Pétalas da Juventude

1 Pétalas da Juventude


- Diz a lenda que findando a vida do unicórnio de dois chifres, ao invés de cair falecido sobre as grandes montanhas lamacentas, ele desaparece em meio a pétalas de rosas, surgindo em seu lugar uma bela flor. Isso só acontece a cada mil anos, o tempo exato em que um unicórnio dessa espécie consegue viver. Nunca alguém o viu; por ser um animal sagrado, esconde-se em grutas repletas de labirintos e só sai de sua moradia quando está prestes a morrer...

“A lenda ainda afirma que a beleza daquela flor, outrora de um solípede místico, é tamanha que o sol, envergonhado de seu brilho, se retira por dois longos dias. A escuridão prevalece em todo o reino, e apenas um clarão incandescente emana da flor localizada no pico da maior montanha do vilarejo, a mesma que tirara a vida de tantos homens sedentos por aventuras.

Mas como todas as lendas, ninguém sabe se aquilo é verdade, afinal, só é possível existir um unicórnio de dois chifres de cada vez... Mil anos após mil anos; humanos não chegam a esta idade, todavia, por vezes, têm a sorte de presenciar tal acontecimento. E quando isso sucede, a avidez de tocar nas pétalas da flor é deveras grande... Ainda mais quando é de conhecimento de todos que o suco feito do fruto desta flor é capaz de transformar um simples humano em um ser imortal e jovial.”

Yumo ficou boquiaberto após ouvir tudo aquilo que o pai lhe dizia. Um frio percorreu por sua espinha, depois, sentiu calafrios e os pêlos de seus braços eriçaram-se abruptamente.

- E então, quer dizer que estou tendo a sorte de viver para ver isto? – perguntou o jovem, ainda perplexo.

- Sim. – afirmou o seu pai, sorrindo. – Nós dois!

- Isso é incrível!

- Entendo o seu entusiasmo, mas você não pode contar isso a ninguém.

O velho Roth secou o suor de sua tez pálida, engoliu a seco e continuou:

- Acontecerão guerras se fizer isso. Os gritos e murmúrios serão as únicas coisas que você ouvirá, e o fogo ardente tomando todas as casas do vilarejo será tudo o que enxergará antes de morrer cruelmente por uma flecha silenciosa, sedenta pela morte... – Roth sorriu melancolicamente, várias rugas surgiram no canto de seus olhos cinzentos. – Você precisa pegar a flor, assim, evitando o caos infinito que se aproxima! Estamos em tempos difíceis, meu jovem.

- Mas... O que farei com a flor? – perguntou Yumo. – Como chegarei até a Montanha Negra, se ninguém consegue escalá-la sem ter o mesmo fim, a morte?

- Estou morrendo, meu pequeno. Não tenho muito tempo, e você sabe disso! – Roth tossiu desenfreadamente sobre um lenço branco, que logo foi tomado por seu sangue. – Traga-me a flor, e poderei colocar a ordem neste nosso Reino por mais alguns anos. Se ela cair nas mãos de pessoas erradas, será o nosso fim! Você é o meu único filho vivo, meu único parente, meu único amigo e a única pessoa em quem posso confiar.

- Aceito este fardo, majestade. – disse o jovem, fazendo uma mesura. – Prometo não decepcioná-lo!

- O cajado mágico o livrará dos perigos da montanha. Nunca o deixe para trás!

Yumo assentiu e deixou aquele recinto deprimente em que o grande Rei Mago jazia moribundo em seu leito, aguardando a morte sibilar em seus ouvidos, chamando-o para o limbo.

- Que os deuses guiem a sua jornada, meu filho... – disse Roth.

E então, o mago adormeceu.

O príncipe Yumo percorreu os corredores do castelo à procura daquele objeto que tanto desejou usar. Adentrou um cômodo simples onde se encontravam diversos baús e caixotes de madeira. Apoiado em uma das paredes, um cajado de cobre ofuscava um brilho dourado: o chamado de um novo guerreiro.

Com cuidado, pegou o cajado com as duas mãos e o cristal em sua ponta deixou de brilhar. Se antes de seus dezoito anos tentasse fazer aquilo, certamente o cajado o rejeitaria, brilhando cada vez mais, tirando-lhe a visão. Mas agora, já tinha idade suficiente para utilizá-lo, além da coragem e a perspicácia de um verdadeiro guerreiro...

- Quer que eu apronte o seu cavalo, alteza? – indagou-lhe seu amigo e criado Rupert.

- Não é necessário. – os olhos de Yumo quase faiscavam de felicidade. – Partirei de outra forma.

- Tenha uma boa viagem. – desejou-lhe Rupert, cumprimentando com um aperto de mão. – Não demore, alteza! Precisamos de você aqui.

E tomado pela emoção, o jovem príncipe abraçou o seu criado, com força.

- Cuide de nosso Rei, amigo. – pediu ele. – Prometa que fará isso.

Rupert assentiu, sorrindo.

Yumo subiu as escadas rapidamente, correu pelos muitos corredores e subiu mais escadas, até chegar ao último andar, no alto de uma torre. Abriu a janela desta, sentiu a brisa do vento tocar-lhe o rosto e pulou.

Antes de se chocar contra o chão, seu corpo conseguiu impulso suficiente para atingir as nuvens. Sobrevoou o alto do castelo, esquivando-se das torres pontiagudas e dos corvos. Atravessou as muitas árvores da floresta e passou no meio de uma cachoeira, vindo a surgir novamente defronte ao sol.

As pessoas ali embaixo que viam aquela cena acenavam e assoviavam para o príncipe. Não sabiam o que realmente ele faria, mas desejaram-lhe sorte. Enquanto outros, desejavam-lhe uma queda dolorosa.

***

A taverna estava cheia. As pessoas em que ali estavam, bebendo, dançando ou simplesmente conversando, pararam inesperadamente com tudo aquilo que faziam assim que a velha Iberella adentrou o recinto mal iluminado.

Abriu-se um espaço para que ela pudesse passar, olhares temerosos a mediam de baixo a cima. Iberella não só era uma clarividente, como também, uma bruxa perigosa.

- O que a traz aqui, senhora? – perguntou o dono da taverna, enquanto secava um copo.

- Está acontecendo. – disse ela, com aquela sua voz áspera e traiçoeira. – Está vendo? – ela apontou para uma das janelas. O céu está escurecendo e o sol irá dormir por dois dias... – revelou, arregalando seus horripilantes olhos azulados. – Esperávamos por este momento durante anos! – vociferou, batendo o punho sobre o balcão e fazendo alguns talheres e copos de cervejas tremerem. – Uma só pétala daquela flor é capaz de trazer toda a nossa juventude de volta. Imagine todas! Seremos imortais! – gritou ela, gesticulando com suas mãos enrugadas. – Todos nós! – e apontou para cada um com um dedo esticado, a unha grande e negra ameaçadora.

Todos aqueles que estavam ali, sem exceção, gargalharam. Parece que a temida bruxa Iberella estava ficando louca!

- Pois não precisam acreditar! – exclamou, com fúria. – Assim que o sol se retirar no horizonte, ele não voltará mais. E vocês se lembrarão que caçoaram de Iberella... E será tarde demais, porque eu estarei desfrutando de minha imortalidade, sozinha!

E deixou a taverna, batendo os pés, praguejando e gesticulando.

***

O Mago Roth era um dos últimos místicos que tinham o dom da vidência através dos sonhos. Naquela manhã, acordou com as imagens ainda feitas em sua mente. Via o filho escalando a montanha e aproximando-se da flor, assim como também viu outras pessoas fazendo o mesmo, mas preferiu não contar ao filho isso, a fim de não atemorizá-lo. Quando o príncipe deixou o castelo, Roth teve outra visão: em meio à negritude de seu Reino, a magia brilhava nas mãos de uma velha bruxa, pronta para atirá-la em seu filho. Despertou daquele devaneio, aflito. Só esperava que o Yumo conseguisse completar a sua jornada e voltasse vivo para casa.

Enquanto isso, Yumo continuava voando. Aquela sensação era maravilhosa! Nunca pôde fazer isso quando pequeno, a magia era proibida em seu lar até que ele fosse maior de idade. Agora, aproveitava a sua liberdade de diferentes formas. Acostumou-se com o vôo rapidamente, ficou perito em manobras e arriscava-se a todo instante, passando por lugares estreitos e cheios de espinhos. Finalmente, aterrissou sobre um gramado de um verde vivo. Não o fez com tanta facilidade, chocou-se com o rosto na lama, mas não se importou. Limpou a face com sua camisa e, com a ajuda do cajado, perfurou o solo à procura de água. Saciou sua sede rapidamente e pôs-se em pé, novamente.

Já estava de frente com a montanha. Era colossalmente alta e amedrontadora! Queria poder voar até lá em cima, mas seria por demais arriscado. As neblinas envoltas de seu pico ocultavam muitos perigos, além disso, àquela altura, certamente não conseguiria respirar direito, desfavorecendo-o.

Dando de ombros, inchou o peito e cravou a ponta do cajado na montanha. Empoleirou-se em uma pedra e começou a longa subida.

***

Iberella cavalgava com seu veloz alazão enfeitiçado. O corcel tinha a capacidade de andar sobre as águas, o que facilitava a jornada. Batia com as rédeas a todo instante, exigindo que o pobre animal corresse mais, porém, as forças do alazão estavam se esgotando, por este motivo, a bruxa precisou interromper a cavalgada para descansar um pouco.

Enquanto se alimentava de uma maçã, escutou barulhos vindos da moita. Perguntou quem estava ali e eis que aquela esguia silhueta tomou o solo. A imagem do ladrão Wern logo apareceu. Ele sorriu ao ver o semblante preocupado da bruxa.

- Escutei boatos de que o unicórnio de dois chifres está morrendo. – disse ele, jogando para trás os seus longos e brilhantes cabelos louros. – Por acaso está indo atrás dele, também?

- Claro que não! – mentiu Iberella, exaltada. – Estou no fim da minha vida e assim quero continuar. Viver é uma chatice, ainda mais no meio de todos vocês, humanos sem graça!

- Que pena. – disse ele, ainda sorridente. – Precisaria de uma mãozinha para a grande escalada da montanha. Por mais que eu tenha a capacidade de o fazer, a magia cairia bem, não é mesmo? – ele olhou para suas unhas durante um tempo, depois ficou sério, de repente. – Ainda mais quando Kaktus está logo atrás de nós! Aposto que chegará primeiro que eu...

- Kaktus? – Iberella rangeu os dentes. – Ele não tinha acreditado em mim!

- Eu sei disso. Também estava na taverna, Ella. Parece que você foi enganada... Passaram-lhe a perna!

- Está bem. – disse a bruxa, calmamente. – Estou indo para lá. Posso ajudá-lo a subir a montanha, mas isto não sairá de graça!

- O que terei de fazer para acompanhar-lhe? – quis saber o ladrão, com um olhar malicioso.

- Precisa fazer com que Kaktus coma isto. – Iberella retirou de seu manto negro uma maça vermelha como o sangue. – Está envenenada! Será um a menos!

- Serei pronto a ajudá-la, minha senhora! – Wern se curvou para a bruxa e desapareceu entre as moitas, decidido que Kaktus, o feiticeiro dono da taverna, deixaria a flor inteirinha para ele.

***

O sol se retirou e um silêncio pairou no ar. Yumo ainda subia a montanha, estava exausto e faminto, precisava descansar um pouco e assim o fez. Entrou em uma abertura da montanha, grande o suficiente para caber duas pessoas. Lembrou que o seu pai lhe contava histórias de que todos os frutos que nasciam na Montanha Negra eram comestíveis, porém, alguns podiam secar toda a água de seu corpo, fazendo-o morrer rapidamente. Enquanto subia, Yumo pegou pequenas frutinhas amareladas e as guardou em sua bolsa de couro que carregava nas costas, junto ao cantil. Ele lembrou disso, as pegou e tentou a sorte. Comeu um dos frutos e, percebendo que nada aconteceu, comeu o restante, mesmo porquê, eram deliciosos. Ficou observando a escuridão ali fora. Bateu no cristal do cajado e este brilhou por alguns instantes, iluminando aquela pequena gruta em que ele estava.

Yumo estava distraído, pois brincava com um pequeno caramujo que se rastejava perto dele, mas ouviu um relincho de cavalo muito próximo. Escutou os cascos do quadrúpede tocando o solo em alguma parte e, logo depois, um estouro oco. Uma chuva de pétalas surgiu logo à sua frente, como águas de cascatas. A luz de seu cajado, então, se apagou, entretanto, a iluminação de agora provinha de outro lugar... Um brilho incandescente capaz de deixar o sol envergonhado.

Tomado pela ansiedade, o jovem príncipe deixou a gruta e pôs-se a subir o restante da montanha, esquecendo ali o seu cajado mágico.

***

- Ele está morto. – disse Wern. – O enganei! Kaktus estava faminto, lhe ofereci a maçã e ele a devorou com muita vontade. – o ladrão sorriu, satisfeito.

- Perdemos muito tempo com isso. Suba neste meu cavalo!

- Tem certeza de que ele agüentará a nós dois? Além disso, poderá cansá-lo.

- Ele é um corcel enfeitiçado! – Iberella cuspiu no chão e montou em seu alazão. – E outra, ele agüentaria o seu peso de qualquer forma.

- Acho melhor nos apressarmos. – aconselhou o ladrão, com seu sarcasmo insuportável. – Veja lá no alto... O unicórnio já morreu, a flor já criou suas raízes. E, se puder forçar um pouco, conseguirá enxergar um ponto preto logo acima.

- Parece que alguém chegou primeiro que a gente, Wern. – Iberella sorriu.

- Mostre sua magia, Ella. Sei que consegue algo mais do que deixar cavalos resistentes...

- E quem disse que estamos montados em um cavalo?

E então, Wern e Ella gargalharam diabolicamente. Estavam certos de que agora conseguiriam chegar a tempo...

Assim que o brilho surgiu no pico da montanha, as pessoas começaram a lembrar do que a bruxa dissera horas atrás eos comentários foram se alastrando rapidamente.

Os que podiam voar, se apressaram; os que sabiam feitiços simples, transformaram os seus cavalos em rápidos corredores e aqueles que não demonstraram ter a magia no sangue em nenhum momento de suas vidas, esperavam que, por milagre, conseguissem chegar até a montanha apenas caminhando.

E então se deu início à corrida pela juventude eterna!

***

Yumo havia conseguido! Estava farto de todo aquele esforço, queria acabar com aquilo de uma vez, mas a parte mais difícil estava por vir: seus olhos não conseguiam olhar para aquela flor e, de alguma forma, o brilho o deixava ainda mais cansado. Nas poucas vezes que conseguiu ficar com os olhos abertos, notou que pétalas cintilantes voavam contra o vento. A flor estava se desfazendo!

E então, ele sentiu a montanha tremer, caiu para trás e sentiu algo extremamente pesado sobre o seu corpo.

- Eu não consigo vê-la, Ella! – exclamou Wern, tampando os olhos com as duas mãos.

- Não será necessário, Wern! – o ladrão não podia enxergar, mas sabia que a bruxa sorria. – Obrigado por me ajudar com o Kaktus! – e, aproveitando a fraqueza do companheiro, o empurrou de onde os dois estavam montados, que já não era um cavalo enfeitiçado, mas sim, um grande e apavorante dragão negro.

O corpo de Wern caiu entre a multidão que estava envolta da montanha. Antes de morrer, o ladrão sussurrou o nome da bruxa. Irados, os habitantes do Reino começaram uma guerra contra aquela que lhe tiraram a única chance em mil anos.

Fagulhas de magia, lanças e flechas vindas de todas as partes da floresta, tomaram o céu...

- Agora, onde está aquele rapazinho? – Iberella deu tapas no dorso de seu dragão e este atingiu a sua forma original, a de um sofrido cavalo cor de canela.

A bruxa percebeu que uma das patas do corcel estava sobre o corpo de Yumo. Ela ficou pálida e sentiu medo. Era o príncipe! Sabia da maldição, “a cada fio de cabelo tirado da família real, será um ano a menos para aquele que o fez”. Notou que a perna esquerda do rapaz estava fraturada, o osso exposto em meio a uma poça de sangue. Estava amaldiçoada, mas poderia reverter isso com a flor, que já não brilhava com tanta precisão. Mas, primeiro... Queria se vingar de alguma forma do Rei, o mesmo que lhe tirou metade de toda a sua magia, o mesmo que a trancou nos calabouços de seu castelo durante longos trinta anos... E, nada melhor do que matar o seu filho! Enquanto preparava a magia em sua mão, sorria como uma verdadeira e cruel bruxa. Quando estava pronta para arremessar a bola de fagulhas que se formara em sua mão, sentiu dezenas de perfurações em seu tronco. Virou o rosto para o lado e antes que pudesse se esquivar, uma flecha atravessou a sua testa, tirando-lhe o equilíbrio, fazendo-a cair de costas com todas as outras flechas cravadas em suas vestes.

Aproveitando da situação, Yumo, mesmo fraco e dolorido, se rastejou para alcançar a flor. Tocou em suas pétalas brilhantes e sorriu. Tinha conseguido! Porém, antes que ele pudesse arrancar aquela bela flor vermelha do gramado lamacento, bateu um sentimento de remorso em seu peito. Escutava os gritos vindos de baixo, viu a bruxa falecida ao seu lado, constantemente notava flechas ardendo em chamas rasgando o céu enlutado... E tudo isso por causa daquela flor, que uma vez foi o símbolo da pureza, aquele que precisava ficar escondido durante toda a sua vida a fim de não ser morto pelos cruéis seres de seu Reino. Não faria aquilo! A flor teria de continuar ali, livre de qualquer pessoa que ambicionava o poder supremo. Nem mesmo o seu pai era merecedor daquilo, o caos de seu mundo só pioraria com o tempo e todos se lembrariam de que o rei tirou-lhes a juventude infinita, pois queria dominá-los, evitar, em vão, que se tornassem monstros sedentos pela guerra.

Chorando, o jovem príncipe soltou os seus finos dedos daquela flor, que logo perdeu todo o seu brilho, de vez. Alguma coisa afiada pousou silenciosamente em seu peito, mas ele ficou feliz com isso.

Os gritos e os murmúrios foram as últimas coisas que ele pôde ouvir. O fogo tomando as árvores e ao longe, as casas, foi a última coisa que os seus olhos puderam enxergar. A dor em seu corpo desaparecia... E com os olhos cerrados, encravou ainda mais em seu peito aquela flecha que o atingira.

A guerra havia começado, mas Yumo já não se importava. Iria descansar por toda a eternidade e, dentro de minutos, já no limbo, encontraria o seu pai e diria que melhor do que viver para sempre em guerra, é ter a paz infinita na morte.

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