PET - 3ª Temporada - Combate nas Sombras

55 Capítulo 55 - Vislumbre o futuro


Pokemon Estilo de Treinador
3ª Temporada — Combate nas Sombras
Capítulo 55
Vislumbre o futuro

– Novamente, muito obrigado pelo retorno do contato! -

Nunca sentiu-se tão cansado ao telefone. Talvez a idade realmente estivesse chegando e já não podia fazer tudo o que fazia a dois anos atrás. Parecia tão ridículo pensar que o que mais gostava de fazer, cuidar dos pokémon, começara a ser a coisa mais penosa de seus dias.

Por sorte os Maerds transbordavam de energia e era difícil não contagiar-se ao lado deles, em especial quando Kevin Maerd Júnior não estava tentando ofendê-lo. O Professor Carvalho sabia que com a idade chegava a maturidade e desta forma Kevin passou a aceitar e compreender sobre o caso do pai. Mas, as vezes tinha a ligeira impressão que tratava-se de outro fator.

– Esses dados da Universidade Pokémon de Khubar estão corretos. — O Professor pareceu meio desanimado ao dizer aquilo. — Tinha esperanças de meu nome ainda significar algo para eles, mas o sistema de bolsas que possuem é o mesmo a anos, em especial para Medicina Pokémon. — Ele tossiu algumas vezes sentindo a idade e o cansaço da maratona que estavam fazendo. — Mas, disseram que alguém com minha recomendação seria aceito mesmo se tivesse alguns intempéries quanto a outros requisitos que não o financeiro. -

Os irmãos Maerd assentiram e afixaram um papel na parede. Aquela era a última folha que faltava para o quadro de análise que o trio estava fazendo em busca de um lugar para que Kevin pudesse estudar Medicina Pokémon, nos moldes que ele queria e poderia.

A sala de jantar da casa do velho Samuel Carvalho, o renomado Pesquisador Pokémon, chamado por muitos de professor por seus vários estudos e muitas aulas que deu em várias universidades, tornou-se o centro avançado de pesquisa para acharem o melhor local de estudo.

Ao final da Quest Liga, após Sabrina vencer Wallace na batalha final, Brock orientou Kevin a pedir ajuda ao Professor Carvalho quanto achar o melhor lugar, pois seu nome era prestigiado em qualquer canto do mundo e ele, apesar de um Médico Pokémon de Liga, não era tão conhecido.

Foi um mês para voltarem para casa, comemorando o terceiro lugar conquistado por Julia e o título de Mestra Pokémon que recebera na cerimônia, juntamente com Trevor Gutmore, o General Surge e Sabrina. Ao final das comemorações o Professor Carvalho já sabia do desejo de Kevin e os convidou para ficarem em sua casa, ajudando no laboratório, enquanto pesquisavam as opções que o rapaz possuía.

– Achei que era uma profissão mais nobre. — Disse Kevin. Não posso ter tão poucas opções no mundo. — Ele olhou para Julia. — Tem certeza que englobamos todo o mundo? -

Julia fez que sim com a cabeça. Existia apenas 5 locais onde podia-se estudar Medicina Pokémon. Existia uma diferença básica do que Kevin queria para o que o mundo oferecia. Cuidar apenas dos pokémon era uma profissão, mas cuidar dos pokémon e dos humanos feridos por pokémon era algo totalmente diferente. Querer ajudar o mundo e os seres que por ventura viessem a passar pela guerra que ele passou era um desejo nobre, mas altamente custoso.

– Para Medicina Veterinária existem várias possibilidades. — O professor sentou-se em uma cadeira de frente para o painel que montaram. Os irmãos já estavam acostumados com ele cansado naquela hora do dia, ainda virando noites em contato com diversas partes do mundo que estavam com fusos tão distintos. — Mas, Medicina Pokémon é algo muito raro. Tanto que dos cinco locais que existem, um acabou de ser criado e outro é apenas para pessoas indicadas por Mestres de um grupo de ligas, das quais nenhuma que conhecemos faz parte. -

– Quero ajudar pokémon e humanos. — Kevin suspirou. — Só um deles não me anima. -

Só um deles não me adianta. Quero cuidar dos pokémon feridos em batalhas e dos treinadores atacados por pokémon. Se eu já tivesse essa habilidade Lucas teria tido uma chance de não ter ficado sequelado. Kevin tinha seus motivos para querer algo tão especifico. Tinha medo de encontrar um novo inimigo que estivesse disposto a torturar alguma outra pessoa e ele nada pudesse fazer. Tinha medo de que o próximo ferimento feito pelos legionários não pudesse ser cuidado com o pouco conhecimento de primeiros socorros que o grupo possuía.

– Vamos analisar as opções, Ju. — Julia fez sinal para o irmão sentar-se junto com o professor, coisa que ela estava indo fazer naquele momento. — Temos 10 opções e chegou a hora de você escolher uma. — Julia olhou pela parede. — Se nossas ideias não se encontrarem, a decisão é sua. — O sorriso de Julia indicou aos outros dois que se eles não chegassem a um acordo ela decidiria.

Na sala de jantar três paredes receberam folhas com as opções que Kevin possuía. Cada parede representava um tipo de escolha. Sendo que existiam as opções que não atendiam o desejo de Kevin, opções que restringiam a vida dele e opções com requisitos complexos.

– Das opções que não atendem, temos: Enfermeiro Pokémon, Pesquisador e Veterinário. — Disse o Professor.

Enfermeiro Pokémon era exatamente o que as Joys faziam. Tornou-se, em muitas regiões, um negócio da família Joy. Mas, algumas regiões possuíam enfermeiros e enfermeiras variadas. Limitavam-se aos primeiros socorros e tratamentos convencionais, sempre encaminhando o pokémon doente a um Médico Veterinário, ou Médico Pokémon. Existiam cursos que duravam quatro anos, apesar do curso das Joys serem mais longo para que elas também pudessem servir de orientadoras aos treinadores.

Kevin gostava do trabalho das enfermeiras, mas queria poder fazer suas descobertas. Receitar o necessário e se fosse preciso até operar, coisa que nenhuma enfermeira fazia. Queria poder ajudar da forma que as enfermeiras não podiam. E quantas vezes um centro pokémon não pode cuidar de um humano?

Médico Veterinário era um médico especializado em cuidar de pokémon. O curso levava cerca de quatro anos e meio e era ofertado em muitas universidades. Pelo menos uma universidade, por região, possuía aquele curso. No entanto, nem sempre o veterinário estava apto a tratar de pokémons feridos em batalha. Normalmente tratava de doenças mais ocasionais de pokémon selvagens ou mesmo os quase domésticos. Achar um curso de veterinária que desse a base para pokémon atletas era difícil, assim como em uma futura especialização.

Kevin não queria se restringir a pokémon selvagens ou doméstico. Ainda mais que seu conhecimento era em cima de pokémon atletas. Esse fato o desanimava, pois sabia que além dos humanos serem deixados de lado, ele não cuidaria de pokémon feridos em batalhas.

Pesquisador Pokémon era um trabalho bem fora da linha. Mas, poderia focar em pesquisas médicas tendo todo o respaldo para realizar fosse para cuidar de pokémon ou de humanos feridos por pokémon. No entanto, não havia curso para isso a pessoa tinha que escolher seu caminho e aventurar-se achando os cursos certos a fazer. O jovem Maerd não estava muito interessado em seguir os passos do pai.

– Não me entenda mal Professor, acho que os pesquisadores são importantes. Mas, preciso de alguém para me orientar por esse caminho da medicina pokémon. Vocês pesquisadores são autodidatas. Não existe curso para aprender a ser pesquisador, vocês trilham o próprio caminho. Eu sei tratar um hematoma, um envenenamento ou um fratura não exposta. Mas, não posso aprender sozinho a cuidar de uma fratura externa, retirar parasita ou fazer um transplante. -

Kevin temeu que Samuel Carvalho sentisse-se ofendido com o fato dele descartar a hipótese de ser pesquisador com foco na medicina. Na verdade sentia-se mal de não poder pedir desculpas por tê-lo ofendido diversas vezes por ter abandonado o pai para morrer quando na verdade o pai estava vivo e enganara a todos.

– Entendo perfeitamente. — O Professor sorriu. — Não acho que você tenha vocação para pesquisador, pelo menos não como eu ou seu pai. Para o tipo que coisa que procura precisa realmente de uma mão guia, com o melhor das intenções. -

Uma mão guia com o melhor das intenções. Isso soa bonito. Kevin sorriu pensando no que o Professor falava.

– Imagino que se for assim, a melhor opção seria pedir apadrinhamento a Brock. — Comentou Julia. — Ele estudou na Universidade Pokémon de Khubar, onde o Professor já lecionou. São apenas 8 anos, sendo que cinco na universidade e 3 no hospital de sua escolha. O problema são as exigências. Ela ficou no grupo de “opções com requisitos complexos.”-

As opções de requisitos complexos eram as melhores opções, não fossem os requisitos exigidos.

Universidade Pokémon de Khubar localizava-se em Arton, a região natal de Kevin Maerd, pai de Kevin e Julia. Pedia uma idade mínima de 18 anos para ingressar em qualquer curso. Medicina Pokémon tinha duração de 5 anos. Após a graduação o Médico Pokémon iria para um hospital, em qualquer parte do mundo que o aceitasse, para fazer três anos de residencia.

No entanto, era uma universidade privada que tinha como mensalidade 85 mil pratas durante a graduação, que daria um montante de cinco milhões e cem mil pratas. Durante a residencia o aluno pagava ainda 300 mil pratas por ano para custear as indas e vindas do supervisor até o local da residencia, bem como a publicação de artigos científicos. Ao final o aluno pagaria cerca de 6 milhões de pratas, caso não ficasse reprovado em nada e aumentasse o tempo.

O valor cobria parte de alimentação, todo o material, pesquisas de campos, roupas necessárias e um pokémon que venha a ser considerado ajudante médico. Ainda assim, poucos eram o que frequentavam o curso.

Fora o valor exorbitante, o candidato a vaga na UPK precisava ter três artigos científicos publicados, não importando a área e cinco cartas de recomendação.

– Eu não tenho nada disso. Não tenho 6 milhões, artigos científicos ou cartas de recomendação. — Disse Kevin. — Quem cobra 85 mil em uma mensalidade? -

– Infelizmente essa está fora de cogitação. — Julia suspirou. — Como Mestra de Kanto ainda não estou recebendo um centavo e nossas economias acabaram. Estou com algumas apresentações e palestras agendadas, então vamos viver até o Carnaval dos Mestres quando devo entrar para a Elite dos 4 e passarei a receber 5 a 10 mil por mês, dependendo da minha posição. -

Kevin nem precisava dizer a irmã que não aceitaria que ela pagasse algo tão caro para ele. Não negaria ser ajudado, mas não com esses valores. Ainda mais que a entrada dela na Liga dos 4 de Kanto era muito incerta. Koga era o atual campeão, tendo Bruno, Ash, Lorelei e Gary como os membros. Todos eles participariam do Carnaval dos Mestres junto com Sabrina, Julia e Surge. Seria um carnaval para entrar para a história, sem dúvidas alguma.

– Na verdade os artigos científicos você possui. — Disse o Professor Carvalho. — Todo o artigo que escrevo usando seus pokémon devem levar seu nome. Além do golpe especial de seu Pidgeot o Tornado Vertical, tem o seu fator de raridade. — O Professor Carvalho esperou Kevin fazer sinal que se lembrava. — Fiz um artigo com o material do Caçador das Sombras, que trouxe, sobre o que torna um pokémon raro. Além da teoria do controle de evolucionário. Só com isso são quatro artigos, todos que poderiam ser usados. — O professor sorriu. — Mas, o último que estou montando com Brock e suas anotações sobre sua atuação com Tauros certamente chamará a atenção de qualquer escola de Medicina Pokémon, ou Veterinária. -

Kevin olhou o velho professor. Ele parecia extremamente cansado e não apenas pelas olheiras fundas, notava que ele havia emagrecido. Certamente estavam fazendo uma corrida difícil, mas por outro lado não faria aquele efeito. A idade estava chegando para ele.

– Obrigado. — Disse Kevin um pouco surpreso sobre a noticia. Ele foi informado disso bem no começo da jornada, quando visitou a teckpokémon e já nem lembrava-se disso. — Mas, não tem de onde tirar 6 milhões. Além de cinco cartas de recomendação. — Kevin olhou para a parede voltando as opções com restrições complexas. — Eu não vou para Westero. -

Westero era uma região do outro lado do mundo com uma renomada universidade, Universidade Mente Corpo. Seu curso de Medicina Pokémon era baseado em técnicas milenares e modernas, o que chamou muita a atenção de Kevin inicialmente. O curso tinha 5 anos de estudo e 7 de residencia e comparado a UPK e seus 6 milhões de custo a UMC custaria 5 mil mensais pelos 7 anos, menos de meio milhão.

Mas, Kevin desanimou ao saber que em Westero ele teria de falar mandarim. Ele nem sabia que a língua existia e não havia curso em Kanto para que pudesse aprender, e as poucas escolas de Jotho que ensinavam linguás diversas foram destruídas e não tinha previsão de serem reabertas.

– Não a descarte. — Julia disse pensativa. — Você tem 16 anos e só se pode fazer o curso na UMC com 21. Então até lá da para aprender mandarim e juntar meio milhão. — Disse Julia. — Vai ser muita grama cortada e carro lavado, mas não é impossível. -

– Infelizmente essa questão de idade é um prejuízo em mais de uma opção. — Disse o Professor. — Escola Médica Pokémon só aceitam pessoas com até 15 anos. Ela era a melhor opção. -

Escola Médica Pokémon era quase uma Teckpokemon para Medicina Pokémon. O aluno normalmente entrava com 12 anos, após ter tido ao menos 1 ano de experiencia como treinador e participado de uma liga. Após aquilo ele terminaria o colegial, aprendendo sobre primeiros socorros, o Ensino Médio aprendendo sobre enfermagem e a faculdade de Medicina Pokémon. O curso todo durava 15 anos e por isso não permitiam que alunos maiores de 15 anos ingressassem, ou sairia dali com mais de 30. Os custos eram acessíveis apesar de privada. Ficava nos Países Livres.

– Outra opção é fazer primeiro Medicina Veterinária e depois Medicina Humana. — Comentou Julia. — Com uma especialização certa poderá atuar nas duas áreas, além de fazer um curso de resgate. -

Aquela havia sido a primeira ideia, após descobrirem que não existia cursos de medicina pokémon acessíveis. O custo poderia ser zero, fazendo por universidades publicas, mas o tempo assustava a Kevin. Seriam no mínimo quatro anos na veterinária e com certeza mais dois de especialização. Ao total seis anos. Depois seis anos de medicina com mais dois de especialização. Com esse total seriam 14 anos. O curso de resgate de menor duração que conhecia era de um ano e isso significa que o tempo seria de 15 anos ao total.

– O tempo é grande, mas nas opções que restringem o uso o tempo é quase o mesmo. — Disse o Professor.

As opções que restringiam o uso eram opções em que ele estaria se alistando para um serviço militar, ou similar. Desta forma nunca estaria livre para ser Médico Pokémon atuando onde quisesse e como quisesse. Sempre teria de seguir as ordens atendendo quem lhe fosse indicado.

A academia militar permitia alistamento com 18 anos, com raras exceções dependendo de qual ramo a pessoa seguira: terra; água ou ar. Após alistado teria dois anos de treinamento e três de serviço. Completado cinco anos poderia fazer prova de seleção interna para várias áreas de estudo e Medicina Pokémon era uma delas. Seriam cinco anos de estudo em regime militar e após formado teria a obrigação de prestar cinco anos de serviço. Após esses 15 anos poderia solicitar um desligamento das forças armadas que poderia ser aceito ou negado. Sendo que você poderia ser chamado a ativa a qualquer momento depois de desligado.

Kevin não queria a vida de militar de forma alguma, apesar de o General Surge ao ser contado para passar informações sobre o curso quase foi a Pallet alistar imediatamente Kevin. Ele dizia que seria seu supervisor pessoal e que o tornaria um homem de verdade em pouco tempo. Kevin ficou duas vezes mais inclinado a nunca se aproximar das forças armadas.

Brigada de Resgate era um trabalho de resgate em situações de risco, fosse naturais ou causados pelo homem. Era algo que Kevin presenciou em New Bar e admitia ter gostado. Poderia se alistar com 18 anos. Seriam três de estudo e dois de serviço. Após cinco anos poderia fazer a prova de seleção interna para Médico Pokémon de resgate. Sendo um selecionado estudaria mais 5 anos e depois serviria por mais cinco. Após 15 anos ele poderia solicitar não mais ir em resgates, ficando sempre em bases de resgate.

O grande problema era que era um emprego para a vida toda. Só sairia morto ou aposentado. Era o que mais atraia Kevin quando descartava os custos, mas não conseguia se ver em desastres a vida toda. Queria ajudar as pessoas e aos pokémon, mas queria viver tranquilo.

Pokémon Ranger era a última opção e Kevin admitiu que todas aquela era a mais estranha. Um ranger fazia de tudo e poderia se alistar com 14 anos. Após dois anos de treino e dois de serviço poderia fazer prova de seleção para médico Pokémon. Cinco anos de estudo e mais seis de serviço. O problema era que não iria restringir-se apenas a Medicina, continuava a ter que patrulhar.

Todas as militares precisavam enfrentar o inimigo de frente e Kevin não queria mais estar diante da morte. Queria impedir que a vida das pessoas e pokémon chegasse ao fim e especialmente a dele.

– Levei 16 anos para descobrir o que queria fazer e levarei mais 15 para poder fazer. — Comentou Kevin. — As únicas opções acessíveis ou me prendem para o resto da vida ou vou levar o resto da vida. -

– Nesse caso é Arton ou Westeros. — Disse o Professor. — A barreira de uma língua ou de grana não deveriam ser impeditivo para você. Está jovem, como 16 anos. Tem muito potencial.-

– Westeros é fora de cogitação. Mandariam é apenas uma das línguas, mas também preciso saber um tal de aramaico. — Kevin alarmou-se. — O que é aramaico? — Kevin riu da cara da irmã que estava preocupada pela melhor opção, devido ao financeiro e a língua, estar sendo o serviço militar. — O que está pensando? -

– Vamos tentar conseguir os 6 milhões. — Disse Julia. — Não vou deixar você ir para guerra, ou para locais com desastres só por causa de dinheiro. — A irmã estava decidida. — Nunca vai passar a vida toda fazendo isso. -

Kevin abriu a boca para dizer algo, mas viu que a irmã olhou-o intensamente. Não ia haver discussão quanto aquilo.

– Eu posso fazer duas faculdades, duas especializações e mais um curso. — Disse ele sabendo que a irmã iria tentar convencê-lo a esquecer os resgates ou o serviço militar. Ele até dava graças por isso. — Acho que em Tokai tem tudo isso. Senhor Oliveira já se ofereceu para realizar o supletivo do ensino médio para que eu possa começar o quanto antes. Tenho certeza que ele consegue me ajudar a entrar na universidade de lá. -

– São no mínimo 14 anos para chegar a riscar seu sonho. — Disse Julia. — Talvez 6 fazendo Veterinária primeiro, mas vai ficar limitado. E tudo por causa de dinheiro? — Julia levantou-se indo até a parede onde estavam os papeis de Westeros e Arton. — Sobrevivemos a uma organização criminosa e vamos conseguir dinheiro e língua para uma dessas coisas. -

– Não é só dinheiro. — Diz Kevin. — 6 milhões é um absurdo. Por esse valor tem que me ensinar a ressuscitar pokémon morto, fazer um comum virar raro e não apenas a curar. — Kevin fez a irmã começar a rir. Realmente era um valor alto demais. — Além disso, e as cinco cartas de recomendação? Que merda é essa de carta? -

Os irmãos Maerd não tinham ideia do que era a tal carta de recomendação. Olharam para o professor que sorriu. Ele parecia apreciar ver Kevin discutindo com outra pessoa que não ele.

– Bem... É um documento onde uma pessoa, de grande prestigio, diz conhecer a pessoa e fala das habilidades e aptidões, recomendando-a para algo. No caso, recomendando a aceitação dele na instituição. — Samuel parou. — Realmente cinco é um exagero. Mas, não se preocupe. Você conhece muitos Mestres Pokémon, O General Surge também é uma pessoa conceituada. Para o meio acadêmico o Senhor Oliveira será de grande importância, bem como Tecka da teckpokémon. Nenhum deles recusará um pedido seu. — O professor parecia pensar rápido, apesar de falar devagar e pausadamente. — Minha recomendação, como já disse, ajudará em muito. Se conseguir que Brock e a corporação das Joys recomende-o será muito bom também. Mas, você esquece que é filho de um Maerd e seu pai é de Arton. Mesmo sem poder redigir tal documento o nome Maerd já é uma verdadeira recomendação. -

Kevin ficou parado pensando em tudo o que o professor havia falado. Nunca imaginou que os amigos que fez pelo caminho, as pessoas que ajudou, poderiam agora ser de tão grande valia.

Então é por isso que tudo começa como Treinador Pokémon. Não importa o que você vai fazer da sua vida, só como treinador pokémon você faz amigos o suficiente para te apoiarem quando chegar a hora de realizar seu sonho.

Kevin começou a rir sozinho não percebendo que o Professor e a irmã conversavam sobre arrumar um patrocinador para que ele fosse para Arton.

<><><><> Mais de um ano depois <><><><>

Dormir havia começado a ser uma tarefa completamente árdua. A última noite de sono que teve foi quando Julia Maerd bateu o pé disse que iriam arrecadar o dinheiro para que o irmão estudasse em Arton, ou enfiaria na cabeça dele mandarin, aramaico e mais quantas línguas fossem necessárias.

Uma tosse forte ecoou no quarto escuro, faltava ar nos pulmões. Faltava força nos braços. Nunca imaginou que morreria fazendo algum estudo importante, mas era irônico que fosse morrer repousando em sua cama, sozinho.

A mão esquerda buscou algo no ar. Tentou agarrar um copo de água, mas estava longe. Não achava que a água fosse ajudar a passar a velhice, mas o desespero do ardor da garganta e do peito lhe fizeram reagir por impulso. O copo tocou em sua mão e ele rapidamente o levou a boca. Um respirar aliviado. A água parecia ser tão curativa, mas sabia estar longe disso.

– Sabe que morrera em poucos minutos, não é? -

A superstição nunca foi seu forte. Apesar de estudar vários pokémon que diziam ser o espirito da morte, não acreditava que a voz de trovão totalmente desconhecida fosse a morte lhe fazendo sua visita. Mas, estava certa sobre estar com poucos minutos.

Tentou erguer a mão direita para acender a luz do abajur, mas não conseguiu. Sentiu a sombra andar até o abajur e de repente a luz se acendeu. O susto o fez ter certeza que estava morrendo.

– Caçador das Sombras? -

Aquela era a primeira aparição do Caçador das Sombras em anos. Já o ligavam a Estilo do Poder ou acreditavam que ele havia sido morto, apesar dos pokémons raros que roubara terem voltado para seus donos misteriosamente. A penumbra dava um ar ainda mais sinistro ao ladrão ao ladrão de manto e capuz negro.

– Como sabe que... sabe que... -

O professor Carvalho estava morrendo e não passaria daquela noite. Escondeu de muitos a doença e os poucos que sabiam eram médicos que já havia dado seu veredito. Imaginou que viveria uns dias a mais, mas sentia o coração parando. Engraçado pensar que o Caçador das Sombras viria para o seu leito de morte.

– Sei que está morrendo porque meus filhos perceberam. — A voz não saiu de trovão e foi quase familiar para o Samuel. — Sei que está com poucos minutos porque Mestra Agatha curti reduzir sua já curta vida usando o Visão Futura. -

O professoro franziu o cenho e tossiu fortemente. Tentou agarrar-se a vida por mais alguns instantes. Queria saber o motivo dele estar ali e identificar se realmente era a pessoa que ele imaginava que era.

– Vim me despedir. — Disse o Caçador. — E impedir que você morra acreditando em uma mentira — O Caçador tirou o capuz deixando o rosto de Kevin Maerd, envelhecido, ficar visível. — Aqueles Junior e Julia já me odeiam o suficiente por abandoná-los, mas eles me matariam se você morresse achando que foi culpado pela minha morte. -

O professor fechou os olhos rindo. Tinha certeza que ele estava vivo. Que Dream era ele, mas depois de ter desaparecido novamente após a Quest Liga e os irmãos Maerds nunca terem falado nada mais sobre eles, duvidou de sua perspicácia.

– Nunca me senti culpado. — Disse Samuel. — Quer... Quer realizar um último... -

– Último pedido? — Maerd riu. — Saber que estou vivo e que sou o Caçador das Sombras? -

Os dois riram em meio as tosses do professor.

– Se não há no seu repertório das sombras um prolongador de vida... Conte-me porque morreu. -

– Bem... — Disse Maerd coçando a cabeça. — Vai morrer antes do fim, mas tentarei pular as partes onde meus filhos tentam me matar. -

Notas finais
Agora a data está confirmada. A fic começa dia 25 de Janeiro de 2015! Na próxima semana teremos o último episódio da PET e ao final teremos o link para a PEV! https://lh4.googleusercontent.com/-X_JBPq7YfGY/VLusABEjxHI/AAAAAAAAAKE/aHQZzOQdlwk/w573-h223-no/CAPA%2B1.jpg