Pânico 5
2 Capítulo 1
SIDNEY PRESCOTT
Eu me sinto naquela noite, pensa Sidney. Billy. Stu. É tudo muito complicado para Sidney. Eles estão caçando ela. Eles vão me matar, é a única coisa que Sidney consegue pensar. Enfim, eles a alcançam. Eles ficam repetindo a mesma coisa, toda hora. “Olá, Sidney. Está pronta para morrer?”. Ainda ela não superou aquela noite. A faca passa pelo seu estomago. Ela sabe que isso é um sonho, mas se recusa a acordar. Ela não consegue. Então vê seu sangue. Começa a gritar. Mas ninguém a ouve. Ainda vê Randy no chão. Seu amigo que sempre gostou dela. Aquele que sobreviveu a Billy e a Stu. Mas morreu nas mãos da Sra. Loomis. Apenas Sidney, Gale e Dewey sabem o que é passar por aquilo. Eles também sobreviveram aos massacres. Mas eles não eram o alvo principal. Sidney era, a doce e querida Sidney. Quase foi morta pelos atos de sua mãe, pelos seus atos e pela inveja que os outros tinham dela. Depois percebe que ainda está gritando. Até que tudo começa a ficar preto. Ela acorda, com o som do despertador.
Quando abre os olhos, não consegue aceitar que está morando na casa de Kate e Jill. Este lugar parece um pesadelo para ela.
Ela vai tomar banho, para tentar relaxar um pouco. Quando sai do chuveiro, nota que está atrasada para ir à livraria, encontrar Gale e aparecer na pré-venda do novo livro que Gale escreveu.
Enquanto sai de casa se repara com Kirby. Ela vem em direção aos braços de Sidney. Chorando. Ela está acabada.
– Voltou. A porra do assassino voltou – Kirby começa a gritar. – Duas garotas da minha sala, e um garoto, foram assassinados.
–O que? – Pergunta Sidney, se recusando a aceitar o que aconteceu.
Kirby tenta mexer os lábios, mas não consegue. Sidney agora só pode pensar em Gale e Dewey, que obviamente irão sofrer nas mãos do assassino.
– Vamos à livraria. Agora.
Kirby nem responde. Apenas anda em direção ao carro e entra.
Dentro do carro, Kirby decide falar.
– Por que estamos indo a livraria?
– Gale. – Diz Sidney.
Kirby, então fica calada até chegarem à livraria. Quando chegam na porta da livraria, Kirby pergunta:
– Você vai contar á ela?
– Não. Ela está gravida. Não merece passar por isso, pela quinta vez. Ainda gravida. – Comenta Sidney.
Entrando na livraria, nota-se que todo mundo a encara, como se estivessem a acusando de algo.
– Ai chegou à rainha das atrasadas. – Diz Gale. Faz tempo que Sidney não vê uma expressão sorridente no rosto de Gale.
– Vamos. Um senhor está aqui para nos entrevistar. – Completa Gale.
Sidney não está muito ciente para entrevistas. Ainda repara no olho de Kirby, o medo. O pavor. Tudo que ela sentiu nos massacres. Eu não mereço passar por isso de novo, pensa Sidney, ninguém merece passar por isso, completa.
– Sidney, me fale algo marcante na sua amizade com Gale Weathers. – Diz o entrevistador.
– Quando eu dei um soco bem na cara dela. – Diz Sidney.
Todo mundo começa a rir do comentário dela. Exceto ela. O entrevistador percebe que Sidney está um pouco desconfortável, então ele dirige todas as outras perguntas para Gale.
Após o fim da entrevista, Dewey aparece. Ele está feliz, pelo que parece.
– Oi, amor. – Diz ele, pegando Gale pelos braços.
– Cuidado com o bebê. – Ordena Gale. Depois os dois começam a rir.
– Olá, Sidney. – Diz Dewey. Após ele dizer isso, Sidney começa a ter uma expressão fria em seu rosto.
–Dewey? Precisamos conversar. – Comenta Sidney.
– Ok. Vou lá assinar alguns livros. – Interrompe Gale. – Depois apareça lá, Sidney.
– Eu vou. – Tenta dizer de uma forma mais gentil.
Sidney e Dewey saem da livraria, e lá começam a conversar.
– O que houve Sidney? – Pergunta Dewey.
– Está começando de novo. O inferno está começando de novo.
Dewey já percebe o que Sidney quis dizer.
– Gale sabe? – É a única coisa que ele consegue perguntar.
– Não.
– Ok, é melhor continuar assim.
Dewey entra na livraria, e na mesma hora Kirby sai.
– Contou para ele? – Pergunta
– Sim. – Responde Sidney.
– Nós vamos morrer. Eu vou morrer. – Diz Kirby. Depois ela começa a chorar.
– Não, ninguém vai morrer. – Diz Sidney. Ela não entendeu o que quis dizer com esse “ninguém”. Três pessoas já morreram. Claro que um monte de pessoas vão morrer.
– Por que você mente para si mesma? – Pergunta Kirby.
– Talvez porque às vezes a mentira parece real. – Responde. Ela começa a chorar. Não acredita que está passando por isso. Para ela, tudo de bom que aconteceu nesses quatro anos acabou. Simplesmente deixou de existir.
– Eu tenho que ir para casa. Com outro serial killer a solto, eu viro uma vítima, de novo.
Kirby está certa. Ela, Sidney, Dewey e Gale, são vítimas. Desta vez, ela pensa que não irá sobreviver. Quatro massacres. Sete assassinos. Trinta e três mortos. Isso é demais para ela.
Kirby entra em seu carro, e vai em direção a sua casa. Após ver Kirby virar a rua, Sidney entra na livraria para assinar os livros.
– Finalmente. –Diz Gale.
Sidney não consegue responder, apenas olhar para Gale, faz ela se sentir frágil, com medo. Metade da fila – que estava em direção a Gale – vai ao lado que Sidney assina os livros.
– Eu quero comprar um livro. – Diz uma garota, que aparenta ter quinze anos.
Sidney sorri. A garota dá o dinheiro do livro. Quando Sidney vai pegar o livro, em cima de sua mesa, para assinar, ela abre a capa e lê, escrito com uma caneta forte, e em letra maiúscula:
“EU ESTOU DE VOLTA, VADIA”.
Sidney se desespera. Tem vontade de gritar, mas não quer gerar pânico nas pessoas. Então coloca o livro no lado dos outros, pega outro livro e assina.
Após um monte de pessoas passarem pedindo assinatura, os livros acabam restando apenas o marcado. Antes que mais alguma pessoa apareça pedindo uma assinatura, o dono da livraria aparece e diz que acabou o tempo delas. Gale se decepciona, pois estava muito empolgada de se encontrar com seus fãs, mas Sidney sentiu um alívio, de saber que isso acabou. Sem ninguém ver, ela guarda o livro em sua bolsa, se despede de Gale e sai.
No caminho, ela ouve o celular tocar. Ela já fica em desespero. Mas, após ver que o telefonema é do Dewey, se acalma.
–Oi, Dewey.
Um vazio fica no ar, Sidney não entende nada, e continua repetindo. Até que é respondida
–Olá, Sidney. Sentiu saudades?
Sidney se paralisa, solta o celular no chão. Depois começa a chorar
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