Páginas de um diário sem fim.
7 Capítulo seis.- Banho.
Notas iniciais
Lindsey? Isso, Lindsey. Lá estava ela, com seus longos cabelos pretos caindo nos ombros e a parte da frente presa para trás, Kick me olhou com um olhar detestável, eu quis espancá-lo. Cerrei os punhos e fitei Rick e Travis que estavam de olhos arregalados, como se não estivessem acreditando no que estava acontecendo naquele momento.
Eles sentaram-se à mesa como se nada estivesse acontecendo. Lindsey sentou-se ao lado de Travis e Kick, ao lado da mesma.
– Meninos! Quanto tempo! — ela disse com um tom extremamente aprazível. E nesse momento, se eu pudesse, pegaria uma faca e perfuraria meus tímpanos e meus olhos, mas infelizmente, o garçom não colocara talheres na mesa ainda. Ninguém respondeu Lindsey no primeiro minuto, fazendo com que Kick se pronunciasse.
– E aí, vamos comer o que? — ele disse com um sorriso torto, olhando diretamente para mim. As mãos de Kick e Lindsey se entrelaçavam em cima da mesa, brincando uma com a outra.
– Não sei direito. — respondeu Travis, quase em silêncio.
– Acho que eu vou pedir uma Garden Salad, não posso estragar minha dieta... — Lindsey disse percorrendo os dedos pelo cabelo.
– Ah, para com isso, abelinha. Você está ótima. — Kick disse acareciando o rosto dela. Abelinha? Por favor, alguém me dá um tiro.
– Quer pedir uma Rock Lobster Tail, Chris? — Rick falou comigo, apertando meu ombro.
– Vou ao banheiro.- respondi, levantando rápido.
Procurei desesperadamente uma janela no banheiro por onde eu poderia sair, mas não encontrei nenhuma. Eu não queria ficar lá, não queria jantar com Lindsey. Eu precisava sair daquele lugar. Respirei fundo. Saí lentamente do banheiro, quando olhei para a mesa e vi Lindsey com Kick não consegui me aproximar, sentar e fingir que nada acontecera, senti uma lágrima molhar meu rosto e logo depois saí correndo para fora do Red Lobster.
Corri até o ponto de ônibus mais próximo, Rick me ligou umas vezes mas eu ignorei. Entrei no ônibus chorando como uma garotinha, eu chorava e chorava, soluçava e as pessoas ao meu redor observavam silenciosamente, uns pareciam ter pena e outros já me olhavam com aquela expressão de ''wtf'' estampado no rosto.
Quando deitei na minha cama, deixei-me levar por uma memória perdida. Lindsey estava deitada em cima de mim, eu acariciava seus cabelos devagar e ela alternava beijos entre meu pescoço e meus lábios ''Você provoca'' eu disse e ela sussurrou bem perto do meu ouvido ''E você existe''. Senti meu rosto queimar de raiva e tudo que fiz foi chorar, até cair no sono.
***
– Achei que fosse alguma brincadeira de mau gosto. — disse Rick quebrando o silêncio.
– Eu queria que fosse.- respondi.
– Você tá com uma cara péssima. — eu o encarei quando ele disse isso e franzi a testa. — Mas se bem que se eu fechar um olho e virar a cabeça noventa graus para a direita, você parece perfeitamente normal. — disse ele fazendo os movimentos conforme falava.
– Vai se foder. — eu respondi. Ele passou o braço ao redor do meu pescoço e deu dois tapinhas de leve no meu ombro.
– Relaxa, daqui um tempo essa merda toda vai acabar. — ele disse e eu assenti com a cabeça.
As aulas passaram devagar, minha cabeça doía, eu estava cansado e triste. Kick não aparecera e meus amigos se quer tocaram no assunto. Treinei sem vontade, levei bronca do meu treinador e quando entrei no chuveiro estava sem vontade de sair, meus amigos foram embora e mesmo assim continuei lá, parado.
– And I go crazy cause here isn't where I wanna be...– até eu ouvir uma voz feminina doce cantar, de longe. — And satisfaction feels like a distant memory...– e a voz foi se aproximando.
– Oi? — chamei.
– And I can't help myself, all I wanna hear her say is are you mine?. — Agora eu via a silhueta de uma menina do lado de fora da cortina que cobria o chuveiro.
– Annabel?
– Well, are you mine? — ela continuou cantando, até que abriu a cortina e entrou no chuveiro, junto comigo. — Oi, Christian.
– Annabel?! — eu tentei esconder meu corpo da melhor maneira que eu podia.
– O que foi? Não gosta de Arctic Monkeys?- ela riu.
– Você sempre entra no banho com as pessoas? — eu perguntei bravo.
– Olha, normalmente não. — ela sorriu. Annabel usava um vestido roxo largo e uma parte do cabelo presa. — É que eu estava com saudades.
– Mas eu tenho celular, tenho um computador também. Você tem meu número.
– Bem observado. — ela baixou o olhar.- Não adianta se esconder, Christian. Eu já vi tudo.
– Você não pode invadir o banho das pessoas desse jeito. — eu parei de esconder meu corpo e arrumei minha postura. Eu era muito mais alto que Annabel, e nunca parei para reparar nisso, ela olhou nos meus olhos e soltou uma risada.
– Desculpa.
– Agora já era. Meu banho, minhas regras.– eu estava com raiva, e estava louco para descontar em alguém, de uma forma ou de outra.
– Christian...- não deixei que terminasse a frase, empurrei-a na parede e a beijei faminto, suas mãos percorreram minhas costas arranhando com força. Eu mordi seu lábio e segurei seus braços contra a parede e parei de beijá-lá, ela abriu os olhos lentamente, seu cabelo estava bagunçado, ela sorriu torto e se aproximou para um beijo, eu virei o rosto, levando uma das mãos e Annabel para meu abdome e puxando seus cabelos, tombando sua cabeça para o lado e beijando seu pescoço, mordendo-o, fazendo com que Annabel soltasse um gemido baixo. Sua mão moveu-se para minha lombar, colando nossos corpos, eu soltei então o outro braço movendo minha mão para dentro de sua calcinha e ela mordeu os lábios com força e puxou meu rosto para perto do dela, ela pressionava a mão contra a boca abafando seus gemidos. Eu a desejava mais do que qualquer coisa no mundo, naquele momento não existia mais nada, tudo era insignificante perto do que eu tinha em minhas mãos, Annabel estava entregue, ela era minha por um tempo limitado e eu queria aproveitar cada segundo. O contraste de nossos corpos debaixo da água do chuveiro era alucinante, a forma que seus lábios procuravam desesperados pelos meus só me deixava mais descontrolado. Ela tirou a calcinha e peguei-a no colo.
– Eu quero. — ela sussurrou.
– O que você quer?- perguntei, provocando-a.
– Você sabe. — ela estava ofegante.
– Então pede.
– Por favor.- ela mordeu meu lábio e eu fui colocando devagar, fazendo ela gemer silenciosamente e puxar meu cabelo.
O tempo em que passei com Annabel foi intenso e único. Ela preenchia um espaço que estava vazio fazia tempo, eu queria que ela fosse minha, não só naquele momento, queria que ela fosse minha durante muito tempo, não só para preencher meu espaço vazio, mas queria que ela fosse parte de mim, queria dizer a ela o bem que me fazia, queria contar as coisas e explicar o quanto foi difícil perceber que na verdade eu nunca quis a Lindsey e o quanto fui idiota.
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