Ela o estava matando. Não fazia ideia do quanto o estava machucando. O coração nunca doeu tanto, e foi ali que ele se deu conta do quão era intenso o que sentia por ela. Pois nunca havia sentido aquela dor. Segurou bravamente o choro na garganta.

— Paixão. — a voz embargou por um momento, mas ele seguiria. — Então é apenas isso que sente por mim? Paixão? — Ela assentiu, embora as lágrimas não embaçasse a dúvida em seu olhar. — Entendo. Aceito. No entanto, se é aqui que nos despedimos de uma vez para sempre, baronesinha; lhe peço uma coisa, apenas mais uma única coisa.

— O que? — a voz dela vacilou, temerosa; pois mesmo não sabendo o que ele pediria, Ema sabia que nada mais negaria a ele naquele momento.

Ele aproximou-se, a segurou firme pelos braços, olhando tão dentro de seus olhos que ela acreditava que estivesse vendo sua alma.

— Me ame. — ele disse firme. — Me ame com toda sua paixão.

Ema não entendeu a principio, mas sentiu os joelhos fraquejarem; as pernas tremeram e não só as pernas todo seu corpo vibrou. Suas emoções já estavam mais que afloradas naquela hora, porém, sentiu-se entorpecer-se pelas palavras dele. A agitação tornaram-se tão intensa em seu interior que saíra pelas lágrimas de seus olhos ,e pelo poros em sua pele em forma de um suor frio, assim como Ernesto descrevera segundos atrás.

— E deixe eu amá-la — ele continuou, unindo sua testa a dela. — com todo meu amor.

Ela arfou, o coração batendo mais irregular que nunca antes.

Paixão. O sentimento mais avassalador que já sentira, talvez o maior e mais dominante. Ema percebera que era também o mais perigoso. Quando ele lhe tocou os lábios com o polegar, ela fechou os olhos sentindo o coração aquecer-se de uma maneira que nunca havia sentido antes. Ardia, ardia forte; não a impedia, era o contrário, a impelia. Doía, mas não era doloroso, era uma dor que beirava o prazer. A ansiedade do que viria tornou tudo altamente sensível, e quando sentiu os lábios dele sobre os seus, não tentou, nem mesmo pensou em travá-los outra vez, deixando-se ser beijada; teve a sensação que acometia seu peito alastrada por todo o corpo. Até mesmo as pontas dos dedos de seus pés sentia aquela corrente elétrica. Ela realmente achou que naquele momento morreria. Morreria eletrocutada. Já ouvira, assim que chegou ao Brasil a novidade da luz elétrica, como uma pessoa poderia morrer com um choque, eram sensações parecidas a que sentia agora: o choque só acontece quando há um estímulo elétrico que vem de fora e percorre o corpo. Na medida em que aumenta de intensidade, pode causar contrações musculares e cardíacas, e até mesmo queimaduras graves.



Era o que acontecia afinal, a medida que o beijo dele se aprofundava em intensidade, sentia os músculos se contraírem, tanto que sentiu-se ir ao chão, sem mais forças para se suster em pé. Mas, ele a abraçava pela cintura e no segundo seguinte ela estava bem presa ao corpo dele. Ema não mais sentia os pés tocar o chão, talvez por isso estava sentindo-se flutuar. Medo. Ela sentiu medo daquelas sensações, mas o medo não era mais forte. Ouvia um zunido em seu cérebro, como se alguém estivesse gritando algo a plenos pulmões, porém nada era ouvindo, além dum eco distante, porque sua consciência não era mais forte. Nada. Nada era mais forte do que as sensações que Ernesto lhe despertava naquele momento, e seu corpo insolente queria muito saber do que se tratava; e quando ela viu que não conseguiria vencê-lo, redeu-se, entregou-se sem reserva ao beijo que lhe era tão sedento; beijando-o também.



Talvez encorajado pelo beijo que ela agora correspondia, ela sentiu Ernesto içá-la em seus braços. Não viu para onde ele caminhava, não se atinha a nada que não fosse os olhos tempestuosos dele mirando os seus.

Era um sonho. Um sonho. A mente dele repetia, e era só, no resto o que o dominava era o corpo. Ódio e desejo, foi-se dando lugar para paixão e excitação, cada vez maior e mais crescente em todo seu corpo. Seu tato porém dizia que ela era bem real, e estava ali, rendida e entregue em seus braços. Adentrou num dos quartos do cortiço que ele sabia está desocupado, deitou-a no colchão grosseiro despido de lençol, ela não pareceu importar-se, na verdade, Ema parecia se importar com mais nada. O olhava, parecia ansiosa, olhava seus olhos como se quisesse lhe entregar algo, algo de muito secreto, algo que nem ela sabia bem o que era; era como um segredo que ela não queria revelar nem a ela mesma.

— Vou lhe mostrar, baronesinha! Vou explicá-la o que é amor. — disse para os olhos ansiosos. — Vou explicá-la na prática o que sente por mim e o que eu sinto por você.

Os lábios dela novamente presos, dessa vez pela expectativa. O busto subia e descia tentadoramente denunciando sua pesada respiração. Os olhos tão escuros quanto ele jamais vira nela, e foi isso que o fez ir adiante, ela não era receosa, ele sabia lê-la, a conhecia mais do que ela mesma de tanto que a observara, de tanto que passara cenas e cenas de seu comportamento nos dias em que estiveram afastado. E por conhecê-la sabia que a qualquer momento sua consciência podia retornar e se ela o afastasse, se ela o mandasse parar, assim o faria.

Então não perdeu mais tempo, a prendeu na cama com o seu corpo. Suas coxas firmes repousavam entre as dela. Sua excitação pressionava intimamente as curvas que protegiam o centro de sua feminilidade. Ela ofegou. E ele aproveitou para aprofundar-se novamente no calor doce de sua boca; e o beijo não foi terno, a língua atrevida dele explorando-a mostrava isso, pois ainda sentira resquícios do ódio, queria fazê-la entender, ou melhor, no momento queria fazê-la perder-se da razão. E estava conseguindo, ela também o beijava. Um gemido baixo e rouco de deleite soou atrás de sua garganta quando a língua dela timidamente encostou na sua. E senti-la tremer inteira em reação ao seu som, foi mais incentivo do que ele precisava. Precisava tê-la, possuí-la, fazê-la sua de uma vez, para que nenhum outro pudesse ter a oportunidade. Porém também lembrou-se, mesmo naquele momento louco de excitação ferrenha, que ali, subjugada a ele naquele corpo frágil, não estava só o seu objeto de ódio ou de sua paixão, estava o objeto de seu maior amor.

Pediu a si mesmo calma e cessou o beijo, mas a prendeu com os olhos, enquanto desabotoava os botões do corpete de seu vestido; afastou-lhe as mangas dos ombros e ali foi alvo de seus beijos cálidos, arrastando depois a boca sedenta em direção ao colo e pescoço, enquanto com as mãos pela lateral do corpo dela havia alcançando enfim a saia do vestido e a subia lentamente por suas pernas.



Ema deixou escapar um gemido cálido, incoerente e cheio de desejo, ela sentia o peito em total combustão, era como se realmente Ernesto estivesse lhe explicando na prática, o que lhe descrevera minutos atrás. Minutos? Talvez horas? Séculos! Tempo realmente não era algo a se ater ali. Queria desesperadamente perder-se no tempo e sensações. E só tornou a sentir algo mais do que aquelas quando arfou surpresa ao senti-lo pressionando-se livre por sua intimidade.



Não havia mais como voltar atrás. Não tinha como. Estavam expostos e desnudos um para o outro, aquela constatação a assustou, mas não, não podia mais voltar.



— Shhhh — murmurou ele, encostando o rosto no pescoço dela enquanto uma de suas mãos desenhava círculos suaves em suas coxas. — Confie em mim.



Ela arfou novamente, como era possível a voz dele ter se tornado ainda mais forte e rouca do que já era. Aquela voz a atingiu bem no centro do ventre.



— Eu confio em você! — seu cérebro gritou e sua boca traduziu.



Foi absolutamente tudo que ele precisava ouvir. Usou suas próprias pernas para afastar as dela e acometido de desejo e ardência, com um gemido baixo e trêmulo posicionou-se. E foi-se, com um impulso forte, penetrou-a por completo, sentindo com torpor a barreira dela romper-se divinamente; a ouviu choramingar, a olhou apreensivo, mas ela não parecia sentir dor. Os olhos estavam marejados e ela arfava muito pesado, mas ele sentia o corpo dela inquieto e pressionando-se para ele. Então mais encorajado que nunca, começou a movimentar-se dentro dela, num ritmo propositalmente lento e constante. A cada impulso, arrancava-lhe uma arfada e os gemidos de Ema o deixavam louco.



Ela de sua parte não estava em si, estava no céu, no inferno, em uma nuvem. Ou talvez, caindo de um precipício.



— Santo Deus! — sussurrou ela, meio exasperada com as sensações desconhecida invadindo não só seu corpo, como também sua alma. — O-o q-que está havendo comigo, Ernesto?

Ele a olhou, ela viu um lampejo de prazer mais vivaz em seus olhos naquele momento, sentiu ele entrelaçar os dedos de suas mãos.

— Está fazendo amor, baronesinha, amor com paixão!

Ela tremeu, tremeu forte e ele não deu tempo dela responder ou sequer raciocinar, afundou-se novamente a boca dela, devorando-a com o fogo de sua existente e forte paixão, a sentindo ainda mais ansiosa em todo seu ser. Ernesto gradativamente começou a se mexer mais rápido. Os gemidos dela viraram choramingos encantadoramente manhosos, os arquejos ficaram mais ofegantes e soube que ela estava perto do clímax. Parou o beijo, e trincou os próprios dentes tentando manter seu controle enquanto ela seguia rumo ao orgasmo.

Ela chamou por ele com sofreguidão, agarrou os seus ombros, erguendo o quadril com uma força que ele mal podia acreditar. Finalmente com um último e intenso tremor, sentiu-se, ironicamente, explodir-se. Era insano, insano demais por um tempo. Até que desabou sob Ernesto alheia a tudo a não ser ao poder de uma paz incomensurável.

Ele tomado pelo prazer de satisfazê-la e de tê-la, permitiu-se um último impulso, indo o mais fundo que pôde, saboreando o doce calor do corpo de seu amor. Então lhe dando um beijo ardente de paixão, libertou-se dentro dela.

Abraçaram-se. Corpo, alma e coração. Estavam unidos, e nada poderia separá-los. Nada! Aquela noite amanheceria. Ema partiria. Mas Ernesto sabia que jamais a perderia. De algum jeito, com alguma certeza insana ele sabia que ela sempre voltaria para seus braços.

Notas finais
Arrisquei um pouquinho agora... Me digam o que acharam, podia ter sido assim??? Bjo e até a próxima ​♥ PS.: Pri (@afetogune), obrigada pela fotinha de capa! Minha heroína das fotos apego de Erma!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!