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18 G x Cozart - Admiração.
Notas iniciais

Eu não tenho certeza quando isso começou, ou se teve realmente um inicio, mas no dia em que eu percebi que o que eu sentia não era uma coisa simplesmente fraterna, ou alguma espécie de admiração distorcida , é agora inesquecível.
Foi numa manhã chuvosa e fria, você sendo tão idiota quanto o Giotto resolveu que seria ótimo nadar no rio, e eu, que sempre cedia as tuas vontades e as do loiro imbecil, acompanhei. Nunca vou esquecer-me de como quase enlouqueci sabendo que você quase foi puxado pela correnteza para sabe-se deus onde.
Quando eu percebi o que sentia eu fiquei perdido, logo eu que compreendia a tudo e todos, que tinha explicações fáceis e complexas para cada ocasião. Tentei pensar em fugas, rotas que me fizessem esquecer esse sentimento que mais e mais me enlouquecia. E antes que eu me desse conta, eu estava admirando cada pequeno detalhe e movimento seu. Mesmo a mais singela ação parecia acelerar meu coração, e isso é uma droga.
Nunca pensei, cogitei, ou mesmo imaginei a mim mesmo amando alguém, contemplando simples atos e palavras, desejando um toque, aquele matinal abraço estupido que você sempre tendia a dar enquanto sorria e desejava-me um bom dia; odeio admitir que é apenas isso que me faz levantar todas as manhãs.
Eu te odeio Cozart Shimon, odeio amar-te e odeio ainda mais o fato de que nunca poderei te ter; porque não é amor, não pode ser, não deve ser; é apenas admiração, tem que ser, e é disso que tentarei me convencer por que você, ruivo cretino, não pode descobrir nada.
E esse maldito papel vai virar cinzas... Apenas por garantia.
Atenciosamente,
G.
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