Owari

6 Capítulo 6


Notas iniciais
N/A: Olá leitores! Sejam bem-vindos à Owari mais uma vez! Antes de qualquer coisa, eu quero pedir desculpas se eu errar algum “nome técnico” de Naruto nesse capítulo. Eu li o mangá inteiro em inglês (porque eu não gosto dos erros de tradução que tem na versão brasileira), e em português algumas coisas são traduzidas com nomes bem diferentes do que nos apresentam em inglês. Aliás, existem vários jutsus que no mangá em inglês que raramente são traduzidos, como o “Henge no Jutsu” (eu não fazia a menor ideia como chamavam esse jutsu em português, sério mesmo). Eu juro que fiquei alguns minutos no Google tentando descobrir que “Kuchiyose no Jutsu” é a “Técnica de Invocação”. Eu também não sou muito familiarizada em escrever no universo mangá, principalmente lutas, então peço desculpas caso a dinâmica deixe a desejar. De qualquer forma, mesmo com eventuais erros, acho que vocês compreenderão o capítulo. Ah, eu sei que está meio tarde pra pontuar isso, mas antes tarde do que nunca: eu usei há alguns capítulos o termo “summon” na fala do Naruto, quando ele estava vasculhando se havia alguém por perto na floresta ele disse “não há nem summons” (ou algo assim). Eu percebi que vocês ficaram confusos quanto a isso, e acontece que eu não traduzi isso porque não há tradução em português pra esse termo. “Summon” é aquilo que é trazido pelo ninja por meio da técnica da invocação: geralmente pessoas ou animais (como os sapos do Naruto, as cobras de Sasuke, as lesmas de Sakura, os cachorros de Kakashi). Eu fiquei de consertar isso e explicar, mas acabei esquecendo, então agora explico pra vocês! Desculpe de novo! Eu preciso reler esse mangá em português, tá ficando feio já pra mim... Enfim! Demorei, mas estou aqui! o/ Eu já me expliquei demais em página de facebook e na última atualização de Haunted, e sei que quem está interessado em saber os motivos do meu atraso já ficou sabendo pelas notícias que eu posto na página (mas pra quem não me segue lá, resumo rápido: meu trabalho complicou pra caramba, eu fiz vestibular e eu comecei uma nova faculdade – sim, eu sou louca e recomecei minha carreira do zero – e por isso fiquei MUITO atarefada nos últimos meses). Vou pular logo a lenga-lega e apenas desejar uma boa leitura para vocês. Espero que gostem, pois eu escrevi com muito amor. ^^ Espero que me perdoem pela demora! S2 Um muuuuuuuito obrigada especial à Poisonchan pela recomendação maravilhosa à Owari! Adorei, de verdade! =D Ficou linda!! Agora, sem mais delongas, fiquem com os dois idiotas in love. Beijinhos!! S2

Owari

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Capítulo 6

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Era redundante dizer que o clima estava estranho entre Sasuke e Naruto no dia seguinte. Apesar da declaração do Uchiha ter sido bastante clara e emocional, Naruto ainda se perguntava até que ponto aquelas palavras tinham sido proferidas na realidade ou tudo não se passou de um sonho. Sasuke o amava e ele também amava aquele bastardo arrogante, isso era um fato; todavia, ouvir aquela declaração em voz alta... Ah... isso só podia ser um devaneio de sua cabeça.

Ao mesmo tempo em que era um verdadeiro presente ouvir uma declaração como aquela, doía mais do que ele podia colocar em palavras. Seria até melhor, para a sua mais pura negação e covardia, que tudo isso não tivesse passado de um sonho extremamente agridoce. Por conta desta sensação, Naruto dormiu agarrado à bandana surrada de Sasuke naquela noite, acariciando o friso que ele próprio deixara na plaqueta de metal na primeira vez em que eles brigaram para valer.

Foi em meio a esta batalha no Vale do Fim que Naruto verdadeiramente entendeu que os sentimentos que ele tinha por Sasuke iam além daquilo esperado para “melhores amigos”. Ele achou durante muito tempo que o sentimento era de irmandade, e só no momento que Sasuke foi jurado de morte pelo Raikage que Naruto de fato compreendeu a intensidade de seus sentimentos. Ainda sim, ele fugiu da definição do que sentia o máximo de tempo que conseguiu, até que finalmente ocorreu a batalha final no Vale do Fim e não havia mais para onde correr.

Vale do Fim... Parece que aquele lugar os acompanharia por toda a eternidade.

‘Vocês ainda vão casar nesse lugar, Naruto.’

Eu estava muito bem ignorando você até agora Kurama, e acho que vou transformar isso um hábito.

De qualquer forma, o Uzumaki foi covarde demais para procurar Sasuke na hora do café da manhã, usufruindo as regalias de Hokage ao receber sua refeição no quarto, pura e simplesmente com a intenção de adiar cada vez mais o encontro certo. Entretanto, ele não podia, e nem deveria, adiar isso para sempre: suspirando com pesar e rezando por forças, apertou a bandana com a mão esquerda, a qual estava guardada dentro de seu bolso (como um amuleto de “boa sorte”) e depois abriu a maçaneta daquela grande porta de cerejeira, sentindo o chakra repleto de nervosismo de Sasuke e sabendo que ele o esperava dentro da sala.

— O PowerPoint está pronto. — foi a primeira coisa que Sasuke disse quando Naruto entrou na antessala da reunião, olhando profundamente em seus olhos como se nada demais houvesse ocorrido no dia anterior; entregou-lhe um pen drive e o Uzumaki, com a mão trêmula, agarrou o objeto, deixando a porta fechar atrás de si com a força do vento — Shikamaru disse que também colocou uma cópia no seu usuário de unidade de nuvem, caso dê algum erro de compatibilidade no dispositivo.

— Achei que você não era muito adepto à tecnologia. — Naruto comentou, segurando o pen drive e o guardando seguramente no bolso, sentindo um arrepio no seu corpo por ter simplesmente encostado nos dedos de Sasuke por breves segundos.

‘Patético, pirralho... Eu aposto que não vai demorar duas semanas pra você ceder, se já está desse jeito só por causa de meia dúzia de palavras bonitinhas.’

Não foram apenas “palavras bonitinhas”, Kurama.

Naruto não sabia a semelhança que a declaração de Sasuke tinha com aquela feita por Itachi Uchiha ao seu irmãozinho, e muito provavelmente nunca saberia; Sasuke não estava disposto a falar sobre esse passado, o que houve entre ele e Itachi deveria permanecer apenas em sua memória. Ainda sim, Naruto sentia que aquelas palavras não foram levianas, tampouco simplesmente direcionadas a si. Aquelas palavras, todas elas e não apenas o “eu sempre vou te amar”, possuíam um significado muito maior do que um mero expectador poderia imaginar. Naruto tinha certeza disso, não por compreender, mas por simplesmente compartilhartodos os sentimentos de Sasuke.

‘Ainda que a declaração tenha sido real e tudo mais, de que adianta se você ainda está pensando em continuar o seu casamento meia-boca?’

Kurama, hoje não, por favor...

Sasuke, parecendo perceber o devaneio de Naruto e possivelmente suspeitando de uma conversa mental entre ele e a raposa de nove caudas, pigarreou e o fez prestar atenção nele novamente.

— Eu não entendo nada de tecnologia, estou só repetindo as palavras de Shikamaru. — o Uchiha explicou, dando de ombros.

— Mas você sabe como apresentar, não sabe? — o Hokage questionou, um pouco temeroso.

Sasuke e Shikamaru tiveram várias reuniões antes da viagem e, apesar de Naruto saber todo o conteúdo a ser discutido, ele não acompanhou de fato todo o seu planejamento, confiando na delegação do trabalho para que os dois chegassem a melhor forma de abordar o assunto para os demais Kages.

O Uchiha girou os olhos, evidentemente frustrado com a insinuação e insegurança do Hokage.

— Só porque eu não sei salvar esses dados em um pen drive não significa que eu não saiba o que eles significam ou não saiba apresentá-los. Aliás, eu sei mais que o Shikamaru sobre isso.

— Ok ok, não quis ofender sua capacidade profissional. — Naruto respondeu, um pouco sem jeito — Eu confio em você.

Sasuke não sabia mais até que ponto essa declaração era uma verdade, ou uma tentativa frustrada de Naruto convencer a si próprio de que ele era, de fato, digno de confiança. E por mais que Sasuke soubesse e concordasse que era difícil confiar em nele depois de tudo que aconteceu, isso já estava começando a lhe dar nos nervos.

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(***)

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Se alguns Kages e sua equipe de elite duvidavam que Sasuke pretendia trazer informações relevantes para aquela reunião, todos ficaram calados quando os dados lhe foram apresentados. Durante os cinquenta minutos de explanação do Uchiha, ficou claro que os levantamentos feitos por ele e Shikamaru exibiam dados consistentes, indicadores fáticos da crise, seus pontos mais predominantes, e estimativa bastante críveis de como tudo evoluiria se eles não tomassem uma atitude mais enérgica perante esse problema.

Antes da explicação, possivelmente alguns representantes trariam mais propostas de medidas solucionais de curto prazo; agora todos pareciam perplexos e perdidos com os novos dados. Outros, os mais espertos, pareciam desejar Sasuke Uchiha em sua equipe direta de planejamento estatal, e isso deixava Naruto morrendo de ciúmes e orgulho.

O Hokage assistia à toda a apresentação sem interferir, não deixando de perceber o quanto ele e Sasuke se completavam naquele momento: Naruto sempre teve facilidade em convencer os outros com a emoção, já Sasuke tinha a voz de convencimento com a razão. Ele precisava desesperadamente convencer Sasuke à ocupar um cargo oficial ao seu lado, porque Shikamaru era bom estrategista, mas o Uchiha também tinha um talento que não podia ser desperdiçado. E, naquele momento, ele soube que a volta de Sasuke não foi apenas em prol de sua felicidade, mas em prol da prosperidade de sua vila.

— Nosso sistema ninja é falho, auto destrutivo e vicioso. Não há lógica que um sistema que coexista com a guerra consiga chegar a paz. — Sasuke finalizou assim que a apresentação de slides chegou ao final; Naruto, o qual o ajudou na parte técnica da apresentação, agora removia o hardware e desligava o notebook — Os ninjas são treinados em academias desde sua infância, sendo instruídos para se tornarem armas de combate. Se o combate não acontece, essas pessoas ficam sem emprego e, desempregados, a crise financeira assola a vila. Alguém que só sabe lutar por sua nação não encontra local no mercado de trabalho. Nenhuma vila pode financiar essa mão-de-obra latente e sem funções especificas; pelo menos não um número abrangente que nós possuímos.

— O que sugere então? — Darui, o quinto Raikage, questionou com um pouco de descrença no olhar — Sugere que desfaçamos nossos exércitos e contratemos mercenários de vilas menores? Você sabe muito bem que isso não daria certo; ainda há vilas menores que certamente adorariam recuperar um pouco de seus territórios. Não há como apagar a história, Uchiha.

Houve um burburinho entre os demais presentes, mas Sasuke não pareceu abalado com aquele confronto: ele sabia que Darui apenas tentava se vingar, pois dentre todos os presentes naquela reunião, certamente os ninjas de Kumogakure eram os que mais guardavam rancor contra ele. Ninguém perdoou o seu ataque contra Killer Bee e o quarto Raikage.

Realmente, não havia como se apagar a história; mas há como contorná-la, há como modificar o curso do futuro, e era isso que Sasuke pretendia mostrar para os Kages.

— Não creio que a melhor solução seja destituir nosso poderio militar, mas acho que vocês estão muito enganados se pensam que ter vários ninjas preparados em seu território é sinônimo de um sucesso caso haja um combate. — ele explicou, calmamente, fingindo não perceber a afronta pessoal que recebera de Darui — Amegakure, por exemplo, já possui mecanismos de armamento superior a 90% dos ninjas sem kekkei genkai ou treinamento de elite. Se a vila da chuva entrar em guerra, vingando todos os anos em que ela foi vítima das inúmeras guerras que se passaram em seu pequeno território, nós teremos uma desvantagem absurda em termos de combate, e não apenas em combates físicos.

A expressão de confiança do Raikage se desfez e novamente o burburinho veio à tona: a maioria estava concordando com Sasuke naquele ponto. Amegakure cresceu infinitamente nos últimos anos, o que era uma ironia gigantesca de se imaginar, se comparado ao quão destruída a vila do líder da Akatsuki, Pain, se encontrava no momento da Quarta Guerra.

Sasuke sabia em primeira mão o quanto Amegakure cresceu, pois fora lá que ele conseguiu a prótese que agora usava no lugar de seu braço: a tecnologia era absurdamente evoluída, visto que grandes gênios daquela região criaram praticamente tudo que aquele mundo moderno agora utilizava: celulares, computadores, internet, robôs de ponta, etc. Amegakure tinha seus ninjas e, mesmo que não fossem tão fortes quanto os ninjas da Aliança Shinobi, eles possuíam armamentos de pontas que o tornavam tão letais quanto eles.

— Sasuke levantou algo relevante em nossa conversa quando viemos para cá. — Naruto complementou, cessando o burburinho e trazendo a atenção de todos para si — Amegakure criou a internet, e qual de nós não usa esse serviço para comunicação, as vezes até sobre assuntos políticos? Até que ponto Amegakure não nos vigia, não sabe cada passo que nós damos? A informação, nesse caso, pode ser uma arma muito maior do que qualquer jutsu.

Os Kages visivelmente empalideceram, finalmente se dando conta do poder latente que Amegakure possuía em mãos. Até agora a vila permanecia serena, todos ali tinham negócios com Amekagure e compravam seus equipamentos, mas e se o jogo virasse? E se eles estivessem planejando de fato uma vingança durante todos esses anos?

Eles estariam perdidos, todos agora percebiam isso; mesmo sem se darem conta, todos acabaram se tornando reféns de Amegakure.

— Antes que alguém aqui sugira essa hipótese, eu não acho que nós devamos atacá-los, até porque isso desmereceria demais qualquer pretensão de paz que a Aliança Shinobi possui e nós já demos à eles muita informação valiosa, com ou sem nosso consentimento. — Sasuke continuou a explicar; Naruto se ajeitou na cadeira ao seu lado, fitando todos os que ainda falavam durante a explicação de Sasuke com ares de reprovação; eles se calaram, ouvindo o que o membro da equipe do Hokage teria a dizer — Eu sugiro que, sem perdermos mais tempo do que já perdemos, todos nós repensemos o nosso sistema de segurança e força militar.

— Se você está vendo alguma solução para esse problema, por favor nos informe. — Gaara comentou, prestando extrema atenção em Sasuke e sendo sincero em seu pedido — Nós já estamos há anos lidando com esse problema e, por mais que muitos aqui detestem o que eu vou dizer agora, nós não chegamos a lugar algum.

Darui fez um ruído de impaciência, cruzando os braços e olhando feio para Gaara.

— A solução que eu proponho não é difícil, é quase que matemática. — Sasuke suspirou fundo antes de expor a solução que ele e Shikamaru pensaram, sabendo que os Kages não aceitariam nada bem o que ele iria propor — Ninjas não precisam ser formados em grande escala, não na realidade atual que vivemos. Nós precisamos de evolução industrial, necessitamos desesperadamente de pessoas qualificadas em áreas tecnológicas, e não de mais ninjas. Ninjas deveriam ser exclusivamente adultos que mostrem um grande talento para tal, passando por provas de lealdade e resistência; não crianças.

— Mas... Sempre foi assim! — Kurotsuchi, a quarta Tsuchikage, se manifestou — Você não pode estar insinuando que nós devemos mudar uma tradição de anos!

Tradição... — Sasuke pensou, olhando a expressão de concordância que todos os demais faziam em relação a afirmação de Kurotsuchi — Algo tão aclamado no mundo ninja, mas que impede tanto a revolução...

— A ideia de formação de crianças ninjas era aceitável num momento de guerra, mas nós já estamos há dez anos em paz. — Sasuke declarou com simplicidade, tentando fazer com que todos os teimosos assimilassem o óbvio — Esse sistema precisa mudar, as crianças precisam estudar outras coisas para se tornarem líderes, técnicos e pensadores. No sistema de formação de Konoha, as crianças não chegam a ler um livro que não seja ninja. Não há uma leitura de clássicos ou uma indução ao raciocínio lógico que não seja voltado a estratégia de combate. O resultado disso está aqui: nós estamos em crise e cinco governantes do mundo não encontraram a resposta mais óbvia para esse problema, justamente porque vocês, e eu também, nunca fomos ensinados a pensar num contexto de paz; apenas a sermos maquinas de combate.

Muitos tomaram aquela afirmação como uma ofensa, por mais real que fossem as palavras de Sasuke. Naruto tentou conter o burburinho, mas todos só se calaram quando Chōjūrō, o sexto Mizukage e anfitrião daquela reunião, bateu a mão com força na mesa, demonstrando já ter vencido há algum tempo a sua timidez e insegurança de outrora ao ocupar seu lugar de líder de Kirigakure.

— Quietos, todos vocês! — ele exclamou em voz alta, olhando para Naruto com grande apreço — Konoha está com a palavra, Sasuke Uchiha faz parte da equipe do Hokage. Aguardem os argumentos deles e, se tiverem algo a acrescentar, o façam quando for passada a palavra à sua vila!

Todos se calaram de uma só vez; Naruto agradeceu ao Mizukage com um breve aceno de cabeça, voltando a fitar Sasuke com confiança.

O Uchiha respirou fundo, recomeçando sua explicação.

— Na minha vivencia com vilas não-ninjas, as quais nós sabemos serem as que mais cresceram nos últimos anos de paz, eu aprendi sobre as ciências humanas e os ciclos da evolução. — ele explicou, deixando claro que não se via acima dos demais ninjas, mas que também havia conhecido o “outro lado da moeda” — Se nós não tomarmos uma atitude agora, a crise ficará sem volta. Haverá êxodo, pessoas vão migrar para as outras vilas atrás de empregos civis porque nossas vilas não oferecem mais serviço para os ninjas, e estas vilas em ascensão se tornarão as maiores do mundo. Como maiores, precisarão de território e, inevitavelmente, vão nos atacar por conta disso: para aumentarem seu espaço, com a intenção de comportarem cada vez mais a população e a riqueza que eles já estão começando a acumular.

— Mas nós temos o poderio militar que eles não possuem. — Gaara comentou, com um tom de grande respeito a Sasuke, o qual não tomou a interrupção como uma ofensa.

Na verdade, ele sabia que Gaara compreendia sua forma de raciocínio e só fez aquela pergunta para ajudá-lo a transmitir a sua mensagem para os mais céticos daquela reunião. O Uchiha se sentiu grato por isso e curvou um pouco a sua cabeça para o Kazekage; Naruto percebeu a interação de Gaara e Sasuke, se dando conta de que havia algo na história dos dois que ele desconhecia, mas que agora não era hora de questioná-los a respeito.

— Eles oferecerão dinheiro em dobro para os nossos ninjas, que são por origem mercenários. — Sasuke afirmou, totalmente certo do que dizia — Na crise, eles vão indubitavelmente mudar de lado. Não venham com discurso de “Aliança Shinobi” para uma pessoa que está vendo sua família passar fome, pois isso pode até funcionar no meio de uma guerra, mas não num momento em que eles esperaram apoio de sua vila por dez anos e as coisas só pioraram.

— Ok Uchiha, nós já entendemos a falha. — Kankuro concluiu, sendo um dos poucos membros da equipe dos Kages que tinha carta branca para falar nas reuniões, por ser um dos mais velhos presentes — Proponha logo a sua solução.

Sasuke respirou fundo e olhou para Naruto, sabendo que agora seria a hora da verdade e se perguntando se seria melhor que o Hokage falasse sobre aquilo. O loiro, no entanto, deu um sorriso suave de canto de boca e fez um gesto de “prossiga” com sua mão direita, ainda deixando Sasuke conduzir aquela polêmica.

É a revolução que ele tanto queria. — Naruto pensou, com um grande orgulho se formando dentro de seu peito — E ele merece todos os créditos; ele merece dar esse pontapé inicial. É ele quem tem que falar.

‘Tsk, você é que tá adorando assistir a apresentação dele; até parece uma garotinha apaixonada.’

— A proposta de Konoha é a mudança de foco no ensino shinobi e civil das vilas. — Sasuke afirmou; todos pareceram se enrijecer em suas cadeiras, como se o assunto fosse extremamente delicado, quase como um tabu — Crianças devem ser alfabetizadas e aprender o básico da matemática, literatura, história, ciências e geografia nos primeiros dez anos de idade. Na adolescência, haverá um aperfeiçoamento desses estudos, e os professores devem se ater aos talentos especiais de cada criança e incentivá-los nestas áreas. Posteriormente, uma formação superior se iniciará, para todas as áreas especificas de conhecimento. Aqueles que demonstrarem mais aptidão em lógica e condicionamento físico podem começar um programa de estudo em turno contrário para o ingresso da academia ninja aos 18 anos; nada será imposto, e o estudante poderá escolher um caminho diferente do seu talento, se for de sua vontade.

— Isso é um absurdo! — Darui esbravejou, colocando-se de pé e debruçando sobre a mesa de reunião — Estarão muito velhos! Serão ninjas incompetentes!

— Estarão na idade certa. — Naruto interveio, sabendo que se Sasuke continuasse a falar, Darui provavelmente perderia a cabeça — Terão cérebro para pensar, tomar boas atitudes, possuirão maturidade. No sistema atual nós exigimos que uma criança de doze anos, ao ser formada ninja, saiba enfrentar a dor da perda e matar um inimigo sem pestanejar. Obviamente uma criança dessa idade jamais terá maturidade par lidar com a dor deste jeito. Eu sei, pois foi exigido de mim lidar com isso a essa idade. Sasuke e Gaara com certeza entendem o que eu quero dizer, muitos de vocês também têm suas histórias particulares com esse aspecto sombrio da formação ninja.

— Mas... e a tradição? — Darui questionou mais uma vez, agora diretamente ao Hokage — E os clãs ninjas?

— Nós também propomos a dissolução dos clãs. — Sasuke falou antes que Naruto pudesse sequer abrir a boca para assim fazê-lo.

O Uzumaki o fitou com total descrença, muito surpreso pelo que ele havia acabado de afirmar. Não tiveram a oportunidade de falar sobre os clãs e todo prestigio militar que muitos deles carregavam e Naruto certamente não pensou que alguém como Sasuke, que tanto se importava com a imagem de um clã, poderia propor tão radical.

Isso foi chocante para todos os presentes, os quais sequer conseguiram coordenar o raciocínio para e opor ao que Sasuke dizia, olhando-o com os queixos caídos, estupefatos demais para o recriminar.

— O sobrenome se manterá, mas tanto os adultos quanto as crianças atuais devem compreender que a escolha de se tornar ou não um ninja não deve vir dos pais ou prestígio de um clã, e sim do próprio adolescente quando atingir a fase adulta. — Sasuke fitava o olhar penetrante de todos com extrema força, sabendo o quão julgado estava sendo por essa sugestão — Eu não quero ver nenhuma criança sendo obrigada a se tornar ninja só por causa da tradição de um clã. Propomos também uma aliança entre as vilas, com um novo nome, para o custeio da educação básica. Não será caro, já que todas as vilas possuem instalações para as aulas; precisaríamos apenas contratar professores de fora e estudar o material didático. Os resultados virão em menos de quinze anos, de acordo com as estimativas esquematizadas pelas pesquisas que eu e Shikamaru Nara fizemos; o resultado financeiro passará a vir em menos de dez anos.

— E qual seria o nome dessa aliança, se não quer que tenha o mesmo nome que a Aliança Shinobi?

— O problema do nome é o “Shinobi” — Naruto explicou, fingindo não perceber a irritação dos demais Kages — Faz automaticamente com que todos pensem em ninjas e parcerias militares. Nós ainda seriamos os coordenadores da parceria, mas outro nome talvez seja melhor.

— Eu entendo e concordo com isso. — Gaara se expressou, recebendo alguns olhares de ódio também — E que nome vocês sugerem para essa nova parceria?

— Eu sugiro “Aliança Educacional Itachi Uchiha”. — Naruto declarou firmemente antes que Sasuke pudesse responder àquela pergunta.

O ruído de surpresa foi coletivo, mas ninguém mais arregalou os olhos como o Uchiha. Sasuke sentiu seu coração acelerar intensamente e seu rosto empalidecer, incapaz de entender exatamente o que sentia com aquela atitude de Naruto.

— Itachi Uchiha? Nunca? Como... Como pode dizer isso? — Chōjūrō exclamou, desta vez não parecendo concordar com a proposta do Hokage — Itachi foi um dos grandes ninjas do mundo, utilizá-lo como um nome para uma educação visando a formação não-ninja é um absurdo. Está certo que a verdade sobre o Itachi Uchiha ainda está bastante escondida, mas...

— Itachi Uchiha é o nome perfeito para essa parceria, justamente por tudo que essa pessoa significou na busca pela paz que finalmente atingimos com a Aliança Shinobi. — Naruto declarou e, apesar de direcionar sua palavra a todos, ele olhava de forma bastante penetrante nos olhos de Sasuke — Itachi é um dos maiores heróis, foi ele quem parou o Edo Tensei de Kabuto Yakushi e fez com que Kabuto mudasse sua conduta. Sem a ajuda de Kabuto, Sasuke teria morrido no seu confronto com Madara, provando que Itachi Uchiha continuou a prezar pelo bem de seu irmão mesmo depois de sua segunda morte. E, sem Sasuke, nós não conseguiríamos derrotar Kaguya. Itachi Uchiha, direta ou indiretamente, é quem tornou possível todos nós estarmos sentados agora tendo essa reunião.

Sasuke não tinha palavras para expressar o quanto seus sentimentos por Naruto explodiram no interior de seu peito naquele momento. Sasuke sabia que Naruto compreendia as condutas de Itachi assim como compreendia as de Sasuke, mas ele jamais imaginou que Naruto o visse daquela forma. O Uzumaki praticamente acabara de declarar que, apesar de todos o tratarem como o herói do mundo, em verdade tudo que ele fez só foi possível por conta de Itachi Uchiha, dando os méritos à quem era de direito.

Itachi morreu sem glórias; morreu sabendo que seu nome seria guardado a sete chaves, mesmo que os lideres soubessem o quão excepcional ele foi como ninja. Itachi nunca desejou méritos, visto que desejou morrer como vilão em prol do bem estar de Sasuke, acreditando erroneamente que Sasuke voltaria para Konoha depois de realizar sua vingança. Tudo que Itachi fez foi tanto por Sasuke quanto por Konoha, sem exigir qualquer agradecimento em retorno. Apesar de indiscutivelmente ter capacidade para tanto, ele nunca desejou ser reconhecido, se tornar Hokage, ter uma estátua em sua homenagem. Itachi foi um homem justo e digno, o qual realizou todas as suas condutas em nome de um bem maior, nunca colocando sua própria felicidade ou pretensões acima de seu dever.

Itachi merecia uma redenção.

— É a forma ideal de declarar ao mundo a verdade por trás de Itachi Uchiha. — Gaara afirmou, concordando agora com a forma de pensar de Naruto — Eu considero o nome digno, ele merece essa homenagem.

— Mas... Mas Itachi era um ninja exemplar! — Darui respondeu, aparentando confusão — Não faz sentido, mesmo que Itachi de fato se torne o patrono desse programa, ainda há nele toda a conotação de ninja. Itachi tinha um talento indiscutível!

— Isso torna tudo ainda mais condizente, porque apesar de Itachi ter talento, ele nunca quis ser um ninja. — Sasuke murmurou, um pouco entristecido por ter que tratar sobre esse assunto a essa altura do campeonato; até porque ele só foi compreender seu irmão dessa forma depois de sua morte, e nunca teve a oportunidade de dizer para Itachi que agora entendia o martírio que ele teve de enfrentar durante toda sua vida — Dentre os irmãos, eu era o que mais desejava ser um shinobi. Itachi gostava mais das coisas simples e não muito valorizadas por uma sociedade ninja: ele era inteligente, filósofo e idealista demais pra ser um shinobi, e mesmo assim se tornou excepcional nesta tarefa.

— Justamente, ele nunca foi um “simples” ninja!

— Eu sei. Mas ela era muito pequeno quando demonstrou talento para a academia e nosso pai o incentivou a focar nisso, e aos poucos ele foi deixando de lado as coisas que verdadeiramente o traziam satisfação. Itachi parecia sempre focado e realmente o era, mas nunca se realizou como pessoa, apenas como shinobi. Itachi seguiu seu destino como ninja até o fim, mas com certeza ele teria sido muito mais feliz e realizado em outra profissão. Itachi seria um excelente conselheiro, por exemplo. Ou ele poderia muito bem estar no meu lugar agora, dando essa palestra para vocês, se o sistema shinobi não tivesse retirado a vida dele antes do tempo.

Os líderes amaciaram suas feições, possivelmente compreendendo o tom de rancor de Sasuke. Naruto sentiu uma pontada de tristeza em seu peito e uma vontade imensurável de conversar com Sasuke sobre Itachi e o grande homem que ele foi. Quem sabe... Se algum dia Sasuke o desse abertura, eles poderiam tratar sobre esse assunto tão delicado.

— Não podemos mais fugir disso, essa verdade tem que ser revelada. — Naruto declarou aos Kages, e o silêncio que recebeu em retorno apenas o trouxe a sensação de consentimento — É uma oportunidade de trazer a verdade à tona sem ofensa a ninguém, usando Itachi como inspiração a uma nova geração de cidadãos, e não apenas como o mártir que ele sempre foi. Alguma objeção?

Nenhum Kage ou membro de sua equipe levantou uma objeção sobre o assunto. É claro que cada uma das vilas tinha um nome em mente para homenagear, talvez até Naruto desejasse no fundo de seu coração fazer alguma homenagem a Jiraiya naquele momento, mas todos compreendiam que estava mais do que na hora de Itachi Uchiha deixar de ser uma figura misteriosa na história Shinobi, um assassino impiedoso que renunciou executou o próprio clã em nome de poder.

Todos ali sabiam a verdade, e estava mais do que na hora do resto do mundo também tomar conhecimento dela.

— Trataremos então sobre a formalidade dessa Aliança na próxima semana, os contratos serão redigidos e a assinatura ocorrerá em audiência pública. Vamos discutir esses pormenores depois com a equipe técnica. — Chōjūrō declarou, olhando a lista de assunto que tinham que tratar ainda naquela reunião. — Vencido esse ponto, passamos agora a palavra para Sunagakure, para que possamos falar sobre as conspirações internas e que atitude tomaremos a curto prazo.

Naruto se sentou ao lado de Sasuke e pretendia prestar atenção no começo do discurso de Gaara, mas subitamente sentiu uma mão fria envolver-se a sua, trazendo sua atenção para o Uchiha.

— Obrigado. — Sasuke murmurou baixinho, exibindo um olhar de ternura que Naruto sabia não ser direcionado a qualquer pessoa por ai.

O coração do Hokage acelerou e ele sentiu seu rosto corar um pouco, mas antes que alguma outra pessoa notasse a interação intima dos dois ninjas, Naruto apenas apertou a mão de Sasuke, reconhecendo seu gesto de agradecimento e se esforçou para prestar atenção no que Gaara dizia.

Sasuke, no entanto, não soltou sua mão por debaixo da mesa, e Naruto também não fez o menor esforço para se ver livre daquele gesto carinhoso; e a desculpa de esquentar a mão de Sasuke pareceu bastante coerente durante os próximos cinquenta minutos de mãos dadas.

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(***)

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A reunião acabou sendo bem mais longa do que Naruto havia antecipado, mas grande parte dos problemas da Aliança Shinobi foram mencionados e redirecionados. A solução de fato não se encontra em uma sentada só, ainda havia vários termos técnicos e contratuais a se discutir, mas essas próximas etapas eram feitas pelos especialistas: Naruto e os demais Kages tomavam as decisões, posteriormente os especialistas estudavam cada pequena particularidade e traziam as sugestões para colocar essas decisões em prática.

Depois de doze horas de deliberações, Naruto e Sasuke agora se encontravam lado a lado, cada qual arrumando seu equipamento ninja para recomeçar a viagem de volta a Konoha. Gaara os acompanhava, sendo seguido de perto por Kankuro, e os olhava com uma expressão de tédio, como se os considerassem dois idiotas por não aceitarem o convite de Chōjūrō e passarem mais uma noite de descanso antes do retorno à Konoha.

— Vocês realmente vão sair em viagem agora? — Gaara questionou Naruto, cruzando os braços e balançando negativamente a cabeça — Vocês continuam sendo dois adolescentes afobados.

Sasuke não respondeu, mas não pareceu se irritar com aquela provocação. Naruto riu, agarrando Gaara pelo ombro com um evidente bom humor, bagunçando seus cabelos e se divertindo ainda mais quando o ruivo o empurrou para trás, se livrando do seu ataque e exibindo cabelos rebeldes demais e o rosto corado de vergonha.

— Você realmente ficou muito melhor com esse cabelo. — Naruto comentou, sorrindo de orelha a orelha — Mesmo que agora esteja parecendo um ninho de rato.

— Naruto, pare de ser idiota. — Sasuke murmurou friamente; Gaara teve certeza que viu um pequeno brilho de ciúmes no olhar gélido do Uchiha — Vamos logo.

Pigarreando em uma tentativa de retomar sua compostura e passando as mãos nos cabelos para ajeitá-los um pouco, Gaara resolveu que falar com Sasuke em vez de Naruto talvez melhorasse a intensidade absurda de seus batimentos cardíacos depois daquele “ataque surpresa”.

— Por que vocês estão voltando tão tarde?

Antes de responder, Sasuke olhou para Kankuro como se o avaliasse, certificando-se de que era seguro, ou não, falar em sua presença. Decidiu que o irmão de Gaara só podia ser leal à Aliança Shinobi; além disso, depois da experiência que Sunagakure tivera com Sasori implantando espiões dentro de seu comando, seria difícil que tal vila caísse novamente nesse tipo de emboscada.

— Há algum informante aos grupos rebeldes dentro da aliança Shinobi. — Sasuke explicou, já esperando o arregalar de olhos que recebeu de Gaara — Há essa altura do campeonato, os grupos já sabem que a reunião acabou. Se eles efetivamente estão visando nos atacar para criar uma confusão e fazer a população de civis voltar a contratar os ninjas como escolta, eles devem estar se preparando para atacar os arredores da vila amanhã cedo, imaginando que todos nós partiremos nesse horário. Naruto e eu vamos adiantar as coisas e ver se encontramos o acampamento dos rebeldes antes que eles nos ataquem.

— Por que não falou nada disso para os Kages? — Kankuro questionou, pulando qualquer formalidade e direcionando sua pergunta ao Hokage — Nem mesmo sem seus respectivos assistentes presentes?

— Cada Kage confia muito no seu assistente. — o Uzumaki respondeu simplesmente, dando de ombros — Afirmar algo assim só faria com que eles desconfiassem do assistente de outros Kages, gerando problemas e desconfiança interna. É um tipo de desconfiança que não podemos dar ao luxo de lidar agora, a aliança tem que permanecer unida. O espião, seja lá quem for, está gerando informação para ninjas de baixa categoria que não oferecem perigo de fato à aliança, não vai fazer muita diferença, até porque todas essas decisões logo serão anunciadas ao público. Nós só estamos tentando garantir.

— Kankuro, prepare nossa bagagem, vamos dar cobertura ao Hokage. — Gaara concluiu, dando as costas à dupla para voltar aos aposentos e se preparar para a viagem.

— Não, Gaara. — Naruto pediu, agarrando seu braço e fazendo Gaara sentir a ponta de suas orelhas esquentarem — Eu e Sasuke precisamos queimar um pouco de energia mesmo, não será nada demais. Fique e descanse, a gente dá conta, você sabe disso.

Sasuke olhou com certa prepotência por cima do ombro de Naruto, como se dissesse ao Kazekage “ele escolheu a mim”. Gaara girou os olhos, mas controlou um sorriso de canto de boca, impedindo-o de aparecer e se denunciar à Naruto. Só Sasuke para ter ciúmes dele... Se ele soubesse que indiretamente Gaara estava tentando ajudá-lo a fazer Naruto sucumbir aos seus sentimentos e ser feliz, ele não estaria o olhando com essa intensidade de desafio.

— Bom, é você que sabe Naruto. — Gaara respondeu, dando de ombros — Estaremos em alerta, caso a situação saia de controle, apenas envie um clone.

Naruto e Gaara se despediram com um abraço casual e Kankuro fingiu não perceber o quanto o gesto deixou uma expressão azeda de ciúmes no olhar de Sasuke. O Uchiha, no entanto, nada disse e ainda foi cortês o suficiente de se despedir da equipe de vila da areia com aperto de mão breve.

Em poucos minutos, Naruto e Sasuke adentravam a noite escura e nublada do Kirigakure: Sasuke com sharingan à postos, visualizando a noite como se estivessem a perfeita luz do dia; Naruto não enxergava como ele, mas sua capacidade sensorial substituía totalmente a necessidade de seus olhos num momento como aquele.

— Nenhum sinal de vida por perto. — Naruto anunciou, entrando e saindo rapidamente do modo sennin depois que já estavam há bons quilômetros de Kirigakure — Orochimaru te mandou alguma informação mais precisa?

— Não. — Sasuke respondeu, também focando bastante em sua percepção de chakra, desta vez tentando buscar algum traço do paradeiro do Sannin — Quando eu disse para ele investigar o sumiço de Suigetsu, imaginei que ele iria direto para onde o original estava, a localização informada pelo clone de Suigetsu antes de você o destruir. Orochimaru informou sobre a ronda dos rebeldes, mas disse que os acampamentos mudavam todos os dias. Ele já nem deve estar mais por aqui para nos ajudar.

O loiro fez um ruído de impaciência estalando a língua nos dentes; Sasuke virou o rosto para encará-lo.

— E desde quando eu preciso do Orochimaru para alguma coisa?

A voz do Uzumaki soou bastante birrenta e Sasuke precisou se controlar consideravelmente para não rir. Tentando manter a expressão despreocupada, decidiu que não faria mal provocar um pouquinho; afinal, estavam a sós, e muito provavelmente aquela busca acabaria sem maiores resultados.

— Não se esqueça que foi ele quem realizou o Edo Tensei dos antigos Hokages e nos ajudou contra Madara.

Naruto praticamente bufou; Sasuke mordeu a parte interna das bochechas para não sorrir.

Era como estar de volta a viagem longa que fizeram nos últimos dias, só que sem todo o desconforto de antes. Alguma coisa mudou na reunião da Aliança Shinobi: talvez o fato de que Sasuke realmente ajudou Konoha em sua apresentação, ou talvez por Naruto ter homenageado e defendido Itachi com unhas e dentes; não importava o motivo, o fato era que os dois estavam muito mais confortáveis na presença um do outro, mesmo depois da declaração de amor de Sasuke e do silêncio que Naruto lhe dera em resposta.

Naruto ainda preferia acredita que aquela declaração fora apenas um sonho; e a leveza de tratamento dos dois naquele momento apenas perdurava a sua ilusão.

‘Mas é aquilo que dizem, pirralho: antes da tempestade, sempre há um momento de calmaria...’

Não estrague meu bom humor, amigo da onça!!

Kurama, no entanto, nem precisou se esforçar muito para irritar Naruto. Sasuke, parecendo se divertir intensamente com o ciúme de Naruto, decidiu provocá-lo mais uma vez:

— Não se esqueça também que foi ele quem salvou Tsunade e os demais Kages da morte. — ele complementou, fazendo Naruto dar um passo para trás e apontar para ele em um gesto de acusação.

— Você está agindo como se ele fosse um herói! — o Uzumaki exclamou, a indignação perceptível em seu tom de voz.

Para não ser flagrado sorrindo, Sasuke recomeçou a caminhada, deixando Naruto para trás e dando-lhe as costas.

— Não, eu só acho bem peculiar você ter ciúmes do Orochimaru e quero ver até onde essa babaquice vai.

Naruto parou de andar, olhando as costas de Sasuke como se estivesse vendo um fantasma caminhar à sua frente. O Uchiha olhou para trás e deu um sorriso quase que imperceptível de canto de boca, e então o Hokage entendeu a gozação que o outro fazia ao defender Orochimaru daquele jeito (não que Sasuke disse alguma mentira, mas Naruto preferia não pensar nesses detalhes).

— Eu não tenho ciúmes do Orochimaru, Teme maldito! — Naruto respondeu, aliviado, mas ainda um pouco emburrado, acelerando o passo para voltar a acompanhar o Uchiha — Eu só acho idiotice da sua parte confiar nele depois de tudo que ele fez contra Konoha e, mais importante, contra você!

— E o que você acha que ele fez de tão ruim contra mim exatamente?

— Tirar você de Konoha....

— Eu fui por vontade própria.

— Te prender durante quase três anos...

— Foi um treinamento de dois anos e meio, pra ser mais preciso.

— Querer o seu corpo, Sasuke! O seu corpo!

Sasuke não aguentou mais e deixou uma risada breve, mas completa, escapar de sua garganta.

—Você tem noção do quão enciumado você parece falando justamente essa frase? — ele caçoou com uma voz risonha, se divertindo mais do que se orgulharia no futuro. A culpa não era dele: ele estava de bom humor desde o sucesso da reunião e ver Naruto demonstrar ciúmes o deixou ainda mais feliz. Até Uchihas se divertem em momentos extremamente raros de sua existência.

Naruto parou de andar, surpreso.

‘Vai, pivete! Continua com esses argumentos maravilhosos, está melhor que qualquer filme de comédia!’

Não é isso Kurama... Sasuke nunca ri... A última vez foi...

Naruto não pensou muito em suas consequências, parecendo hipnotizado ao ver Sasuke rir, mesmo que brevemente, depois de anos recebendo meros sorrisos tortos, isso quando tinha o privilégio de receber algo assim. Ele não o via rir deste jeito desde... desde...

‘Desde a última batalha no Vale do Fim.’Kurama complementou seus pensamentos, e desta vez sua afirmação não precedia de nenhum tipo de sarcasmo.

Naruto não se controlou e agiu por impulso: aproximou-se e encostou sua testa à testa de Sasuke e segurando a lateral de seu rosto com as duas mãos, mesmerizado demais para se dar conta do que fazia. Sasuke parou de rir no mesmo instante, fitando os olhos azuis de Naruto tão próximos aos seus e se dando conta de todo intenso grau de admiração em sua expressão.

Se aquela maldita aliança de ouro não estivesse brilhando em seu campo de visão da mão de Naruto, Sasuke até poderia se enganar por um instante, dar um passo para frente e roubar-lhe um beijo. Mas ele não podia, e ele não faria. Naruto estava se lembrando de um momento especial para os dois: a última vez que ele riu na presença de Naruto foi o momento em que ele simplesmente desistiu de fugir. Foi o momento em que declarou sua derrota e, apesar de Naruto afirmar que não houve vencedores, o Uzumaki foi quem venceu. Não apenas porque Sasuke nunca mais levantou um dedo contra Konoha ou a Aliança Shinobi depois daquele dia, mas porque Sasuke parou de fugir dele; mesmo que não tenha falado em voz alta todos os sentimentos que teve naquele momento, Naruto sabia o que Sasuke imaginou antes do amanhecer.

‘Quando eu o via sofrer, eu sofria também. Você se tornou meu objetivo; eu, que não tinha mais nada, de repente tinha algum tipo de conexão, um relacionamento com alguém.’

As palavras nunca foram ditas, mas Naruto sabia da existência destes sentimentos dentro do peito de Sasuke, visto que também sentia exatamente a mesma coisa por ele. Por conta disso, o Uchiha tinha a consciência de que Naruto estava fazendo associações às memórias passadas e que isso poderia resultar em algo perigosíssimo para os dois...

Naruto se inclinou para frente, ainda hipnotizado por Sasuke e parecendo prestes a lhe dar um beijo. Sasuke fechou os olhos e virou o rosto, tentando impedir o beijo de acontecer (pois sabia que Naruto se arrependeria, e ele se recusava de ser um arrependimento na vida dele), mas abriu os olhos com surpresa quando sentiu algo suave evolver-lhe a cabeça: Naruto amarrava algo em sua testa, lentamente, dando um nó à altura de seus cabelos.

Quando Naruto abaixou os braços e deu um passo para trás, Sasuke abriu os olhos e levou as mãos para a sua testa, sentindo o ferro gélido da plaqueta de Konoha prezo na seda azul suave; Naruto amarrou a sua badana genin em sua cabeça e agora o fitava com extrema emoção, como se desejasse gravar aquela cena em todos os mínimos detalhes em sua memória.

— Naruto, o quê-...?

Seja lá o que Sasuke iria perguntar, Naruto o interrompeu antes que formulasse o seu questionamento:

— E-eu não consigo nunca mais ficar longe de você, Teme. — Naruto sussurrou, aproximando-se dele mais uma vez, tomando suas duas mãos trêmulas e puxando-o para perto — Eu preciso de você; Konoha precisa de você. Chegou a hora de resolvermos o que ficou pendente, de uma vez por todas.

Sasuke engoliu em seco, não ousando ressuscitar suas esperanças mais uma vez. Naruto só podia estar falando de algo relacionado à Konoha, ele não estava falando do relacionamento dos dois, ele...!

— Eu quero que você seja meu delegado.

Somente desta vez eu queria não estar certo. — Sasuke pensou, sentindo toda sua intensa animação esvair.

— Delegado? — ele questionou, um pouco mais interessado quando finalmente percebeu qual o título que Naruto o oferecia.

O loiro balançou a cabeça em afirmação e retirou do bolso a insígnia negra em forma de estrela da Polícia de Konoha, mostrando-a para Sasuke. O Uchiha, por sua vez, sentiu seu coração acelerar ao ver aquele objeto depois de tantos e tantos anos.

Sasuke já nem sequer se lembrava mais de seu sonho de um dia entrar na Polícia de Konoha e poder mostrar o distintivo para Fugaku com extrema satisfação, recebendo em retorno o reconhecimento que ele tanto desejava de seu pai. Parecia um sonho infantil e besta, se olhasse para trás e visse tudo que ele e Naruto fizeram pelo mundo, mas era inevitável não deixar a sua criança interior extremamente extasiada com aquela oferta.

— Eu estou reativando a Polícia de Konoha. — Naruto afirmou, colocando a estrela nas mãos de Sasuke, permitindo que ele analisasse a insígnia e percebesse as diferenças do novo modelo — Só que desta vez não será um órgão dos Uchihas, por motivos óbvios, então não há o símbolo do clã gravado no metal, mas sim o símbolo de Konoha. Independentemente de seu clã, eu quero que você seja o líder para que me ajude a reorganizá-la, pois a vila cresceu muito e com as novas modificações demoraremos um pouco até ter todos de acordo com o novo sistema. Vamos precisar de policiais para manter a ordem, e eu não vejo uma pessoa mais qualificada para estar nesse cargo do que você.

— Naruto, eu sou um mero genin... — Sasuke pontuou, levantando o olhar e parecendo um pouco descrente com a oferta.

— Eu também sou. — Naruto respondeu, dando um sorriso radiante — Ou você acha que eu precisei fazer testes pra subir de cargo depois de ter me provado como ninja durante a Guerra? Ninguém nunca mais sequerlembrou do meu ranking. Ninguém vai se preocupar com o seu.

Sasuke girou os olhos e suspirou amargamente.

— Shikamaru lembrou e esfregou esse detalhe na minha cara.

— Shika foi o primeiro a sugerir você como delegado, no entanto. — Naruto deu de ombros, sabendo que se Shikamaru tinha alguma dúvida a respeito da capacidade de Sasuke para o cargo, depois dos últimos dias de reuniões ele mudara totalmente de opinião — Você conhece a dinâmica dos civis e é o mais qualificado para lidar com uma força shinobi que lide tanto com outros ninjas quanto com os demais cidadãos. Você é perfeito para o cargo, Konoha precisa de você, e eu preciso de você. Não apenas como meu delegado, mas como meu conselheiro. Quero que você e Shikamaru se tornem meu braço direito e esquerdo, pois vocês se complementam em suas competências e certamente são o que Konoha necessita neste exato momento.

Sasuke olhou para a insígnia com sentimentos contraditórios: ao mesmo tempo que não conseguia deixar de pensar o quanto seu pai sentiria orgulho de ele receber a oferta daquele título e honrar o cargo que um dia fora dele, Sasuke estava a realizar um desejo infantil. Antes de todo o massacre acontecer, ele queria muito um dia ter este cargo, talvez pelo sentimento de rivalidade que tinha por Itachi, o qual ele imaginava que ocuparia a posição máxima dentro da Polícia de Konoha antes dele (sendo, portanto, um rival em suas ambições). Entretanto, tendo finalmente a insígnia em mãos, Sasuke sentia-se um pouco... decepcionado. Não pelo pedido de Naruto, mas porque este Dobe queria resolver as coisas com ele apenas no relacionado a Konoha.

Isso indicava que o Uzumaki realmente escolheu Hinata Hyuuga. O silêncio acerca do relacionamento particular dos dois só podia significar isso; e, naquele momento, Sasuke se sentia extremamente rejeitado...

Mas... Escolhas são escolhas. — ele pensou, guardando a insígnia em seu bolso e olhando para Naruto com a expressão mais neutra que conseguiu manter em seu rosto.

— Estou a seu dispor, Nanadaime. — ele murmurou, abaixando um pouco a cabeça, como se saudasse seu mais novo chefe.

O Uzumaki, no entanto, ergueu seu queixo com o indicador, fazendo Sasuke fitá-lo de igual para igual mais uma vez.

— Nunca mais me chame assim. — Naruto falou seriamente, mas exibiu um sorriso aberto em seguida — Seria estranho chegar em casa e ser recepcionado com um “Nanadaime”, já vai ser difícil fazer Sarada parar com esse hábito que ela adquiriu desde a minha posse, então não começa você também.

O cérebro de Sasuke parou de funcionar. Agora essa conversa já não fazia mais sentido!! Chegar em casa e ser recepcionado com um “Nanadaime”? O quê...? O que ele estava insinuando com isso? Será que ele... Não, só podia ser mentira!

‘Eu estou vendo milagres acontecerem?!? Diz que estou, Naruto! Diz que estou!’

— N-naruto...?! — Sasuke sussurrou, quase totalmente sem fôlego.

Quando Naruto estava se preparando para explicar o que já estava bem óbvio (mas que Sasuke estava eufórico demais para acreditar), uma movimentação rápida fez com que Sasuke reagisse antes do que ele: seu sharingan evoluiu para o mangekyou e, milésimos de segundos depois, ele ativou o Susano’o ao redor dele e Naruto, protegendo-o de um justu consideravelmente destrutivo do elemento água.

— Ahhhh! Eu tinha certeza que ia dar certo! — o autor da emboscada exclamou — Maldito sharingan!

Naruto demorou um pouco para entender a mudança total de atmosfera. Quando se deu conta do que acontecia, agradeceu mentalmente por Sasuke conseguir prever o ataque, e censurou a si próprio por não ter percebido a aproximação do estranho por conta de sua distração emocional. Logo a adrenalina invadiu sua corrente sanguínea, e instintivamente ele ativou o modo bijuu, encontrando finalmente o chakra do agressor.

Tratava-se de um shinobi que tanto Sasuke quanto Naruto desconheciam: possuía cabelos castanhos, olhos verdes, expressão compenetrada e estatura mediana. Comum, tanto em sua aparência quanto no seu potencial de chakra. Utilizava uma bandana negra sem plaqueta, não demonstrando a identidade de sua vila; suas roupas eram igualmente negras, não se tratando de nenhum uniforme oficial.

— É um rebelde. — Sasuke comentou, não se preocupando em deixar o tom de voz brando; sua voz estava desprovida de emoções, mas quem o conhecesse a fundo perceberia sua evidente irritação — A ausência do emblema da vila na bandana é a forma como se vestem nas reuniões; seus descontentamentos com a Aliança Shinobi ficam evidentes com a falta da plaqueta, apesar de ainda não tê-la traído e por isso não cortarem o emblema de uma vez.

— Trair a Aliança Shinobi é a mesma coisa que trair sua vila! — Naruto esbravejou, trincando os dentes e não se preocupando em manter a voz branda.

Por um momento o rebelde pareceu vacilar e quase deu um passo para trás, evidentemente assustado com o tamanho do Susano’o e o chakra intenso que Naruto exalava em seu modo bijuu. No entanto, ele ainda conseguiu manter a calma e não desistir de seu plano praticamente suicida; era o seu dever, sua função naquela missão, e ele seguiria o seu destino em nome de uma causa maior.

— Nanadaime está vindo falar de traição pra cima de mim? — ele o provocou, fitando o Uzumaki nos olhos com extremo ar de rebeldia — Quanta hipocrisia, hein... Ou vai me dizer que Hinata Hyuuga sabe desse seu casinho ridículo com Sasuke Uchiha? Quem é o mais traidor aqui?

Até que este Shinobi tinha bastante coragem, ou talvez fosse apenas mais um louco que cruzou o caminho da dupla: apenas uma dessas duas opções explicaria o comentário que ele acabara de fazer.

Apesar da energia de chakra ter se intensificado ao redor de Naruto e ele parecer extremamente furioso com o que acabara de ouvir, foi Sasuke quem de fato perdeu a paciência e correu em direção ao Shinobi, mal se empenhando a derrotá-lo com o uso de jutsus: o fez com taijutsu e em poucos segundos o rapaz já se encontrava imobilizado contra o chão, sangrando pelo canto da boca e respirando de forma ofegante.

Naruto nem conseguiu acompanhar com os olhos a batalha rápida e evidentemente desproporcional em termos de capacidade de luta.

— Eu não gasto chakra com lixos como você. — Sasuke sussurrou ao pé do ouvido do prisioneiro, pressionando o cotovelo do braço de ferro com mais força contra as suas costas, machucando-o ainda mais.

— Sasuke, não o mate. — Naruto ordenou; apesar do que dissera, sua voz parecia ríspida e furiosa, mostrando que a provocação o atingiu em cheio. Se Naruto não fosse tão cheio de princípios morais, talvez ele teria dito exatamente o contrário — Ele tem informações. Além disso, não podemos dar motivos para eles se rebelarem ainda mais.

— Eu não sou idiota, usuratonkachi! — Sasuke respondeu por cima do ombro, encarando-o de canto de olho — Sele o chakra dele logo!

Naruto estava próximo o suficiente para começar a fazer os selos necessários para interromper a corrente de chakra do inimigo e imobilizá-lo por completo, e o fez sem grandes dificuldades. Todavia, quando seu jutsu atingiu a vítima, quem sibilou de dor foi Sasuke, caindo sentado ao lado do prisioneiro e sentindo seu corpo todo estremecer enquanto os selos de prisão de chakra envolviam seu corpo, sendo estes visíveis somente à altura de seu pescoço por conta de suas roupas.

— Como assim? — Naruto exclamou, olhando para as próprias mãos e em seguida para o moreno — Eu não joguei o jutsu em você, eu joguei nele!

— Você errou! — Sasuke exclamou com os dentes trincados, irritado em demasia com a situação, tentando se mover para liberar-se da prisão, sem sucesso — Desfaça o jutsu!

— Teme, esse jutsu não tem como desfazer assim tão fácil! — Naruto exclamou, estupefato. Ele não errou o jutsu, ele tinha certeza disso! O que está acontecendo?!

‘Naruto, use a cabeça! Olhe o inimigo!’

O Uzumaki direcionou sua atenção novamente ao rebelde, mas já era tarde demais: ele abria um pergaminho, mordia o polegar e desfazia o selamento com uma sequência rápida de selos, finalizando o jutsu ao passar seu sangue na superfície dos escritos. Naruto identificou o jutsu instantaneamente, ainda sim não esperava um resultado como aquele: dezenas de outras pessoas, vestidas da mesma forma que o rebelde, apareceram ao redor de Naruto, fazendo-o perder Sasuke de vista em meio a mais nova multidão.

Inicialmente Naruto pensou que se tratava de clone das sombras invocados de outra localidade, mas rapidamente essa possibilidade foi descartada: a maioria deles cobria o rosto o máximo que conseguia com os panos negros, talvez para que não fossem identificados; outros não se preocupavam tanto com isso, aparecendo de cara limpa diante de Naruto. Naruto prestou atenção em vários dentre os quais escondiam sua identidade, e reconheceu o chakra de vários deles: eram ninjas de Konoha, não todos, mas pelo menos vinte por cento dos traidores presentes eram subordinados do Hokage.

Isso deixou Naruto extremamente furioso, tão envolto em ira que não conseguia fazer nada além de olhar para todas aquelas pessoas como se estivesse diante da maior traição que recebera em sua vida.

— Você realmente achou que alguém iria atacar um Kage sem ter alguma carta na manga, Nanadaime? — o rebelde-líder indagou, agora parecendo muito mais confiante por ter seus aliados presentes — Acha que ninguém aqui sabe o quão poderoso você e o Uchiha são? Não, pessoas como vocês não se pode atacar frente a frente. Tem que haver uma estratégia, e nós temos a nossa!

Naruto fechou os punhos a lateral do corpo, percebendo que seus braços tremiam de ódio. Apesar de racionalmente ele entender o que aqueles ninjas pensavam para traí-lo daquela forma, ele sentia um peso de ingratidão forte em olhar nos olhos desafiadores daquelas pessoas. Tentando se encobrir com um falso anonimato ao cobrir o rosto daquela forma, eles vacilavam e desviavam o olhar quando Naruto os fitava nos olhos e deixava mais do que claro que todos eles foram facilmente reconhecidos.

Covardes... Nem para mostrarem a cara! — ele pensou, irado — Não merecem ser shinobis de Konoha, nenhum deles!

‘Naruto, controle-se, foco. Veja o fluxo de chakra no Sasuke, preste atenção!’

Naruto respirou fundo e se concentrou, percebendo que a prisão de Sasuke, apesar de estar sobreposta ao selo que envolvia seu corpo, estava concentrada na bandana ainda presa em sua testa. Naruto não era um Hyuuga e não saberia ver detalhes do fluxo de chakra, mas por experiência própria poderia apostar que a bandana era a razão do jutsu ter dado errado.

Por mais absurdo que fosse pensar algo assim.

— O que vocês fizeram!? — ele rosnou aos rebeldes; alguns instintivamente deram um passo para trás.

O rebelde-líder riu, juntando as mãos em um selo da técnica de transformação e alterando sua aparência em segundos: a menina que Sasuke conversara na manhã anterior estava parada a diante do Hokage, agora parecendo bem menos infantil e bem mais esperta do que outrora; Naruto a viu de longe, da sacada de seu quarto, mas era indiscutivelmente a mesma aparência.

— A falha de vocês é confiar demais em “cidadãos inocentes”. — o shinobi, agora com a forma da garotinha pontuou e, apesar da voz infantil, a intensidade de suas palavras denunciavam a real idade da pessoa por detrás daquela figura ilusória — Eu pedi para ver a bandana, o Uchiha mostrou de bom grado, querendo agradar uma inofensiva garotinha fanática. Selos automáticos, conhece Hokage? Invenção de Amegakure, produto baratinho, e o melhor: não deixa rastros de ativação! Colocar um na bandana foi mais fácil do que eu imaginava!

Selos automáticos? Amekagure está unindo tecnologia com chakra?

Naruto nada disse diante daquela revelação, e o shinobi pareceu extremamente satisfeito consigo mesmo; possivelmente foi ele quem teve a ideia de utilizar os tais selos automáticos, e estava feliz por seu plano ter dado certo. Desfez o jutsu, aparentando novamente sua verdadeira identidade, e aproximando-se de Naruto com uma audácia que chegava a deixar o loiro enojado.

— Eu apenas criei um receptáculo. — ele continuou a explicar, agora ficando há menos de dois metros do Hokage, cruzando os braços e olhando-o com ares superiores — Qualquer jutsu que me atingisse seria transferido automaticamente para quem estivesse na posse da bandana. Confesso que não gostei muito que você acabou devolvendo essa porcaria pro Sasuke, seria muito melhor ter atingido você. Mas tudo bem, até que essa adversidade veio a calhar: você tentou me selar, porquanto acabou selando o seu “amorzinho” ali. É uma boa troca!

Naruto fechou os olhos por alguns instantes, desfazendo o seu modo biju e respirando profundamente algumas vezes, tentando recobrar a sua calma. Quando abriu novamente os olhos, seu olhar se cruzou com o de Sasuke: alguém se movera, abrindo caminho para que Naruto pudesse ver o olhar que também transmitia a intensa irritação que Sasuke sentia por se encontrar naquela posição que, à análise de um Uchiha, era extremamente vergonhosa.

Eu não tenho culpa se meu jutsu de selamento é um dos mais fortes do mundo, Teme bastardo.

Naruto aliviou-se um pouco ao ver Sasuke, afinal, ele estava sendo tratado como prisioneiro e possivelmente o utilizariam como troca de moeda para que Naruto fizesse alguma coisa pelos rebeldes. Esse só podia ser o plano babaca deles, Suigetsu havia mencionado que os traidores estavam focando em outra coisa, e não diretamente nos Kages: ali estava a resposta que faltava. E se esse fosse o motivo daquele confronto, seria algo fácil de resolver.

Mas, ainda sim, a indignação continuava intensa.

— Vocês todos clamaram pelo meu nome. — Naruto murmurou, voltando a encarar os ninjas e exibindo o olhar mais gélido que seus olhos azuis conseguiam suportar — Vocês diziam depositar esperança em mim, vocês comemoraram a minha nomeação, me juraram lealdade eterna, afirmaram confiar em mim; mas nem sequer me permitiram um mês de trabalho para tentar mudar a situação de vocês!

— Não me leve a mal, Nanadaime, mas o que eu estava vendo aqui era um romance extraconjugal extremamente nojento e não uma tentativa de melhorar a nossa situação.

Algumas pessoas pareciam concordar com a resposta do líder, mas outros pareciam incertos, principalmente aqueles que Naruto reconhecera como membros de Konoha.

Mas isso não redime nada!

— Afirme o quanto quiser essa mentira. Você não será um dos que vão ver novamente a luz do dia para saber se eu cumpri a minha promessa ou não. — Naruto ameaçou, estreitando o olhar — A escolha foi totalmente sua!

O Uzumaki esticou o braço e agarrou o rebelde pela gola, acertando-lhe um soco certeiro em seu rosto, fazendo-o cambalear para trás e cobrir o nariz ensanguentado com a manga negra de suas vestes.

— Pelo jeito seu receptáculo não funciona com taijutsu. — Naruto concluiu, satisfeito consigo mesmo — Ótimo, vou ter o maior prazer em quebrar a cara de vocês com meus próprios punhos!

Atrás da multidão, Sasuke encontrava-se em silêncio, mas ao ouvir as palavras do Hokage, deixou um ruído satisfeito escapar de sua garganta; ele já havia percebido a falha do receptáculo e achou que Naruto demoraria um pouco mais para perceber. Ainda bem que seu Dobe agora era um shinobi muito mais astuto do que outrora.

— Kage bunshin no jutsu!

Sasuke gostaria de assistir àquele combate, mas logo que a confusão começou era difícil focar em algum golpe; ou melhor dizendo, ele queria muito assistir àquele massacre. Não havia chance para os rebeldes, eles eram muito inferiores em termos de poder. A ideia do receptáculo foi boa, ele tinha que confessar, mas um Kage, em especial o atualHokage, valia por muitos. Mesmo sem Sasuke na jogada, eles não teriam como ganhar qualquer tipo de desafio contra Naruto.

Ao mesmo tempo que ouvia a briga, algo perturbava Sasuke: os rebeldes eram idiotas, mas não tão idiotas assim. Eles deveriam possuir um objetivo para aquele confronto. E qual seria o objetivo, afinal de contas? O que estavam tentando conseguir enfrentando o Hokage daquele jeito? Apenas criar um rebuliço e fofoquinha no mundo shinobi? Tsk, Naruto e Sasuke não deixariam esse combate vazar para a boca do povo, não havia grandes plateias naquele lugar. Então... o que verdadeiramente eles desejavam? Não era possível que eles imaginavam que conseguiriam derrotar Naruto ou chantageá-lo ao fazê-lo prisioneiro, estava claro que esse plano não iria funcionar.

Nem cinco minutos de batalha haviam se passado quando finalmente o número de pessoas na frente de Sasuke diminuiu o suficiente para ele poder observar o combate. Naruto nem fez uma quantidade exata de clones para cara combatente: cada clone cuidava de seis ou sete ninjas, e os derrubava sequencialmente. Os jutsus direcionados à ele eram esquivados com extrema maestria, e Naruto parecia ainda mais poderoso do que a última vez que Sasuke tivera o prazer de lutar ao seu lado. Isso fez com que o Uchiha desejasse muito um bom treino com o Uzumaki quando voltassem para a vila.

Não sabia em que momento assistir aquela luta fez com que um sorriso vitorioso brotasse os seus lábios, mas sabia muito bem qual foi o momento em que esse sorriso se esvaiu: subitamente, Sasuke sentiu uma pressão forte à altura de seu peito e soube que algo não estava certo; não conseguia mover seu rosto, mas conseguia e perceber de canto que um dos traidores encontrava-se atrás dele, respirando de forma ofegante contra as suas costas, empunhando uma kunai contra seu peito.

O rebelde olhava para o combate e logo Naruto, o original, notou sua presença e parou com o ataque, desfazendo os clones instantaneamente. Nenhum traidor ousou se pronunciar e por vários segundos tudo que se ouviu foi ruídos de respiração ofegante dos presentes.

— Não ouse. — Naruto sibilou perigosamente, dando um passo à frente e parando de andar quando Sasuke arregalou o olhar ao sentir a ponta da kunai romper sua roupa e ferir a superfície de sua pele.

— Sabe Nanadaime. — o shinobi falou, sua voz soando cansada pelo combate, e até mesmo um pouco permeada pela dor; mas certamente recheada de ódio — Teve gente que achou que seria mais eficiente sequestrar os seus filhos ou a sua esposa, mas eu sempre soube que seu ponto fraco era esse traidor aqui.

— Não abra sua boca imunda para falar do Sasuke! — Naruto respondeu, erguendo o tom de voz; o amarelado do chakra do modo biju se intensificou ainda mais, cobrindo uma área maior ao redor do seu portador; mas, agora, a intensidade da cor do chakra começa a alaranjar, migrando pouco a pouco para a cor vermelha do chakra de Kurama — Você é o traidor aqui!

Eu não devia ter tirado a marca do jutsu-shiki de Sasuke! Eu não devia! Eu poderia salvá-lo agora e quando o maldito percebesse o teleporte, já era tarde! Eu poderia!!

‘Naruto! Controle-se!’

Eu vou destruir esse cara! Eu vou mutilar todos eles!

‘Naruto!’

— Está com raiva, Uzumaki? — o outro indagou, sarcasticamente, empurrando ainda mais a Kunai e, naquele momento, ferindo Sasuke bem mais gravemente do que um mero machucado superficial. O Uchiha, apesar de tudo, se recusava a deixar qualquer ruído de dor escapar de seus lábios — Isso! É isso que queremos! Veja seu querido Sasuke Uchiha morrer perante os seus olhos, libere o monstro que há dentro de você e mostre a toda a Aliança Shinobi o perigo que você é e sempre será para esse mundo!

Com um solavanco, a kunai atravessou o peito de Sasuke, ferindo-o certeiramente em seu coração. Naruto gritou, mas o Uchiha não sentiu a dor dilacerante que imaginou que iria sentir.

Morrer como um inútil, sem poder se mexer, com um golpe no coração... Hmm... Isso o trazia lembranças....

— SASUKE!!! — Naruto gritou, em fúria, atropelando todos que se opuseram à sua frente e se jogando em direção ao seu atacante. O que Naruto fez, ao certo, era difícil de Sasuke perceber: sua visão começava a ficar turva, os ruídos pareciam distantes, a dor começava a se fazer notável.

Parecia que horas se passaram, mas não deveria ter sido nem mesmo quinze minutos. O que Naruto fizera com os ninjas que ainda estava de pé, Sasuke não sabia e nem pretendia descobrir. Quando o Uzumaki finalmente se debruçou sobre o seu corpo e agarrou seu rosto, deixando lágrimas e suor escorrerem da ponta de seu nariz e molharem o rosto pálido do Uchiha, ele só conseguiu se sentir grato por, ao menos, morrer olhando àqueles olhos azuis tão especiais; por mais indigna e ridícula que aquela morte fosse.

— Sasuke, aguenta firme, eu vou...!

— Me beije. — Sasuke murmurou fracamente, sua voz soando suave demais, sabendo era questão de minutos para que a perdesse de uma vez — Foda-se os moralismos, eu estou indo pro inferno mesmo...

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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

Naruto se inclinou para frente, mas antes que seus lábios pudessem se tocar, ele recuou, olhando nos olhos negros praticamente sem foco do Uchiha e falando de uma maneira que soou tão distante, mas tão distante, que Sasuke não sabia se aquilo realmente fora dito, ou se era apenas o que ele queria ouvir.

— Eu sempre cumpro minhas promessas, e eu vou te prometer uma agora: eu vou te beijar só quando você estiver no altar comigo, você entendeu isso bastardo?! — o Uzumaki sussurrou com urgência entre o seu choro silencioso.

Sasuke sentiu seu corpo ficar mais quente subitamente pela declaração que ouviu, se perguntando se era cedo demais para considerar que passava por um delírio pré-morte. Em um último esforço, conseguiu entreabrir os olhos e distinguir a coloração totalmente vermelha do chakra que Naruto expelia e envolvia o seu corpo. Talvez fosse por isso que ele se sentia quente, talvez fosse pelo conteúdo das palavras do Uzumaki; era difícil saber.

E, sinceramente, o Uchiha não estava preocupado em entender...

— Eu estou jurando!

Sasuke queria dizer o quão ruim Naruto era em pedir outra pessoa em casamento; queria tirar sarro da careta que ele fazia enquanto chorava; queria ter forças para fazer qualquer coisa que diminuísse a intensidade do desespero que o loiro sentia e ele, consequentemente, também sentia. Mas ele não conseguia mais manter os olhos abertos, muito menos falar qualquer coisa, seja ela coerente ou não. O golpe fora ridiculamente profundo e, diferente de quando Madara o atingiu de forma extremamente parecida, não havia Kabuto Yakushi ali para salvar o dia.

O Uchiha fechou os olhos novamente, desta vez não tentando lutar contra a morte como da outra vez. Ele tentava se convencer de que talvez fosse melhor assim: sem separação, sem dores para a família de Naruto e para Sarada, sem problemas maiores do que ele já causou na vida dessas pessoas. Ele ao menos sabia agora que Naruto o escolheu, e isso já era mais felicidade do que ele poderia desejar durante uma vida toda.

Apesar de todos os pesares, Sasuke realmente estava feliz.

— Teme, abra os olhos! Sasuke! Você prometeu que nunca mais ia me deixar! VOCÊ PROMETEU! SASUKE!!!!!! POR FAVOR!!!!

E talvez, apenas talvez, não fosse um jeito tão ruim morrer desta forma.

Desculpe Naruto... Parece que mais uma vez eu me mostrei incapaz de cumprir as minhas promessas... Não haverá uma próxima vez.

.

... Continua...

Notas finais
N/A: Percebam o “continua” em vez do “fim”? São palavrinhas importantes e diferentes, sabiam? Hm... ;) Obrigada pela leitura, espero que tenham gostado! Aguardo as reviews com bastante ansiedade. Até a próxima atualização! Sem pânico!!! xD Links relevantes: Página do Facebook: https://www.facebook.com/pcspuzumaki Tag de atualizações do tumblr: http://uchihalicius.tumblr.com/tagged/atualizacaofics Aviso sobre plágio: Plágio é crime (artigo 184 do Código Penal) e quem plagiar qualquer fanfic minha, seja totalmente, parcialmente, ou seguindo os mesmos acontecimentos e apenas escrevendo com outras palavras (plágio conceitual) será denunciado e processado judicialmente. Eu sou advogada, sei meus direitos e não vou hesitar em buscá-los, pois pra mim vai ser só mais um processo pra levar a diante, enquanto para você será uma imensa dor de cabeça. Tenha em mente o que te aguardará caso você decida plagiar algo meu, e tenha certeza do seguinte: se eu ou algum leitor meu encontrar o seu plágio de fanfics de minha autoria, eu não terei piedade. Quem não teve respeito com minhas obras não merece minha consideração e meu perdão.