P a t r i x
1 Capítulo 1 : É Real?
Fedia. Muito. O cheiro de metal enferrujado causava enjoo em Omega. Desde os acontecimentos do novo Escolhido, Zion não tem sido a mesma por um longo tempo.
Luz. Êxtase. Enjoo. Medo. Por que Omega teria feito aquilo? Mais uma vez a profecia se realizara e assim como Morpheus, Omega acreditava em si mesma. Acreditava que um dia a raça humana poderia ter o controle do planeta de novo, acreditava que o ser humano poderia acordar em um novo mundo dentro de um hospital, e não em uma horta. Acreditava que o segundo Escolhido poderia ter feito aquilo que o primeiro não fez. Ela acreditava nele, afinal ela o amava. Por isso não deveria desistir, ela precisaria conseguir. E ela iria conseguir.
Omega parou ofegante por entre os prédios da Cidade das Máquinas, angustiada e sem esperança sentou naquilo que acreditara ser uma calçada e descansou, colocou a cabeça entre os joelhos que agora estavam contraídos para cima e soltou seus cabelos crespos. Nunca havia chorado tanto. Engolia em seco e parecia estar-se afundando no chão. Sentia falta de Nenity, nem sabia se estava vivo afinal. Omega olhou para cima e viu a neblina preta e sombria que cobria a cidade, quando um rato passou do seu lado procurando comida. Omega riu e com pesar, as lágrimas ainda escorriam do seu rosto e fizeram uma curva por entre suas bochechas que agora projetavam um sorriso. Ela sentia-se feliz agora pois testemunhou o resquício de esperança e de vida. Viu naquele rato a salvação da vida que persistiria nos tempos mais macabros. Omega observava fielmente o rato com os olhos cerrados e com seus olhos brilhando com lágrimas, deixou-o ir.
Continuou parada e sem fazer barulho. Ela chegara á Cidade e estava pronta agora, relaxou os joelhos e se levantou. Parou um momento olhando para suas sandálias e prendeu o cabelo novamente. Estava pronta. Levou suas mãos até seu rosto cor de chocolate e apertou seu crânio, preparando-se para gritar.
–AAAHHH! – Berrou de forma descomunal.
–DEUS MACHINA, EU PRECISO CONVERSAR COM VOCÊ. EU NÃO PRECISO MAIS FICAR AQUI, VOCÊ SABE ONDE EU ESTOU. EU VIM PEGAR AQUILO QUE VOCÊ SABE O QUE É. E VIM FAZER AQUILO QUE VOCÊ SABE QUE EU VIM FAZER. – Continuava berrando Omega, que agora chorava novamente, tirando as mãos do crânio. Porém com uma esperança inabalável.
Nesse momento todas as sentinelas que se encontravam na superfície do inferno maquinário olharam para baixo e observaram o vulto negro. Todas se juntaram em uma espécie de nuvem e abriram um de seus tentáculos, revelando a sua antena. Ficaram paradas por um tempo olhando pra ela com seus olhos vermelhos e cobertos de led’s queimados. Ate que fecharam seus tentáculos e voaram todas em direção á Omega que mal olhava para cima, apenas para baixo persistindo o olhar para seus pés.
Quando chegaram perto da figura da jovem negra as sentinelas não hesitaram. Com seus inúmeros braços elas a agarraram e incluíram-na na sua nuvem de engrenagens. Ela chorava observando a cidade ficar menor conforme subia. Olhou para trás dentro da nuvem de sentinelas que a carregavam e viu o pódio principal onde o primeiro Escolhido havia pisado antes de derrotar o programa Smith. E olhou com pesar com o ouriço enferrujado flutuava para a plataforma e formava seu rosto infantil. Aquilo era Machina. Decidiu então, fechar os olhos e esperar que as sentinelas a largasse no pódio. Não sentia nada. somente o vento que elas faziam conforme voavam. Apenas escutava o bater no metal e aqueles barulhos crustáceos que as máquinas faziam, quando sentiu sem corpo em uma chapa de metal fria. Elas haviam colocado Omega na plataforma.
Ela por fim, não se levantou. Apenas girou o pescoço para admirar a beleza horrenda de Deus Machina. Cansada e sem fôlego pediu:
–Eu quero vê-los.
–Não queira. Você deseja. DESEJA, VOCÊ DESEJA. EU MANDO EM VOCÊ. Em você eu mando...SIM EU MANDO. Você pode vê-los? Sim, pode . Com certeza.
Deus não era normal, uma máquina que possuía controle de tudo não poderia estar normal. De qualquer forma, do lado direito de Deus Machina surgiram duas plataformas flutuantes, cada uma com um corpo.
–É real? –Omega disse.
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