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2 Capítulo 1 - Mudanças e o demônio da porta ao lado
Notas iniciais
Capítulo 1 – Mudanças e o demônio da porta ao lado
A noite estava quente em Magnólia naquele dia e o ventilador de teto bagunçava os cabelos de Lucy, enquanto ela observava as várias caixas de papelão empilhadas a sua frente.
Após aceitar o gentil convite de Erza para dividirem o apartamento, não demorara mais de dois dias para se mudar e agora, apenas faltava desfazer a mala e arrumar o quarto a sua maneira.
— Empacou aí, Lucy? Anda. Vamos terminar de arrumar essas coisas longo — declarou, abrindo uma das caixas da loira.
— Certo.
Ficaram até altas horas desempacotando as coisas e colocando tudo no lugar, já passava da meia-noite quando, finalmente, foram se deitar e Lucy não conseguia dormir. Seus pensamentos davam voltas e voltas.
Pela primeira vez em toda sua vida, a loira havia deixado sua zona de conforto para enfrentar o mundo real e aquilo a fazia tremer. Não sabia o que iria encontrar em sua nova jornada e isso a deixava ansiosa.
Cansada de virar de um lado para o outro, a loira acabou adormecendo sem perceber e como se fosse uma piada do destino, acordou assustada.
Sons de batidas e gemidos soavam por seu quarto e ela se sentia desorienta.
Onde ela estava mesmo?
Respirou fundo, esfregando os olhos ao se lembrar que aquela era primeira noite em seu novo lar.
Mais batidas soaram contra a parede e a loira logo soube do que se tratava, mas decidiu ignorar aquilo, para tentar dormir novamente; no entanto, o nome “Natsu” ficou gravado em sua memória por ouvi-lo várias vezes através da parede fina de seu apartamento.
Agora entendia o porquê de Erza não ficar com aquele quarto, mesmo ele sendo o maior.
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— Você está com uma cara péssima, Lucy — a voz de Erza chamou a atenção da loira, que mais parecia dormir sentada em frente a ruivo na mesa para o café.
— Obrigada pela parte que me toca — sussurrou ao encher sua xícara com o café forte que a outra havia preparado. —Não consegui dormir essa noite.
— Me deixe adivinhar — começou a ruiva segurando o riso. — Sons estranhos atrapalharam seu sono frágil?
Sorri sem humor. Não queria descontar o mau-humor na amiga, mas Erza estava pedindo por aquilo.
— Você podia ter me avisado.
— Eu nem sabia que o Natsu iria sair com alguém ontem — se defendeu.
— Não diga esse nome — pedi, vendo-a rir.
— Certo. Bom, eu já vou indo. Preciso trabalhar e não vou voltar para o almoço.
— Tudo bem, não se preocupe comigo. Sei cozinhar — falou, engolindo todo o café que podia.
— Okay. Boa sorte com sua busca e vê se põem uma blusa decotada para destacar seus seios fartos e faz uma maquiagem descente para tampar essas olheiras — se despediu ao fechar a porta, sem dar tempo para Lucy devolver a provocação.
Erza sempre gostara de provocar a loira nas horas mais inoportunas.
Ao terminar o café, a Heartfilia se arrumou em uma elegante roupa social, sem seguir completamente, as dicas da amiga, com exceção da maquiagem, onde caprichou para esconder as marcas da noite mal dormida e partiu em busca de seu novo ganha pão, aquela era sua chance de recomeçar e fazer o que gostava.
Não podia perder tempo.
Caminhou por todo o grande centro de Magnólia, seguindo de editora em editora, as quais havia pesquisado com Erza. No entanto, nenhuma lhe deu esperança e ela, mais uma vez, voltava para casa de mãos abanando.
Já era quase hora do almoço quando ela adentrou o prédio, onde ficava seu novo lar e com um sorriso no rosto, cumprimentou a todos.
Não se deixaria abater tão facilmente.
— Hey! Segura o elevador, loira! — ouviu uma voz masculina soar logo atrás de si, quando adentrara a grande caixa de metal.
Educada como era, a moça acabou por esperar pelo rapaz de estranhos cabelos rosados.
— Valeu — agradeceu ele, ofegante encostado na parede do elevador.
— De nada — sorriu, sem tentar prolongar o assunto, não era de seu feitio falar com estranhos.
— Você se mudou para cá? — perguntou o rapaz, parecendo a fim de conversar.
— Sim, moro no quarto andar — declarou, suspirando aliviada ao ver as portas se abrindo em seu andar.
Saiu do elevador sentindo o rapaz a suas costas.
— Então somos vizinhos — ele disparou animado, sem tirar os olhos de Lucy, que estremeceu.
Será que...?
— Me chamo Natsu Dragneel e você? — Seus olhos brilhavam.
— Lucy Heartfilia — murmurou sentindo suas bochechas esquentarem ao lembrar de tudo o que havia escutado.
Não podia acreditar que estava frente a frente com o homem que lhe tirara o sono, literalmente.
— Bom te conhecer, Luce — falou, tocando de leve o ombro da loira que o olhava encabulada e logo seguia para seu próprio apartamento, acenando ao fechar a porta.
— É “Lucy” — sussurrou para o nada.
Seu coração batia acelerado e ela já não conseguia pensar direito, então apenas balançou a cabeça, adentrando o apartamento.
Precisava esfriar a cabeça e pensar no que tinha acabado de acontecer nos últimos minutos.
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O escritório estava uma desordem quando a ruiva atravessou as portas duplas do local, no entanto, todos se calaram ao vê-la caminhar em direção a sua sala.
Gostava de ser a nova chefe, porém, ter todo aquele poder a fazia temer, ainda mais por ser neta do dono. Não queria ser temida e sim, respeitada, mas parecia que seus colegas de trabalho não sabiam daquilo.
Podia ver o temor em seus olhos quando atravessa o corredor de mesas a caminho de sua sala e aquilo era frustrante.
— Relato, Juvia — pediu ao passar pela tímida assistente de exóticos cabelos azuis.
— Sim, Erza-sama — disse, caminhando ao lado da ruiva sala a dentro com uma caderneta nas mãos. — Você tem três telefonemas e um almoço de negócios com o senhor Makarov...
— Hoje? — indagou descontente, planejava almoçar ali mesmo para adiantar o trabalho.
— Sim. Ele pediu para avisar que é de vital importância para a empresa, pois ira lhe apresentar o novo sócio — seu tom sério e profissional não deixava margem para a ruiva pedir para remarcar.
— Certo. Depois me passe o endereço do restaurante — pediu, terminando de ouvir os recados da assistente para logo se ver sozinha em sua grande sala.
Não tinha o que reclamar de sua vida profissional, mas ainda podia sentir que faltava algo, algo que ela nem ao menos tinha ideia do que era.
Suspirou.
Não podia perder tempo pensando em coisas como aquela, quando tinha muitas coisas a fazer. Decidia a ignorar o vazio em seu peito, Erza puxou as várias pastas que Juvia havia deixado ali mais cedo e se pôs a trabalhar.
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— Erza-sama, já são quase meio-dia — avisou a Lockser ao passar pela porta. — Makarov-sama marcou o almoço para meio-dia e meio.
— Eu sei. Eu sei — murmurou, erguendo a cabeça do contrato que lia. — Já estou indo.
Alisando a saia de cintura alta, a ruiva levantou, pegando o papel que Juvia estendia em sua direção.
— Ai está anotado o endereço do restaurante onde Makarov-sama te espera — avisou, seguindo a outra.
— Certo. Obrigada, Juvia e tenha um bom almoço — se despediu, ouvindo os agradecimentos da outra moça.
Com pressa, leu o endereço na folha e logo dirigiu até o restaurante que ficava no centro da cidade, quase chegando atrasado por conta do transito parado da metrópole.
Falou com o metre rapidamente e ele logo a levou em direção a mesa, onde o velho Makarov estava acompanhado de um homem de cabelos azuis, o qual Erza não podia ver nada além de suas costas largas.
— Desculpe a demora, vovô — começou ela, desculpando-se pelo quase atraso.
— Sem problema, minha filha. O jovem aqui estava me contando várias de suas desventuras e não me deixou ficar entediado — riu e o outro o acompanhou.
— O senhor vai ter que me desculpar por falar tanta besteira — a voz do desconhecido fez todo o corpo de Erza se arrepiar e fui então que seus olhos se encontraram pela primeira vez.
O mundo pareceu parar por um minuto e a ruiva se via hipnotizada pelos belos olhos castanhos do rapaz.
— Me chamo Jellal Fernandes — falou ele, estendendo-lhe a mão.
— Erza Scarlet — murmurou, desviando o olhar ao apertar-lhe a mão de leve.
Todo seu corpo queimava e soube que aquele misterioso homem de cabelos azuis e olhos cativantes, poderia preencher seu vazio de alguma maneira.
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O sol brilhava forte pela janela e Lucy ainda andava inquieta pelo apartamento. Não conseguia acreditar que havia conhecido o cretino que não a deixara dormir e agora ele já não parecia mais tão cretino assim.
Sentia algo de animador em seu sorriso e aquilo lhe fazia querer sorrir de volta.
Odiava quando decidia odiar alguém e aquela pessoa a fazia mudar de ideia.
Cansada de pensar sobre aquilo, a loira decidiu tentar transformar aquela frustração em algo que alguém quisesse ler.
Pegando seu notebook e caderno, sentou-se à frente de sua nova escrivaninha. Há dias não escrevi nada e agora, sentia essa necessidade crescer dentro de si.
Porém, quando apertou o botão para ligar seu notebook, um som alto de baixo e guitarra elétrica fez as paredes de seu quarto estremecerem.
Que merda estava acontecendo no apartamento ao lado daquela vez? Não sabia, mas Lucy iria descobrir.
Decidida, a loira deixou tudo como estava e correu porta a fora, atravessando o corredor, que separava suas portas, a passos largos, tocando a campainha sem parar.
Aquele maldito já não a havia deixado dormir direito e agora queria lhe privar de seu precioso momento de escrever? Ele só podia estar brincando com sua cara.
Após vários minutos apertando a campainha, a música finalmente parou e pode ouvir passos arrastados dentro do apartamento. Já se preparava para o confronto quando a porta se abrir r um sorriso gigante tomava a face do demônio a sua frente:
— Luce! Não esperava vê-la tão cedo em minha porta...
— É Lucy. E isso não é uma visita amigável — declarou, vendo Natsu se encostar no batente da porta.
— Não? — perguntou, erguendo a sobrancelha perfeita e Lucy não pode deixar de notar o quão sexy ele ficara ao fazer isso.
— Não — tentou soar o mais severa possível. — Vim pedir para que abaixe o som do radio, por favor.
— Ah, sim. Veio pedir para abaixar o som! Me desculpe, Luce, mas as regras são claras e eu posso ouvir música alta até as dez da noite. Se sente tão incomodada, como morador antigo, sugiro que leia as regras do prédio e redija um pedido formal para mudá-las no dia da reunião de condomínio — rebateu como desdém a banhar sua voz, deixando-a sem palavras. — É só isso, loira?
As palavras haviam fugido de Lucy e ela apenas concordou com a cabeça, vendo a porta a sua frente fechar tão logo Natsu se despediu.
Não sabia se foi pelo modo desdenhoso, com o ele a tratara ou pelas regras idiotas, mas não pode rebater, então apenas caminhou de volta para seu apartamento decidia a seguir o conselho do demônio da porta ao lado e redigir uma petição para mudar aquela regra estupida. No entanto, antes de adentrar de vez o apartamento, notou um pequeno embrulho retangular jogado do lado esquerdo, em frente à sua porta, o qual não havia notado antes por estar mais preocupada em confrontar o vizinho de cabelos rosados.
Tomada pela curiosidade, a loira pegou o estranho embrulho, onde seu nome estava escrito em letra cursiva, sem saber que aquele pequeno gesto mudaria sua vida para sempre.
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