PARCEIROS DA LEI
1 O Chamado da Escuridão
Notas iniciais
Capítulo 1 – O Chamado da Escuridão
A chuva batia contra as janelas da delegacia com uma insistência quase melancólica, como se ecoasse os próprios pensamentos de Derek Hale. Ele estava em sua mesa, observando os papéis espalhados de um caso antigo, quando o som de passos rápidos ecoou pelo corredor. Era mais um dia na unidade de crimes graves da cidade de Beacon Hills, e os casos não paravam de surgir.
Derek era um detetive experiente, conhecido por sua habilidade em conectar pistas que outros deixariam escapar. Seus olhos esverdeados, marcados por uma tristeza profunda, eram o espelho de um passado que raramente mencionava. O corpo musculoso e a postura impecável faziam dele uma presença intimidadora, mas os que o conheciam bem sabiam que, sob a fachada de durão, havia um homem lutando contra seus próprios demônios.
— Detetive Hale, preciso de você na sala de reuniões, agora — anunciou o xerife Stilinski, com o tom de urgência que só surgia quando algo grande acontecia.
Derek ergueu os olhos e viu um jovem parado próximo à porta. Alexander Argent. O novato. Ele havia chegado à unidade há apenas duas semanas, transferido de uma cidade vizinha após resolver um caso de fraude bancária com uma perspicácia impressionante.
Alexander tinha uma aparência quase delicada, mas seu olhar revelava determinação. Era magro, de cabelos loiros sempre impecavelmente arrumados, e os olhos azul-acinzentados brilhavam com uma mistura de insegurança e inteligência. Ele usava ternos bem ajustados que contrastavam com a informalidade de Derek, sempre vestido com jeans e jaquetas de couro desgastadas.
— Argent, venha também — ordenou Stilinski, desaparecendo pelo corredor.
A sala de reuniões era pequena e funcional, com paredes decoradas por mapas e quadros brancos repletos de anotações caóticas. No centro, uma tela mostrava uma série de fotos de pessoas desaparecidas. Homens, mulheres, adolescentes. O padrão não era claro à primeira vista.
— Temos um problema sério. Sete desaparecimentos em três semanas, todos dentro de um raio de 10 quilômetros. Não há corpos, mas encontramos vestígios de luta em alguns locais. Não há testemunhas confiáveis, apenas boatos sobre uma “figura encapuzada” — explicou Stilinski, cruzando os braços.
Alexander inclinou-se para frente, observando as imagens com atenção. Ele parecia ansioso, mas focado.
— As vítimas têm alguma conexão? — perguntou ele, com a voz baixa, mas firme.
— Nenhuma óbvia. Faixas etárias variadas, origens distintas, nenhuma ligação profissional ou pessoal aparente. É por isso que estou colocando vocês dois juntos neste caso. Hale, você é o melhor para analisar cenas de crime. Argent, quero sua mente afiada conectando as peças.
Derek lançou um olhar avaliador para Alexander. Ele ainda não estava convencido de que o novato estava pronto para lidar com algo tão pesado.
— Espero que consiga acompanhar o ritmo, Argent — disse Derek, com um tom que soava mais como desafio do que encorajamento.
Alexander não respondeu de imediato, mas a forma como ergueu o queixo indicava que não recuaria.
— Só espero que você não fique para trás, Hale.
Pouco depois, os dois se encontraram no local do desaparecimento mais recente. Um beco mal iluminado no centro da cidade, cercado por prédios abandonados. A chuva havia transformado o chão em uma mistura lamacenta, mas Derek parecia imune ao desconforto enquanto examinava o local com uma lanterna.
Alexander, por outro lado, se movia com mais hesitação. Ele segurava uma prancheta e anotava cada detalhe que observava: arranhões em uma parede de tijolos, marcas de sapatos parcialmente apagadas pela chuva, um pedaço de tecido rasgado preso a uma cerca.
— O que você vê? — perguntou Derek, sem desviar o olhar de uma poça de água que refletia a luz de sua lanterna.
Alexander hesitou por um momento antes de responder.
— Alguém lutou aqui. Os arranhões indicam que uma das vítimas foi arrastada. E o tecido... Parece de um casaco. Possivelmente de algodão, mas não resistente.
Derek ergueu as sobrancelhas, impressionado contra sua vontade.
— Não é um mau começo. Mas você perdeu algo.
Ele apontou para o chão, onde pequenas gotas de sangue se misturavam à lama.
— Isso estava escondido pela água da chuva. Você precisa aprender a olhar além do óbvio.
Alexander corou ligeiramente, mas manteve a compostura.
— Talvez eu precise. Mas acho que você também deveria aprender a ser menos intolerante.
Derek não pôde deixar de soltar um breve sorriso.
— Gosto de você, Argent. Você tem coragem.
A Primeira PistaEnquanto a noite avançava, os dois trabalharam juntos para coletar evidências. O tecido rasgado foi enviado para análise, e as marcas de sangue foram coletadas. Mas o que realmente chamou a atenção de ambos foi um símbolo gravado na parede com algo afiado.
— Isso não estava no relatório — murmurou Derek, passando os dedos pelo desenho. Era um círculo com linhas cruzadas, formando uma espécie de estrela.
Alexander fez uma foto e começou a pesquisar no celular.
— Parece um símbolo de origem esotérica. Algo relacionado a rituais de invocação ou proteção.
Derek estreitou os olhos.
— Ou um aviso.
Eles trocaram um olhar tenso. O caso, que já parecia sombrio, estava começando a tomar um rumo ainda mais perturbador.
De volta à delegacia, os dois passaram horas analisando os dados. Enquanto Alexander mergulhava nos arquivos digitais, Derek se concentrava nos depoimentos. Apesar das diferenças, a parceria começou a funcionar. Alexander trazia uma perspectiva analítica, enquanto Derek confiava na intuição e na experiência.
— Se esse padrão se confirmar, temos apenas 48 horas antes que outra pessoa desapareça — concluiu Alexander, esfregando os olhos cansados.
Derek observou o parceiro por um momento. Ele parecia exausto, mas determinado. Era um contraste intrigante com a própria abordagem de Derek, que mantinha suas emoções enterradas.
— Vá para casa, Argent. Você não vai resolver nada se estiver morto de cansaço.
Alexander sorriu de canto.
— E você? Vai ficar aqui a noite toda?
Derek não respondeu. Em vez disso, virou-se para a mesa, sinalizando que a conversa havia acabado.
Mas enquanto Alexander saía da sala, Derek não pôde deixar de pensar: talvez esse novato tenha mais a oferecer do que eu imaginava.
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