PET - 3ª Temporada - Combate nas Sombras

5 Capítulo 05 - Salvando quem é Importante


Notas iniciais
Salve salve leitores. Espero que estejam curtindo os capítulos iniciais. Logo entraremos de vez nas Sombras. Hoje vocês terão um pouco mais de revelações que estavam pendentes.

Capítulo 05 — Salvando quem é Importante

Até aonde vai o amor dos país pelos filhos? O que eles fariam para protegê-los? Deixariam de comer para que eles pudessem fazê-lo? Bateriam e colocariam de castigo para ensiná-los sobre o que se deve ou não fazer? Deixariam eles aprenderem errando? Dariam suas próprias vidas por eles? Os abandonariam para protegê-los?

Kevin Maerd era um renomado pesquisador que quando mais jovem fazia parte de um grupo em sua região natal, Arton, que tentava melhorar os índices da liga local, para que ela ficasse competitiva a ponto de se tornar tão famosa quanto Kanto e Jotho. No entanto, não era o dele não era o único grupo a estar fazendo isso. Em um duelo contra outro grupo eles acabaram despertando criaturas adormecidas que não conheciam dor ou cansaço.

Os dois grupos duelaram por uma semana, sem conseguir fugir e com a certeza de que não podiam deixar as criaturas saírem do local onde estavam, muitos não saíram vivos. Dos poucos de pé, após uma guinada do destino, estavam o jovem Kevin Maerd, Agatha, Thor, Julio Pendraco e Ana Norte que estão vivos até hoje, lutando contra as criaturas.

Muitas pessoas se juntaram a eles e muitos morreram. Vinte, ao todo era o número de pessoas que realmente fizeram parte do grupo, após ele efetivamente ter se formado, mas antes que os seis realmente se unissem a outros para combater os demônios, muitos outros vieram a cair.

Sacrifícios que não eram esquecido por eles, mas que as vezes não se comparavam aos sacrifícios que eles continuavam a fazer enquanto vivos. Como os Pendracos que tentavam impedir os filhos de ir para o mundo e assim ganhavam o ódio incompreendido deles. Agatha que preferiu não ter família para que sua morte, que não poderia vir a ser explicada, não fosse tão sentida. Thor que teve a família inteira dele sendo assassinada pelos demônios sem que ele tivesse como efetivamente defendê-los. Assim como Kevin Merd que abandonara os filhos e agora os via de pé, junto a dois amigos deles, causando uma rebelião e racha no grupo que deveria combater os demônios.

– Temos que combater os demônios e não a nó... -

A voz de Agatha falhou para a surpresa dos demais. A mulher já não conseguia abrir a boca tentando apenas seus olhos demonstrando o quanto ela suplicava para que aquilo não continuasse, pois não iria dar em nada.

– Quem fala aqui sou. — Diz Kevin Maerd Júnior de pé ao longe, mexendo nos computadores com certa pressa, mas sem demonstrar nervosismo. — Já estou cansado de ficar perdendo e fugindo para sobreviver. — Kevin sorriu por alguns instantes parando de mexer no teclado e olhando o que surgia na tela. — Na verdade, também estou cansado de mentiras. -

As coisas haviam desandado completamente durante a reunião após o Caçador das Sombras dizer que eles tinham apenas seis meses para dar um jeito nos demônios pois a Quest Liga aconteceria perto do local onde havia a maior concentração de demônios adormecidos.

Naquele momento ficou claro para os novatos que algumas coisas que teriam de ser feitas para preservar a integridade da humanidade significava também ferir essa integridade, assim como o Caçador das Sombras já vinha fazendo. Para os que antigos aquilo já era esperado, agir as margens da lei se fosse necessário e fazer coisas das quais não se orgulhariam, mas para os novatos aquilo parecia ser algo novo e que eles não estavam tão confortáveis em aceitar.

Julia olhou para Sabrina que assentiu com a cabeça. A mulher de cabelos pretos que por baixo do manto marrom possuía seu tipico macacão turquesa levantou-se calmamente. O grupo olhou para ela, mas foi o único movimento que conseguirão fazer depois disso.

Com os olhos brilhando em um azul intenso ela parecia estar usando seus poderes para dominar o local. O grupo de veteranos e Trainen e Poken não conseguiam mexer-se, por mais que se esforçassem diante do que estava acontecendo. Apenas Julia, Kevin, Morty e Sabrina estavam com os corpos livres.

Mewtwo parecia ter tomado consciência do que acontecia naquele momento. Uma estúpida e inesperada tentativa de rebelião. Lutando contra os poderes de Sabrina, tentando liberar pelo menos um dos companheiros, Thor para que ela usasse o Alakazam que vivia liberado e foi o primeiro a ser dominado e tentando sondar a mente dos quatro novatos rebeldes para encontrar um motivo para tudo aquilo, o pokemon psíquico genético não percebeu, a tempo, que um pokemon foi liberado.

Foram questão de segundos, mas um gás rodeou Mewtwo que não teve como evitá-lo. Assim que aspirou soube que não era apenas uma rebelião momentânea, tudo aquilo havia sido armado. Parou de lutar e usar seus poderes, a partir daquele momento ele tinha um jogo contra o tempo. Teria que fazer todos ali colaborarem ou o veneno correria rápido.

Sabrina vigiava e controlava o grupo. Kevin mexia nos computadores. Morty vigiava especialmente a Mewto. Julia estava parada encarando o Caçador das Sombras por alguns instantes e finalmente ela começou a falar.

Julia enfrentou o Caçador das Sombras nas Ilhas Laranjas e o derrotou. No entanto, não conseguiu ver a identidade do homem devido a repentina chegada de Thor e Agatha. Foram apenas dois segundos, mas enquanto Julia olhava para o lado, o Caçador das Sombras fugiu.

Julia ficou bons dez minutos remoendo aquilo, deixando Thor e Agatha falando sozinhos. Não tinha porque os mestres aparecerem ali. Não havia como saberem onde ela estava e devido aos metais especiais para bloquear poderes psíquicos o Alakazam que Thor usava para se orientar não deveria conseguir ajudá-lo, mas estava permitindo Thor mover-se como sempre. A explicação era que os metais haviam sido retirados e não faria sentido.

Julia copiou rapidamente o que via nas ruínas e junto com o irmão decifrou as runas. O mesmo tipo de código presente no diário do pai. As runas das ilhas laranjas diziam que apenas o Caçador das Sombras pode solicitar ajuda aos lendários para o combate contra as sombras. Para os irmãos Maerds aquilo não fez sentido algum inicialmente, mas sabiam apenas uma coisa, o Caçador das Sombras não estava sozinho e a sociedade que lutava contra os demônios estava envolvida com o Caçador das Sombras.

Um susto nada fácil de digerir principalmente quando perceberam que eles agora também eram parte da equipe do Caçador das Sombras. Mas, tudo faria sentido, afinal os o Caçador das Sombras usava muitas das pesquisas do pai de dos jovens e os antigos do pai estarem envolvidos explicava bem. A identidade não importava mais, o Caçador das Sombras era um uma figura milenar e assim deveria mudar a pessoa por trás do capuz negro de tempos em tempos. O Caçador das Sombras era um título e era tudo que eles precisavam saber. Sabiam a identidade? Sim. Título milenar. O rosto não importava mais. Contataram Sabrina e Morty explicando-os tudo o que descobriram e se programaram para durante a reunião fazerem a única coisa que achavam certo, resgatar os pokemons raros roubados. No entanto, ninguém esperava a variável Kevin Maerd. Mas, com a dupla de liderança balançada eles deixaram a reunião correr até o momento em que eles acreditavam já saber o suficiente, como tudo começou.

Julia explicava tudo aquilo e dizia que não deixaria o grupo continuar roubando pokemons e agindo daquela forma. Não era daquela forma que as escrituras diziam que o grupo secreto agia e não deixaria que fosse diferente.

Foi nesse momento que Agatha tentou explicar, mas foi impedida tendo até sua voz calada.

O grupo aprisionado via o quarteto indo e vindo. O caçador das Sombras olhava irritado para tudo aquilo e sentia que teria de ignorar que 3 deles eram de sua família, sendo dois seus próprios filhos.

– Não tente. -

Sabrina virou-se para o Caçador das Sombras. Ela lia a mente de todos eles ao mesmo tempo e não tinha duvidas sobre o que o caçador queria fazer naquele momento. Ele pretendia evocar um dos lendários. Na verdade já estava tentando, mas nenhum dos lendários parecia estar escutando-o mentalmente.

– Isolei a sala imaginando que tentaria esse tipo de coisa. -

Sabrina não esboçou nenhum sorriso. Ela não era do tipo que sorria, mas aquele triunfo de antecipação, não ajudou muito. Sua expressão começou a mudar para uma confusão mental bem transparente. Julia percebeu o que acontecia e olhou para o irmão que agora tentava encontrar a localização de onde o Caçador das Sombras deixava os pokemons após já ter obtido, a estranha lista de pokemons roubados, que continha o nome dos treinadores donos e suas atuais localizações.

– Estão tentando me desestabilizar fazendo pensamentos aleatórios ao mesmo tempo. — Comentou Sabrina. — Vou nocauteá-los de uma vez. -

Julia olhou para todo o grupo sem saber se deveria ou não deixar que ela fizesse aquilo. Os olhos dos veteranos do grupo parecia suplicar por alguns minutos para poder explicar algumas coisas. Mas, não havia nada a ser dito. Pelo menos não com o Caçador das Sombras sendo Kevin Maerd. Julia não daria ouvidos.

– Talvez devêssemos escutá-los. — Morty chamou a atenção do seu grupo de companheiros. — Sempre escutei que Kevin Maerd fora uma pessoa nobre. As escrituras mostram que o grupo fazia de tudo para combater as Sombras, que nós entendemos como os demônios. O que eles poderiam contar que eu não conheço? -

Sabrina olhou para ele sem entender o que ele queria dizer. Os irmãos Maerd se olhavam pensando no que fariam e de repente veio a questão. Como eles se tornaram esse grupo? Se o Caçador das Sombras era uma figura milenar, como Kevin Maerd tornou-se essa figura e como os demais tornaram-se do grupo? Os irmãos não queriam saber, mas Sabrina e Morty não estavam tão envolvidos emocionalmente para negligenciar aquele pedaço da história.

Sabrina encarou Julia por alguns instantes. Não precisava falar com ela mentalmente para a loira saber que estava com um conflito no momento da execução da tarefa. Kevin não tinha como dar muito mais atenção do que apenas um rápido olhar. Ele sequer sabia ao certo o que estava fazendo. Simplesmente abria pasta após pasta, programa após programa em busca de informações. Sabia apenas que Julia faria a escolha correta, afinal ela era a líder daquilo tudo.

Julia olhou os veteranos rapidamente parando seu olhar em cima de Kurt. Kurt não era um guerreiro ou tão pouco tinha muitas habilidades que o mantinha vivo por si só. Ele no grupo era uma segunda alternativa. Kurt deveria estar morto naquele momento, mas fora salvo pelo grupo diversas vezes, uma dessas vezes fora salvo por Kevin Maerd Júnior.

– Kurt. — Disse Julia indicando para Sabrina que deveria liberá-lo. — Meu irmão te salvou. Diga-me a história dessa Sociedade de forma rápida e dizendo como cada um entrou aqui. -

De repente Kurt podia se mover. Ele não esperava por aquilo. Olhou o grupo que parecia confirmar para ele contar tudo. Ele respirou fundo, sabendo que precisava resumir a história e que os irmãos Maerds precisavam ser convencidos de que o pai não era um vilão que os abandonou por escolha própria.

– Arton era uma região mediana na tradição do mundo Pokemon, mas, após quatros treinadores vindos de lá conquistarem as ligas de Kanto, Jotho, Hoeen e Sinoh e voltarem para disputar sua liga natal, as coisas começaram a ficar estranhas. Misteriosamente a liga foi interrompida por incidente que ninguém sabia o que era. Apenas que os quatro treinadores desapareceram. Assim, a região de Arthon que estava em grande ascensão, despencou. Muitos tentaram reerguê-las, mas nunca foi trabalho para um homem só. Equipes foram formadas para tentarem se tornar a próxima elite de Arthon. Duas equipes, das mais promissoras, se enfrentaram, em uma ilha abandonada. O abalo da luta fez fendas se abrirem e de dentro saíram os demônios. -

Kurt parou alguns instantes.

– Agatha, Julio, Ana e Kevin saíram vivos daquele dia, alguns outros morreram de lá para cá. — Comentou Kurt. — Iam revelar tudo a humanidade, mas perceberam que aquilo poderia piorar a situação. Equipes criminosas já perseguiam pokemons poderosos, aquelas criaturas seriam mais do que armas. Então, começaram a trabalhar para sobreviver e impedir as criaturas. -

Julia escutava atentamente enquanto Sabrina tentava suportar o bombardeio de pensamentos que ela estava recebendo, ao mesmo tempo, do grupo tentando desestabilizá-la. Mewtwo por sua vez apenas observava admirado com as habilidades de Sabrina.

– Entrei nesse grupo quando minha casa foi atacada pelos demônios. — Comentou Kurt. — Eles estavam atrás das piramides. O grupo apareceu e me defendeu. — Kur olhou para Joy. — Depois veio a Joy. O grupo havia sido atacado e buscou socorro médico e o centro foi atacado. Poken e Trainen quando viajavam para cobrir um evento também foram salvos pela equipe. — Kurt meneou com a cabeça. — Mas, até ai sempre perdíamos muitos e estávamos bem perdidos. A única orientação que tínhamos eram as runas que não diziam muito. As runas mostravam que deveria existir um grupo de defesa, para lutar contra as sombras. Os demônios são as sombras. — Kurt coçou a cabeça. — A ideia sempre foi encontrar o grupo e unir força com eles, mas nunca o encontramos. Então, um dia a luta nos levou até um aliado valoroso, Tobias. -

Julia se espantou naquele momento. Tobias era um campeão de diversas ligas pokemon, ele ainda não havia se sagrado Mestre e acreditavam que isso aconteceria na última edição Quest Liga. No entanto, ele desapareceu, sem deixar nenhum vestígio.

O valor de Tobias estava nos pokemons raros e lendários que ele possuía. Era algo que ninguém entendia como, mas ele possuía uma coleção incrível.

– Os pokemons lendários e raros e Tobias faziam o que nunca pudemos fazer até então, ferir os demônios. — Kurt olhou para o Caçador das Sombras. — Sem fadiga, sem ferimentos, obstinados e cruéis. Era impossível vencer, mas Tobias e seus pokemons conseguiam ferí-lo. -

– Então por isso estão reunindo os raros e lendários. — Comentou Kevin. — Achei. — Sorriu ele. — Sou grato ao falecido papai por pagar as aulas de computação. -

Kurt viu que seu tempo estava acabando, em especial quando viu os olhos de Mewtwo demonstrarem estar sentindo bastante dor. Kurt sabia que o pokemon estava tentando segurar as pontas, mas Sabrina bloqueava suas habilidades no momento, inclusive a técnica de recuperar-se, ou já teria se curado.

– Tobias entrou para o grupo e propôs que se não encontrávamos a sociedade secreta, que passássemos a ser a sociedade secreta. Era provável que se agíssemos sendo ela a verdadeira apareceria e nos abordaria. — Comentou Kurt. — Tobias assumiu o mando do Caçador das Sombras por um ano, após isso fomos atacados de uma forma que parecia até planejado. 10 criaturas atacando juntos, perdemos muitos, inclusive Tobias. — Kurt fechou os olhos lembrando quão terrível foi aquele dia. — Antes de Tobias não passávamos de um grupo sem direção, buscando algo, depois dele eramos a Sociedade dando grandes passos e tendo pouquíssimas baixas. Mas, naquele dia perdemos muitos. -

– Data. — Disse Julia de forma inquisidora. — Tenho certeza que conheço esse período como o dia em que papai chegou em casa tarde, com o olhar vago e chorando. Sei que nesse dia também várias destruições foram identificadas e a família de Thor morreu naquele dia. -

– Foi nesse dia. — Comentou Kurt encarando a menina. — Foram alguns meses para nos recuperarmos e nos reagruparmos. A pergunta voltou a ser, quem nos lideraria dali para frente, já que antes de Tobias era Thor e ele já não tinha mais condições para isso. — Kurt caminhou até Kevin Maerd. — Precisava ser um bom treinador, um ótimo líder e uma pessoa disposta a fazer de tudo. Essas são as qualidades do Caçador das Sombras. -

Kevin Maerd Júnior já tinha tudo o que precisava e agora estava ao lado da irmã, escutando o que Kurt relatava. Ele não parecia nem de perto convencido de que aquelas informações pareciam importantes, mas levando em conta que aquele não era o grupo real, começava a se perguntar onde o grupo real estaria.

– Ana e Julio na época estavam completamente loucos procurando pela filha Raíssa. Agatha tinha a função mais importante do grupo, que era monitorar as ações dos demônios, nenhum outro podia fazer aquilo na época. Joy e eu nunca tivemos habilidades para as batalhas. — Kurt suspirou. — Kevin Maerd também não tinha muita habilidade, mas se voluntariou. E desde que assumiu como Caçador das Sombras, ninguém da equipe morreu. Ele encontrou Mewtwo e o convenceu a juntar-se a nós e começamos a coletar os raros e lendários um atrás do outro. -

– Bem... — Julia balançou a abeça entendendo. — Acho que termina aqui. -

– Mais uma coisa. — Disse Kurt apressado.

– Eu economizaria seu tempo. — Disse Sabrina. — Mewtwo precisará desse tempo. -

Kurt cerrou os punhos sem saber o que fazer. Mas, ele sabia que se deixasse que eles partissem para pegar os pokemons as coisas não teriam mais volta.

– As escrituras dizem que os pokemons raros e lendários reconhecem o Caçador das Sombras como o defensor. — Kurt disse parando. — Eles reconhecem seu pai como o Caçador das Sombras e nós o reconhecemos como tal. Ele protegeu a todos nós e nossas famílias. Nossas famílias foram atacadas inúmeras vezes e ele impediu que o pior acontecesse. Ele faz o que deve fazer. Deu uma nova vida Thor com suas pesquisas, deu companhia pra Agatha em sua árdua tarefa de monitoramento... — Kurt sentiu o poder de Sabrina sobre ele. — Ele os abandonou para protegê-los. Os demônios nos seguem e ele temia que vocês fossem morrer também se ele continuasse perto. — Gritou ele tendo seu corpo paralisado. — ele não queria que vocês morressem com sua mãe... — Kurt já estava paralisado e não conseguia mais falar nada.

Kevin Maerd Júnior parecia tentar assimilar aquela informação. Sempre lhe falavam que sua mãe havia morrido no parto. Mas, havia escutado Agatha e seu pai falarem algumas vezes sobre uma criatura que matou-a. Mas, pensava ter escutado errado, já que nunca mais escutou aquilo e Julia, que estava no dia do parto, dizia que morreu no parto. No entanto, ali estava a confirmação que ele esperava durante tanto tempo, mas uma confirmação que Kevin preferia que fosse diferente. Sua mãe não morreu devido ao parto e sim pelas mãos de um demônio.

– Pare Julia! — Gritou Morty tentando conter a menina que havia saltado em cima do Caçador das Sombras e tentava estrangulá-lo! -

– Você matou minha mãe! Trouxe o demônio para nós e não a protegeu! — Gritava ela apertando as mãos em torno do pescoço do pai que ainda estava preso pelos poderes de Sabrina. -

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As garfadas no prato de comida eram tão rápidas que causava até um clima de constrangimento aos demais da mesa. Talvez, se não estivesse algemado, a velocidade seria ainda maior.

– Não come a muitos dias, não é? — Comentou Joy sorrindo.

O rapaz moreno olhou com um sorriso amarelo sem graça. De fato Lucas Turtle esteva com sérios problemas financeiros. Estava poupando cada centavo para alcançar a quantia que devia a Liga das Sombra e com isso era uma refeição por dia para ele, para poder alimentar bem seus pokemons e poupar algo. Alimentava-se sempre a noite, aproveitando as vezes algo que era servidos nos eventos.

No entanto, a noite passada ele não havia tido a oportunidade de comer algo, achar seu Turtwig era mais importante que comer. Ele até agradecia por não ter comido pois teria colocado tudo para fora na busca e na situação com Kevin.

– Então... — Jane chamou a atenção do jovem Turtle. Ele estava em seu terceiro prato e parecia perder um pouco a velocidade.

– Já disse como entrei para isso. — Diz Lucas. — Ao final da Copa Equipe tentei defender uma amiga e acabei apanhando e uma parte de meu dinheiro levado. Não consegui aceitar aquilo, em especial porque minha amiga não quis mais viajar comigo. Quando encontrei um amigo do Gaulês meu sangue ferveu e resolvi procurá-lo para acertar as contas, mas acabei sendo enrolado e inserido em batalhas clandestinas. -

Após a derrota, para Kevin, Lucas foi algemado pela oficial Jane e retornaram ao centro pokemon. Passava das duas horas da tarde quando Joy acabou de tratar de Torkoal e Ratata, agradecendo que além das queimaduras de Ratata, só havia desgaste físico nos pokemons. Com um parco almoço sendo servido Lucas começou a narrar como ele havia entrado para o mundo das Batalhas Clandestinas e como estava sendo ameaçado desde o final da Liga de Prata. Ao final, Joy havia servido o almoço e Lucas interrompera sua narrativa após os eventos ocorridos ao final da Liga de Prata.

– Então o cara que estava te perseguindo na tarde de ontem não era da Estilo de Poder. — Kevin comentou pensativo. — Se todos na tal Liga das Sombras agem daquele jeito, imagino que a Estilo do Poder possa estar envolvida ou venha a se envolver mais tarde. -

Lucas deu de ombros. Ele não pretendia contar mais nada. Contar como ele entrou era uma coisa, contar os detalhes mais profundos de tudo aquilo era outra completamente diferente. Ele sabia que o grupo arrumaria uma forma de encontrá-lo, fosse onde fosse, e o mataria. Mas, se ele revelasse coisas sobre a Liga das Sombras, ele sabia que morreria sofrendo bastante.

– Essa sua namorada... — Jane parou alguns segundos. — Onde a conheceu? -

Lucas olhou sem muito ânimo para falar sobre aquilo. Não era uma lembrança muito boa de recordar. Ele havia conquistado-a depois de vários dias de investida e por um momento que ele não conseguiu defendê-la a menina o abandonou.

Não gostava de admitir, mas realmente havia se apaixonado e lutava, constantemente, para reprimir os pensamentos sobre ela. Agradecia pelo Centro Pokemon ter apenas os quatro presentes, ou estaria morrendo de vergonha das algemas e da expressão que seu rosto havia tomado ao falar de Cinthia.

– Durante a Copa Equipe. Trabalhamos todos juntos no Hotel Mundial. Ela fazia parte de um grupo de cinco treinadores que viajavam de cidade em cidade fazendo trabalhos para arrecadar dinheiro para sua jornada pokemon futura. — Comentou Kevin. — Pelo que sei saí pouco antes desse evento. Mas, lembro que quando passei no Centro Pokemon, para saber se a Familia Kombat já havia retornado para casa, a Joy local informou que eu era o último competidor na ilha. -

– Isso importa realmente? — Questionou Joy. — Acho que não trás ao rapaz lembranças muito boas. -

Jane olhou para Joy de forma séria. Aquilo chamou a atenção de Lucas e Kevin. Algo passava-se pela cabeça de Jane naquele momento. Até aquele momento Joy e Kevin apenas escutavam o pseudo interrogatório, mas parecia que Jane não estava apenas colhendo o depoimento de um criminoso recém capturado, mas investigando.

– Essa por acaso é a Cinthia? — Jane esticou uma foto para Kevin.

Lucas queria ver a foto, mas Jane não permitiu inicialmente. Esperou Kevin confirmar que era a menina. Pele clara, cabelos negros. Sem dúvida alguma tratava-se da menina. Kevin apenas assentiu com a cabeça questionando-se onde a Oficial havia conseguido a foto.

Lucas recebeu a foto em sua mão arregalando os olhos. Ele sequer tinha a foto da menina, mas estava de frente para uma, numa situação nada agradável. Ele devolveu a foto a oficial Jane esperando que ela falasse algo, mas ela nada disse. Ela simplesmente levantou-se com cara pensativa e parecia recolher seu material para ir embora.

– Espere! — Disse Lucas. — O que vai acontecer comigo? Por que tem uma foto da Cinthia? -

Jane parou por alguns instantes. Ela ainda precisava pensar, conversar com outras Janes, mas estava certa de que havia esbarrado em algo muito maior do que costumava investigar.

– Você será preso. — Disse Jane.

Lucas meneou com a cabeça confirmando. Estava algemado e tinha confirmado sua participação em esquemas de batalhas clandestinas. Ainda havia maltrato a pokemons e a suspeita de que o grupo do evento havia vandalizado o Centro Pokemon. Ele não teria como fugir de uma prisão.

– Tenho a foto da menina por ela ter sido presa a três dias em uma cidade próxima. — Jane viu os olhos arregalados de Lucas. — No entanto, Claudius Maux pagou sua fiança. -

A Oficial caminhou até a mesa, já de posse de uma mochila e alguns outros materiais.

– Ela jamais faria algo para ser presa. E Claudius nem a conhece, como poderia... — Lucas parou alguns instantes. — Ou conhece? -

Lucas olhou para Kevin. Ele ficou encarando Kevin por alguns instantes. Lucas lembrava-se de que Kevin havia dado-lhe um par de ingressos para ver o Show de Marjori, já que ele não poderia ir. Ele levou Cinthia e no Show Claudius estava lá. Foi apenas por cinco minutos, enquanto Lucas conversava com Marjori tentando convencê-la a falar um pouco com Cinthia. Mas, nesse momento lembrava de que os Gladiadores estavam próximos.

– Claudius Maux é filho de uma família muito tradicional e tem sociedade com a empresa Silph.co a pouco mais de dois anos. — Jane parou. — De todos os Gladiadores ele é o que menos pareceria comandar um esquema como esse que insinuou. — Encarou Lucas. — Sua história não seria sustentada em nenhum tribunal e ainda poderia ser acusado de calunia e difamação pela família Maux. Porém... — Jane parou alguns instantes. — Essa menina Cinthia tem ligação com Claudius de alguma forma. Essa ligação é que pode salvá-lo. -

Jane não acreditou muito no que Lucas disse, em especial por ter falado sobre Claudius. Lucas não falou que Claudius participava diretamente do esquema clandestino, mas tinha relação com os competidores e organizadores. Aquilo ela não poderia levar a frente, não fosse a tal Cinthia ter tido uma fiança paga pelo rapaz a pouco menos de três dias numa cidade próxima do evento.

– O que está querendo dizer Jane? — Questionou Lucas. — Como assim Cinthia pode me salvar se estiver ligada a Claudius? -

– Estou dizendo que você pode ter sido vitima de uma armação. Que essa Cinthia escolheu te seduzir para que você entrasse para a Liga das Sombras. — Disse Jane que mau acabou de dizer e viu Lucas levantar-se tentando transpor a mesa e agarrá-la.

– Mentira! — Gritava ele. — Isso não é verdade! Ela não fez isso! -

Gritando e berrando o rapaz foi contido pela policial que rapidamente o derrubou. Ele berrava que aquilo não era verdade. Que ela nunca faria isso com ele.

– Pare de gritar Turtle. — Disse Kevin sentado. — Se ela te seduziu para isso é sua chance de se livrar disso tudo. -

O garoto moreno estava furioso. Ainda lutava para se libertar, mas Jane estava prendendo-o no chão com facilidade. Ele olhou para Kevin e via o olhar vazio como se ele pouco se importasse com o que estivesse acontecendo. Ele não conseguia entender aquele olhar e com isso não sabia exatamente o que Kevin estava querendo dizer.

– Kevin está certo. — Disse Joy. — Pare e pense. Você está encrencado nesse momento. Vai ser preso e esses caras virão atrás de você para matá-lo. Mas, você apenas foi um cara que foi enganado para entrar nisso tudo, tenho certeza que poderá ser inocentado se ajudar a capturá-los. -

– Inocentado? — Lucas continuava revoltado. — Escutou que ela disse que Cinthia armou isso para mim? Que ela trabalha com esses caras? Como isso poderia me ajudar? -

– Se você entrou por conta própria, eu não poderia fazer nada. — Disse Jane. — Você não seria uma pessoa de confiança, mesmo Kevin pedindo apara que eu o ajude. -

Lucas olhou para Kevin que continuava com o olhar vazio. Até então, não havia entendido nenhuma das ações de Kevin e por alguns instantes o amigo do passado parecia entrar a para a lista de inimigos do presente. Saber que ele intercedeu por ele junto a oficial e que o capturou no intuito de o ajudar parecia surreal.

Kevin não precisava ter envolvido-se em nada daquilo, mas arriscou a vida dele e sua reputação para ajudá-lo. Aquilo era perturbador para qualquer um. Lucas já tinha perturbações demais na cabeça, agora acrescentando aquela ele percebia, realmente precisava de ajuda.

– Mas, se foi enganado eu posso fazer um acordo com você. Você me ajuda a pegar os organizadores e os recrutadores e poderá ser inocentado, ou no máximo prestar serviço comunitário. — Concluiu Jane.

– E o que isso tem haver com a Cinthia? — Gritou Lucas. O Garoto parecia muito transtornado. -

– Escute. — Jane suspirou deixando que Lucas se levantasse ainda algemado. — Se ela estiver envolvida, ela é uma recrutadora e tudo aquilo foi armado para enredar você. Então, tecnicamente, você foi estudado por dias e não tinha como escapar dessa. — Jane sorriu. — Por outro lado, se ela não tem envolvimento com isso e Claudius a libertou por qualquer outro motivo, você entrou nessa porque quis e mesmo ajudando ficará preso por um período. -

Lucas ficou parado após aquela explicação mais simples. Se Cinthia havia o enganado, ele havia sido usado pela menina e tudo que viveram tinha sido uma mentira. Se esse fosse o caso o coração dele estaria despedaçado, mas ele teria uma chance de se livrar das acusações que recairiam sobre os membros da Liga das Sombras, já que ele foi estudado para ser seduzido. Agora, se o relacionamento entre os dois foi verdadeiro e a ligação de Cinthia com Claudius nada tinha com a Liga das Sombras, por mais enganado que ele tenha sido, ele escolheu entrar e estaria bem ferrado.

Lucas estava naquele momento indeciso sobre o que era pior a dor do amor ou da prisão. Ele até se perguntou como Joy e Kevin perceberam aquilo tão rápido enquanto ele demorou tanto para entender o que Jane estava dizendo.

– Vamos supor que eu aceite ajudar. — Disse Lucas visivelmente deprimido. — Supor. — Ele repetiu. — Eu vou morrer assim que me acharem. Mesmo eu contando tudo que sei, não saberia dizer onde é o próximo evento e nem poderia ajudar a armar uma emboscada. Assim que eles me encontrarem eu vou morrer. -

– O que estou te oferecendo é uma chance. — Diz Jane. — Tenho ideias de como podemos retardar sua morte por algumas horas depois que eles te acharem, mas depois vai ser só com você. -

Lucas abaixou a cabeça sentando-se no chão. Ele não tinha muita escolha. A oferta de ter uma chance de viver era a única que ele possuía. Mas, não conseguia pensar direito. A imagem de Cinthia parecia constantemente em sua mente abraçada ao Gaulês ou ao Claudius.

– Eu aceito. — Disse Lucas.

Jane sorriu e pegou pelga gola da camisa dando-lhe uma cabeça no rosto. O garoto tonteou gritando de dor. Jogou-o contra uma parede e começou a esmurrá-lo.