Oxford
1 A viagem
Quarta-feira, hora melancólica das cinco e meia, quando chove. Choveu úmido e frio na tarde antes sufocante de novembro. Ela caminhava em direção da estação ferroviária, os sapatos molhados. Pelo menos o trem lhe parecia um progresso no meio dos tempos decadentes. Dava-lhe a sensação de estar em outro país. A decadência em torno a assustava. Nem parecia Londres como ela conhecia, o fato é que deveria sair da cidade o mais rápido possível, veias pulsavam em suas têmporas, era nervosismo, ansiedade pelo que estava por vir.
Ao chegar na estação, fechou o guarda-chuva e passou a observar cada pessoa que estava à espera do trem. Um homem bigodudo, com seus quarenta anos, uma senhora de olhar assustado, um rapaz alto com olhos negros, uma moça que identificou ser espanhola por causa das roupas e de uma rosa entre os fios de cabelo, havia também ali uma mãe e seus dois filhos, eram rapazes de ar vívido que cuidavam de sua mãe idosa. Ela sentou-se ao lado do rapaz alto com olhos mortiços. Por um momento, achou que ouvira um sussurro, depois de alguns segundos veio a confirmação.
- O tempo está um caos, não é? – o jovem repetiu a pergunta.
- Ah, sim! O tempo! Parece que o céu desabou de uma hora para outra. Tomara que este imprevisto não atrase a viagem. – respondeu ela.
- Perdão, deveria ter me apresentado primeiro – falou o rapaz – Me chamo Max Hill ...
- Eu sou Alice Davies. Prazer em conhecê-lo, Senhor Hill.
Max era um jovem pálido e alto, olhos pretos e os cabelos negros que caiam perfeitamente em sua face. Tudo nele era de cor escura – sombria – e Alice gostava disto, gostava de observar como o negro dos cabelos, dos olhos e das vestimentas caía bem no tom sem vida da pele do garoto. Max também não demorou em observar Alice. Era magra, clara, tinha um vermelho carmesim no cabelo que era capaz de queimar toda a paisagem, seus olhos azuis pareciam safiras.
- Então, Senhorita Davies... Para onde está indo? – indagou Hill.
- Vou à Oxford. — respondeu Alice.
- Oh! Também estou indo para lá.
- O que vai fazer por lá? – perguntou ela.
- Estudar, e você?
- Serei professora em Oxford.
Hill ficou surpreso e questionou:
- Quantos anos você tem?!
- Vinte e cinco, por quê? – disse a garota.
- Você me parece ser bem nova. Tenho 19 anos.
- Ah...
O trem se aproximava da estação e o som ficava cada vez mais alto, todos se prepararam, pegando as malas e objetos, as pessoas que estavam acompanhadas por seus familiares fizeram as despedidas, chorosas. Alice pensava, como essas pessoas choram e lamentam se foram elas mesmas que decidiram fazer uma viagem?.
Enfim, entraram no trem como pessoas comportadas, tomaram assento e se acomodaram. O garoto mortiço sentou-se ao lado da menina de cabelos de fogo. Era um contraste perfeito. Vermelho e preto, paixão e morte.
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