...]

Dirigi sem rumo,me deixando guiar por meu coração e para minha surpresa,acabei parando em frente a casa do Bernardo.No fim notei,que era disso que eu precisava.Dele.

Sai do carro,e os seguranças da mansão liberaram a passagem para mim.Entrei na casa,com a chave que eu tinha — já que Bê havia me dado uma reserva— e me deparei com Bernardo sentado no sofá.Num estado pensativo,olhando para um ponto qualquer,sua gravata estava desajeitada,e ele parecia cansado.Não notou minha presença,até que eu caminhei até ele,e fiquei a sua frente.

—Mel! —ele exclamou surpreso,se levantando rapidamente.

—Preciso do meu melhor amigo—foi só o que eu fui capaz de fazer,antes de abraçar ele da forma mais firme que pude.

—Estou aqui —ele sussurrou no meu ouvido.

—Eu estava errada —afirmei.

—Sobre o que ? —ele questionou confuso.

—Sobre achar que eu poderia voltar a ser a Melyssa Bad Girl de antes.Você me mudou Bê.Amar você.Isso me tornou uma pessoa melhor e eu nunca mais conseguirei ser aquela garota,por mais que eu tente.A única Mel que existe agora,é a que ama Bernardo Donathello acima de qualquer coisa —admiti o que eu estava tentando esconder de mim mesma.Mas hoje com toda aquela história do Gustavo eu percebi.

—O que você está querendo dizer com isso ? —havia tanta emoção naqueles olhos verdes.

—Que eu te amo! E eu sempre vou escolher você,mesmo se existirem mil opções.Sempre vai ser você —afirmei convicta.

—Quer casar comigo ? —ele pediu.E dessa vez era diferente.Sorri.

—Eu posso cometer uma burrada duas vezes —aceitei do meu jeito.Porque era isso.Aquilo parecia ser o certo.E eu posso estar completamente errada,mas eu sentia que aquele Bernardo pelo qual me apaixonei estava de volta.E tudo que aconteceu era só uma prova,para saber se nosso amor é mesmo resistente.

E para completar aquele momento perfeito.Finalizamos com um beijo.

Notas finais
E no fim foi o Bê...Afinal sempre vai ser o Bê... Comentem!!