Owner Of My Heart
1 Capítulo I
Notas iniciais
Acordei.
Cara, que sono! Tá, acho que dormi umas 10h, mas e daí? A gente morre de sono depois de passar quase 2 meses em turnê mundial.
Ah, sim, esqueci de me apresentar. Mas, compreenda, eu tenho estado com a cabeça BEEEM cheia esses dias. Sou Fernanda Mello, 15 aninhos bem vividos, e sou cantora e atriz. Vim do Brasil, mas agora moro em Los Angeles, e posso dizer que já tenho uma carreira bem sucedida.
2 meses atrás a Disney assinou um contrato comigo, e desde então tenho saído pelo mundo junto com os Jonas Brothers, para abrir os seus shows. Fiquei extremamente apegada, já me consideram um membro da família.
Falando em família, eu moro com uma velha tia minha, já que meus pais faleceram quando tinha 3 anos. Desde então, morei com a minha avó até meus 13 anos, quando ela faleceu também. Minha única parente restante era minha tia, e ela tinha duas opções: morar comigo em LA ou no Rio. Perguntou pra mim “você sabe cantar ou atuar?” E eu respondi “Acho que sim...” “Quer virar uma estrela?” “Com certeza!”, E então viemos para cá. Ela conhecia um pessoal da Disney, e me conseguiu alguns testes, até que fui aceita num seriado breve. Mas gostaram de mim, e a Disney ofereceu a chance do contrato.
Eu aceitei feliz, claro, e agora, 2 meses depois, estou novamente em casa.
Hoje é a gravação do meu primeiro CD, com participação dos Jonas em 2 faixas. Sempre adorei cantar, e os Jonas me inspiraram muito, eles são simplesmente uns anjos.
Peguei o controle da TV, e liguei na Rádio Disney. Tava tocando uma música dos Jonas, e isso me fez levantar e cantar que nem uma louca.
“Video girl rocked my world for a whole 2 seconds
And now I know
I\'m not about to be another victim
About video girl syndrome
Get out of my face
Get out of my space
Get some class and kiss the past
Cause I\'m not about to be another victim
About video girl syndrome”
Nada melhor do que uma música animada como Vídeo Girl pra acordar! Essa música é divertida, já falei pros Jonas que é ‘dançante’. Anyway, enquanto a música continuava tocando, fui pro meu banheiro e tomei um banho, escovei os dentes...enfim, higiene pessoal. Botei uma roupinha normal, desci as escadas e fui tomar meu café. Minha tia é dona de uma marca de roupas, que logo depois passou a ser minha marca, e realmente faz um sucesso. Meu estilo não é patricinha nem emo, é um normal style. De tudo uso um pouco, e minha tia aproveitou isso.
- Bom dia, Nayara! – Nayara era a nossa cozinheira/passadeira, e além de minha babá pelos últimos 2 anos – o que tem pro café?
- Bom dia, Shiny – ela me chamava assim, pois mesmo antes de me tornar estrela, ela dizia que eu brilhava – tem waffle, geléia, fruta, pão...tudo o que você gosta!
- Vou querer pão, queijo e banana – esse era o meu Sanduíche de Banana. Minha tia dizia que era nojento, mas um dia eu a fiz experimentar, e ela acabou com ele! Até hoje eu sou traumatizada....
- Parece uma macaca! Só come isso! – Nayara falou, e eu comecei a rir – com canela?
- Beem pouca. Hoje é a gravação do CD, e apesar de precisar de energia, imagina se eu apareço pros Jonas gorda?
- Ou quem sabe pro senhor Nick...
- Coméquié? – perguntei, só ouvi a parte do Nick.
- Shiny, não tem canela, ta? – disfarçou bem, Nay, dessa vez eu deixo passar.
- De boa – ela sempre pensou que eu e o Nick tínhamos algo mais, já que ele é basicamente o meu melhor amigo. Como é cega. E surda. E muda.
Tá, muda não...só cega e surda.
Comi rápido, subi e agora tocava na rádio uma de minhas músicas. Fique lá cantando junto, emocionada de novo, já que ela tava entre uma das 15 mais pedidas.
Escovei de novo os dentes e fui pra minha varanda, passando pela estante de livros e pegando um. Me sentei na cadeira de sol ali, coloquei meus óculos e comecei a ler Eclipse (n/a: livro da Stephenie Meyer).
Nem percebi as horas passando e, quando percebi, já era hora do almoço. Pedi a Nayara que me trouxesse o almoço lá, e o telefone tocou. Corri para a minha cama e pulei nela, esperando não ser nenhum fanático querendo saber a cor da minha calcinha. Isso já aconteceu 2 vezes ¬¬.
- What’s up? – perguntei. Tenho a mania de atender o telefone assim, é divertido, principalmente quando a pessoa fica meio “Dã?”.
- Hey, Fê! É o Nick.
- Hey Nick! What’s up?
- Não sei pra que você atende o telefone assim, se depois pergunta de novo. Estou muito bem, e você?
- Na boa – respondi, enrolando o fio do telefone no dedo – ansioso pra hoje?
- Só feliz – ele respondeu – queríamos saber se você vai querer sair com a gente depois de gravar.
- E por que você não perguntava quando estivéssemos no estúdio?
- Sei lá – eu pude sentir que ele corava do outro lado da linha – você podia ter algo marcado, sei lá...
- Mas, pense comigo, se eu tivesse algo marcado, agora já estaria marcado, então não faria diferença – adoro fazer isso. Confundir um pouquinho o Nick de vez em quando.
- Perai... – ele pareceu pensar durante um tempo.
- Vai uma ajudinha com a manivela aí? – perguntei, e nós dois começamos a rir.
- Você adora me confundir, não é, Fernanda?
- Com certeza, Nicholas – comecei a rir de novo – qual a justificativa do nome inteiro? E vê se arranja uma desculpa melhor.
- Não enche. Vai querer sair ou não?
- Pode ser. Depende da minha tia.
- Okay, nos vemos no estúdio.
- Até – desliguei o telefone, e comecei a sentir algo na área do meu estômago. Devia ser a fome.
Exatamente quando pensei nisso, Nayara entrou com uma bandeja de comida. Ela deve ler minha mente...
- Batata frita, salada, uma fruta, carne, suco de uva...o que você gosta – ela falou, sorrindo. Acho que a considero uma mãe – qualquer coisa me chame. Ah, sua tia falou que não vai poder ir na gravação.
- Ah, ta – falei, tentando parecer decepcionada. Na verdade, já estava acostumada com isso, minha tia nunca foi muito familiar, e eu gosto de ser independente.
As 3h, a limusine parou em frente a minha casa. Alguns fãs estavam ali, assinei duas camisetas, uma testa e uma barriga. Sinceramente, não entendo porque eles pedem assinatura no corpo, afinal, eles tem que tomar banho algum dia...não é?
Não pense nisso.
Passei todo o caminho treinando minha voz, aquecendo-a um pouco. O motorista, Daniel, me julgava de vez em quando, dizendo se estava afinada ou não. Ele também é muito divertido, às vezes me leva escondido pra tomar sorvete num lugar que eu adoro.
Chegamos ao estúdio rápido, e uma pequena multidão se aglomerava ali. Quando a limo parou em frente a entrada, todos os olhos se voltaram para mim, e os seguranças já se ajeitaram para permitir minha passagem. Quando saí do carro, as pessoas começaram a gritar muito alto. Passei sorrindo, assinei mais algumas coisinhas, e entrei no estúdio.
A ante sala era vermelha com branca, com três sofás brancos de couro, uma mesinha de centro, uma recepcionista, e um corredor largo. Devia passar vários instrumentos o dia inteiro, e não podiam correr o risco de estragá-los.
- Oi, vim para a gravação das 15h30 – falei para a recepcionista loira, que sorriu para mim.
- Senhorita Mello?
- Me chame de Fernanda. – pedi.
- Sala 57, 1º andar – ela falou, indicando o corredor da direita – e...pode assinar isso pra mim? – ela me estendeu um bloquinho – minha sobrinha é sua fã.
- Mande um beijo pra ela – assinei, e fui para o corredor. Subi um lance de escadas, e me dirigi a sala 57.
Quando entrei, os Jonas estavam sentados no sofá de veludo marrom, que combinava com as paredes chocolate do estúdio. As três cabeças se levantaram, e um sorriso lindo se abriu no rosto de cada um.
- Fê! – os três falaram ao mesmo tempo. Joe foi o primeiro a me abraçar, seguido de Kevin e Nick. O de Nick foi o mais longo, e eu gostei daquela sensação de proteção que me passava.
- Que saudades, garotos! – falei, sorrindo – está tudo pronto?
- Com certeza! – falaram, e nós quatro entramos numa salinha com quatro microfones, quatro banquinhos, quatro copos d’água e quatro fones. Colocamos os fones, os ajustando às nossas cabeças, e arrumamos a altura dos microfones.
- Prontos? – Nick e Kevin estavam do meu lado, e Joe do lado de Kevin – Taysson?
O homem atrás do vidro fez um sinal positivo, e apertou vários botões. A música que estive ensaiando por tanto tempo começou a tocar, e eu me senti extremamente feliz por isso. A primeira música seria uma conjunta, cada um cantando uma parte.
Era bem animada, e nós nos divertimos muito. Sentia de vez em quando o olhar de Nick em mim, e ficava levemente corada, mas continuava cantando. A música falava sobre um dia de sol, o que poderia se fazer numa praia. Me imaginei com os Jonas numa praia, e seus corpos perfeitamente esculpidos por mãos de deuses.
Nossa, essa foi profunda.
Terminamos de tocar, e fomos para o lado de fora ver o resultado. Ficou extremamente bom, todos satisfeitos com o resultado.
- Agora é a de amor – Taysson falou – garotos, já decidiram quem vai cantar?
- Nick – Joe e Kevin falaram rápido. Rápido demais.
- Credo, assim parece que você dois nem queriam estar aqui – comecei a rir, e logo fui acompanhada.
- Que isso, Fêzinha – Kevin me abraçou pelo ombro – você sabe que amamos estar com você.
- Apesar de já termos enjoado dessa sua cara – Joe falou – gostamos mesmo de estar com você.
Olhei para Nick, esperando um comentário, mas ele não falou nada. Joe deu uma cotovelada em suas costelas, e ele pareceu acordar de um devaneio.
- Er...Claro, concordo plenamente – ele falou.
- Você também acha que a Terra é quadrada? – perguntei.
- Não...
- KKKKKKKKKKKKK – comecei a rir, e Joe e Kevin também – vamos logo, antes que esse sem-miolos aqui perca, além do cérebro, a voz também.
Entramos na cabine, e cada um pegou um microfone e um fone. Nick se recusava a me olhar, e eu estranhei. Sempre achei que ele fosse menos tímido que isso.
- Fê...? – ele me chamou baixinho – se importa de...cantarmos de frente um para o outro?
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