Pântano De Sangue
19 Capítulo 19 O "Oráculo"
Notas iniciais
Bom, sorry por estar postando em cima da hora, mas é que não deu antes, mas tecnicamente saio até domingo rs'
Espero que gostem do cap, esclarecerei essa história do Mike melhor dps ;)
Capítulo narrado por Mike
Sei que isso é ridículo, mas tenho medo do que ele quer que eu descubra, não porque sou medroso ou algo do tipo, mas pelo sorriso que Simom tem no rosto, que sugere que o que ele quer não é algo muito inocente, e que eu vou ter certo trabalho para descobrir o que é.
– O quê você quer que eu descubra?
– Nada tão difícil assim – ele lança a mão no ar – eu quero...
– Simom? – Ravenna abre a porta e o interrompe – Ah! Você está aí! Venha me ajudar aqui. Cami está tentando, mas ela não sabe o nome das bebidas, marcas, muito menos quais tem ou não tem pó de fada.
– Claro Ravvie! – ele dá um sorriso caloroso para ela, que, eu consigo ver de longe, a faz se derreter toda por dentro. Simom se vira para mim – a gente continua a conversa depois, mas fique despreocupado, não abrirei minha boca – ele pisca, e sai do quarto.
Ouço o ranger da madeira e me viro. Lotte se levanta da beliche de cima, e pula para o chão.
– Oi – comprimento – dormiu bem? Ravenna disse que você teve um noite e tanta ontem.
– É, mais ou menos, não me deixaram acabar com aquele cara, então não foi tão divertido – ela revira os olhos.
– Ah, entendo... – na verdade não – então... por que você brigou com um lobisomem?
– Perguntei: “Ei, quer me dar uns beijos?” ele disse que eu era muito atirada, fiquei brava, e chutei a perna dele, ele se levantou e começou á ir embora, provoquei ele, e ele disse que não ia bater em mim, continuei provocando, e o resto você sabe, ele se transformou, brigamos, e eu quase o fatiei... – ela suspira – mas poderia ter sido mais legal, se ele tivesse me beijado, porque ele era muito gato...
– Você quase fatiou um cara por ele ter te chamado de atirada? – me espanto, não só pelo lobisomem ter razão, e por a Lotte que eu conheço não ser assim, mas também pelo modo como ela reagiu.
– É, exatamente...
Ficamos em silêncio, rezo para que alguém apareça logo, rezo para que Cami apareça logo. No mesmo momento em que desejo isso ela e Ravenna entram.
– Hora do treino Charlotte – diz Ravenna – está pronta?
– Nasci pronta – devolve Lotte, levanta e sai andando em direção a porta enquanto Ravenna revira os olhos por conta de sua resposta ridícula.
Antes que ela saiam Cami se pronuncia.
– Nós vamos ver mais algum lugar hoje?
– Você quer ver mais algum lugar hoje? – devolve Ravenna, e depois suspira.
– Na verdade sim – Cami da um pequeno sorriso – Eu fiquei sabendo que aqui tem um oráculo... Fiquei curiosa para ir lá.
– Ah! – Ravenna da uma risada baixa – Acho que você vai se decepcionar um pouco... Vamos dizer que o nosso oráculo é meio... Direto, sem enigmas. Não é nem um oráculo na verdade, é mais como uma consulta com uma cartomante, mas um tipo de cartomante ao qual você faz perguntas rápidas, e tem respostas rápidas.
– Mesmo assim ainda quero ir lá!
– Claro! Então você quer vir conosco Charlotte?
– Não, só quero treinar. Quem sabe hoje eu não consiga realmente fatiar alguém.
– Ok! Então acho que você pode ir para o campo de treinamento sozinha, porque obviamente você sabe o caminho.
– Tanto faz! – ela diz sem animação, fecha a porta e sai.
– Vou chamar Simom para ir conosco, ele adora ir lá – ela sorri, e sai.
Nós esperamos até sua volta.
***
Estamos parados diante de uma enorme construção, um prédio com 12 andares esperando Simom descer, pois ele nem deu chance para algum de nós irmos primeiro. O prédio é feito de vidro, que posso perceber, há muito não é lavado. Ele fica longe do rio, mas meio escondido entre uma floresta. Do último andar, dá para ver uma luz verde irradiando pelo vidro, quando ela finalmente para Simom desce as escadas e vai a nosso encontro.
– Como foi? – diz Ravenna.
– Melhor impossível – ele sorri e apoia o ombro nas costas de Ravennna, o que a faz sorrir também.
– Quem vai agora? – ela diz.
– Eu! – me pronuncio e começo a ir em direção ás portas duplas de vidro do prédio.
– Suba até o último andar, não vá de elevador, ele é antigo e não é usado á anos, não deve nem funcionar, e se funcionar, você pode acabar ficando preso lá dentro. Enfim, não entre em nenhuma outra sala que não seja a do “oráculo”, não porque seja perigoso ou algo assim, mas porque estão todas velhas e sujas provavelmente cheias de ratos, fora que todos nós queremos ver o oráculo, então seria meio chato você ficar enrolando... A porta onde você vai achá-lo, é a única sem identificação e toda branca, vai ser fácil de achar.
Assinto, e passo pelas portas. As paredes, provavelmente eram brancas quando limpas, mas agora estão amareladas e com teias de aranhas no teto, o piso é de mármore preto, mas toda a sujeira o faz parecer meio cinza, consigo ver as pegadas recém feitas pelo all-star de Simom. Á minha frente vejo uma enorme escada em espiral, e começo a subi-la. Apoio a mão no corrimão, mas a tiro no mesmo instante, a palma de minha mão está preta, esfrego na calça numa tentativa de limpá-la.
Depois de uma longa subida até o décimo segundo andar, me surpreendo ao perceber que na verdade não me cansei, mesmo dentro desse prédio imundo e abandonado, sinto o cheiro das plantas do lado de fora, o ar fresco que emana das árvores, e isso me da energia.
O final da escada da em um corredor sombrio, todos os outros tinham iluminação, mas esse não, a única luz vem de uma porta branca sem identificação, o oráculo. É uma luz esverdeada, a mesma luz que vi do lado de fora.
Caminho lentamente até chegar lá. Seguro a maçaneta por alguns segundos, o que exatamente eu quero saber? O que devo perguntar? Me ofereci para ser o próximo a vir, mas não parei para pensar nisso antes, acho que terei as respostas quando chegar lá. Suspiro, e giro a maçaneta.
Não é como eu pensei, é uma sala velha, com tapetes persas pendurados nas paredes, carpete escuro, prateleiras com gatinhos de cerâmica, um sarcófago encostado na parede, uma cadeira de balanço, com alguém ou algo em baixo, coberto por um lençol branco. Ao contrario de todo o prédio, aqui é limpo, tem cheiro de limão fresco.
Não sei o que fazer, Ravenna não me deu mais instruções, mas eu tenho uma teoria, acho que o que preciso fazer é tirar aquele lençol de seja lá o que houver em baixo, na verdade é mais curiosidade, mas não custa nada mesmo ir até lá ver o que é.
Sinto cheiro de podridão cada vez que me aproximo mais da cadeira, mas isso não me impede de puxar o lençol. Ao puxá-lo levo um susto e caio no chão, não consigo gritar, mas minha boca está aberta. Em baixo do lençol havia um corpo, um corpo em decomposição enrolado no que parecia ser tiras de tecido. É a múmia que deveria estar dentro do sarcófago. Seus “braços” estão apoiados nos braços da cadeira de balanço, e sua cabeça que estava caída para o lado começa a se erguer, os buracos onde deveriam estar os olhos se ascendem em vermelho, ela abre o que um dia foi uma boca.
– Mike Winchester – o som sai da boca, mas ela não se move, a voz me da arrepios, é como se fossem três vozes falando ao mesmo tempo, uma de idoso, uma de criança, e a outra uma voz bem grossa, todas esganiçadas – Viden Somnium, 16 anos, filho de Anne Cipriano e John Winchester.
– S-sim... sou eu – digo ainda caído no chão, minha respiração ainda está irregular por conta do susto, minha mente gira.
– O que deseja de mim Sr. Winchester?
– E-eu vim... fazer algumas, han, perguntas? – digo querendo afirmar, mas sai em tom de pergunta por conta do meu pânico.
– Estou a seu dispor.
Eu me levanto, e limpo a poeira da roupa em um reflexo, mas elas estão limpas. Resolvo começar com algo que sempre m intrigou, e que minha mãe nunca quis me dizer.
– Como e por que meu pai morreu? – sinto um nó se formar em minha garganta ao dizer a palavra “morreu”, e sinto meu rosto ficar quente, minha visão começa a embaçar, mas eu seguro as lágrimas, sei que ninguém vai me ver chorar, mas mesmo assim não quero fazer isso.
– Seu pai, John Winchester, era um dos feiticeiros mais poderosos do mundo...
– Meu pai era o quê?! – o interrompo, como assim ele era um feiticeiro? O que está acontecendo?
– Teve uma relação proibida com uma humana, sua mãe, Anne Cipriano – ele continua como se não tivesse ouvido minha pergunta anterior, provavelmente só responde uma por vez – Seu castigo foi á morte, foi julgado e decapitado por Kazimir Wencks, anjo caído, criador deste vale.
Como assim “criador deste vale”? Me lembro perfeitamente do sombra dizendo “ eu criei esse lugar, agora sou vou pegá-lo de volta!” isso não faz sentido.
– Mas... quem criou este vale não foi um sombra da vingança?
– Não entendo.
Acho que o confundi, resolvo ir para outra pergunta.
– Por que meus olhos são vermelhos, sendo que a maioria dos videns somnium, tem olhos roxos ou totalmente pretos? – me lembro de ter lido isso no livro sources, foi algo que me intrigou muito.
– Você é trevas.
– E-eu sou trevas? Como assim? – Não entendo o que ele quer dizer com isso.
– Sei pai, era das trevas, um feiticeiro que interagia com demônios, matava anjos e outros inocentes á sangue frio. Torturava humanos por prazer, tinha pactos com Lilith, um dos maiores demônios. Ele era trevas, você é filho dele, você assim como ele é trevas.
– E o que acontece por eu ser “trevas”? – o medo corre em minhas veias, eu sou trevas. Como minha mãe teve coragem de ter um filho com uma pessoa assim?
– Pode viver sua vida normalmente, mas seu destino após ela é certo.
Eu vou para o inferno. Não importa o quanto de coisas boas eu fiz, ou vou fazer, meu destino é certo. Sinto meu peito ficar apertado, e lágrimas escorrem sem que eu posso conte-las.
– Eu vou ser feliz? – foi a única coisa que veio á minha mente depois dessa revelação.
– Seu destino é você quem faz.
Isso é tudo o que ele tem a dizer?
– Mas pelo jeito como as pessoas o amam, e pelo tanto de pessoas que o amam, eu creio que sim.
Eu me alivio, não foi uma afirmação, mas algo bem perto disso, o que faz meu peito para de doer tanto.
– Cami... ela... me ama... mais do que como um amigo ou irmão?
– Não sou autorizado.
Merda. Minha dúvida mais importante, e ele não pode revelar. Enxugo meu rosto das lágrimas que caíram segundos atrás.
– Acho, que não tenho mais perguntas por hoje...
– Muito bem, me sinto honrado em servi-lo. – sua cabeça cai novamente para o lado, seus “olhos” se apagam, e sua “boca” se fecha.
O cubro com o lençol novamente, saio da sala, e desço as escadas.
***
Quando passo novamente pelas portas duplas, nem aquela atmosfera linda nem o rosto de Cami com um enorme sorriso se formando ao me ver, me acalma depois dessas revelações.
– Como foi? – diz Cami.
– Hum... esclarecedor, eu acho – digo meio sem jeito.
– Ah!
– Próximo? – diz Ravenna atrás dela, o braço de Simom ainda está apoiado em seus ombros, percebo.
– Agora eu! – diz Cami.
Ela vai até as portas, vejo seus cabelos negros balançando contra o vento. Ela empurra as portas e entra. Encaro o espaço onde ela estava a milésimos atrás, e espero sua volta.
Notas finais
Mais reviews please!! Leitores que não comentam, eu qro saber oq vcs acham da história, comentem por favor!!
Obg aos que ja comentam, amo vcs! ♥
Bjs, Biah!
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