P De Punk
1 O garoto Punk
Notas iniciais
Annabeth’s POV
Certo, é difícil dizer que as coisas iriam ser fáceis, mas nunca são, eu acabei de me mudar com o meu pai para uma cidade nova, e isso nunca é fácil, ainda mais sendo NY, uma cidade bem difícil de se confiar. Eu iria para uma escola nova, com pessoas que nunca tinha visto na vida, mas pelo menos poderia tentar fazer amigos. Na minha antiga escola ninguém gostava muito de mim, só porque eu era a nerd do fundo da classe.
As coisas já não me pareciam muito boas ao encarar o café da manhã que meu pai fez, panqueca queimada e cereal velho com leite estragado, começamos até que bem. Desde que minha mãe se foi, meu pai tenta se virar sozinho, ele se sai bem quando pede pizza para o jantar ao invés de fazê-lo. Pelo menos, ele tenta e nunca perde o sorriso e a carinha de criança. Ele tem cabelos loiros como os meus e olhos castanhos, já eu tenho olhos cinza, como os da minha mãe.
– Pronta para o primeiro dia de aula, Annie? – perguntou ele, torcendo o nariz ao tentar comer a panqueca que ele fez.
– Não muito, mas posso tentar. – respondi levantando-me e indo buscar dois pedaços de pizza de ontem na geladeira.
Entreguei uma a ele, e comecei a comer a minha.
– Será que não vamos passar mal por comermos pizza de manhã? – perguntou ele.
Dei de ombros.
– Só iremos descobrir mais tarde. – disse e ele riu.
Tinha pena do meu pai, ele era um professor de universidade e não parecia se dar muito bem com responsabilidades que saiam daquelas exigida a um professor. Ele não sabe: lavar nem passar roupa, nem cozinhas, limpar a casa, esquece-se de fechar a geladeira, etc, etc, etc. Tenho pena dele, eu realmente gostaria que ele não tivesse que passar por tudo isso, queria poder ser independente já, ter um trabalho para pelo menos contratar uma empregada para limpar a casa para ele, não podemos ter uma empregada agora por causa de tudo que aconteceu a mudança, o apartamento novo e a escola estavam custando muito por terem sido feitos e escolhidos de supetão, porém sempre tenho que ter fé que as coisas vão melhorar, não estou certa?
...
Acho que não! Para começar a nova escola era estranha, parecia um castelo velho e o uniforme que éramos abrigados a usar eram ridículos, alaranjados e com “CHB”, de Colégio Henry Brand (o fundador daquela coisa medieval), em preto no centro do peito. Às vezes, o sol batia na blusa e o carro todo do meu pai ficava laranja. Assim que pisei na escola, fui abordada por três Líderes de Torcida que usavam saias brancas com uma listra laranja na barra e uma blusa laranja com um pegasus em preto no peito. A líder do grupinho era Drew, uma menina nada amigável que disse que meu cabelo era ruim, cheio de pontas duplas e que eu precisava seriamente alisá-lo. Pelo o que ela disse encaracolado estava fora de moda.
Eu não estava com muita paciência, talvez deveria ter virado a cara, mas a minha língua coçou tanto que eu não resisti.
– Sabe uma coisa que nunca sai de moda? – perguntando dando um sorrisinho sarcástico.
– O que? – perguntou Drew parecendo interessada.
– Anal. – respondi, prendendo o riso para manter a cara sarcástica, a cara de espanto dela e da amiga dela da esquerda era impagável, já a da direita começou a rir – Você deveria saber disso. Não é a sabe-tudo?
Nem esperei ela responder, ajeitei a bolsa no ombro e segui andando pelo corredor. Aprendi isso no Saturday Night Live, não foi exatamente assim que aconteceu no programa, só que a ideia é a mesma, uma coisa que nunca sai de moda é o anal, simples assim. Meu pai fala que eu assisto SNL demais, contudo eu ainda assisto. Ouvi um menino gritando lá trás “Depois dessa eu nem dormia, Drew!”. Depois alguém correu na minha direção, um menino magro com um sorriso imenso, o cabelo moreno encaracolado caindo sobre o rosto deixando amostra as pontinhas das orelhas que o deixavam com uma aparência fofa de elfo, ele era mais alto que eu e parecia muito alegre.
– Oi, sou o Leo. – apresentou-se me oferecendo a mão.
– Annabeth. – apertei a mão dele.
– Não creio que você disse aquilo para a Drew, todas as meninas novas costumam terem medo dela. – comentou ele enquanto andávamos.
– Cara feia não me assusta.
– Acho que já somos amigos, Annabeth. – ele passou a mão pelo meu ombro depois tirou me olhando com cautela – Tudo bem eu colocar a mão em você, não é? Ou você vai me apresentar àquilo que nunca sai de moda?
Eu ri.
– Tudo bem, pode colocar, não tem problema.
Calma, isso até parece que foi bom, afinal eu fiz um amigo e pisei na liderzinha de torcida. Mas nada é tão bom assim. O dia continuou. Eu tive a primeira aula com o Leo. E graças a Deus, eu estava sentindo meu estomago gelar só com o pensamento de entrar em uma sala cheia de estranhos me olhando como se eu fosse um bicho. Ele se sentou ao meu lado direito e apresentou um de seus amigos, Jason, sentado a minha esquerda, loiro com uma cicatriz no lábio, ele era até que bonitinho, mas Leo ainda ganhava porque ele era fofo. No começo da aula de história o professor Quíron pediu para que o Leo me ajudasse a localizar a matéria e ver se eu não entendia ou ainda não tinha visto alguma coisa. E como Jason não queria prestar atenção na aula, porque, segundo ele, o professor dá sono nele, passou a “ajudar”.
Haviam-se passado vinte minutos de aula no máximo quando alguém abriu a porta. Era o diretor, eu acreditei ser, pois Leo parou de sorrir não terminou sua piadinha, e começou a explicar sobre a guerra de secessão, mas nem ele sabia, Jason deu uma de aluno aplicado, escrevendo no seu caderno algo muito acadêmico: “Preciso comprar farinha para a mamãe”. Eu tive que rir. E o cara tava de terno, não creio que um professor ia usar terno, o professor Quíron estava com uma roupa até meio estranha. E o diretor tinha a cara transtornada, puxando um menino para dentro da sala. Paremos um minutinho para a descrição do que eu vi.
O menino tinha olhos verdes como o mar, tão lindos e misteriosos. A blusa da escola dele tinha as mangas rasgadas, as calças jeans pretas também eram rasgadas nos joelhos e havia um cinto de prata caído sobre a mesma. Os braços fortes estavam à amostra. Ele era alto. Usava botas de combate marrons e luvas cortadas nos dedos e com círculos cortados em círculos sobre as divisões da primeira e a segunda falange contando do centro da mão para cima. Os cabelos negros estavam cortados nas laterais, mais cortados que a faixa do meio que se mantinha em pé em um topete desalinhado. O rosto dele era tão bonito. Os lábios rosados estavam crispados e os olhos revirando enquanto o diretor explicava o porquê tinha que trazê-lo assim.
– Perdão, professor Quíron, mas o senhor Jackson pensava que poderia sair de fininho. Depois de ter tentado por fogo nas fichas escolares dele. – o diretor largou o braço do Jackson – Agora vá se sentar, e não se esqueça da sua detenção mais tarde.
– Tá, tanto faz. – respondeu o Jackson com desdém e falta de interesse indo sentar-se irritado ao lado de Jason.
– O Percy só não é expulso porque a mãe dele é amiga de infância do diretor. – sussurrou Leo para mim, olhei-o e ele suspirou – Pelo menos, era.
– Era? – perguntei curiosa.
– A mãe dele morreu. – Leo sussurrou mais baixo ainda – Ele teve que morar com o pai. E ele não gosta muito do pai porque o cara abandonou a mãe dele quando ele era criança e essas coisas.
– Você sabe de muita coisa. – sussurrei de volta.
– Éramos amigos, antes de… você sabe… Ele era um cara legal, me contava tudo, aí aconteceu e ele ficou assim.
Olhei novamente para Percy, senti pena, não ter mais mãe era ruim, eu sabia disso. Talvez pudesse tentar fazer amizade com ele, gosto de ajudar as pessoas. Ele talvez só precisasse de uma ajuda, alguém que pudesse entender que era difícil perder sua mãe, eu não virei punk porque minha mãe se foi, mas também, eu gosto muito do meu pai. Ele é meio voado, só que está sempre ali para mim.
...
Passei três aulas sozinha, o que me deixou muito triste. Porém pelo o que Leo disse, na quinta aula, a de educação física voltaríamos a nos encontrar. Eu, ele e Jason estávamos no ginásio esperando o treinador surgir e mandar a gente fazer algo. Eu tinha ido me trocar e não estava me sentindo nem um pouco confortável, tinha um pedaço do meu cabelo que estava me machucando no meu rabo de cavalo por ter sido feito as pressas, e eu não tinha comprado uma roupa de educação física para mim e tive que pegar uma que não seria mais usada por uma líder de torcida. Consegue imaginar como seria uma roupa de educação física de uma líder de torcida? Pois eu te descrevo! Um short e uma blusa. De tamanhos aceitáveis, Annabeth? Lógico que não! Eram curtos para mim, já eram curtos para a dona, para mim ficaram menores ainda. Se eu tentasse abaixar um pouco o short para deixá-lo, quem sabe, não tão na linha da minha virilha, pedaço da minha barriga aparecia.
O pior foi o alongamento. O treinador Hedge tinha cara de doido, usava uma blusa de polo laranja e tinha um apito pendurado no pescoço, ficava apoiado em um taco de baseball ameaçando quem se recusasse a fazer o alongamento. Ele mandava a gente esticar os braços e essas coisas, e eu tinha que esticar um braço de cada vez, para que eu pudesse segurar a blusa para ela não subir muito.
– Certo, cupcakes, vamos jogar queimado. Nada de sangue, porque o diretor não gosta disso. – disse o treinador Hedge – Dividam os times, Leo e Tyson escolham os times.
Leo olhou para um garoto muito, muito alto ao nosso lado de cabelos morenos e o olhou intimidador.
– Meu time vai acabar com o seu, Tyson. – avisou Leo.
– Quero ver, Valdez. – revidou Tyson batendo o peito contra o peito de Leo, pelo menos eu acho que era para ser no peito, porque acertou o rosto mesmo e o menino era forte porque eu tive que segurar Leo.
Leo me escolheu primeiro, disse que era um cavalheiro e eu tinha cara de menina que tomava bomba então iria ganhar do Tyson. Eu ri. E sorrindo olhei para as arquibancadas ao notar uma movimentação ali. O menino, o tal Percy havia dado o ar de sua graça, ainda estava com a mesma roupa, acho que ele não participaria da aula só ficaria observando da arquibancada. Sentou-se e olhou para mim. Desviei o olhar no segundo seguinte, não gostava de ser pega observando os outros.
O time estava formado, eu, Jason e Leo no mesmo time, e a única que conhecia no time de Tyson era a Drew, que havia sido empurrada para ele por ser a que tinha sobrado para ele escolher.
– Annabeth. – Leo me chamou, eu o olhei dando um sorrisinho – Essa é a Piper, namorada o Jason.
Ele me mostrou uma menina com pele e cabelos morenos, olhos e rosto bonitos com trancinhas dos dois lados dos cabelos repicado. Ela ficou vermelha.
– Valdez! –exclamou ela – Eu já disse para parar com isso.
– Qual é, Piper? – Leo sorriu – Todo mundo sabe que vocês dois tem alguma coisa.
Olhei para Jason que olhava para cima com as mãos nos bolsos da bermuda como se não quisesse fazer parte da briga, ele me olhou e piscou para mim sorrindo. Acho que estava confirmando que gostava de Piper.
– De qualquer modo – a menina respirou fundo se controlando e soltou a orelha de Leo – sou a Piper, é um prazer conhecê-la, Annabeth. Foi você que falou com a Drew sobre o anal?
Ainda bem que ela falou aquilo baixo, porque quem ouvisse e não soubesse do que aconteceu ia achar estranho, Jason achou, olhou-me tão espantado. Sorri.
– Fui eu sim.
– Sou sua fã! – disse ela e depois olhou para Jason – Não faz essa cara que não é nada que você deve estar pensando com essa mente sua poluída. Depois o Leo te conta.
O treinador apitou e mandou a gente começar. Drew estava se achando fabulosa com aquele short mostrando as coxas e estava achando que podia me acertar com a bola de queimado. Aquilo estava me irritando, ela estava pedindo. Quando não aguentei mais desviar das bolas que ela me jogava, peguei a última que ela me atirou com a mão e a joguei de volta com toda a minha força. A diva não conseguiu se desviar e levou uma bolada no meio da cara e foi ao chão.
Eu, Leo, Jason e Piper estávamos rindo até notarmos o que eu havia feito o nariz da menina começar a sangrar. Era uma fraca mesmo, uma bolada e o nariz começou a sangrar. O treinador mandou a gente parar e a levou para a enfermaria. Para melhorar tudo o diretor resolveu baixar na quadra.
– Quem foi que fez aquilo com a Drew? – perguntou ele.
Olhei para os lados.
– Ninguém vai querer levar a culpa por mim não? – perguntei.
– Annabeth, a Drew é filha do diretor. – murmurou Jason para mim.
Fudeu! Fudeu! Fudeu legal! Dei um passo para frente e levantei a mão informando a culpada.
– Fui eu. – confessei.
– A senhorita mal chegou a minha escola e já fez isso? – assenti sorrindo amarelo – Você vai ter alguma coisa para fazer hoje a tarde?
– Se eu disser que tenho, você me libera da detenção? – perguntei sorrindo e piscando como se fosse persuadi-lo assim.
– Não.
– Merda. – disse zangada.
– Olhe a boca, mocinha.
– Perdão. – disse – Posso usar “bolo fecal”? Ou é muito abusivo?
– Para a minha sala agora! – exclamou ele.
Suspirei contrariada e o segui. Olhei para trás antes de sair do ginásio com o diretor e pude ver Leo limpando as lágrimas dos olhos de tanto rir.
Eu sou um exemplo! Detenção logo no primeiro dia em um escola nova, teria que limpar as estantes da biblioteca com mais uma pessoa. Pelo menos não seria tão ruim, alguém me ajudaria.
Havia acabado do dia na escola à uma da tarde e eu teria que voltar para a escola as três e meia. Não era tão mal, tinha que encarar assim pelo menos. No caminho para a porta da escola, estava distraída, e dei um encontrão com alguém, bati feio contra a pessoa, até derrubei meus livros. Abaixei-me para pegá-los rapidamente.
– Perdão. – pedi olhando para trás.
– Vê se olha por onde anda da próxima vez. – o cara nem havia parado para ver se eu estava bem quando a gente se chocou, só parou depois de dizer aquilo, olhou para mim com seus olhos verdes e com um sorrisinho sarcástico no rosto. Eu não podia estar com mais raiva, porque tinha que ser tão grosso? Eu era nova, e pedi desculpa, ele devia ter pedido também, pois se esbarrou comigo daquele jeito era porque também não estava prestando atenção a aonde ia. Percy ajeitou a mochila no ombro e passou o dedo indicador sob os lábios. Levantou as sobrancelhas acentuando o sarcasmo que rondava seu sorriso e antes de voltar a seguir seu caminho, disse: – Te vejo na detenção, sabidinha.
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