Notas iniciais
Oie, queria agradecer em primeiro lugar aos leitores do prefácio, mesmo muitos não comentando fico feliz que tinham lido e espero (do fundo do meu coração) que tenham gostado.

– Sou Annabel.- eu não respondi ela. Isso mesmo, não respondi. Ela ficou me olhando e depois desviou o olhar, deu um sorriso forçado. — Ok, já entendi... Vou indo então. — ela hesitou em continuar andando no início, mas logo depois foi embora e eu fiquei olhando ela ir como se meus pés estivessem colados no chão.

No caminho para casa a cena de eu deixando a Lindsey 2 falando sozinha, repetia como um loop na minha mente. Como uma pessoa consegue ser tão idiota? Eu só precisava responder.

Não tinha ninguém em casa quando cheguei, fui direto para o meu quarto. Estava bagunçado, havia louça em cima da escrivaninha e várias roupas jogadas no chão, minha cama estava desarrumada com os cobertores emaranhados,eu me limitei a aconchegar-me no meio destes e ficar lá, mexendo no celular. Quando abri o instagram uma foto da Lindsey saiu da tela e deu um tapa na minha cara. Ela estava linda, abraçada com o novo melhor amigo dela, e na legenda tinha a frase '' trust me when i say ''. No último ano do ensino fundamental, Lindsey e eu eramos melhores amigos, todos os dias depois da aula nós nos encontrávamos, ou na minha casa ou na dela. Um dia quando estávamos no meu quarto ela quis fazer um pacto de sangue, o que faria com que nós ficássemos juntos para sempre, pegou uma faca e quando estava prestes a furar minha mão eu me afastei, ''Você vai cortar muito'' eu disse, ela riu e revirou os olhos ''Não vou cortar muito'' ela disse, colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha '' Pode acreditar no que eu falo'', essa era a nossa frase, quando começamos a namorar escrevíamos por toda parte, em árvores, cadernos, livros... Eu me lembrava dos momentos com Lindsey toda hora e ver ela postar a nossa frase com seu novo melhor amigo me fez chorar, isso doía muito, era como se tivesse um machucado bem no meio do meu peito e alguém ficasse cutucando com um lápis, impedindo que cicatrizasse. Meu celular começou a tocar, Trav estava ligando. Engoli o choro.

– Alô.

– Chris chega aí, vamos jogar um fifa.

– Então, não vai dar pra mim... Tenho que ir comprar umas coisas com a minha mãe. — inventei uma desculpa

– Hm. Entendi, então a gente se vê.

– Demoro.- ele desligou o telefone em seguida e eu voltei pra minha choradeira e acabei caindo no sono.
Minha irmã me acordou quando chegou em casa.

– Você não atende mais o celular?- ela perguntou um pouco brava.

– Não.

– Olha, você vai ter que se arrumar. A mãe vai num jantar hoje e quer te levar, é na casa de uma amiga dela que voltou pra cidade e blá blá blá...

– Por que você não vai? Eu não quero ir.

– Porque eu já tenho compromisso hoje, e você é o irmão mais novo, então boa sorte. Esse é o seu papel. — ela saiu do meu quarto.- Vai se arrumar que a mamãe vem te buscar daqui uns trinta minutos. — ela gritou do corredor. Me direcionei sem vontade para o banheiro, bufando e reclamando no caminho. Tomei um banho mais demorado do que eu pensei que tomaria, quando ouvi minha mãe esmurrando a porta do banheiro.

– Christian! Termina esse banho logo que nós já estamos atrasados!- deixei a água cair sobre meus ombros por mais uns dois minutos até minha mãe voltar a machucar a porta do banheiro.

– Vamos filho! Até eu já estou pronta.- me enrolei na toalha e abri a porta com violência, minha mãe me encarou parada na minha frente.

– Já vou. — era simples, ela não precisava me levar no jantar. Coloquei uma calça jeans e uma camisa social xadrez, sequei meu cabelo rápido com a toalha e desci as escadas em direção à sala. Minha mãe olhou pra mim e franziu o cenho

No carro eu observava a paisagem, no rádio tocava Far away, do nickelback e minha mãe cantarolava freneticamente.

– Que mau humor, Chris.

– Pra onde vamos mesmo?

– Jantar na casa de uma amiga de infância minha. Fizemos o colégio inteiro juntas mas nos separamos na faculdade, ela foi pro Arizona e na época eu ainda morava na Flórida. Faz anos que não nos vemos, ela se mudou pra cá semana passada.

– Ah sim.- respondi. Minha mãe continuou contando animada mas eu não prestava mais atenção, uma vez que estava passando Stairway to heaven no rádio, fiquei refletindo a frase ''makes me wonder'' até chegar na casa da suposta amiga da minha mãe.

A casa era enorme, pintada com tons claros de marrom, tinha um jardim artesanal na entrada. Quando minha mãe tocou a campainha eu pude ouvir passos rápidos se aproximando, até que uma mulher de cabelos loiros e olhos verdes abriu a porta com um sorriso de orelha à orelha. Ela soltou um gritinho e depois pulou pra um abraço na minha mãe, que parecia tão eufórica quanto.

– Quanto tempo, quanto tempo. — disse a moça se soltando do abraço e direcionando o olhar pra mim.- Esse é o seu garoto?

– É sim.- minha mãe disse sorrindo e limpando uma lágrima que começava a escorrer no canto do olho.- Christian, essa é a Danna.

– Prazer.- eu disse esticando a mão direita, porém ela me puxou para um abraço.

– O prazer é todo meu.

Danna nos guiou até a sala de jantar, que era separada da cozinha por um balcão. A cozinha era grande e moderna, e haviam seis lugares na mesa de jantar. Um homem com uma camisa social que segurava um copo whiskey, se apoiava no balcão. Ele virou-se pra minha mãe e eu e sorriu, ele tinha uma estatura grande e olhos verdes como duas esmeraldas.

– Muito prazer.- ele disse fazendo um sinal para que nos sentássemos.- Meu nome é Jeff.

– Meus filhos já vão descer, Katie.- Danna disse pra minha mãe enquanto nos sentávamos. Um menino que aparentava ter uns seis anos de idade desceu as escadas correndo e entrou na sala de jantar, saltitante. Acenou para minha mãe e eu, se sentando no lugar na minha frente. Jeff sentou-se ao lado do pequeno, e Danna se dirigiu para a cozinha e pegou uma lasanha que estava no forno, uma lasanha muito grande. Quando colocou a lasanha na mesa correu os olhos pela sala e bufou discretamente.

– Filha! O Jantar está na mesa.

– Estou descendo.- respondeu uma voz conhecida. Danna nos serviu, a lasanha parecia maravilhosa.

– Você não perdeu seus dons na cozinha não é mesmo?- minha mãe disse sorrindo enquanto comia a lasanha.

– Eu espero que não tenha perdido. — Danna sorriu, e eu comecei a comer a lasanha, que escorregou na minha língua. Minha mãe nunca cozinhava, e quando cozinhava fazia muito mal. — E como vai o Richard?

– Vai bem.- respondeu minha mãe.- Trabalhando muito. — Richard é meu pai, ele trabalha numa empresa internacional e viaja muito pra fora do país, meu pai é legal só que sempre foi distante, não da minha irmã, mas de mim em especial. Ele é bastante protetor e conservador, nunca vi ele ter uma briga se quer com minha mãe. Dei uma garfada na lasanha.

– Filha!- Danna chamou mais uma vez

– Estou aqui.- respondeu a menina entrando na sala e me fazendo engasgar. Com um vestido estampado rosa e uma parte do cabelo preso, Annabel me fitou com um microsorriso no canto dos lábios. Engoli a lasanha e desviei o olhar.

– Essa é Annabel.- apresentou Danna.- Esses são Christian e Katie.

– Prazer.- ela disse sentando-se ao meu lado. Eu respirava devagar e tentava comer a lasanha como se nada tivesse acontecido, a conversa começou a fluir na mesa entre minha mãe e os pais de Annabel mas eu não conseguia prestar atenção.

Lembrei do último verão, quando Lindsey foi comigo num jantar na casa da minha avó onde ficávamos de mãos dadas brincando de guerra de polegares, sem nem mesmo se importar com qualquer assunto que era abordado, '' Vai no banheiro comigo?'' ela sussurrava no meu ouvido e dava risada. Uma voz então me puxou de volta pro planeta Terra.

– Chris.- era minha mãe, me cutucando.- Danna está falando com você.

– Ah, desculpe. Eu não ouvi.- respondi, sem graça.

– Você gosta de torta de maça?- Danna perguntou com seus olhos verdes calorosos.

– Ah sim, gosto bastante.

– Ótimo.- ela sorriu se direcionando para a cozinha. Danna fizera uma torta de maça tão grande ou maior que a lasanha. Seu gosto também era maravilhoso, me obriguei a comer mais de que apenas um pedaço. Logo depois começou aquele assunto chato, minha mãe e Danna ficaram relembrando várias coisas do colégio e blá blá blá. O irmão de Annabel já tinha saído da mesa e subira correndo as escadas. Até que Danna parou de falar e olhou para Annabel que mexia no celular.

– Annabel.

– Sim?- ela nem mesmo olhou para Danna.

– Por que você não leva o Christian para a sala de TV? Aposto que essa conversa deve estar um saco para vocês dois.- ela sorriu.

– Claro.- ela respondeu desgrudando os olhos do celular e direcionando o olhar para mim. — Vem comigo.

Ela subiu as escadas rápido, e eu a segui. Atravessou um corredor e abriu uma porta que se encontrava no final deste, chegando na sala de TV, onde tinha um sofá marrom enorme e uma televisão de aproximadamente cinquenta polegadas. Annabel se sentou no sofá e ligou a TV.

– Quer assistir o que? — ela me encarou, eu não respondi.- Vai ficar aí de pé, sem falar nada?

– Ah.- foi tudo o que consegui falar, me sentei ao seu lado. Eu me sentia um idiota, ela respirou fundo e colocou o controle no meu colo.

– Tem netflix, escolhe algum filme.- coloquei Diário de uma Paixão, era o filme favorito da Lindsey. Annabel riu e tirou o controle da minha mão.

– Nicholas Sparks? Sério?- ela tirou rapidamente colocando o meu filme favorito, Clube da Luta.- Isso sim é filme. Você se importa se eu trocar de roupa? Colocar alguma coisa mais confortável?

– Nã.- O que há de errado comigo? Ela riu e entrou na segunda porta do corredor. Eu estava ficando realmente bravo por não conseguir falar com Annabel, eu precisava parar de pensar na Lindsey toda vez que olhava pra ela, respirei fundo e foquei no filme.

– Eu amo essa parte. — ela entrou na sala com uma calça larga e uma blusa que caía sobre seu ombro direito, sentou-se ao meu lado. Continuamos assistindo o filme e eu comecei a relaxar, e a me distrair.

– Eu sou o coração partido do Jack.– ela disse junto com o filme.

– Adoro essas frases.- eu finalmente consegui falar alguma coisa que não era algum tipo de gemido ou murmuro.

– Olha só, você fala.

– Pois é...

– Eu já estava achando que você tinha algum problema comigo, sei lá...

– Eu não consigo falar e você acha que tem problema?- ela riu quando falei isso. — O que você achou do colégio?

– Eu adorei, é enorme. Muito maior que minha antiga escola.- percebia que ela olhava pra mim quando falava, mas eu não desafiava olhar de volta a fim de evitar voltar a balbuciar. Mesmo querendo olhar.

– Fico feliz que tenha gostado. Estão sendo legais com você?

– Ah, sabe como é... Primeiro dia, outro estado, tudo é novo. Vai demorar pra eu me adaptar.

– Eu posso te ajudar.- droga, Christian! Não acredito que eu disse isso, eu deveria querer me afastar da Lindsey 2, não me aproximar.

– Sério? Isso seria muito legal.

– Claro, amanhã faço questão de te apresentar um pessoal.

Notas finais
Leitores fantasmas, não esqueçam de comentar, sua opinião é muito importante pra mim. Espero que tenham gostado desse capítulo, estarei atualizando logo. Quem estivel acompanhando, por favor, não esqueça de deixar público, assim posso ver quem você é c: