PET - Pokemon Estilo De Treinador (1 T)
20 Capitulo 20 - Elos de Família
Notas iniciais
Poxa... Que pena! Sinto muito por sua dor,porque perceber que sua família é extraordinária e você um nada é dose.
Capitulo 20 — Elos de Família
Já fizeram algo que vocês tiveram a certeza de que quando acabaram, ainda não estava acabado? Quando você vê que chegou ao que você esperava mas, nada parece estar terminado ainda?
Uma vez eu escutei que um Mestre de Pokemons lutadores, acredito que Bruno é o nome dele, capturou um pokemon sem utilizar um outro para enfraquecê-lo, e que este pokemon capturado era uma fera indomável.
Certamente ele conseguiu entender e corresponder ao que o pokemon buscava. O que me parece ser muito difícil ainda.
Eu aprendi muito com Chicorita, mas demorei muito para entender o que ela realmente queria e sentia.
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A visão estava meio embasada. Mas, era nítido que não era um local conhecido. Kevin abriu os olhos um pouco atordoado. Olhou em volta e percebeu estar em um quarto um tanto quanto familiar, mas ao mesmo tempo desconhecido.
A cama era ligeiramente familiar, mas parecia muito mais confortável. O cheiro do ambiente era diferente. Misturava-se com algo conhecido a uma outra fragrância interessante, muito mais familiar que a primeira. Mas, Kevin tinha a certeza de que não sentira as duas juntas antes, e não se lembrava de onde já havia sentido as mesmas.
Levando a mão a testa, Kevin, pode perceber que não estava com suas roupas costumeiras, parecia uma espécie de avental, ou mesmo camisola. Respirou fundo ordenando suas ideias. Não haviam lembranças que lhe indicassem a última coisa que ocorreu.
- Será que isso vai se tornar um costume? Acordar em locais desconhecidos e sem muitas lembranças do que ocorreu para que eu viesse parar aqui. — Kevin murmurou para si mesmo tentando conter seu ímpeto de gritar ou fugir. Ele sabia que aquela avental indicava que estava em uma área médica, logo não poderia estar tão ferrado assim quanto a situação de onde estava, no entanto, poderia estar completamente ferrado quanto a como estava.
- Então você anda dando trabalho para sua irmã, mocinho? — Era uma voz de mulher madura, que falava com Kevin.
Kevin olhou para o lado. Não havia percebido aquele ponto do quarto. Sentada de pernas cruzadas como quem esperava de forma paciente, uma mulher vestida com uma macacão de jardinagem olhava para ele. Não havia sinal de que ela estivesse o ameaçando ou coisa parecida. No entanto, Kevin tinha certeza de nunca tê-la visto.
- Desculpe... Mas, o que aconteceu para que eu viesse parar aqui? — Kevin sentou-se na cama. Não sentia dores ou coisa parecida. Sentiu-se aliviado por isso. — E... Quem é você? —
A mulher sorriu levantando-se por alguns instantes e indo até a porta. Abrindo-a fez sinal para alguém que estava do outro lado.
- Acredito que não sou a melhor pessoa para explicar algumas coisas. — Diz a mulher. — Mas, resumindo, um senhor o trouxe desmaiado para o Centro Pokemon de Celadon, você ficou cerca de três dias desmaiado. Acredito que tenha sido efeito do “Pó do Sono” que o senhor disse que você absorveu. — A mulher foi interrompida sem que ela pudesse terminar de explicar.
- Celadon? — Kevin sentado na cama saltou dela assustado. — Meus pokemons? Minhas insignias? Onde estão minhas coisas? Pó do Sono? Eu... — Kevin parou assustado. Ele havia andado, em choque, por quase todo o quarto. — Minha Chicorita! Como vim parar aqui? Quem me trouxe? -
Pó do sono. Sim tudo era revivido em sua mente em uma grande velocidade. O pó do sono utilizado por Chicorita na caverna não desapareceu imediatamente como deveria. Com muita correria o pó fez efeito tanto nela quanto em Kevin. O resultado do pó do sono somado a toda a exaustão de perseguir chicorita parecia ser evidente, desmaio de 3 dias.
- Acalme-se! — Falou a enfermeira Joy ao entrar no quarto.
Kevin viu um rosto familiar e mais confiável. Apesar de não conhecer aquela enfermeira, pelo menos ela se parecia com todas as outras, e a mulher ali parada a sua frente com roupa de jardinagem era completamente desconhecida.
- Suas coisas estão todas guardadas no cofre do Ginásio de Celadon. — A mulher comentou. — Seus pokemons estão aqui no centro e estão todos bem. — A mulher encarou Kevin. — Agora, a “minha” Chicorita está no ginásio. -
Kevin não entendeu o que a mulher dizia, mas não pode intercalá-la em sequência já que a enfermeira Joy precisava examiná-lo. Kevin teve a impressão que a enfermeira na verdade tentava cortar as falas da mulher, mas não deu vazão a esses pensamentos.
Após capturar a Chicorita, John o geólogo, que observou o momento final da captura resgatou Kevin o levando em direção a Vermilion, destino para qual sabia que Kevin rumava. No entanto, John achou Vermilion perigosa naquele momento.
Vermilion estava tendo seu ginásio reconstruído, sendo que seu líder estava ausente. A Policial Jane estava tomando conta tanto da segurança da cidade quanto do Centro Pokemon. Havia uma grande movimentação do porto devido ao Torneio de Bill. Realmente não era seguro deixar uma criança desacordada e sozinha em uma cidade como aquela.
John decidiu ir até Celadon levando Kevin consigo. Seria a cidade para o qual John se dirigiria a seguir e sabia que se até lá Kevin não acordasse poderia deixá-lo com mais segurança. Tendo o efeito, John deixou uma carta para Kevin despedindo-se e desejando sucessos na jornada. Evidente que elogiou a captura da Chicorita.
- Entendo. — Kevin terminava de ler a carta, já de posse de suas roupas e pokebolas, mas sentia a falta da pokebola onde deveria estar Chicorita.
A menção da mulher dizendo que Chicortia era dela ainda perturbava a cabeça de Kevin, mas ele devia ir um passo de cada vez, pois ainda estava ordenando as ideias. Após tantos dias desmaiado, comer seria algo essencial. Durante a refeição Joy e a mulher acompanharam Kevin dando a ele oportunidade de saber mais daquela estranha situação.
- Agora que já estou ciente do que aconteceu, quem é você? — Kevin comendo apontava para a mulher fulminando-a com os olhos. — Que papo é esse de falar que estou dando trabalho para minha irmã e que minha Chicorita agora a pertence? — Kevin sacou uma pokebola. — Já dei de cara com membros da Estilo do Poder, Caçador das Sombras e uns outros ladrões! Já enfrentei Brock, Misty, o Tenente Surge e tive a oportunidade de cruzar pokebolas com a Agatha. Então vai devolvendo minha pokemon que eu vou derrotar você e humilhá-la se for preciso! -
A mulher piscou algumas vezes. Kevin havia começado a falar sentado, mas já estava de pé, em cima da mesa, praticamente desafiando-a e pronto para jogá-la na prisão.
- Eu não falei que o irmão de Julia era muito divertido! — A mulher começou a rir. — A beleza da mãe. Os cabelos do pai. O olhar da irmã. -
- Olha, essa questão é delicada. Acho que é normal ele estar irritado desta forma. — A enfermeira sem graça limitou-se a sorrir e fazer um comentário ponderado. — Por favor Érika, seja compreensiva com ele. -
- Compreensiva? Eu amo essa família! — A mulher chamada Érika olhou para Kevin após falar com Joy. — Puxa... Estou impressionada com seu histórico. Realmente é um Maerd. Tão habilidoso como a mãe. Tão intrépido como o pai. Tão confiante como a irmã. — A mulher teve os olhos brilhando ao citar, novamente, uma característica de cada membro da família de Kevin. — Se fosse para lutar pela Chicortia era mais fácil apenas mandar sua irmã. Ela me derrota com tanta facilidade que me deixa arrepiada em um misto de espanto e emoção. —
Kevin desconsertado saiu de cima da mesa começando a ficar com medo da mulher.
- De onde conhece minha irmã? Ou melhor, minha família? Afinal, quem é você? — Kevin estava começando a ficar sem paciência, mas era difícil manter-se gritando e esperneando como sempre diante a uma pessoa que tecia elogios sobre sua família de forma tão animadora.
- Kevin, apresento a líder do ginásio de Celadon, Érika. — Joy sorriu. — Deixarei por conta dela as explicações e espero que vocês se entendam. Imagino que o destino quis que fosse um Maerd a encontrar a Chicorita perdida, para que as coisas pudessem se resolver mais facilmente. -
- Líder? Perdida? — Kevin não entendia bem o que acontecia, mas ao ver Joy falando aquilo resolveu dar um voto de confiança a enfermeira e a líder do ginásio local.
- A chicorita que você encontrou havia sido roubada no mês passado pela Estilo de Poder. — Comentou Erika que saltou sobre a mesa afim de acalmar a Kevin que iniciou uma crise de tosse devido ao susto.
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A cidade de Celadon. Era uma cidade realmente interessante. Bem arborizada, ruas limpas, muitos parques. Não fosse o tempo fechado que a cidade apresentava naquele dia, Kevin acharia a cidade maravilhosa.
Ela possuía uma líder de ginásio que atuava diretamente com o prefeito para a manutenção da cidade. Celadon havia se tornado famosa por ser palco de grandes apresentações artísticas de pokemons plantas, bem como possuía o título da cidade que cultivava as mais belas flores.
No entanto, o que mais chamava a atenção era a fabrica de perfumes que funcionava anexa ao ginásio de Celadon. Todos os anos inúmeros treinadores e estudantes procuravam pela líder, Érika, esperando tornar-se seu aprendiz durante aquele ano, ou quem sabe com sorte, tornar-se um discípulo dela, e assim aprender as técnicas dos perfumes.
Prosperidade chama a atenção não apenas de treinadores e visitantes, mas também de ladrões. Nenhum ladrão havia sido pálio para a cidade. Havia sua margem de criminalidade, mas nada que realmente fosse amedrontar os moradores. Nada, exceto a Estilo de Poder.
No inicio do mês anterior a cidade sofreu um tremendo ataque. Membros da Estilo do poder rodando por vários lados e causando caos. Não havia destruição, era nítido que estavam tentando desviar a atenção do foco principal, o ginásio e a fabrica de perfumes.
Érika e seus alunos tentaram, em vão, enfrentar os membros da Estilo de Poder. Eles não queriam apenas roubar os pokemons, vieram para desmoralizar e humilhar a qualquer um que fizesse frente ao seu poder. Sendo o Ginásio de Celadon um ginásio em que prevalecia os pokemons planta, pokemons de água e pedra foram escolhidos. Mesmo na desvantagem de tipo a Estilo do poder era superior na guerra. O pokemon principal da Estilo do poder era um Graveler que parecia não sentir nenhum dos ataques que lhe eram lançados. O resultado foi 12 pokemons roubados. Dentre eles estavam 7 pokemons de fabricação dos perfumes e 5 dos melhores pokemons que a líder tinha disponível no ginásio, que incluíam Chicorita.
Chicorita era a pokemon mais recente de Érika. Haviam 4 meses que ela a treinava e já estava ficando no nível dos pokemons principais de Érika. A líder sabia treinar bem um pokemon, mas Chicorita era realmente obstinada e assimilava tudo com grande facilidade. Ainda considerada um bebe em questão de tempo de nascimento, Chicorita iria superar com facilidade todos os pokemons que Érika possuía.
- Nossa! — Kevin olhava o ginásio e escutava a história de Érika quase que estático.
Kevin estava impressionado com a estrutura do ginásio. Era uma verdadeira cúpula onde abrigava um gigantesco parque. Haviam tantas plantas e flores que Kevin não sabia mais se havia realmente entrado dentro de um ginásio ou em um parque. O jovem sentiu-se aliviado ao deixar para traz o parque e entrar na casa de Érika, que ainda era anexa ao ginásio.
Sentado em um sofá ele escutava Érika relatando sobre a situação de Chickorita. No entanto, Érika não estava no mesmo aposento que Kevin, ela sem encontrava em uma sala ao lado e parecia procurar algo.
- Se eu pensar no trabalho que ela me deu, nas habilidades estranhas que ela possuí... Faz muito sentido ser uma pokemon de líder de ginásio. — Kevin estava curioso para saber o que a mulher procurava na sala. — Mas, se foi roubada pela Estílo de Poder, como foi parar próximo a Pewter? -
- Quando eles fugiam, em uma espécie de nave voadora, comandei um raio de sol de meu ViplePlume. Vi três pokebolas caindo. Tinha certeza ser de dois pokemons da fabrica de perfumes e a Chicorita. — A líder ainda estava no outro aposento. — Treinei Chicorita desde recém nascida. Eu ainda não havia usada em uma batalha oficial. Quando ocorreu o roubo, eu estava treinando-a. Vipleplume se colocou em modo de ataque de forma rápida então recolhi Chicorita para protegê-la. — Suspirando Erika lembrava-se da Pokebola sendo retirada dela. — Recuperei duas das pokebolas que caíram da nave, mas a terceira encontrei despedaçada. -
- Isso explica porque pude capturá-la. A pokebola foi danificada, com isso o vinculo foi rompido.- Kevin se lembrava sobre o aprendizado das pokebolas. As coisas pareciam realmente fazer sentido quanto a situação com Chickorita. — Mas, ainda assim eu entendo pouco sobre tudo o que aconteceu. Tipo, ela é realmente forte, mas foi afetada pelo próprio pó do sono. Isso é irreal. -
Kevin escutou uma gargalhada. Olhou para o comodo, mas não era Érika a gargalhar. Mais alguém estava se fazendo presente no recinto.
- Então esse é o espetacular Kevin Maerd Junior. O treinador que sozinho derrotou a Chickorita. — A voz de Erick era debochosa, parecia que não apenas queria debochar, mas também insultar.
- Erick, olhe os modos! — Gritou Erika de dentro do aposento. — Kevin, gostaria que conhecesse meu irmão, Erick. —
Kevin levantou-se virando-se para ele. Olhou para Erick e podia ver a semelhança entre os dois irmãos. Talvez não fossem mais semelhantes, pelo ar e olhar frio que Erick emitia. Mas tirando isso. Era o mesmo tom de pele clara. O mesmo traçado do rosto e o mesmo cabelo channel negro.
- Não se preocupe Érika. Não pretendo desrespeitar um de seus queridos Maerds. — O rapaz encostou-se uma das paredes e colocou as mãos no bolso. Ele também usava um macacão de jardinagem, no entanto o dele era completamente branco com detalhes pretos. — Estou aqui apenas para saber como ficará a situação de Chickorita e quando irei trabalhar. —
Érika suspirou. Veio saindo do aposento trazendo consigo um livro de aparência antiga e bem grosso.
- Trabalhar? — Kevin estava incerto do que deveria fazer. Ele estaria pronto para peitar Erick a qualquer momento, mas ele literalmente parecia um rapaz que estava a procurar briga.
- Claro! Assim que você decidir levar uma surra terei de estar lá para validar. — Erick nem mesmo esboçou reação enquanto falava. — Mas, vou deixar minha irmã em seu patético Hobby. Tenho muito a aprender e certamente, até a hora da lutar não aprenderei nada em sua companhia. — Ao dizer aquilo, Erick deu as costas para Kevin e acenou com a cabeça para a irmã.
- Escute aqui seu... — Kevin irritado parou olhando Erika. — Todos podem aprender com todos. —
Kevin estava pronto para saltar sobre o rapaz. Nitidamente Erick era mais forte e maior que Kevin, no entanto aquilo não o faria temer.
- Corajoso como o pai. — Riu Erika em seu comentário. — Irmão, peço que respeite meu convidado. Caso não puder fazer isso por mim, peço que respeite o treinador desafiante do ginásio. —
Erick já estava na porta, pouco se importou se Kevin estava a dizer algo ou não. Ele parou encarando Kevin com aquele olhar frio e depois olhou a irmã. Revirou os olhos por alguns instantes e deu alguns passos para frente.
- Pelo que contou, Chickorita estava atacando a todos na caverna. Deveria estar assustada e sem alimentação e descanso adequados. Apesar de estar fisicamente bem, deveria estar com uma fadiga muscular e mental muito grande nela. — Erick se lembrava de como estava Chickorita ao retornar ao ginásio. — Alguns pokemons quando chegam a essa situação de extremo cansaço, físico ou mental, permanecem de pé por suas convicções ou alguma outra fonte de energia externa. No entanto, ficam debilitadas de alguma forma que nem todos os treinadores conseguem notar com facilidade. Podem adoecer, perder parte de seu poder, habilidades ou propriedades. No caso, a Chickorita começou perdendo as propriedades vegetais dela. Começou a ser afetada pelos pós e venenos que ela mesma produz. -
Kevin arregalou os olhos. Erick realmente sabia do que estava falando. Tudo parecia fazer sentido. Realmente Kevin começou a se perguntar se realmente ele poderia ensinar algo ao jovem.
- Eu sei. Algo difícil de entender-se estando no começo de uma jornada. Mas, você é um Maerd. É nascido para o sucesso. Sei que depois de um tempo vai entender. — Érika chegou a abraçar Kevin extasiada com a situação.
Nesse momento Erick bufou e saiu da sala sem ser notado.
Erika ao perceber que o irmão saiu sem ser percebido deixou o livro com Kevin e foi atras, dele.
Kevin escutou alguns gritos dos dois durante os poucos instantes, tentava distrair-se com o livro, o problema era que ele realmente se apegou ao livro que nem percebeu quando Erika voltou e ficou o olhando por algum tempo.
Kevin se perdia no livro. Eram recortes e anotações sobre duas pessoas. Uma mulher talentosa que viajava pelo mundo a fim de se tornar uma Top Coordenadora e um homem que realizava pesquisas inusitadas.
- Nostálgico, não é? — Comentou Erika chamando a atenção de Kevin.
- Eu não tinha certeza até a hora que cheguei na metade do livro, onde teve a foto do casamento. — Kevin parou um momento suspirando. — Essa é a única foto da minha mãe que possuo, a foto do casamento. -
Erika viu Kevin fechar o livro suspirando. Ele não havia tido a oportunidade de conviver com a mãe. Tão pouco, muito tempo com o pai. Não sentia-se um órfão, já que a família de Détrio e alguns parentes viviam lhes dando atenção e o suporte necessário. Mas era difícil pensar que nada sabia da mãe.
- Afinal, exatamente o que você tem a haver com minha família? — Questionou Kevin.
- Simplesmente... Sou quase sua madrinha... Bom mais fã dos seus pais que madrinha realmente! — Diz Érika. — Quando eu era menoreu admirava sua mãe e as habilidades dela em treinar os pokemons e usá-los nos torneios. — Érika parecia extasiada em lembrar-se. — Aqui em Kanto os torneios não possuem muita tradição, então acredito que saiba pouco a respeito, né? -
- Pode apostar... Não sei nem o que é. Mas, continue. Você admirava minha mãe. — Diz Kevin interessado. Ele pouco sabia sobre a mãe, não perderia a oportunidade de ouvir coisas sobre ela.
- Eu queria crescer para ser como ela, uma Top Coordenadora famosa. Mas, Kanto, como disse, não tem tradição nisso. Então tinha que começar como treinadora e quando conseguisse ir a outra região, tentaria a sorte. — Erika sorriu. — Em uma viagem em direção a uma cidade próxima de Pallet e Tim, um dia me meti numa encrenca danada. Seu pai me salvou naquele dia. —
Kevin ficou sentado observando a mulher a falar. Ela deveria ter seus 30 anos naquele momento. Era bem sucedida como fabricante de perfumes e líder de ginásio.
- Naquele dia passei a acompanhar os feitos de Kevin Maerd. Era realmente um homem admirável. E fiquei surpresa quando os caminhos de Lucia e Kevin cruzaram-se e então eles acabaram casando. Eu fiquei extasiada. Fui ao casamento e tudo. Kevin se lembrou de mim. Lucia ficou admirada por saber tanto deles. — Erika riu. — Então fiquei em contato com eles. Eu praticamente era quase uma filha, sempre que eles iam viajar, lá estava eu atrás dos dois. Tentando aprender. Ser que nem eles. —
Kevin sorria. Tinha alguém para lhe contar as coisas de seu pai e sua mãe quando jovem. Talvez o do pai não importasse tanto, realmente, já que conviveu com ele por alguns anos. Mas, Lucia Maerd era alguém que ele não conhecia, apenas por uma ou outra foto.
- Julia nasceu, eu era apegada a menina. Então você nasceu. Sua mãe morreu. Julia se tornou treinadora e parecia tão poderosa. Seu pai morreu. Vocês cresceram e Julia continua em contato comigo e assim vai a vida. -
Era engraçado para Kevin observar Erika relatando aquilo. Ela parecia tão animada, nem parecia que as pessoas de quem ela falava não estavam mortas.
- Mas... Se queria ser uma... Coordenadora... Acho que é esse o nome... Por que virou líder de ginásio? — Questionou Kevin. — Tipo... Eu não sei ainda o que quero fazer. E olhando este seu livro de recortes sobre minha família, me sinto tão pequeno perto deles. Todos seguiam seus sonhos, tinham objetivos. Eu apenas estou aqui... Andando para onde o nariz aponta. —
- Esse é só até o casamento e o encontro dos seus pais. — Érika riu por um tempo. — Cada Maerd tem um livro próprio com outras coisas. Vai ser tão legal preencher o seu enquanto estiver aqui, só tenho até o momento as noticias da seleção. —
Kevin parou desconsertado. Não imaginava que alguém, além de sua família, fosse querer acompanhar sua trajetória sem direção há algum ponto.
Erika ficou olhando Kevin por algum tempo. Ela via nele que não ter direção parecia lhe incomodar.
- Quando seu pai morreu ofereci a Julia para que vocês dois viessem morar comigo, ou por sinal, que você viesse morar comigo para que ela pudesse continuar a treinar. — Érika parou um minuto. — Nunca tive uma família realmente, meus pais e irmãos estão vivos, vivem próximos daqui, mas sempre me identifiquei muito com sua família. Eu queria retribuir o carinho de seus pais me tornando tutora e madrinha de vocês enquanto precisassem. — Erika parou fechando os olhos. — Mas, Julia me deu a mesma resposta que seus pais um dia me deram. —
- Um dia pedi a seus pais que me tutorassem para eu me tornar um Top coordenadora de sucesso. Mas, eles me falaram que cada qual trilha seu próprio caminho pokemon para se conhecer e descobrir o que realmente quer fazer de sua vida. Ser treinador pokemon é apenas o primeiro estágio da vida para se descobrir o que fará por todo o restante, principalmente se não souber o que realmente deseja fazer. — Erika parou. — Eles me ensinarem o que sabiam, ou eu lhe ensinar o que sei enquanto cuidava de você para Julia, seria excelente e de grande valia. Mas, iria tirar a oportunidade de descobrir o que realmente ambos gostariam de estar fazendo da vida, por ter sido apresentado com tanto empenho para algo. -
Kevin olhava Érika e imaginava sua irmã e seu pai falando. Havia na cabeça de Kevin uma terceira voz acompanhando tudo, ele julgava ser de sua mãe. Parecia fazer tanto sentido o que Erika dizia, que por um instante, parecia até bom não ter sido discípulo de Gary Carvalho.
Como discípulo de Gary ele jamais teria encontrado-se com Agatha, Tecka e Érika para saber mais sobre seus pais. Teria sido apresentado ao estilo de batalhar de Gary e não teria feito amizade com o Tenente Surge, Lirian e John.
- Apesar de desapontada, dois dias depois disso descobri alguns pokemons plantas que conseguem produzir aromas diversos. Aromas que causam sensações prazerosas. Então comecei a trabalhar em cima desses pokemons criando os perfumes, a medida que fui aprendendo e crescendo em conhecimento, também ia me tornando uma treinadora mais forte a ponto de o prefeito da época pedir minha nomeação como líder do ginásio local. E aqui estamos, trilhando nosso próprio rumo. — Enquanto falava, Érika voltava ao aposento para guardar o livro.
Kevin ficou pensativo naquilo tudo. Erika era a melhor fonte de informação que poderia ter sobre sua mãe até então. Nunca questionou muito a Julia, pois via que a irmã não gostava muito de conversar a respeito disso.
Mas, o destino não era nada legal com Kevin. Agatha prometia falar sobre a mãe se ele vencesse um Mestre. Erika era a segunda opção, mas havia no caminho uma Chickorita.
- Espero que a sua admiração pela minha família não venha a acabar por causa desse impasse com a Chickorita. — Suspirou Kevin.
- Nem os ciumes da minha família atrapalharam a admiração. Não é um pokemon que vai nos separar. — Erika sorriu se levantando e indo e pegando uma pokebola.
- Ciumes? — Kevin de repente parecia ter entendido. — É por isso que seu irmão parece não ir muito com minha cara? — Perguntou Kevin.
- Basicamente! Eu dava mais atenção a Julia do que a ele quando ele era pequeno, eles tem um ano de diferença apenas. Isso fez ele não gostar de vocês. Outro problema é que ele me ajudava a treinar a Chickorita. — Erika balançou a pokebola indicando que tratava-se da pokebola que continha a Chickorita. — Ele nunca conseguiu derrotar Chickorita, mesmo se juntando aos meus aprendizes para enfrentá-la. Você o fez, ele sente-se ameaçado duplamente. — Erika riu naquele momento. — Ele vê os Maerds como rivais. Ver um rival superá-lo não é fácil. -
- Eu que o diga... São seis os meus rivais no momento... Sendo cinco deles os discípulos de Gary. Sente a pressão! — Kevin riu.
- Seis rivais? É o talento da mãe e do pai juntos para arrumar problemas. Sua mãe possuía um rival em cada Continente, já seu pai era desafiado por quase todo mundo que aparecia na frente. Sua irmã é que não tem rivalidade com ninguém... — Erika parou. — Meu irmão tentou, mas um juiz não pode se comparar realmente a um treinador em questão de batalhas. -
- Mas, ele parece tão habilidoso. Tem muito conhecimento.. Espera! Você disse juiz? — Kevin ficou confuso. — Agora me lembro, ele disse que iria validar a surra. —
Erika caiu na risada. Ainda segurava a pokebola de Chickorita nas mãos.
- Desde pequeno ele deseja ser um juiz de batalhas pokemon. Para se tornar um juiz é necessário que você tenha 4 anos de experiencia como treinador. A segunda etapa é ser aprovado em uma prova de conhecimento. Sendo aprovado você fica 2 anos fazendo estágio como juiz de ginásio. O quarto passo é uma nova prova, onde você oficialmente será declarado juiz oficial da Associação de Batalhas. — Comentava Erika.
- Juiz? — Kevin ainda tentava entender como alguém podia sonhar desde pequeno com a ideia de ser juiz de batalhas pokemon. Se quer sabia que era tão complexo o processo.
- Treinador é sempre o primeiro passo. — Disse Erika lembrando-se da conversa anterior sobre os pais de Kevin. — O sonho é ser juiz para acabar com as batalhas desleais. — Erika parou por alguns instantes. — O Juiz pokemon não apenas valida as batalhas oficias. Ele também atua como um mediador em casos polêmicos, como esse dá chickorita. Se não pudéssemos entrar em um acordo, e ele já fosse juiz, ele decidiria o que deveria ser feito. -
- Eu nunca ouvi falar disso. — Kevin parou esfregando os olhos. Parecia que o mundo era ainda mais amplo. — Não são muitos que querem ser juízes. Se eu pensar bem, são todos bem velhos. -
- Realmente não são muitos não. O juiz é uma das profissões que menos tem destaque, apesar de ganhar o mesmo que um líder de ginásio. — Érika ponderou. — Por isso não está havendo tantos jovens juízes. -
- Eu pessoalmente não entendo como você desistiu de ser Top Coordenadora e decidiu fabricar perfumes e ser líder de ginásio, ou tão pouco como seu irmão deseja ser juiz. — Kevin parou coçando a cabeça. — Mas, eu não sei o que quero ainda, então deve ser por isso. — Kevin apontou para Erika e a pokebola na mão dela. — No momento quero resolver a questão de Chickorita. -
- Chico! — A pokemon saia da pokebola sozinha.
A pokemon parou olhando-o. Kevin olhava-a. Não dava para saber o que estava realmente passando pela cabeça de ambos. Mas, era nítido, estavam tentando um entender o o outro. Um dizer algo ao outro.
- Volte! — Erika fez um gesto com a pokebola e a pokemon retornou.
Os dois se olharam, sem saber exatamente o que deveriam fazer diante aquilo.
- Chickorita é uma pokemon de personalidade muito forte, desde que nasceu. Eu ainda não consegui compreender o que ela deseja realmente. Mas, tenho conseguido me dar bem com ela mantendo a disciplina e o carinho. — Erika sorriu. — Já lidou com algum pokemon assim? -
Kevin parou pensando no que responder. Eevee era o pokemon inicial, e como a maioria, era fiel. Marrep era meio preguiçosa. Pidgeyotto era o mais forte e ao mesmo tempo o mais misterioso. Kevin pedia ele fazia. Kevin não pedia, ele não fazia. Nidorina, no entanto, era a pokemon que Kevin mais entendia. Nenhum era de dar trabalho realmente.
- Pela sua cara eu acho que não. — Erika deu um sorriso amarelado, com medo de ter deixado Kevin sem graça. — Bem Kevin, avisei a sua irmã que estava aqui e ela pediu para que me acompanhasse até o Evento de Bill dentro de algumas semanas. — Erika sorriu. — Então terá muito tempo para me desafiar pela insignia. Mas, primeiro temos que resolver o assunto de Chicorita. -
Kevin ficou observando Érika por alguns instantes.
- Não posso lhe dar a Chicorita. Treinei-a desde seu nascimento. Não tem como eu abrir mão de um pokemon como esse nem mesmo por alguém da família Maerd. — Diz Érika. — Posso te ajudar a conseguir um outro pokemon planta, será divertido ir a caça com você. Ou se quiser podemos até mesmo conseguir uma chicorita recém-nascida. —
- Então só tem uma maneira de decidirmos isso. — Kevin ergue uma pokebola em direção a Érika. — Da mesma forma que decidi todos os problemas que tive no mundo pokemon até agora. Desafio! —
- Batalharia comigo pela chicorita sabendo que a diferença entre nossas habilidades é grande? — Érika se surpreendeu. — Confiante como a irmã e intrépido como o pai sem dúvida! —
Érika cruzou os braços, o sorriso em seu rosto modificou-se um pouco. Ali já não parecia mais estar Erika, fã e amiga da família Maerd, mas uma líder de ginásio pronta para defender seu ginásio.
- Desafio a líder desse ginásio para uma batalha pokemon três contra três pela insignia e pelo destino de Chicorita. —
- Eu aceito! — Érika sorriu. — Será o sexto Maerd que enfrentarei, vamos ver como você se sairá! -
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Nunca me considerei um órfão. Tenho a minha irmã. A família de Détrio sempre esteve presente. Sei que tenho alguns parentes espalhados por ai, mas que não os conheço muito bem.
Mas, escutar Erika falando sobre minha família, tendo fotos que nunca vi, reportagens que nunca li, falas e bordões que nunca escutei, deixaram-me sensíveis. Não conheço o passado de maus pais, ou tão pouco posso dizer que cheguei a conhecê-los realmente.
Hoje em dia me pergunto o tipo de pessoas que eles realmente eram. Se eu puxei mais a um que a outro, se as coisas que faço os envergonhariam ou os deixariam cheio de orgulho. Me pergunto se minha irmã sofreu muito, já que vivenciou a morte dos dois.
Eu fui louco em desafiar Érika para decidir o destino de Chickorita, mas não estava suportando a ideia de perder mais alguém na vida. Era hora de defender a família.
Notas finais
Nome: Kevin Maerd Junior
Cidade Natal: Tin na região de Kanto
Ocupação: Treinador
Nível: J
Idade: 12
Qtd. Pk: 4
Pokemon: Eevee - Nível de Raridade 7
Pokemon: Nidorina Nível de Raridade 8
Pokemon: Pidgeyotto Nível de Raridade 12 (Raro)
Pokemon: Marrep - Nível de Raridade 7
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