Ozando no Chb
36 Vida de Semideus
Notas iniciais
– Vão se fuder! Que saco! Eu já estou cansada de vocês se intrometendo na minha vida. A única coisa que fazem é me criticar! Me tirem daqui, que merda! –berrou Isabela girando o trinco da porta do chalé de Poseidon bruscamente.
– Olha aqui Isabela, você não vai sair daqui até que a gente te conte algumas coisinhas. –ameaçou Sara ao lado das outras amigas enquanto Isabela bufava de raiva.
– Pelo amor de Zeus amiga, o que aconteceu com você? –perguntou Karen com sua voz doce de sempre.
– Olha aqui Karen, até você? –disse Isabela. –Abre a porra dessa porta Laura, eu tenho que falar com o Ben, marcamos de nos encontrar no chalé dele.
– Ben. É esse o nome do problema da Isabela, pelos deuses, essa criatura é mesmo meu irmão? –indagou Holiday com desprezo.
– Tá bom Isabela. Já que você tem encontro marcado a gente vai ser bem direta com você. –disse Sara sem paciência.
– O Ben tá te traindo com aquela puta grátis filha de Hécate. –disse Laura. –Pronto, falei.
– Como é que é? –perguntou Isabela cética aproximando-se das meninas.
– Vimos o Ben se agarrando com a filha de Hécate. –disse Sara. –Quer que eu repita ou compreendeu direitinho?
Isabela vacilou por um segundo em sua posição ameaçadora.
– Pelo amor dos deuses amiga, nos te amamos e falamos isso para o seu bem! –disse Laura.
– Já sei por que vocês inventaram essa história. É porque eu não fico mais com vocês, não é? Saiba que agora não vai ter biscoito de porra para vocês, já que eu não os como mais. Estão falando isso porque agora eu parei de ser idiota e aprendi a valorizar melhor minhas curvas? –atacou Isabela dando ênfase em seus decotes.
– Isso só mostra quem o Ben te tornou. –disse Holiday.
– Usa esses decotes apenas porque o Ben disse que gostava deles. Deixou de comer seu biscoito de porra amiga! Só porque ele ter chamou de infantil. –atacou Sara.
– Eu uso porque eu gosto! –retrucou Isa descendo ainda mais o decote deixando a mostra uma marca roxa em seu pulso.
– Meu Zeus! Amiga o que é isso? -perguntou Karen assustada.
– Foi de uma luta aí... -disse Isabela sem graça abaixando o tom de voz.
– Ah, mas eu não acredito nisso! Você deixou ele te bater Isabela? –perguntou Sara incrédula.
–Claro que não! Sabe o que vocês têm de mim? INVEJA! Meu namorado me ama e só porque vocês estão tristes sem os seus que somem do nada não podem querer acabar com o relacionamento dos outros... –disse olhando para Sara e todas as amigas reviraram os olhos.
Um silêncio brutal reinou por poucos segundos. Laura foi até a porta e a abriu.
– Recado dado. –disse ela e Isabela saiu em seguida em direção ao chalé de Apolo.
Sara já estava sentada no beliche e depois todas as outras deram um jeito de se apertar ao lado da amiga também.
– Falei que ela não ia acreditar. –disse Laura.
– Amanhã ou depois ela acredita. –completou Holiday.
– A gente mata o Ben agora ou depois? –questionou Sara.
– Só de pensar que agora mesmo aquele safado deve tá abusando da nossa amiga me dá um nojo enorme. –disse Laura com os olhos marejados.
– Amiga e se a Isa nunca mais voltar ao normal? –perguntou Karen já chorando.
– Ah não gente! Vou chorar também. –disse Sara tentando controlar o abuso que sentia de Ben.
Quando se deram conta, todas já estavam em prantos, para honrar o título de dramáticas. Como se não bastasse, começaram a contar todas as histórias vividas com a amiga como se a mesma estivesse morrido.
– Ahn... Oi? –disse Percy colocando metade do corpo dentro do chalé.
– Percy! Ah, oi. –falou Laura e as meninas enxugaram as lágrimas.
– Laura, você viu aquele meu... –disse Percy distraindo-se imediatamente ao olhar algumas fotos coladas na parede ao lado do beliche de Laura.
– Aquele seu...? –perguntou Laura.
– Ah, desculpa. É aquele livro que a Sabidinha me deu. –completou Percy.
– Vi não... –respondeu Laura tão distraída quanto o irmão.
– Percy, será que serve esse que tá na sua mão? –disse Sara apontando.
– Ah... Nossa! É esse mesmo! Valeu... Como eu não vi isso aqui? –murmurou Percy saindo do chalé, como se já não fosse acostumado com a sua incrível capacidade de ser lerdo.
As meninas riram da situação, mas logo voltaram aos seus problemas.
– Gente, caso ‘’Isabela Corna’’ 50% concluído então? –questionou Holiday.
– Pelo menos já contamos a ela. –disse Karen.
– Agora quando ela finalmente cair na real e descobrir que é verdade, pode ter certeza que ela vai ajudar a gente com os outros 50%. –informou Laura.
– E o que será os outros 50% mesmo gente? –perguntou Karen.
– Ué, acabar com o viado e com a piranha. –disse Sara com um sorriso.
– Virou caçadora amiga? –provocou Laura.
– Nossa Laura, nossa. –disse Sara fazendo cara de nojenta.
– Armaria, pode nem brincar mais. Bicha réa grossa. –defendeu-se Laura fingindo uma cara de ofendida.
– Enfim meninas. No outro problema estamos na estaca zero. –disse Holiday desanimada.
– Nem me fala. Alguém avisa pra Isabela que doeu quando ela falou aquilo olhando para mim. –disse Sara quase chorando.
– O que vamos fazer afinal? –perguntou Holiday.
– Ir atrás deles. –responderam Laura e Sara em uníssono.
– Estão loucas? Vocês nem sabem onde eles estão. –disse Karen chocada com a ideia.
– Tenho tido uns sonhos, aqueles sonhos de sempre... –informou Sara.
– Mas teve algo diferente dessa vez? –perguntou Laura.
– As coisas que já são usuais apareceram, cada vez mais reais. Minha mãe, como sempre falou para eu me afastar do Steve, só que agora ela diz que está cada vez mais perto. Perto de que, é que eu não sei... Também mandou ter cuidado com o destino. Quem entende pelo amor de Zeus? Ah... Sonhei com mortes e com muitos monstros, com barulhos de brigas. Gente, é normal ter muito calor quando se tem esse tipo de sonho? –questionou Sara intrigada.
– Minha filha deve ser o fogo interno te afetando. –brincou Holiday e todas riram.
– É sério. Parece que é como se eu estivesse em um lugar muito quente e tipo, desde que os meninos sumiram isso tem acontecido durantes os sonhos. Acordo pingando suor. Eca! –completou Sara.
– Tá vendo. Steve sumiu e não tem ninguém para saciar seu fogo, aí dá nisso mulher. –brincou Holiday novamente, mas logo ficou com uma expressão séria, pois sabia que mais uma coisa estranha não trazia bom agouro para nenhum semideus.
–Eu hein... Muito estranho isso aí. Não tem sentido em nada. –disse Karen bocejando.
–Nem pense em dormir agora, ainda temos muita coisa a discutir. –falou Sara.
–Sim senhora! –disse Karen prontamente.
– Então é só a Sara que anda tendo esses sonhos? –perguntou Holiday fitando Laura.
–Na verdade não. Eu também tenho. Não são com deuses nem nada. São apenas lugares, conversas e cenas. Muitos prédios movimentados, pessoas com roupas esquisitas, tipo chapéu de cowboy, os meninos estavam lá. As estradas eram coisa de louco, como se fossem uma em cima da outra. E fiquei com muito calor também, como a Sara. Porém todos os sonhos com ruídos e cenas embaçadas de forma que não consigo entender nem distinguir nada –informou Laura.
Holiday suspirou.
– Assim fica difícil. –disse ela.
– Você nem imagina o tanto... –disse Sara desanimada.
– Mas olha aqui mocinhas, podem esquecer essa história de sair em missão por aí assim do nada. –alertou Holiday.
– É gente. Com isso tem que ter muita cautela viu. –concordou Karen.
– E o que faremos então? –questionou Sara angustiada.
– O Quíron não nos fala nada. Nossos pais nem nos respondem e os meninos estão sumidos.Nossa! E eu achando que minha vida na escola era difícil. –disse Laura.
– Quando finalmente arranjo um boy gato ele some! –reclamou Sara.
– Parem de reclamar meninas. Vida de semideusa é assim mesmo. –consolou Holiday.
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