P De Punk
18 Não, Annabeth
Notas iniciais
Percy’s POV
– Eu não quero te amar, Percy. – ouvi Annabeth dizer do outro lado da porta fechada – Pare de me fazer amá-lo. Eu imploro. Pare.
Suspirei e entrei em casa. Clarisse olhou para mim, seu olhar mostrava solidariedade, ela não deve ter ouvido o que Annabeth disse, porém talvez pudesse notar na minha expressão que algo ruim havia acontecido naqueles poucos segundos antes de eu entrar.
– Você tem certeza que não quer que eu fale com ela? – perguntou Clarisse.
– Eu já disse que não, Clarisse. – respondi – Eu não quero, a Annabeth não quer me ouvir então não vai ouvir nada sobre isso de ninguém mais.
Clarisse assentiu e respirou fundo, ela era cabeça dura, contudo eu também sou. A Annabeth precisa parar de ser assim, precisa urgentemente. Ela tinha que aprender a conversar e resolver os próprios problemas e não fugir deles, sempre correndo e se escondendo com medo de se ferir sem nunca querer ouvir o ponto de vista do outro. Eu cansei. Eu a amo muito ainda, mas cansei.
...
Já percebeu como às vezes você resolve uma coisa e outro problema do Capiroto instantaneamente surge do submundo? Eu tinha feito o Nico e a Juliana finalmente ficarem juntos e acabo descobrindo que há um problema que envolve a Piper, o Jason e a Reyna.
Eu estava sentado no meu canto, no pátio da escola não pensando em absolutamente nada (uma piadinha sobre isso e eu fico de mal) quando ouvi aquele choro baixo. Primeiro eu achei que tinha sido levado a algum jogo de terror que tem uma criancinha morta chorando em um canto, então eu segui o choro e encontrei, sentada encostada na parede em um canto afastado, Piper. Ela estava com a cabeça deitada sobre os joelhos e os braços em volta da mesma, seu corpo tremia levemente. Não sabia se ela queria ficar sozinha, então sentei ao lado dela, e mesmo se ela quisesse ficar sozinha eu iria ficar ali, só que não diria nada.
– Piper? – chamei-a.
A menina fungou e levantou a cabeça olhando-me. Seus olhos estavam inchados e vermelhos e seu rosto estava molhado, ela limpou as bochechas.
– O que houve? – perguntei tocando as costas dele e acariciando.
– Eu… o Jason…
– O que aconteceu, vocês brigaram?
– Eu achei que ele gostava de mim. – ela fungou – Só que… ele e a Reyna… estão juntos agora…
Ela soltou um leve soluço e voltou a chorar. Peguei os ombros dele e abracei-a deixando-a chorar em meu ombro.
– Calma, Piper. Talvez o Jason não fosse feito para você. É só esperar, você vai achar alguém para você, alguém que te ame muito e saiba o quão sortudo é por você amá-lo de volta. – disse calmamente, acariciando as costas dela.
Piper parou de chorar dando um soluço e me olhou sorrindo levemente.
– Você é um bom amigo, Percy. – disse ela.
Sorri.
– Eu sei. – levantei-me a trazendo junto – Agora, vamos tomar um pouco de água para você se acalmar que ainda temos aulas para enfrentar, isso sim é um motivo para chorar.
Ela riu. Para mim estava ótimo, eu a fiz sorrir. Eu não queria falar nada, mas eu sempre soube que o Jason e a Reyna acabariam juntos, era meio obvio pelo jeito que os dois se olhavam de vez em quando. Sei que o Jason já gostou da Piper, porém ele e a Reyna tem mais em comum, além de se conhecerem desde que eram fetos, os pais deles eram amigos antes deles nascerem. Eu não queria que Piper ficasse triste por causa disso, só que ela realmente gostava de Jason, desde que se conheceram.
Acho que às vezes as coisas não são como esperamos que sejam, temos que aprender a simplesmente seguir em frente. É difícil, contudo é preciso tentar.
...
Eu já disse que eu sou muito gostoso e muito bom nadador? Digo de novo então: eu sou muito gostoso e ótimo nadador. Eu ganhei mais uma medalha em natação e sim eu estava muito sexy com a minha sunga azul. Como posso ser tão poderoso e lindo e delicioso? Acho que é sorte minha.
Meu momento de amor próprio foi cortado quando alguém entrou no vestiário masculino. Não tinha ninguém ali, somente eu e não esperava que alguém aparecesse, muito menos que ela aparece. Annabeth chegou timidamente sem olhar diretamente para mim, talvez achasse que eu estava nu, mas eu estava vestido já, estava pronto para sair só ia me amar por alguns segundos e iria embora. Ela finalmente levantou os olhos e eu esperei que ela falasse alguma coisa.
– O que está fazendo aqui, Annabeth? – perguntei.
Ela colocou o cabelo atrás da orelha.
– A Clarisse falou comigo sobre tudo.
Eu sabia que tinha que prender aquela menina, ela não ia sossegar até que fizesse o que queria fazer. Então ela foi mesmo falar com Annabeth.
– Ela conversou comigo na hora da competição. – disse ela.
Eu já ia perguntar por que ela estava vindo no vestiário me ver, ela podia ter vindo antes, mas deixei para lá, é melhor ela falar logo o que quer.
– E? – perguntei.
Annabeth respirou fundo.
– Eu vim pedir desculpas por não ter te ouvido antes, eu devia ter feito isso. E queria saber se, quem sabe, poderíamos voltar a… sei lá… voltar ao que tínhamos antes…
– Não, Annabeth. – disse mantendo-me firme. A verdade era que eu queria agarrá-la e beijá-la, porém tentei manter-me firme.
– Não…?
– Não vamos voltar, Annabeth. Não até você aprender a ouvir os outros. você sempre faz isso. Eu tive que conversar com você sobre o que houve entre Luke e Thalia e que ela não sabia que você e o Luke eram namorados para você finalmente voltar a falar com ela. Você precisa aprender a ouvir os outros Annabeth, diretamente. Resolver os problemas com elas, não com terceiros que contam a você o que realmente houve. – ela parecia que ia chorar, não queria fazê-la chorar, mas eu tinha que falar essas coisas – E você precisa parar de ser tão preconceituosa.
– Preconceituosa?
– É. Você nem queria ser minha amiga antes por causa das roupas que eu uso e do meu estilo de penteado. Não é porque o Leo parece ser bonzinho que ele é, você não sabe, você precisa conhecer as pessoas primeiro antes de tirar conclusões, não se guiar pelo modo como eles se vestem ou com qual a personalidade que você acha que eles parecem ter. – respirei fundo – Eu sinto muito, Annabeth, eu te amo muito, muito mesmo, eu queria poder voltar, porém não posso ficar com alguém que se me ver perto de outra garota já acha que eu planejando transar com ela. Eu preciso de alguém que confie em mim, porque eu confio em você, Annabeth, confio de olhos fechados, só que eu não posso dizer o mesmo de você sobre mim. Adeus, Annabeth.
Então sem nem olhar para trás eu saí do vestiário indo embora para casa. Pensei no dia em que tudo isso começou. Talvez se eu não tivesse feito nada eu ainda estaria com Annabeth, mas não podia deixar Clarisse.
~ Flashback ~
– Tudo bem. – disse Annabeth indo para a casa dela como eu havia pedido.
Olhei para Clarisse, ela parecia muito nervosa no sentido de ansiosa. Pedi que ela se sentasse e fiquei ao seu lado. Ela mal olhava para mim e mexia as pernas rapidamente. Eu jurava que podia ouvir seu coração bater com força.
– Você não está me contando a verdade, não é, Clarisse? – perguntei.
– Eu…
– Clarisse. – a reprendi para que ela me falasse a verdade.
– Você é…
– Clarisse!
Ela suspirou desistindo, era fácil descobrir quando Clarisse mentia.
– Você estava passando meio mal na festa da Silena, então eu te levei para o quarto dela porque ela pediu. Você ficou chamando pela Annabeth algumas vezes antes de dormir. Eu somente me deixei do seu lado e dormi também. – revelou ela soltando tudo junto de um fôlego só.
– Porque você está mentindo, Clarisse? – perguntei.
– Perdão, Percy. É que eu estou assustada.
– Me conta o que houve. – pedi.
– Depois que eu mudei de escola, eu comecei a namorar um menino chamado Chris, eu gosto muito dele, Percy… e…
– Ele é o pai, não é?
– É… só que ele disse que não vai cuidar da criança. Eu… preciso de ajuda… e achei que você pudesse fazer isso por mim. Eu sabia que você se lembraria de acordar comigo ao seu lado no quarto da Silena… então… eu pensei que talvez você pudesse acreditar em mim… Mas acho que é muito mau-caratismo meu te fazer cuidar de uma criança que não é sua.
– Quem é esse Chris? Eu vou acabar com a raça dele, ele tem que ser homem e aceitar a responsabilidade. – disse raivoso, levantando-me fechando os punhos. Clarisse puxou meu braço me fazendo sentar novamente.
– Deixe quieto, Percy. Eu me viro. – ela suspirou – Me desculpe por ter feito essa cena toda. É que eu estou apavorada. Eu não quero que você brigue com a sua namorada… quer que eu converse com ela para que ela não pense que você está mentindo?
Eu fiquei em silêncio um pouco, pensando nisso. Clarisse precisava de ajuda e eu podia muito bem oferecer essa ajuda, meu pai tem dinheiro e eu ficaria muito feliz de arrancar o dinheiro daquele desgraçado para ajudar uma amiga que precisava de mim.
– Não, não precisa falar com ela. Afinal a criança é minha.
Clarisse me olhou com os olhos arregalados, sem entender.
– Oi? Você entendeu o que eu contei, Percy? Eu sei que você é meio lerdinho, mas eu contei já. Eu ia usar você para cuidar de uma criança que não é sua.
– Eu entendi muito bem, Clarisse, não sou burro. Agora, você vai entender uma coisa: essa criança é minha, e eu vou cuidar dela com você.
– Mas… Percy…
– Clarisse, você veio aqui com o intuito de me fazer pensar que essa criança era minha – o rosto dela corou de vergonha – e eu acredito, ela é minha. – afirmei convicto – Eu vou te ajudar, Clarisse. Você precisa de mim. Porém eu só vou fazer se você mostrar quem esse Chris é para eu quebrar a cara dele.
– Percy, isso é muita responsabilidade. Eu sabia que não ia conseguir jogá-la em você, só que quando eu percebi já estava fazendo. Você não pode…
– Não me diga o que eu não posso fazer! – exclamei – Eu vou cuidar dessa criança, Clarisse, eu vou ser um bom pai e vou ajudar você. E não importa o que você diga eu já tomei minha decisão.
– Percy…
– Eu já tomei minha decisão. – reafirmei – Agora me agradeça e aceite os fatos.
Ela suspirou derrotada.
– Obrigada, Percy, de verdade, é uma coisa muito séria o que você está fazendo aqui.
– Eu sei e estou pronto para aceitar as consequências.
~ Fim do Flashbak ~
Eu não podia deixar Clarisse sozinha, ela precisava de mim. Eu não gosto de ver meus amigos com problemas, se eu posso ajudar a resolver, eu vou ajudar, é o mínimo que eu posso fazer. É uma imensa responsabilidade ter uma criança, mas eu vou ser um bom pai. Um pai que o meu não havia sido, eu ia ensinar esse bebê a ser como eu: poderoso(a) e majestoso(a). Eu dormia tranquilamente por saber que Clarisse estava tendo a ajuda que merecia. Eu não conseguiria dormir se não tivesse a feito aceitar a minha ajuda.
Annabeth agora sabia a verdade, mas isso não mudava o fato de que ela não me deixou explicar tudo isso quando eu fui falar com ela a primeira vez. Ela não queria acreditar em mim. Eu acho que vou ter que me esforçar mais para seguir em frente e sem ela para poder cuidar desse bebê com toda a minha atenção e apesar dessa criança não ser minha, eu já a amava como se fosse. Acho que um dia eu poderei ser um bom pai.
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