Ozando no Chb

41 Surprise, Bitches!


Notas iniciais
Oi cremosos! Desculpa pelo atraso, mas fui acometida de certo bloqueio criativo quando fui escrever esse capítulo e apesar disso, gostei muito dele. Sentimos falta de alguns leitores que costumam comentar e pergunto: cadê vocês? Tratem de aparecer e comentar okay? Espero que gostem e boa leitura! Sara Vasconcelos

POV Leo

– Desisto! -murmurou Steve esmurrando o volante após estacionar o carro em uma calçada qualquer.

– Pô cara, se o Steve disse isso quem sou eu para nos dar alguma esperança? -indaguei olhando em volta.

Pelas minhas contas, já tínhamos passado pela segunda vez no mesmo lugar sem encontrar o que queríamos.

– Porra! Estamos na merda mesmo hein pessoal? Já rodamos o Texas inteiro e nada... Essa loja não deve nem existir mano. -reclamou Connor.

Quíron havia nos mandado em missão para descobrir o real destinatário de uma misteriosa encomenda indesejada que foi recebida por Afrodite, Ares, Hefesto e Poseidon. E pra completar, a única coisa que tínhamos era um endereço incompleto e deuses briguentos impossibilitados de contribuir com a missão.

Inicialmente, Hermes foi acusado como o culpado de tudo isso, mas ele só soube de toda a situação quando os quatro deuses injuriados foram tirar satisfações. Quando souberam que Hermes não era o remetente, começaram a se acusar mutuamente e como se não bastasse, chegaram ao ponto de culpar até os semideuses e prejudicá-los.

O Olimpo estava em um verdadeiro clima de discórdia e lá estávamos nós, no calor do Texas tentando achar uma loja e esclarecer quem era o verdadeiro vilão, antes que os deuses se destruíssem ou até mesmo começassem uma guerra.

As encomendas foram a gota d'água para que a desconfiança criasse raízes entre os deuses, já que o conteúdo delas eram individualmente ofensivos.

Por enquanto, o assunto só tinha sido comentado com os conselheiros chefes de cada chalé e Quíron não contaria absolutamente nada para as meninas, visto que elas ainda eram inexperientes para participar de uma missão.

– Essa foi a missão mais desestimulante da minha vida. -murmurou Steve.

– Fica de boa que a missão nem acabou ainda e... -falei sendo interrompido por um policial.

– Garoto, por acaso você é cego? Não viu a placa que informa que aqui é proibido estacionar? -brigou o homem carrancudo e baixinho.

O sujeito tinha um bigode estranho e sua barriga caía por cima da calça. Não me contive e comecei a rir quando infantilmente conclui que o policial tinha fortes semelhanças com a cara de um cachorro bulldog. Stoll acompanhou minhas gargalhadas e Steve abriu a janela do carro após o policial bater na mesma e mostrar desesperadamente seu distintivo.

– Vou prender todos vocês! Irresponsáveis! Estão bêbados. Sabia... E vamos, descendo do carro! Agora. -ordenou o homem.

Steve apenas o olhou com um desprezo palpável e mostrou o dedo médio para ele, tudo isso enquanto eu e Connor ríamos feito crianças. O policial fez uma cara de decepção, como se nunca ninguém houvesse tido a ousadia de fazer isso com ele. Quando o homem abriu a boca para falar algo, foi interrompido com um sincero: "Vai se foder idiota!".

Steve deu partida no carro em alta velocidade e parou após passar por duas grandes avenidas. De qualquer forma, não achamos nada onde estávamos e quando o filho de Ares finalmente controlou sua vontade de voltar lá e bater no policial, descemos do carro para tentar a sorte inexistente.

Senti uma estranha dó ao deixar a grande picape lá. Desde que Steve conseguiu o carro, eu fui convocado para deixá-lo seguro para a nossa missão, já que por motivos desconhecidos, os monstros vinham aparecendo em maior quantidade. Instalei um mecanismo anti-monstros usando a névoa, com uma ajudinha de um filho de Hécate. Ajustei a velocidade do carro, deixando-o muito mais rápido e coloquei um sistema de blindagem contra venenos mortais. Conexão Wi-Fi e comunicação com o acampamento eram um dos inúmeros benefícios...

– Valdez? Acorda! -berrou Connor e só então percebi que eu estava parado em frente ao carro, feito um idiota.

– Tava só admirando. -respondi.

– Como eu já disse, esse carro é nosso, mas não é hora de admirar sua obra Leo. -disse Steve dando uma risada. Ai de mim se ele soubesse do apelido carinhoso que sua picape ganhou.

Alcancei os meninos e me concentrei em procurar algo que chamasse a atenção, mas tudo parecia tão igual...

– Ali! -exclamou Steve.

– Seymor Artigos de Decoração Rústica. -li a placa da loja escrita em letras cuidadosamente entalhadas.

– É esse o nome do cara que Quíron nos disse né? -perguntou Connor.

– É. Acho que por hora achamos o nosso destino. -respondeu Steve e seguimos o caminho.

POV Connor

– Vocês tão ligados no conteúdo "ofensivo" das encomendas que nos fizeram vir até aqui né? -perguntei enquanto caminhávamos até à loja suspeita.

– Sei que na de Poseidon tinha uma foto sua com a Laura. -debochou Steve.

– Na do meu pai tinha um par de chifres. Bem humilhante! -comentou Leo ofendido.

– Preparados para o que podemos encontrar? -perguntou Steve falando sério, na porta da loja.

– Tipo uma idosa solitária? -falei gargalhando quando olhei para dentro do lugar e vi uma velhinha, que parecia inofensiva.

A loja tinha cheiro de mofo e de gatos. Nós três nos encaramos com uma mesma expressão de: "deu merda novamente". Obsevamos as prateleiras empoeiradas que continham diversas velharias e os móveis rústicos que estavam espalhados por toda a parte. Olhei para uma penteadeira feita de madeira de acácia e em cima dela, havia um pequeno relógio de bolso que deveria ser uma verdadeira relíquia. O meu instinto de filho de Hermes não resistiu e o relógio foi direto para dentro do meu bolso.

A velha senhora usava um vestido florido e seus cabelos eram completamente brancos. Reparei que ela usava um aparelho auditivo, que certamente não funcionava, pois a idosa nem sequer se mexeu com a nossa chegada.

– Bem rapazes... Em poucos segundos veremos a velhinha inocente virar um terrível monstro. Créditos minhas experiências como semideus. -sussurrou Leo.

– Não tenho dúvidas. -comentou Steve observando a senhora como se ela fosse um animal prestes a revelar sua selvageria.

– Eu não tô com paciência pra show mano! -falei e caminhei em direção ao balcão.

Dei no mínimo três fortes batidas na madeira oca e cheia de lascas. Na quarta vez, a velhinha se virou completamente feliz e solícita com a nossa presença. Certamente, não era todo dia que três adolescentes apareciam em uma loja como aquela, mas como eu disse, não estava com tempo de esperar o disfarce de um monstro.

– Olha aqui velhota! Pode se revelar logo e diga quem mandou essas encomendas pros deuses. Somos três semideuses prestes a acabar com sua raça. Nós já sabemos que você é um monstro prestes a nos atacar, revele-se logo e desembucha. Quem te mandou fazer isso? -intimei precipitadamente.

Imediatamente a velha senhora se desmanchou em prantos.

– Droga! É uma mortal Connor. -disse Steve.

– Hora de cair fora? -sugeriu Leo enquanto dois gatinhos escalavam suas pernas.

O choro da idosa ficou mais intenso invadindo a loja inteira. E nós ficamos totalmente sem reação.

– Vai um lencinho senhora? -perguntou Valdez arrancando uma caixa dos mesmos de seu cinto de ferramentas.

– Não debocha Valdez. -repreendeu Steve.

Minha consciência pesou quando vi a velhinha chorar e tentei me desculpar pelo grande mal entendido.

– Senhora vovó, desculpa. Não quis te ofender... Achei que a senhora fosse outra pessoa. Uma mulher muito má que costuma assassinar gatinhos. -tentei explicar e a velha continuou a chorar.

– Acho que ela é só um pouco surda Connor. -informou Leo com um sorriso de lado.

– Um pouco? -debochou Steve.

Aproximei-me da senhora e agachei amigavelmente, quase um netinho bondoso e inocente. Repeti o que eu havia falado antes, porém dessa vez falei alto o suficiente para que ela me ouvisse, mas não ouviu. Pelos deuses! O problema auditivo era realmente sério. Como essa loja funcionava dessa maneira? Revirei os olhos de impaciência.

Steve estava acomodado em uma poltrona empoeirada e Leo brincava com uns gatinhos. De quando em quando os dois observavam a minha notável habilidade de consolar a terceira idade e riam. Quando a vovó chorona finalmente me ouviu, quase dei uma festa.

– Meu netinho querido! David! Como a vovó sentiu saudades... Aposto que você estava falando daquela sua avó chata por parte de mãe. Ela sempre implicou com meus gatinhos! -disse a mulher colocando um gato rajado em seu colo e afagando-o.

Olhei para os meus amigos pedindo socorro e os dois simplesmente deram uma gargalhada.

– Se vira aí malandro! -disse Leo.

– Ótimo apoio amigos! –falei.

Ou eu fingia que era o tal neto, ou a pobre coitada iria recomeçar a chorar.

– Nossa vovó! Que saudades da senhora também. -berrei, já que só assim ela me escutava.

– A vovó Juliet aqui fez muitos doces, bolos! Há quanto tempo espero sua chegada David, que saudades!

Senti uma forte vontade de chorar, mas me contive. Julgando por todas aquelas fotos na parede, a velhinha só tinha esse neto e provavelmente o seu marido já havia morrido. Fiquei tão culpado que até devolvi o relógio de bolso, afinal, vai que era do falecido.

Com um pouco de dificuldade, Juliet levantou-se e colocou seus óculos de grau. Olhou para Steve e Leo e disse:

– Venham comer comigo meninos! Vocês são os amiguinhos do David? Venham! Rápido, se não vai esfriar.

– Somos sim, dona Juliet. -respondeu Steve.

– Como? -pediu ela, pois não tinha ouvido.

Ela arrumou o seu aparelho auditivo e Steve repetiu.

– Dona não rapazinho! Me chame de vovó. -reprendeu ela.

Não estávamos no direito de recusar nada, então seguimos em frente. A loja tinha uma casa bem aconchegante nos fundos e o cheiro de mofo deu lugar ao agradável aroma de bolo de chocolate.

– Fiquem ligados garotos. Ela ainda pode ser um monstro. -alertou Steve cautelosamente enquanto Leo Valdez já estava lá na frente batendo um papo com a senhora.

Por fim, vovó Juliet não era um monstro. Ela nos encheu de comidas e preparou uma vasilha cheia de guloseimas para a viagem. Tive que inventar uma desculpa para ir embora e mesmo relutante e magoada, a vovó Juliet não pôde fazer nada.

Despedimos-nos e ela me deu um forte abraço, deixando minha camiseta com cheiro de leite de rosas e então, saímos da loja. Prometi a mim mesmo que se eu voltasse ao Texas, passaria por lá para visitá-la. Enquanto eu pensava nisso tudo, Leo deliciava-se com uma torta de amoras e Steve não parecia tão satisfeito assim.

POV Steve

Caminhamos de volta até o carro. Leo estava pra morrer de comer e Connor, parecia não pensar em outra coisa a não ser na vovó Juliet e em como sentia dó dela. Eu estava morrendo de saudades das meninas e até mesmo de Isabela, minha irmã anteriormente indesejada.

– Porra, que saudade daquelas gurias! -comentei.

– Nem me fala. -disse Connor.

– Senhorita lerdeza, Miss "vai pra porra" e a Branquela... Que saudades! -falou Leo.

– Vovó Juliet é muito legal, mas agora estamos totalmente sem direção. -comentou Connor cabisbaixo.

– É isso que está me preocupando. Tudo isso pra nada? Velho, já sabem há quanto tempo tô na seca? -falei chegando mais perto do carro.

– Saudades Sara hein? -debochou Connor.

– Ouviram isso, ou eu tô ficando louco? -perguntou Leo.

Todos se calaram e puderam ouviram os murmúrios:

– Pra porra! Pra porra! Duas kengas, duas kengas!

– Cala boca sua idiota, eles estão vindo!

– Você tá em cima do meu cabelo! Ai bitch!

– Vão se foder.

– Cala a boca caralho!

Connor e Leo apuraram os ouvidos. Eu pensei até na possibilidade de ser algum monstro fingindo as vozes das meninas, mas ouvimos novamente os cochichos nada discretos.

– Eles tão vindo gente.

– Que ideia foi essa Sara? Vai se foder. Eu sempre me ferro.

– Ai meu pé vadia! Afasta daí que eu entrei primeiro.

Cautelosamente demos a volta indo para o outro lado do carro. Puta merda! Não é possível que aquelas três doidas viessem parar ali.

– Acho que alguém abriu o seu carro na base dos chutes. -disse Leo apontando para a porta meio amassada.

As três vozes conhecidas calaram-se por instantes, porém logo voltaram a discutir mais intensamente.

Sem mais delongas abri a porta do carro. Isabela, que estava encostada na porta, desabou no asfalto. Ela continuou a briga como se nós nem estivéssemos ali:

– Vai se foder Sara! Falei pra você que eu não queria ficar na porta.

– Olha aqui Isabela, foi o jeito e você para de reclamar. -repreendeu Sara.

– Podíamos ter te deixado pra trás. Seria bem melhor. -reclamou Laura.

Laura estava encolhida no assoalho do carro e Sara com a cabeça apoiada no banco.

– Podia mesmo. Seria bem melhor e vai pra porra, vai pra porra que eu não quero falar mais com vocês. Ridículas! -reclamou Isabela.

– Mas adorou a carona com o Brad né? -atacou Sara.

As três começaram a discutir de modo que não dava pra entender o que falavam. Olhávamos tudo aquilo boquiabertos e surpresos, com muitas perguntas a serem feitas.

Isabela arregalou os olhos quando pareceu me ver. Deu um sorriso de orelha a orelha e berrou:

– SURPRISE, BITCHES! As divas chegaram!

Notas finais
Gostaram dos POV’s dos meninos? Se sim, podemos fazer esse tipo de narração mais vezes. Saudades deles né? Desde o sumiço pra missão nem sinal... Mas o importante é que as divas chegaram pra animar esse bagaço certo? Comentem bastante e não se esqueçam de que o próximo cap. é o bônus Launico õ/ Beijos cremosos! Sara Vasconcelos