No inicio havia o nada... E desse mais vazio nada, surgiu tudo...

Deus... Com todo seu infinito e incalculável poder... De seu fio de cabelo criou os anjos... E a estes, ordenou que construíssem um lugar onde ele pudesse descansar... Eles assim o fizeram. Construíram os céus e lá fizeram um palácio, onde Deus juntando todo o seu poder criou seu Paraíso... Um lugar divino... Um lugar perfeito...

Deus então antes de pôr-se a descansar em seu próprio palácio... Ordenou aos seus anjos que agora construíssem um outro local, onde outra raça viveria...

Novamente, eles assim o fizeram... Dessa vez construíram o Éden... Lugar onde plantas e arvores dos mais variados tipos puderam crescer e habitar...

Enfim, após acordar de seu divino e sereno descanso, Deus então ordenou que cada um de seus fiéis anjos arrancassem um de seus braços e oferecessem a ele...

Destes braços... No Éden... Ele moldou criaturas antropomórficas e irracionais... As quais chamou de humanos...

E então... antes de pôr-se a descansar novamente em seu palácio... Deus proclamou suas ultimas palavras...:

– Apenas no momento certo, os anjos escolhidos poderão juntar-se a mim... No Paraíso... Até lá, vivam suas vidas rezando e louvando a mim como o único e todo poderoso criador!

Desde então os anjos viveram, se reproduziram e montaram sua própria sociedade...

E assim inúmeras gerações de anjos vieram... todas apenas com o intuito de um dia servir a Deus... No Paraíso...

* * *

– Azazel... acorda... — insistiu a confortante voz de seu irmão Samyaza, que tentava à tempos, o acordar — O grande alarme já soou...

Ainda sonolento, Azazel, um pequeno anjo de apenas 1 metro e 50 de altura, levantou de sua cama.

– Mesmo depois de tanto tempo, eu ainda tenho dificuldades em acordar com o som do alarme. Não sei oque será de mim quando chegar sua vez de ir ao Paraíso... — Lamentou, ainda meio sonolento.

– Vamos comer... a primeira refeição já está na mesa.

Ele, que possuía a aparência de um garoto de cerca de 15 ou 16 anos, ainda cambaleando por causa do sono, saiu de seu quarto e andou até a sala de refeição da casa, enquanto Samyaza, seu irmão mais velho, já o esperava à mesa.

Não precisara andar muito, já que a casa possuía apenas 3 pequenos cômodos: Dois quartos, sendo um para cada irmão, e a sala de refeição.

Azazel sentou-se à mesa observando a pouca carne em seu prato.

– Você estava realmente com muita fome ontem, — Samyaza comentou, preparando-se para comer sua parte — isso foi tudo oque sobrou do estoque diário de ontem.

Azazel novamente lamentou em silêncio e ambos começaram a rezar e agradecer a Deus pela comida. Logo também começaram a degustar a refeição em seus pratos, que nada mais era que pura carne quase podre.

Terminada a refeição, Azazel colocou-se à resmungar:

– Ah... ainda continuo com fome, será que ainda falta muito para o segundo alarme?

– Provavelmente não. — Respondeu Samyaza, depois de abocanhar o último pedaço de carne em seu prato. — Você dormiu bastante também, só consegui te acordar bem depois do primeiro alarme tocar.

– Então saía logo. Até você chegar no Salão principal o segundo alarme já soou.

– Quer ir também? já faz um tempo desde a última vez que você foi buscar alimento comigo.

Concordou em ir sem esboçar muita animação.

E então, os dois irmãos, finalmente saíram de sua pequena casa.

Enquanto dezenas de anjos rezavam à Deus e caminhavam pelo lugar, que se assemelhava a uma pequena, porem larga cidade, do lado de fora de sua casa eles contemplavam a beleza do local onde eles viviam:
o Céu.

Estes, que habitavam o local, possuíam características quase uniformes: Peso médio, cabelos negros e meio bagunçados, olhos azuis... Variavam apenas em altura, rosto, personalidade e cor de pele.

Todos trajavam calça e camisa de manga longa com gola grande, ambos de cor invariavelmente branca e possuíam também uma auréola acima da cabeça alem de grandes e gloriosas asas brancas banhadas à penas, como as de pássaros.

O Céu por sua vez, nada mais era do que uma grande construção flutuante semelhante à uma cidade, localizada nas nuvens.

Tal local, que não possuía qualquer coisa que impedisse alguém de cair pelas bordas laterais, funcionava como um gigantesco corredor, uma espécie de rua enorme onde em uma das extremidades se localizava o palácio real, lugar onde o todo poderoso Deus vivia, e na oposta, ficava o grande salão principal.

As laterais esquerda e direita eram dominadas por inúmeras casas como as de Azazel e Samyaza, casas essas que, em sua maioria, eram habitadas por outros anjos.

Nessas laterais, também se localizavam as salas de reprodução, que eram duas e ficavam em frente ao do salão principal. Estas salas enormes que mais se pareciam com grandes casas, eram o lugar onde os anjos recém nascidos ficavam até atingir uma certa maturidade.

Enquanto andavam em direção ao salão principal em busca de um novo estoque de comida, Samyaza e seu irmão Azazel acabaram por encontrar Kokabiel, um anjo bem semelhante à Samyaza fisicamente, que parecia ser bem amigo dos dois.

– Koka! — Azazel gritou chamando o seu amigo.

– Ah, oi Azazel, Samyaza... — Respondeu ele com certa distração enquanto se virava para eles.

– O que faz aqui? parece estar indo em direção ao salão principal — Samyaza perguntou ao se aproximar dele.

– Estou. Meu estoque diário já acabou...

– Nossa, mesmo morando sozinho você conseguiu acabar com o seu estoque diário assim? — Dizia Azazel parecendo um pouco surpreso com o que acabara de ouvir.

Com uma visível animação, Kokabiel pôs-se à explicar a situação. — Meu dia está chegando, Azazel... Eu finalmente vou conhecer Deus! conhecer o Paraíso! Tenho que me alimentar bem até lá.

– É mesmo — lembrou Samyaza — faltam apenas mais 10 ciclos para o ritual de marcação de vocês dois. Você também devia estar animado Azazel, depois que receber sua próxima marca você finalmente vai começar a trabalhar.

Coçando a cabeça e com uma certa face de desconforto e falta de confiança Azazel concordou em tom seco

– Falando em ritual de marcação, olha lá! -Kokabiel apontou animado para uma multidão de anjos em volta de outros dois destes prestes a participar do tal ritual.

Lá, havia também um terceiro anjo, por sua vez, carregando uma espécie de metal em formato de cruz que aparentava ter sido previamente aquecido, já que estava visivelmente bem vermelho.

Os dois anjos à espera de serem marcados pelo metal quente, levantaram suas camisas deixando à mostra em suas costas, respectivamente, 19 e 16 marcas de cruz, enquanto cantavam, dançavam e rezavam loucamente à Deus.

E quando o terceiro anjo, encarregado da marcação, finalmente prensou o objeto metálico nas costas dos dois anjos, uma expressão mista de dor e alegria surgiu em seus rostos. Tal movimento, fez com que fosse adicionado em ambos mais uma marca de cruz.

– Ei olha lá, um dos anjos completou vinte marcas. — Observou Kokabiel, enquanto apontava para eles.

– Então mais um anjo irá ao paraíso...- Refletiu Samyaza em um aparente tom de preocupação. — ultimamente há muitos anjos indo ao paraíso e poucos saindo da sala de reprodução...

– Realmente... Samael disse que é porque o número de anjos reprodutores só vem diminuindo.

Azazel, por sua vez, contribuía com o silêncio pois não compreendia muito a situação, já que era praticamente uma criança, tanto em altura, quanto em idade e mentalidade.

– Mas não há com o que se preocupar — continuou Kokabiel esperançoso — Deus vai encontrar um jeito de resolver esse problema. Com certeza.

– Falando em Deus — Disse Azazel na esperança de mudar para um assunto de seu domínio. — Você não esta preocupado com o fato de ter que ir pro paraíso, Koka? Como você vai viver lá sem nós? Eu sinceramente não sei como vou viver aqui sem você... E logo, Samyaza vai ir pra lá também...

– Ainda faltam uns 100 ciclos até a minha próxima marcação Azazel. — disse Samyaza na esperança de reconfortar seu irmão.

– Não seja tão dramático — Completou Kokabiel. — todos nós vamos nos encontrar lá em algum momento. E você logo logo já vai fazer sua décima quinta marca, faltarão só mais cinco...

– Mas eu ainda vou ter que aguentar mais uns 500 ciclos até completar as vinte marcas e finalmente poder ir pro paraíso... Isso é muita coisa! — Retrucou zangado.

– Até lá você vai ter feito novos amigos. talvez até ganhe um novo irmão! — Zombou Samyaza.

– Eu não quero um novo irmão!

Enquanto os irmãos discutiam, Kokabiel ainda pensava sobre o grande dia. — Mal posso esperar para a minha ultima marca!

O segundo alarme enfim tocou.

– Ta legal, vamos logo Azazel — disse, agora em tom sério, Samyaza. — o alarme já tocou. Você também esta indo ao salão principal né Koka? Vamos todos juntos então.

Kokabiel concordou, e os três amigos se dirigiram ao salão principal. E não só eles, todos os anjos de lá automaticamente começaram a se deslocar em direção ao salão com o soar do segundo alarme.

Chegando lá, naquele salão redondo e gigantesco, eles se depararam com quatro filas cheias de anjos à espera do estoque diário de comida.

No início de cada uma das filas se encontrava uma pequena porta nas laterais do salão, como uma espécie de balcão, com um anjo dentro que, por sua vez, se encarregava de distribuir a comida para os demais anjos da fila. Também podia-se ver que atrás daquela porta havia um grande comodo, que era provavelmente onde normalmente ocorria o processo de preparação do alimento.

Entre essas quatro portas, dividindo-as, fazendo com que ficassem duas no lado direita e mais duas no esquerdo, havia uma outra maior, também como uma espécie de bancada, só que por sua vez, grande o bastante para abrigar um corpo deitado de um humano, prestes a ser cortado pelo anjo que ali se encontrava. Um humano morto.

O intuito dessa bancada era mostrar para os anjos ali presentes uma parte do processo de produção do alimento que eles comiam.

Enquanto os três anjos aguardavam sua comida em uma das filas, Kokabiel avistou a bancada com o humano prestes a ser cortado:

– Ei, olha só Azazel — Disse Kokabiel enquanto apontava para o defunto — um humano ainda inteiro. você nunca viu um assim né?

– Que Bizarro, ele até parece normal...

Como nós... — Azazel Refletiu surpreso. — só que sem as asas e a aréola é claro.

– Só que ele esta morto, e anjos não morrem bobinho. Além disso Humanos são apenas comida, eles não pensam. São bem diferentes de nós. Eles nem sequer falam...

– ...Queria poder ver um ainda vivo...

– Talvez você consiga, se quando começar a trabalhar for colocado como coletor igual à Gadrel . Mas eles não são tão interessantes assim pelo que eu ouvi falar... só ficam andando sem rumo por ai.

Finalmente entregavam a carne pra Samyaza e Kokabiel.

Azazel, por sua vez, rezou à Deus brevemente e logo colocou-se à pegar um pouco da carne recebida por Samyaza. Por estar com muita fome ele comeu ferozmente ali mesmo, enquanto andava em direção a saída.

– Calma Azazel, a comida não vai fugir... — Kokabiel fez piada da situação. — ela já esta morta afinal! HaHaHa

– HaHaHaHaHa

– HAHAHAHAHAHAHA

– HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

O anjo cortava em pedaços o humano já sem vida e os dois anjos gargalhavam enquanto Azazel comia a sua suculenta carne crua.

Tudo parecia feliz...

Notas finais
Sim, esse capítulo talvez tenha sido um pouco confuso, prometo que no próximo capítulo (quase)tudo vai começar a fazer sentido. No próximo capítulo mais revelações e explicações sobre o mundo, bem como dois novos personagens que serão bem importante no futuro vão ser apresentados, então aguardem. Espero que tenham gostado.