Ozando no Chb
27 A ‘’Contenção Simpática’’
Notas iniciais
No dia seguinte, ninguém teve sonhos estranhos e nem nada, as meninas tiveram a primeira noite tranquila em dias. Todas foram tomar café como de costume. Sara teve algumas desavenças com Drew, o que já era de se esperar, mas não se estapearam ou algo no gênero.
Quando terminaram, Sara esquadrinhou todos os campistas para ver se encontrava Steve, pois não aguentava mais ele a encarando com cara de orifício anal. Ele não tinha aparecido e então resolveu ir até o seu chalé.
– Olha, tchau pra vocês que eu vou ali tirar satisfações com certo filho de Ares. –disse Sara indo a procura de Steve.
– Okay.Só não se matem. –disse Laura.
Pouco tempo depois Laura avistou Karly e foi meio saltitante falar com ela. Isabela ficou lá dando fortes encaradas em Ben, quando olhou pro lado Laura estava conversando com o menino estranho, Nico e quando olhou novamente não a viu mais. Do nada Connor apareceu e foi perguntar para a Isa se ela tinha visto a Laura com um ar ciumento com se já soubesse a resposta e só quisesse ter certeza:
– Isabela, você viu a Laura?
– Ué meu querido eu tenho que dar satisfações da vida da minha amiga agora pra você? –respondeu Isabela com sua voz de barraqueira.
– Não Isabela, mas vai diz aí, onde ela tá? –pediu Connor.
– Ela tava agorinha conversando com o Nico, o menino que chegou ontem e nem vi, mas os dois sumiram.
– Obrigada. –agradeceu Connor olhando para os lados para ver se os encontrava.
– E olha meu querido, a fila anda viu e ninguém mandou ser galinha. –disse Isa ignorando-o e começando a reencarar Ben e provocar a sua namorada.
***
Sara não aguentava mais Steve a encarando o tempo inteiro, então cheia de confiança despediu-se das amigas e foi procurá-lo em seu chalé que ultimamente andava vazio para tirar satisfações. Foi até lá e a porta estava meio aberta, olhou e viu que ele estava lá anotando algumas coisas do seu chalé, estratégias de batalha, algo assim e não tinha mais ninguém. Ela entrou de supetão sem nem dizer um oi e foi direto ao ponto:
– Olha aqui Steve, eu não aguento mais você me encarando o tempo todo com essa sua cara de cachorro molhado como se eu estivesse feito mal a você, sendo que quem está errado é você. Se você não quer nada comigo mais, tudo bem, mas vê se nãofica fazendo draminha, que eu não sou obrigada. Era só isso mesmo. Bem, deseja falar alguma coisa? –disse arqueando a sobrancelha olhando-o desafiadora e provocante.
Steve que estava surpreso a encarou e respondeu:
– Sim Senhorita Reclamação, eu desejo falar alguma coisa.
– É mesmo? Então anda logo que eu tenho mais o que fazer.
– Precisa dessa ironia toda?
– Precisa e acho bom você não reclamar.
– Sabe por que eu ando te encarando?
– Se eu soubesse o motivo não viria aqui pedir pra você parar dependendo do que fosse. Mas por quê?
– Porque eu simplesmente não aguento mais ficar sem te dar uns pegas e tu tá fazendo falta.
– Nossa que forma mais delicada de dizer que se ama alguém. –disse Sara olhando pra suas unhas.
– Não só por isso, eu já disse que eu gosto de ficar perto de você. Sinto um ódio por ser tão orgulhoso, eu ia agora mesmo lá ao seu chalé ou te procurar no refeitório te pedir perdão, mas já que você veio até aqui... Vamos lá. Te peço perdão por ter achado que você estava manipulando os meus sentimentos.
– Hum, tá faltando mais coisa aí, continua.
– Peço perdão por ser tão idiota, pois mesmo quando percebi que isso não era culpa sua e sim de Afrodite querendo vingança dei uma de durão inatingível e não pedi desculpas e continuei me fazendo de atingido.
– Que bom que você reconhece, já estava na hora. Seria bem mais fácil se você tivesse me pedido desculpas antes, assim como a Isabela fez, mas não, nossa, como eu consigo gostar de você? Tão orgulhoso e ignorante.
– Como eu consigo gostar de você? Faço a mesma pergunta.
– Tá, tá mais alguma coisa?
– Eu errei admito, mas pelo menos nesses últimos dias que meio que me isolei de todos e me aproximei ainda mais dos meus fones de ouvido eu refleti sobre os meus sentimentos, organizei-os e estou tentando esquecer as minhas mágoas anteriores, decepções amorosas com outra filha de Afrodite, mas enfim eu quero mudar isso.
– Você tem que parar de achar que tudo vai ser igual. Temos que dar de vez em quando uma nova chance para nós mesmos, fazer diferente saber. –disse Sara desfazendo a sua posição de ‘’vim aqui só pra reclamar’’ e ficando mais compreensiva, pois afinal de contas ela gostava muito dele e não estava nem um pouco afim de seguir os conselhos de sua mãe.
– Verdade, mas eu estou perdoado? –disse Steve com um sorriso.
– Está ué.
– Ótimo. Sabe quando você foi reclama que eu desisti de te pedir em namoro?
– Sei bem. Por quê?
– Retiro o que eu disse sobre dizer que isso seria um erro e tals. O anel ainda tá aqui no meu bolso, resta saber se certa pessoa ainda quer. –disse ele aproximando-se de Sara.
– Sabe quando eu falei que se você tivesse pedido eu aceitaria sem pensar duas vezes e cometeria o pior erro da minha vida, foi quando você me deixou falando sozinha. Pois é, retiro o que ‘’cometeria o pior erro da minha vida’’ e dou ênfase ao o ‘’eu aceitaria sem pensar duas vezes’’. Acho que não precisa te responder mais nada.
– Não, não precisa. –disse Steve sorrindo e colocando o anel prateado brilhante com uma pedrinha vermelha bem pequena, quase não notável no dedo de Sara. Ela olhou pro anel, deu um selinho em Steve e perguntou:
– Isso é mágico ou algo assim? Porque se for acho melhor você me avisar logo pra eu não fazer merda e olha Steve eu dou uns na sua cara se tu vier de frescuragem novamente ouviu bem?
– Você vai descobrir com o tempo. –respondeu Steve abraçando-a. –Mas nossa! Meu Zeus como você fala em branquela? Relaxa.
– Vai se fuder Steve! –disse Sara tirando os braços de Steve de sua cintura.
– Bom... Digamos que você não deveria ter me pedido isso. –respondeu ele com um sorriso extremamente malicioso, Sara retribuiu com um sorriso mais malicioso ainda.
***
Laura parou na frente de Karly e toda empolgada falou:
– Meu Zeus! Karly seu irmão é muito gato, por Afrodite!
Karly olhou para Laura segurando o riso.
– Oi? Nico? Gato? Cada um com seus gostos né. Mas ele tem estilo, vou pegar aquela calça rasgada dele qualquer dia desses.
– Estilo e charme. Oh Zeus fui seduzida, achei que ele tinha pelo menos uns vinte e três anos ou mais e que era responsável e tals, mas ele tem um ar de despreocupação tão... Tão sexy!
– Mas ele tem mais de vinte e três e acho que esse ''ar de despreocupação'' dele é porque ele vive viajando por ai, não tem nada pra se preocupar. Aliás, ele é bem na dele e não é muito aberto pra amizades...
– Mais de vinte e três? Acho que não... Ele parece ter a minha idade, ou quem sabe mais velho pouca coisa. Ele viaja muito? Que garoto fascinante!
Karly abriu um sorriso.
– Você não acredita né? Bom, ele passou um bom tempo em um lugar chamado Hotel e Cassino Lótus, que impediu que ele envelhecesse. Ele deve ter oitenta e pouco, mas a mente é de uns quinze.
– Nossa que estranho. Então tá... Fui seduzida pelo boy, e agora? –perguntou Laura.
Karly revirou ou olhos e pegou o braço de Laura a levando para perto do irmão parando alguns metros atrás do mesmo.
– Vá falar com ele. –disse ela com o tom mais simples do mundo.
– Não Karly! Tá doida? –sussurrou Laura. –Você disse que ele não é aberto pra amizades.
– Eu quis dizer que ele é introvertido. Claro que se você for falar com ele vai conversar com você de boa. Vai fundo ele não morde. Tô aqui te dando apoio moral.
– Cara desnecessário isso... –disse Laura com a garganta seca.
– Desnecessário é você ficar babando nele toda vez que ele passa. Vai anda logo menina!
– É que sei lá... O olhar dele dá medo. E se ele quiser ficar lá no canto dele e eu tiver atrapalhando? Não gosto de ser força barra.
– Armaria! Vai logo Laura, se ele quisesse ficar sozinho já tinha ido pro chalé.
–Tá, tá bom não precisa me olhar com essa cara, mas eu falo o quê?
– Algumas pessoas usam uma só palavra para iniciarem uma conversa que é: Oi.
– Nossa Karen, obrigada. –disse Laura ironicamente. –Eu estava falando do assunto,
Porque assim eu não posso puxar a conversa pra nada e tals...
– Não sei... Pergunta sobre... A missão... O Percy. Não sou boa com isso também.
–Tá eu vou, mas só porque você pediu assim com tanto carinho, na hora eu improviso.
– Vai que ele tá na sua. –encorajou Karly que obviamente era péssima em conselhos.
Laura foi se aproximando devagar até se encontrar ao lado de Nico. Fez o ar de distraída e aquele olhar de "olha é você, não tinha percebido” (Tem que manjar das artes cênicas, certo?) Abriu um sorriso e falou:
– Oi.
O Filho de Hades a olhou de relance, após alguns segundo ele respondeu.
– Oi.
Ele parecia surpreso por alguém ir falar com ele além de Karly, mas ao mesmo tempo indiferente.
– L-legal aqui né? –disse Laura e olhou pra Karly com um olhar que pedia socorro, a filha de Hades apenas fez um gesto pra ela continuar e um sinal de joinha bem amigável.
Laura fez uma promessa mental de que mataria Karly assim que isso tudo terminasse. Nico se inclinou ligeiramente para frente olhando para a irmã, deu um sorriso de leve e voltou encostar-se a arvore com o olhar no horizonte.
– Já vi lugares melhores, mas aqui é legal também.
– É... Legal... –disse Laura que já estava com as mãos suando frio.
Nico finalmente olhou para Laura fazendo-a se arrepiar e seu coração bater mais forte, ela não sabia o que estava acontecendo e tinha vontade de sair correndo dali.
– Você está bem? –perguntou Nico. – Parece um pouco ansiosa...
– N-não... Eu tô bem, é que hum... –disse Laura pensando em alguma coisa, qualquer coisa pra falar. –Descobri que ter um irmão não é fácil...
Nico agora parecia confuso e franziu as sobrancelhas. Analisou-a de cima pra baixo e perguntou:
– Você é filha de qual deus?
– Poseidon.
– Isso é... Novidade. –Ele parecia finalmente se interessar na conversa. –Já falou com ele?
– Ele quem? –perguntou Laura.
– Seu irmão. –disse Nico ignorando a lerdeza da menina.
– Já. –respondeu Laura parecendo mais tranquila. –Ele é muito legal, parece ser gente boa, já conversamos bastante, mas ele estava cansando da missão ai o deixei descansar. A propósito você também deve estar cansado, se eu estiver atrapalhando...
Nico sentou-se no chão.
– Não vou mentir, eu estou cansado, mas você não esta atrapalhando. É bom saber que tem gente que parece não ter medo de mim e pelo que percebi você queria falar comigo.
– É pessoas misteriosas são interessantes. –disse Laura sentando-se ao seu lado. –Tenho motivos pra ter medo?
Nico olhou para baixo e deu um sorriso tímido com mechas do cabelo sobre os olhos negros. Logo percebeu a aproximação da garota e que estavam quase se encostando, ele se afastou alguns centímetros. –Não. Os outros se mantêm afastados, pois têm medo, Hades não é o deus favorito sabe...
– Bem, eu sou nova nesse negocio de ser semideusa, mas pra mim não tem essa de deus favorito, todos são uns... Como posso dizer... Idiotas. No caso Afrodite está em primeiro lugar, mas nada contra Hades. Isso tudo pelo fato de ser o deus do mundo inferior?
– Bom saber que alguém pensa assim. Eu acredito que sim, é por isso e por outros motivos que eu não fico no acampamento por longos tempos me sinto... Deslocado.
– É a Karly me falou que você viaja muito, deslocado? Cara eu sou filha de um deus que não pode ter filhas mulheres, praticamente um erro... É frustrante...
– Bem vinda ao meu mundo.
– Hum... Obrigada?
– Acho que isso não é bom. –disse ele olhando pra Laura e levantando-se. –Foi bom falar com você. Qual o seu nome?
– Laura Miller.
Ele sorriu timidamente.
– Prazer, Laura. Me chamo Nico Di Angelo como a Karly já deve ter falado... –disse inclinando-se novamente para ver se Karly continuava observando os dois, ela estava sentada encostada em uma arvore de braços cruzados com um sorriso no rosto. –Nos vemos por ai.
Nico se despediu e começou a caminhar em direção aos chalés.
– Doeu? –perguntou Karly aproximando-se de Laura.
Laura sorriu e negou com a cabeça
– Então de nada. –falou a filha de Hades triunfante.
Laura fez uma pequena onda com a água do lago mesmo, pois estava próximo e a lançou na amiga. Ultimamente, ele vinha testando e descobrindo seus poderes.
– Obrigada. –sorriu e foi embora.
Após alguns minutos, Laura foi procurar Sara no refeitório, mas não a achou. E encontrou Holiday e Isabela que informou que Sara ainda estava com Steve. Danadinhos.
***
Depois de um tempo, um irmão de Steve começou a bater na porta do chalé que estava trancada e berrava de raiva para que abrissem a porta. Com a maior calma do mundo, Steve vestiu sua camiseta e abriu a porta do chalé, o irmão entrou reclamando olhando para Sara:
– Agora podemos trazer garotas pro chalé? Trancar a porta e deixar todo o resto de fora?
– Olha Jeremy, só hoje okay? –disse Steve sorrindo para o irmão que aparentava ser bem mais novo.
– Okay. Tenho direito a isso também com aquela gata do chalé de Hermes? –perguntou Jeremy.
– Tem, mas deixa baixo se não a Clarisse nos mata. –respondeu Steve saindo do chalé puxando a Sara consigo.
– Vamos pra onde mesmo? –perguntou ela.
– Andar por aí. Ir até a praia seria uma ótima opção. Topa?
– Ótimo. –concordou Sara.
Os dois foram até a praia e sentaram-se em umas pedras perto do mar. Ficaram encarando o horizonte até que Sara perguntou:
– Steve te contei que eu tô testando meus poderes?
– Não, mas olha do poder de sedução você manja.
Sara deu um sorriso e continuou:
– Pois é não sei se tá dando muito certo, mas já testei o charme na voz com um menino aí, que não vem ao caso. Andei lendo que filhos de Afrodite tem uma coisa lá de conexão empática que pode ir até três pessoas, achei interessante.
– É, mas toma cuidado com isso. –avisou Steve
– Duvido muito que eu consiga fazer isso.
– O Percy tem conexão empática com um sátiro, o Grover o pobre já passou por muito apuro viu.
– Tá, mas enfim. Ai que bichinho bonitinho! –disse Sara levantando-se.
Em questões de segundos, ela escorregou na pedra, caiu desastrosamente e cortou o joelho. Steve começou a rir vendo aquela cena até ver que escorria sangue na perna de Sara.
– Meu Zeus! –disse ele levantando Sara do chão e apoiando-a. –Consegue andar?
– Se eu consigo andar? Claro que não! Ai minha perna! Pobre eu, meu Zeus vou morrer de hemorragia! Ai Steve socorro to ficando fraca. –choramingou Sara fazendo drama. Steve a pegou no colo com sua delicadeza usual e foi levando a até a enfermaria, pois o corte tinha sido feio.
Enquanto isso na arena...
As meninas conversavam numa boa, até que Laura começou a reclamar de uma estranha dor no joelho.
– Gente meu Zeus, acho que tô ficando velha! Meu joelho tá doendo demais.
– Oshe minha filha, você tá ficando doida? Desde quando estar sentada dá dor no joelho? –perguntou Isabela.
– Desde agora! Gente é sério tá doendo de mais que estranho isso. Ai! –reclamava Laura com os olhos lacrimejando de dor.
– Meu Zeus! Já chega de tanta coisa estranha não? –disse Holiday olhando para o céu quando viu que a amiga estava quase chorando.
Laura segurava o joelho reclamando e em poucos segundos Sara chegou carregada por Steve quase chorando também com o joelho pingando sangue. Ao ver a cena, Holiday exclamou:
– Não é possível que seja o que eu estou pensando!
– Por que a Laura tá chorando? –perguntou Steve de passagem levando Sara para a enfermaria.
– Dor no joelho. –respondeu Isabela.
– Santo Zeus! Não pode ser! –reclamou Steve. –Venham comigo meninas, traz a Laura, claro.
Os campistas observavam a cena sem entender nada, alguns pensaram que Sara tava morrendo de tanto drama que ela fazia, outros riam de Laura e outros apenas observavam sem declarar nada.
– Saraaaa sua vadia! Sinto que isso é coisa sua -disse Laura em meio a lágrimas.
– Não fala comigo, estou sentindo dor, não vou gastar meu ultimo fôlego de vida discutindo com você.
– Dá pra parar as duas? –pediu Steve colocando a Sara em uma maca enquanto a Laura já estava em outra.
– Alguém chama um filho de Apolo curandeiro que eu ainda tô desenvolvendo esse meu dom. –disse Holiday.
– Vai lá Isabela. Sara cala a boca, por favor. –pediu Steve.
– Vou é porra rapaz! Tenho que filmar essa cena. –respondeu Isabela tirando o celular do bolso.
– Eu aqui morrendo e você me manda calar a boca? –esperneou Sara. –Oh céus em que mundo vivemos? Que amores são esses?
– Acho que quebrei meu joelho e não lembro. –disse Laura. –Isso é possível?
– Sara machucou o joelho direito e a Laura sente dor hum... No joelho direito também. –disse Steve tentando entender.
– Muito estranho... Muito estranho. –disse Holiday. –Isabela vai logo lá e chama o Will Solace, por favor.
– Pronto, já tirei as fotos. –disse Isabela saindo da enfermaria olhando o celular e rindo enquanto Laura a mandava apagar que tinha foto delas pra usar de ameaça, mas Isabela nem ouviu.
– Gente socorro! Tá doendo muito. –reclamava Laura.
– Muito mesmo. –reclamava Sara do outro lado.
– E só tá piorando. –falaram Laura e Sara em uníssono.
Holiday e Steve se encaram com a mesma expressão de: ''Que porra é essa?''. Em menos de um minuto, Will chegou desesperado:
– OHHH MEU ZEUS QUEM ESTÁ EM ESTADO TERMINAL PORQUE FRATUROU O CRANIO? –gritou ele que entrou na enfermaria correndo, estava com uma gilete na mão e metade do rosto sujo com creme de barbear. Isabela se aproximou calmamente e explicou com a cara mais normal do mundo:
– Disse isso pra ele vim mais rápido.
– Will, graças a Zeus ninguém fraturou o crânio e nem está em estado terminal. –disse Steve acalmando o pobre.
– Estado terminal? Sim, eu estou! Sinto meus órgãos saindo por este corte gigantesco! –reclamou Sara.
– Sua namorada devia virar atriz pra TV Olimpo, só acho. –brincou Will agora calmo.
– Pois é também acho. Will, a Sara cortou o joelho. –disse Steve.
– E a Laura tá sentido dor também, no joelho pra ferrar de vez. –completou Holiday
–Eu quero um creme, um gel, uma cirurgia ou o que for, mas para essa dor. Pelo amor de Zeus! –suplicou Sara.
– Bem... A Sara vai precisar de uns pontos, mas a Laura eu não faço ideia.Como começou essa dor Laura? –perguntou Will instigado.
– Do nada.
– Do nada?
– É.
– E a Sara também?
– É.
– Isso só tem uma explicação. –disse Will encarando os outros.
– Conexão empática. –falaram em coro.
– Coxão o quê? –perguntou Laura sem entender.
conexão*
– Empática. –respondeu Will.
– Eu falei pra você ter cuidado Sara. –disse Steve.
– Cuidado? Eu não fiz nada! Apenas li um livro sobre isso. Ai ai tá doendo mais! -defendeu-se Sara.
– Vai-te a porra Sara! Vem testar seus poderes logo em mim? –disse Laura.
– Mas eu não fiz nada! Eu em negócio estranho. –retrucou Sara observando seu joelho.
– Agora é o seguinte: Se uma morrer a outra morre. –explicou Will na maior calma preparando os curativos.
As duas se olharam com certo desespero e saíram da cama pulando com uma perna só.Se encontraram no meio do caminho com um abraço apertado
– AMIGAAA POR FAVOR NÃO MORRE –disseram juntas.
Todos observaram e Will advertiu a Sara:
– Tem como a senhorita sentar, por favor? Vou fazer os pontos.
– CRENZEUSPAI! Gosto de agulha não. –reclamou Sara ficando pálida.
– Pois vai ter que gostar. É rapidinho. –disse Will já costurando o corte.
– Por que vocês não me dão o néctar lá ou a ambrosia que cura? –perguntou Sara.
– Porque pra curar um corte desse tamanho é desnecessário e provavelmente você morreria. –respondeu Will
– NÃÃOOO MORRE AMEGAAAA! -desesperou-se Laura.
–Peraê, me deixa ver se to entendendo essa bagaça direito, se uma morrer a outra vai junto? –perguntou Isa.
– Basicamente é isso. –respondeu Holiday
– Então eu posso me livrar das duas com uma coisa só? –perguntou Isa esperançosa.
– Valá mi deuso, sangue de Jesus tem poder, queima gzuis! –disse Laura pulando de uma perna só da sua maca até uma que estava mais longe de Isa.
– Armaria minha fia, era só pra saber. –defendeu-se Isa.
– Tá parando de doer... –informou Laura.
– Prontinho! Terminei o curativo! –disse Will triunfante.
– Agora consegue andar? –perguntou Steve para Sara.
– Acho que sim. –respondeu ela andando meio estranho.
– Passou. –disseram Laura e Sara mais uma vez juntas.
– Ah paporra agora vão ficar falando juntas? –reclamou Isa.
– Calma Isabela é assim mesmo no início. –explicou Holiday achando tudo aquilo muito divertido.
–Tem como reverter. –informou Will. –Mas isso é com o Quíron, licença que agora vou voltar a me barbear.
As duas levantaram-se e Sara falou apoiada no Steve:
– Vamos procurar o Quíron.
– Acho digno. –concordou Laura.
Saíram da enfermaria e foram para Casa Grande atrás de Quíron. Connor que estava de bobeira na quadra de vôlei observando o movimento viu de longe a cambada e resolveu ir ate lá para sair do tédio.
– Qual o motivo desse bico, gata? –perguntou Connor a Laura, quando já estava entre os amigos.
– A Sara que fica jogando macumba pra cima de mim. –respondeu Laura caprichando na cara de vitima.
–Tá me chamando de macumbeira sá kenga? Já te falei que não fiz nada.
Connor observava a cena animado com a cara de "ainda bem que eu vim, não perderia isso por nada".
– Calma meninas, não vão brigar agora, daqui a pouco isso aqui vai estar resolvido. – apaziguo Steve.
– Espero. –disseram Laura e Sara juntas. Elas bufaram, se entreolharam, reviraram os olhos e saíram andando na frente com raiva.
Connor que já estava às gargalhadas disse sem ar:
– Ninguém precisa me explicar não. Acho que já estou entendendo o que aconteceu aqui...
– Minha santa porra! Acho que essa contenção simpática tá piorando. –disse Isabela que começava a ficar preocupada.
Dessa vez foi Steve que começou a rir e debochou:
– Como é Isabela?
– Contenção Simpática querido, tá surdo?
– Não. –disse Steve entre risos. –Mas eu acho irmãzinha que o nome correto é: Conexão Empática.
– Ah pá porra você também, tanto faz. –disse Isabela pegando seu celular e fazendo cara de ofendida.
As meninas já tinham alcançado a varanda da casa grande quando se depararam com o Sr. D trancando a porta e pendurando a seguinte placa:
"Fechamos hoje, volte amanhã”.
– C-como é que é? –perguntou Sara torcendo pra que aquela placa fosse pegadinha.
O Sr. D se virou e viu as duas ali.
– Sabe ler não querida? Fechamos hoje, o Quíron precisou ir a uma reunião de família ai, pôneis de festa se eu não me engano... Ótimos parentes, ótimos parentes.
– Mas e o senhor? Acho que pode resolver o nosso problema. –disse Laura esperançosa.
O sr. D riu e respondeu:
–Ai ai como vocês me divertem, estou de saída, cara Lorena, com licença. –disse desaparecendo e deixando um cheiro de uvas frescas no ar.
As meninas sentaram-se do degrau da varanda desoladas, com cara de choro. O restante da cambada chegou.
– O que vocês estão fazendo ai criaturas? Vão lá falar com o Quíron. –disse Holiday.
Laura apontou desanimada para a placa e informou tristemente:
– Eles não estão aqui hoje.
Os olhos de Connor se iluminaram e ganharam um brilho intenso. Ele piscou varias vezes para ter certeza que aquilo não era uma miragem, então fez um sorriso de orelha a orelha e saiu a procura de seu irmão fazendo a coreografia de "dançando na chuva".
– Hum... Entenderam alguma coisa? –perguntou Sara com a cara poker face.
– Não. –responderam todos com a mesma expressão de Sara.
***
– TRAAAAAAAVISSSS! –gritou Connor invadindo o chalé de Hermes. –Levanta dessa cama cara, isso não é hora do cochilo da tarde não.
– Hummmmm. –murmurou Travis.
– Anda levanta logo que nem o Quíron nem o Sr. D estão aqui hoje. –disse Connor levantando o colchão do irmão, fazendo o mesmo cair no chão.
– Vai se fuder Connor. Não, pera... Como é que é?
– Isso mesmo que você ouviu. –disse Connor com um sorriso. –Nenhum dos dois estão aqui hoje, eu nem sabia que isso podia acontecer um dia, é muito bom pra ser verdade.
– Então... Pelos meus cálculos, podemos concluir nossa agenda da semana hoje!
– Isso mesmo! –disse Connor fazendo o toque secreto deles.
– Melhor começarmos... –disse Travis aproveitando que o colchão estava no chão e se equipou com os apetrechos que se encontravam embaixo do mesmo.
– Antes temos que fazer uma coisa... –disse Connor pegando uma lata de tinta rosa permanente da mala de umas de suas irmãs.
Connor e Travis esperaram Nico sair de seu chalé e entraram com o maior cuidado para não serem vistos.
– Nossa que estranho esse lugar. –disse Travis com certo arrepio.
– Deixa de ser besta, vamos acabar logo com isso pra começar a cumprir nossa agenda.
– Ok e ai... Qual parede vai pintar primeiro? –perguntou Travis animado.
– Parede? Tá... ia ser uma boa pintar o chalé de Hades de rosa, mas hoje não. Anota essa ideia ai.
– E vai fazer o que então com essa tinta? –perguntou Travis curioso.
– Vamos ver se o Di Angelo vai continuar misterioso e atraente com seus lindos cabelinhos rosa choque. –disse Connor com um sorriso de lado despejando a tinta em um vidro de xampu. Travis quase caiu pra trás de tanto rir só de imaginar a cena.
– Santo Hermes você é um gênio! –disse Travis fazendo reverência.
– Obrigado, obrigado. –agradeceu Connor.
– Me conta ai o motivo da pegadinha ‘’Di Angelo’’.
– Nada não cara, coisa minha. –respondeu Connor dando a entender q não queria mais falar no assunto.
Os Stolls escutaram um barulho vindo do lado de fora, correram e pularam a janela que dava pros fundos do chalé. Abaixaram e esperaram.
–Tomara que seja o Nico voltando da aula de esgrima, que ele vá tomar banho. –murmurou Connor com os dedos cruzados.
O barulho do chuveiro sendo ligado e de água descendo começou. Os irmãos se entreolharam com um olhar ansioso e um sorriso sapeca no rosto.
– STOOOOOOOOOOOLLS! –gritou Karly furiosa. –Vocês me pagam seus filhos de equidna com dracaena
Os stolls começaram a rir e correram pra outro chalé próximo dali.
–Temos que ser rápidos aqui, ainda tem muita pegadinha pra hoje. –informou Connor com um sorriso travesso.
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