Pântano De Sangue

2 Capítulo 2 Pensamentos que atormentam


Notas iniciais
Capítulo narrado pela Camille

Saí tão depressa da aula que quando cheguei na perua ela ainda estava vazia, havia apenas eu e Henry, o motorista, dou um pequeno aceno pra ele, e ele retribui. Me sento em um banco na última fileira, do lado da janela, enquanto espero os outros chegarem começo a pensar sobre tudo que está acontecendo comigo nesses últimos anos.

Primeiro sobre minha mudança, me lembro como se fosse ontem meu pai sentado na cozinha com a cabeça apoiada nas mãos.

– Pai está tudo bem? — Pergunto aflita.

– Não, não está ... o dinheiro está baixo, e terei de vender quase tudo ... inclusive nossa casa.

Eu vou continuar na mesma escola só que vai demorar uns 20 minutos a mais para chegar lá, a casa é perto de um pântano. Minha mãe ia amar isso, ela amava tudo que ela pudesse explorar, era uma aventureira, e vivia ao estilo "La Vida Loca", vivia sempre ao extremo sem ter medo das consequências, já viajou para todo canto do mundo. Meu pai diz que eu sou igualzinha a ela, que puxei totalmente os traços dela e nenhum dele,que tinha o mesmo cabelo negro e ondulado, os mesmos olhos cor de esmeralda, a pele totalmente branca,e o mesmo gênio, que quando sentia saudades dela bastava olhar para mim que a dor se aliviava. Ela morreu á 3 anos, como amava explorar e coisa e tal, virou guia turística, não lembro exatamente onde ela ia, só me lembro que ia de barco, antes de ir me perguntou inúmeras vezes se estava tudo bem pra mim se ela fosse, acho que ficou me perguntando isso porque eu sempre reclamava que sentia saudades dela e que ela nunca estava em casa, mas eu sabia que ela amava o que fazia, então disse que não me importava e a deixei ir. Ao que parece que havia algo enorme no caminho do barco e ele bateu e afundou, minha mãe e mais alguns guias auxiliaram as pessoas a sair, mas acabaram presos, não conseguiram sair a tempo e aí aconteceu, quando a notícia chegou até mim fiquei arrasada, passei ás próximas semanas chorando e me lamentando, mas hoje apesar desse vazio ainda estar em meu peito, já consigo me controlar.

Interrompo meus pensamentos quando vejo um rosto conhecido.

– Oi Mike, senta aqui do meu lado!

– Oi Cami, — disse sentando-se no banco á minha esquerda — tudo de boa?

Depois que ele entra a perua começa a se mover, como não tem muitos carros no caminho, principalmente porque a perua ficou um tempão lá parada então todos já foram embora, e a estrada está livre, a perua avança a toda velocidade, pelo menos na velocidade máxima que o limite permite...

– Você sabe que sim, passou o dia todo comigo, tirando a hora em que saí com pressa da aula! Mas enfim quer ir em casa hoje me ajudar a arrumar as coisas para mudança?

– Pode ser, — ele mexe na bolsa — parece que esqueci minha chave, minha mãe chega tarde hoje, e vamos dizer que minha calçada não é lá muito confortável, será que poderia dormir lá ?

– Pode, mas vai ter que ir a festa do Zack comigo — não sei porque, mas Mike abomina o Zack, diz que ele é um completo retardado!

– Que festa?

– Hoje eu esbarrei com ele no corredor, e ele me convidou pra sua festa de aniversário, ah você me lembrou que tenho que chamar Lote — pego meu celular e mando uma mensagem para minha melhor amiga contando tudo o que aconteceu .

– Você sabe que eu não suporto aquele cara e...

– Não precisa ficar perto dele só precisa ir comigo, por favorzinho?

– Tá bom, o que eu não faço por v... — de repente um grito o interrompe.

– Camille, chegamos! — é Henry, devo ter ficado tão concentrada na conversa que não percebi o tempo passar, caminho até a porta da perua seguida de Mike.

– Adeus Henry, até amanhã!

– Tenha um ótimo dia querida, e você também rapaz!- retribui ele.

Descemos de lá, e como sempre Mike propõe uma corrida até a porta, eu aceito e corro o mais rápido que posso, mas isso nunca é o suficiente para ganhar dele, pois ele tem pulmões fortes. Quando entramos em casa meu pai está a minha espera.

– Olá garotos! Tudo certo na escola? — ele pergunta com muito animo.

– Tudo sim, nós estamos ótimos! — respondo por nós dois, pois quero encurtar o assunto, estou morrendo de fome.

– Então tá, sua comida está no micro-ondas, faça um prato para Mike com o que tem na geladeira.

– Ei pai Mike pode dormir aqui ho...

– Pode sim querida, agora tchau, estou atrasado!- ele sai correndo, e enquanto isso faço um prato para meu amigo com a sobras do jantar de ontem.

– Coloca uma música para a gente, aqui está muito quieto!- proponho.

– Ok, vou por sua favorita!

– Own, é por isso que eu te amo!

– E é para isso que servem os amigos, se oferecer para dormir na sua casa, comer da sua comida, e colocar sua música preferida para tocar para compensar — nós rimos e começamos a almoçar.