Páginas em Branco
3 Angels
Notas iniciais
I've got an angel
She doesn't wear any wings
She wears a heart
That could melt my own
She wears a smile
That could make me wanna sing
She gives me presents
With her presence alone
She gives me everything
I could wish for
She gives me kisses on the lips
Just for coming home
***
A casa estava cheia. As mulheres e mães preparavam a mesa para o almoço e colocavam as ultimas noticias em dia. As crianças corriam pelo quintal, enquanto os pais atenciosos os observavam.
— Sabe Damon, não sei se gosto de ver minha garotinha tão próxima de seu filho — Klaus observava Stefan segurar a mão da pequena Charlotte, enquanto corriam de Grinch, o Dog Alemão que fora adotado pela família, após ser resgatado de uma casa abandonada no subúrbio de New York. O cachorro era enorme e poderia até se tornar agressivo a algum sinal de ameaça a seus donos, mas era completamente bobo quando o assunto eram crianças.
— Pare com isso Klaus, são apenas crianças. E não vejo problema algum, ao menos deixaríamos tudo em família. — Damon caçoou do amigo, fazendo com que Evan, marido de Katherine risse discretamente.
— Vá rindo meu amigo. Vá rindo. — Klaus murmurou emburrado. Logo seus olhos capturaram uma imagem que quase lhe fez saltar os olhos das orbitas. — Rafael! Desencoste essa boca dos lábios virginais da minha filha! — O garoto de apenas dois anos e meio olhou assustado para o homem que marchava em sua direção.
Intimidada pela ação do pai, Samanta iniciou um choro estridente que assustou James, que brincava na grama com Benjamin, filho de Katherine e Evan, fazendo-os chorar. Rafael correu para o pai e agarrou-lhe as pernas.
— Parabéns, Klaus! — Damon e Evan falaram em uníssono. Klaus tentava acalmar a filha, enquanto ele fazia o mesmo com James. — Tudo bem, campeão. Sem choro. Klaus é um idiota. — Damon balançava de um lado para o outro com James no colo e Rafael segurando sua calça. O moreno lançava olhares zangados para Klaus que a todo custo tentava desfazer o bico de choro que Samanta ainda tinha. Se a Carol o visse agora, provavelmente levaria uma bronca.
Elena, Carol, Katherine e Rebekah observavam a cena pela janela da cozinha. Rebekah apenas suspirava, sentia-se incompleta, queria muito um filho, mas não poderia ter, então optou pela adoção.
— Eles são pais tão bobões. — As três riram.
— Quem diria que Damon seria tão bom com crianças? — Rebekah comentou, vendo o moreno, agora sentado na grande caixa de areia, fazendo castelinhos de areia com as crianças.
Klaus e Evan enchiam de areia os pequenos caminhões e junto com Samanta, Rafael e Ben levavam até Charlotte que enchia os baldinhos e entregavam a Stefan que ajudava James a colocar no lugar, e Damon ajudava a dar forma no pequeno castelo.
— Tem de ser, já que ele quer povoar o mundo sozinho. — Katherine comentou, fazendo todas rirem. — Pretendem ter quantos filhos a mais?
— Esse é o ultimo — Elena respondeu sorrindo e acariciou a barriga já proeminente.
— Graças ao bom Deus!—Carol juntou as palmas da mão em sinal de agradecimento.
— Ao menos vocês esperaram o James completar um ano. — Katherine comentou enquanto preparava a salada. — Porque no ritmo que estavam, achei que não respeitariam nem o tempo do resguardo acabar! — Elena revirou os olhos sorrindo. Não se importava com os comentários, ela estava feliz com seus filhos e não mudaria não se pudesse.
— E você, Bekah, como andam os papéis para a adoção? — Carol perguntou, tentando mudar de assunto. Nos últimos anos as quatro haviam se tornado amigas inseparáveis.
— Não imaginava que o processo fosse tão lento. — Ela suspirou em frustração. — Às vezes me parece que eles não querem que a Anne saia daquele lugar. A cada dia aparecem mais coisas que me impossibilitam de tê-la comigo. — Sentindo que a amiga estava à beira das lágrimas, as três mulheres a abraçaram tentando passar algum conforto.
— Não fique assim, Bekah. — Katherine murmurou.
— Desculpem meninas, só estou sensível. — Rebekah tentou sorrir. — É que o Matt está fora há quase um mês e eu me sinto carente. — Comentou fazendo beicinho e arrancando risadas das amigas.
...
— Está ansioso para a consulta na segunda? — Klaus perguntou para Damon.
— Sabe que sim. É a segunda consulta do pré-natal e a julgar pelo tamanho da barriga de Elena talvez possamos descobrir o sexo. — Damon sorriu animado antes de depositar um pequeno beijo na testa de Elena que estava em pé ao seu lado, encostados na bancada. — E eu realmente espero que seja uma menina. — Damon suspirou imaginando uma garotinha correndo pela casa com os irmãos.
— Já parou para pensar que podem ser gêmeos? Ou quadrigêmeos? — Katherine perguntou.
— Não acho que seja possível, já fizemos um ultrassom e não existia um segundo bebê, quem dirá quatro. — Elena retrucou risonha.
— Quadrigêmeos? — Damon engoliu em seco, sentindo sua cabeça rodar.
— Bom, nossa mãe tivera gêmeas e só descobriu na hora do parto. E as outras duas irmãs tiveram quadrigêmeos na ultima gravidez... A tia Elle, teve três meninos antes dos... — O som de algo caindo fez com que interrompesse a frase. Damon estava estirado no chão, após seu desmaio.
Os homens gargalharam alto. Enquanto as mulheres tentavam ajudar Elena.
...
Damon e Elena adentraram a sala da médica que acompanhou todas a gestações da morena.
— Como vão? — A doutora esbanjava simpatia ao recebê-los mais uma vez.
— Bem ansiosos. — Damon respondeu. Elena podia sentir as mãos de Damon soarem.
— Quem sabe seja a sua menina, Damon. — A doutora sorriu.
— É quem sabe... — Damon murmurou. Estava ansioso a ponto de não conseguir falar.
— Bom, Elena, já sabe o procedimento. Deite-se e levante a blusa. — Elena fez como lhe foi pedido.
Logo puderam ouvir o coração do bebê. Damon não deixou de notar que os batimentos do bebê pareciam diferentes dos seus outros filhos. O som não parecia nítido como o dos outros.
— Há algo errado com o coração do bebê? — Damon perguntou. Elena permanecia calada, sabia o que se passava.
— Não, os corações estão normais. — A medica comentou com normalidade.
— Corações? — Damon estava embasbacado. Seus olhos arregalados denunciavam sua surpresa.
— Sim, são gêmeos. — Elena sorriu. Já suspeitava que poderiam ser gêmeos. — Não perguntarei se querem saber o sexo. — Sorriu para Damon que mantinha os olhos grudados no monitor. — Elena está com quatorze semanas de gestação e... Oh, céus! São duas meninas. — Elena pode captar o momento em que as lágrimas surgiram nos olhos do marido.
— Duas meninas... — Damon mal podia acreditar, finalmente teria uma menina para proteger, teria uma cópia de Elena. — Obrigado, Lena. Obrigado. — Beijou seus lábios delicadamente. A morena sorriu e acariciou o rosto do esposo com carinho.—Oi, filhas, não sabe o quanto eu esperei para tê-las e mal vejo a hora de chegarem!
...
Damon e Elena estavam deitados em sua cama, abraçados da forma que podiam. Seus corpos nus entrelaçavam-se, unindo-os. O moreno acariciava a barriga da mulher, de forma suave. Sentia suas filhas se mexerem. Elena sorria e fazia caretas por conta dos movimentos, ora bruscos, que os bebês faziam.
— Já pensou em algum nome? — Perguntou ao marido.
— Pensei em alguns, mas nada definitivo. — Deus de ombros.
— Eu pensei em Annabeth e Annelis... — Elena ofegou quando um dos bebes lhe chutou as costelas. — Tudo bem, filha, entendi. Nada de Annabeth ou Annelise. — Damon riu.
— Que tal... Mary e Jhoane? — Os bebês chutaram novamente, ainda mais forte. Elena perdeu o ar por um instante.
— Que tal esperarmos elas nascerem? Assim não podem me chutar quando não gostarem de algum. — Elena sugeriu rindo. Seu estomago roncou. — Eu estou com fome, quem sabe umas panquecas? — Perguntou e sem esperar resposta continuou: — Panquecas com chocolate! Com toda a certeza. — Damon riu. Elena poderia ser bem engraçada quando queria. Principalmente falando com os bebês.
Jogou o lençol para o lado, pegou uma das camisas de Damon que usava pra dormir e um short de pijama. Não poderia sair do quarto nua, ainda tinha três filhos inclinados a fazer perguntas com respostas impróprias para a idade deles. Vestiu tudo e deixou o quarto.
Menos de vinte minutos depois, já tinha tudo pronto. Sentou-se a mesa e quando estava preparada para comer, ouviu uma melodia conhecida.
Com o prato de panquecas na mão, andou até o escritório de Damon e o encontrou sentado em sua poltrona olhando o céu pela janela enquanto Jack Johnson cantava suavemente a primeira estrofe da música.
— She wears a heart the could melt my own* — Elena cantou baixinho, enquanto aproximava-se do marido.
Deixou o prato em cima da mesa de mogno e puxou-o pelas mãos. Posicionou os braços no pescoço de Damon e começou a mover-se de um lado a outro, numa dança lenta. O moreno segurou sua cintura e a puxou para si, até que a barriga avantajada de Elena estivesse completamente unida ao seu abdômen.
— She gives me everything I could wish for, She gives me kisses on the lips just for coming home.* — Damon cantou baixinho para a mulher a sua frente. Aquela música poderia facilmente descrevê-la. Tudo o que queria dizer estava ali, naquela música.
Elena lhe dava presentes, somente com sua presença. Seu sorriso poderia fazer seu coração acelerar. Ela lhe deu tudo o que poderia desejar e um pouco mais. Ela poderia fazer anjos, em breve teria cinco provas. E sempre estava tão ocupada tentando salvar o mundo! Tinha tanto orgulho e amava tanto aquela mulher que poderia chorar de contentamento a qualquer momento.
— Eu te amo. Muito. Mais do que pensei ser possível. — Damon declarou. Elena sorriu com os olhos cheios de lágrimas.
— Eu também te amo. Muito. — Devolveu com a voz embargada. E assim terminaram a noite, agarrados dançando e fazendo inúmeras juras de amor.
...
A hora havia chegado, teria de trazer suas filhas ao mundo. O parto aconteceria por meio de uma cesariana. Apesar de ser uma gravidez de risco e ter sofrido de pressão alta, estava tranquila, confiava inteiramente nos médicos que amparariam.
— Vamos, já está na hora. Digam até logo para a mamãe — Stefan, Rafael e James despediram-se da mãe com um beijo no rosto e deixaram o quarto com Caroline. Damon permaneceu ao lado da esposa segurando sua mão, mesmo que ela não pudesse realmente senti-la isso era importante.
Rapidamente os enfermeiros entraram no quarto de Elena e levaram para a sala de cirurgia. Damon ficaria com ela durante o procedimento. A doutora lhes explicou como seria feito e deu inicio a cirurgia.
Elena apenas esperava pacientemente. Damon assistia o processo e sorria para Elena a cada minuto. Mal conseguia esperar a hora que veria seus bebês.
O primeiro choro foi ouvido, Elena sorriu em meio ao torpor que a envolvia lentamente e a dor de cabeça que a consumia. A enfermeira entregou em seus braços a pequena criança enrolada em uma toalha branca. Ele sorriu.
— Minha pequena Hope. — Damon murmurou acariciando a bochecha de sua filha. De repente os aparelhos ligados a Elena passaram a apitar freneticamente e o corpo convulsionar.
— Ela está tendo uma parada cardíaca! — Uma enfermeira alertou.
— Preciso de ajuda, o cordão umbilical está enrolado no pescoço da criança. — A doutora pediu e por mais que aparentasse tranquilidade, sua voz tremia com o nervosismo. Os aparelhos médicos apitavam freneticamente. Porém, um som único de "pi" fez Damon sentir o coração estilhaçar-se. Olhou para os monitores e neles percebeu que o coração dela havia parado...
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