Ozando no Chb
23 Bônus Dia dos namorados
Notas iniciais
Todas acordaram muito cedo e Quíron não precisou convocá-las para fazerem suas atividades, pois elas queriam ficar livres o mais rápido possível. Os meninos fizeram o mesmo e acompanharam o ritmo das garotas que não estavam nada bem. Três semideusas em uma mesma escola com toda essa demora para serem reclamadas, sem contar que Sara ainda não tinha recebido nenhum sinal de quem era a sua mãe, os deuses haviam descumprido o trato. Laura era praticamente um erro, filha de um deus que não podia ter filhas mulheres e lá estava ela. Isabela foi reclamada por dois deuses após muita confusão e nenhum dos seus irmãos foram receptíveis. Sara sentia-se abandonada e esquecida e sempre que dava soltava suas mágoas enquanto fazia suas tarefas.
Todos trabalharam em conjunto para limpar os estábulos e terminaram logo. Depois se separam em duplas já definidas por Quíron: Isabela e Steve, Laura e Connor, Sara e Leo. Steve olhava a todo tempo com desdém para Isabela, sua irmãzinha ‘’querida’’, mas não brigaram e terminaram rapidamente. Leo fazia piadinhas para que em algum momento Sara soltasse um sorriso, mas nada adiantava. Eles também terminaram rápido. Sara disse que precisava pensar e nem um pouco dramática foi para o chalé de Hermes e ficou lá olhando pro nada debaixo das cobertas já que chovia e fazia frio.
Quando Isabela terminou suas atividades junto com Steve, foi direto pro chalé de Apolo conversar com Holiday pra reclamar um pouquinho da sua triste vida. Steve foi para seu chalé que por milagre estava vazio e logo foi tomar banho. Sara já estava no chalé de Hermes deitada lamentando a vida e Laura ainda não tinha voltado.
Após tomar um bom banho, Steve lembrou-se que precisava falar com Connor sobre questões relacionadas aos conselheiros de todos os chalés e resolveu ir ao chalé de Hermes. Entrou sem bater na porta como de costume e já foi logo falando:
– Connor, Quíron falou pra gente ir lá na casa grande depois e disse tamb...
Steve parou de falar quando viu que Connor não estava no chalé, só viu um ser envolto numa coberta roxa bem fofinha.
– O que você quer Steve, pode nem dormir mais aqui não? –reclamou Sara que só tirou a cabeça para fora com cabelos desgrenhados e uma voz de choro.
– Calma Sara, vim atrás do Connor, mas já que ele não está... –disse Steve dando meia volta.
– Não pera...
– Oi?
– Nada não, esquece.
– Sara... Tô precisando conversar com você.
– Ai meu Zeus o que foi dessa vez? –perguntou ela levantando da cama e levando seu cobertor consigo.
– Nada de mais, só quero que venha aqui comigo. –disse Steve puxando-a ‘’delicadamente’’.
– Claro que não, me solta querido,acha vou sair assim?
– E você não reclama não. Se cobre aí e tá beleza.
– Hurun, uma beleza mesmo, olha só pra minha cara.
– Vamos lá pro meu chalé, tá vazio e acho que deve ficar assim até mais tarde.
– Tá, ta. Vamos logo então antes que eu desista. –respondeu Sara desconfiada.
– Vai de cobertor mesmo?
– Algum problema? Tá chovendo e tá frio demais. –respondeu.
– Não, sem problemas.
Os dois saíram do chalé. Sara com seu cobertor roxo que só não cobria sua cabeça e Steve com um moletom normal. Sara ainda não entendia muito bem o motivo daquilo, pois ele poderia simplesmente ter conversado com ela lá onde estavam, mas não. O ocorrido da festa não era comentado por nenhum dos dois que nem faziam questão, não que se arrependessem, mas por certa vergonha. Durante as atividades que fizeram juntos, foram bem amigáveis um com o outro e nem brigaram tanto, na verdade conversaram muito. Os olhares que se dirigiam um ao outro é que tinha mudado, algo tinha mudado.
Entraram no chalé e Steve sentou-se na cama, ou melhor, jogou-se enquanto Sara ficou estática em sua frente com seu cobertor arrastando no chão.
– Senta aí vai. –disse Steve bem humorado.
– Tá, mas se eu voltar a dormir não reclama não.
– Não vou deixar você dormir senhorita.
– Então pelo menos fala o que você tem pra falar logo que hoje eu não estou nada bem. Olhe só pra mim, esquecida pela minha mãe olimpiana que não faço a mínima idéia de quem seja e como se não bastasse ainda to fudida aqui nesse acampamento. E nem vem falar que eu sou dramática. –disse Sara claramente chateada.
– Relaxa que isso passa. Sempre é assim. Já te contei minha história né? Eu na verdade não sei o que é pior, ser desprezado pela mãe mortal como no meu caso ou pela olimpiana. Mas quer saber, vamos falar de outra coisa, já que eu te tirei da cama é melhor que eu faça isso aqui valer a pena.
– Acho bom mesmo... Mas valer a pena como? –perguntou Sara arqueando a sobrancelha.
– Ué o que você quer fazer? –perguntou ele aconchegando-se na cama.
– Bom... Digamos que eu quero dormir, morrer sei lá. Quero saber também o que você quer me falar.
– Então vem, deita aqui do meu lado. –respondeu Steve afastando-se e dando a mão para que Sara deitasse ao seu lado.
– Tá, agora conta.
– Sabe o que é, é que sei lá... É muito estranho uma pessoa ter pleno abuso da outra a ponto da voz dela te irritar, mais entranho ainda que essas pessoas que se odeiam ficam bêbadas e transam. Mas agora o cúmulo da estranheza é que essa pessoa está aqui agora ao meu lado com um cobertor roxo e pior do que isso, eu estou amando a presença dela aqui.
– Ai, bateu o lacrimejo. Nossa Steve, meu Zeus cara, não sei o que te dizer, nunca pensei que você pudesse ser tão fofo. Mas tenha plena certeza de que tudo de bom que você sente também é recíproco. –disse Sara aconchegando-se no tórax de Steve beijando-o carinhosamente.
Os dois ficaram ali por um tempo, debaixo das cobertas quentinhas até que Sara resolveu ir embora quando viu que Clarisse estava chegando. Steve sentia como se estivesse se livrado de um peso em suas costas e Sara sentia-se incrivelmente melhor.
***
Laura e Connor foram tratar de cuidar de suas atividades para ficarem livres logo, pois os outros já tinham terminado. Laura estava desanimada. Connor estava com seu bom humor intacto de sempre, tinha acabado de aprontar com um campista qualquer.
Seguiram para a arena, pois ficaram responsáveis por mantê-la em ordem para a próxima aula, o que não era uma tarefa fácil já que a mesma foi usada para uma corrida de bigas no dia anterior.
Connor foi puxando assuntos aleatórios com Laura, conseguindo fazê-la rir algumas vezes, porém na maioria ela respondia com um balançar de cabeça.
–O que afliges seu coração, ó nobre donzela? -perguntou Connor se aproximando de Laura.
Mais da metade da tarefa foi cumprida e eles estavam um pouco ofegantes.
–Nada não... -disse Laura quase como um murmúrio.
–Mesmo?
–Mesmo.
–Ah então ta. -disse Connor se afastando.
Sentaram-se na arquibancada para descansar e ficaram em silêncio por alguns minutos, não aquele silêncio tenso, mas aquele silêncio bom de mentes viajando.
–Essa festa só fez a gente se ferrar. -disse Laura.
– Não é bem assim...
– É sim ué, só deu merda.
– Pelo menos a gente ficou junto e não me arrependo de nada.
Laura enrubesceu, mas por fim falou:
– Você devia está bêbado.
–Eu te garanto que estava bem lúcido.
–T-ta mas a questão não é essa. Eu estava me referindo às punições e aos- Laura foi interrompida pelos gritos de um grupo de campistas que estavam de passagem.
–AÊÊÊÊ GOSTOSAAAAA
–DELCIAAA, AI SE EU TE PEGO.
–EI GATA VAMOS ALI NO MEU CHALÉ QUE EU TE DEIXO TÃO ANIMADINHA QUANTO NAQUELA NOITE. AH E VOCÊ NEM VAI PRECISAR DAQUELE VESTIDINHO AZUL.
–... aos vídeos. –completou Laura olhando pra baixo com vergonha pelos gritos dos campistas.
–Liga pra aqueles idiotas não, depois aprontamos uma bem linda com eles. –disse Connor com um sorriso só de imaginar o que faria.
Laura o encarou.
–É sério e dessa você pode até participar. Eu prometo.
–Você não tem jeito. –disse Laura com um sorriso. – Já pensou que a vida pode ser mais que pegadinhas?
–Hum... De verdade? Não.
–Desconfiava, mas aceito o convite vai ser ótimo aprontar com eles, estão me perturbando desde a festa.
–Por causa dos vídeos ou pelo show que fez ao vivo na festa mesmo?
–Ah para Connor, nem me lembre. Ai meu Zeus que vergonha! Bem... Acho que pelos dois. Tipo, eu não me lembro da festa direito, mas pelos vídeos dá pra ter uma ideia. Eu estava tão ruim assim?
Connor gargalhou.
–Se você tava tão ruim assim? Você tava muito louca. Subiu na mesa, dançou, faltou tirar a roupa, acho que só não tirou porque não conseguiu e-
– Ta, ta bom eu já entendi. –disse Laura interrompendo Connor.
– Não pode exagerar tanto assim nas flores de Lótus gata.
–É agora eu sei. Nunca mais como delas na vida.
–Há duvido.
– Não duvide da minha pessoa. Mas... Hum... Connor?!
–Sim?
–Ficamos na festa isso eu lembro, mas como eu estava fora do normal nós...
–Nós... ?
–Nós chegamos a ...?
Connor fez um sorriso malicioso.
–Claro gata, até me ofendo por você não se lembrar da nossa maravilhosa noite. Tem problema não que o Connorzito aqui te conta detalhes. –disse Connor chegando mais perto da Laura – Sabe esses hematomas que você achou que era da festa? Pois é sou o culpado pela maioria deles, mas você não deixou barato não, quase acabou comigo também, Selvagem.
Laura quase caiu da arquibancada, impossível suas bochechas ficarem mais vermelhas. Connor estava achando aquilo muito divertido até pegou sua câmera para registrar a cara digna de gif que Laura tinha feito, porém ela não deixou que a foto fosse tirada.
–C-connor eu não sei o que dizer.
–Tô brincando peixinha, não ia transar com você sem seu consentimento. Até porque depois de um tempo você não quis mais nada comigo.
Laura parou por um tempo como se estivesse tentando se lembrar de algo.
–Ah já sei! Foi a Drew.
–A Drew?
–É eu meio que vi vocês se beijando, ai decidir deixar você com ela.
–Aquela bitch me agarrou! Fingiu que escorregou e que caiu em cima de mim, na verdade isso foi um bom plano vou adicionar na minha lista junto com a pegada ninja de bundas da Acheropita, mas o fato é que ela abusou da minha pessoa caindo no meu abdômen sarado.
–A Drew abusou de você? Sério isso?
–Claro, acha que só donzelas são abusadas? Saiba que caras gostosos e hilários como eu também. Alias você abusou de um monte de caras na festa. E tipo nem de língua o beijo foi, tanto é que eu nem lembrava, agora tem um que eu não esqueço.
Laura abriu um sorriso tímido.
–Ah é? Qual?
–Esse aqui. –disse Connor chegando mais perto de Laura acabando com o espaço que os separava e beijando-a.
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