Overworld Submundo da Morte

1 Capítulo 1 Entrando em OVERWORLD


Notas iniciais
Em mais um dia pacato de aula, Clark estava com muito sono. O que ele sentiu não soube ao certo se era real ou não, apenas sentiu. Talvez fosse um sonho, mas Clark irá descobrir que logo será a sua realidade. Bem vindo a OverWorld.

Eu estava sentado sozinho no fundo da sala. Olhava atentamente os ponteiros do relógio cinza escuro na parede. O tempo parecia passar lentamente. Eu estava completamente bêbado de sono. Gostaria muito de ir para casa comer comida japonesa. Estava frio e já passava das oito da noite. A aula não estava muito interessante, álgebra linear realmente nunca foi o meu forte, mas até que o professor Edward prendia minha presença na sala. Aqueles olhos azuis e aquele cabelo preto macio... Eu daria tudo por um doce beijo em seus lábios avermelhados.

Não sei se dormi na sala ou se estava sonhando acordado. Sei apenas que abri os olhos lentamente, a sala estava vazia, um sereno tomou conta daquele andar. Levantei, passei por entre as cadeiras brancas, bem organizadas, e andei em direção a porta. As luzes do corredor pareciam estar fracas, como se alguém estivesse roubando energia do prédio, e o silêncio era mortal. Meus passos leves geravam ecos quase que sufocantes, devido o salto baixo dos sapatos. O barulho incomodava cada vez mais, pois estava começando a ficar assustado. Andei até chegar próximo ao banheiro e notei que havia um bilhete no chão o qual dizia:

“Para se libertar deste pesadelo terá que desvendar um grande segredo.”

Me assustei e ao mesmo tempo escutei um barulho no elevador. Alguém estava subindo. Logo pensei em me esconder na sala à frente que estava com a luz apagada. Fiquei atrás da porta, que possuía um vidro vertical, o que possibilitava ver o elevador. Espreitei o olhar por entre este vidro e observava com atenção a luz da seta acima da porta do elevador indicando os andares, quando de repente parou no número cinco e a porta se abriu. A porta abriu com dificuldade e um homem com um capuz preto surgiu, ficou parado por alguns instantes e andou em direção a minha sala. Supostamente pensei em uma fuga, porque se ele foi até lá é porque queria alguma coisa comigo. Esperei ele chegar até a porta da sala e aproveitei que o elevador estava, estranhamente, com a porta aberta e corri até o mesmo. Sabe quando te dá um pânico e você não sabe aonde ir? Pois é! Eu não sabia pra onde ir. Então fui confiante no número que ficou gravado em meu subconsciente, o número cinco. Escutei uns passos apressados e porta demorou a fechar. Quando, enfim, ela começou a fechar consegui ainda ver pela brecha o homem de capuz preto lentamente balançar a cabeça negativamente. Bom, ele poderia descer as escadas e ser mais rápido do que eu. Fiquei calmo. Alguma coisa eu deveria fazer:

-Desvendar um grande mistério!

A porta do elevador abriu.

-Talvez, se eu deixar.

Ele estava na minha frente, o homem de capuz preto. Consegui ver, com a ajuda da luz forte do elevador, seus lábios avermelhados, até o memento não fizeram o efeito que eu esperava que fizesse. Tive a impressão de conhecer aqueles lábios, mas não tinha tempo pra isso. Ele tinha quase a minha altura, o que me permitiu desviar por debaixo de seus braços e correr em direção as escadas. Tentei correr até chegar ao primeiro andar, onde eu poderia sair do prédio.

Quando cheguei lá fora, tudo parecia diferente. A universidade estava completamente deserta. Meu prédio estava sujo e cheio de desenhos nas paredes. Olhando mais atentamente, percebi que havia uma mensagem no desenho. O primeiro era um lugar que eu conhecia bem, a cantina. O segundo parecia ser alguém e o terceiro um ponto de exclamação. Corri em direção à cantina, ficava um pouco abaixo do meu prédio. Quando cheguei lá, fui com cuidado, pois o homem do capuz preto havia sumido. Ele poderia estar lá. Consegui ver mais um pedaço de papel caído no chão dentro de um contorno branco, como se fosse um corpo desenhado.

“Acho que você ainda não estudava aqui, quando fizeram isso comigo. Ele é muito mal, mas docemente perfeito.”

Não sei o que poderia ser aquilo, pra mim não tinha nenhum significado. De repente escutei um choro, vindo de trás da pequena loja de doces. Cuidadosamente fui até lá. Aquela loja me dava medo, cheia de espelhos em volta, na vitrine ainda era possível ver algumas guloseimas, porém todas com um único tom de roxo. Coloquei a cabeça atravessando a vitrine para checar seu interior e não vi nada.

- O que faz aqui? Quem é você? – Alguém puxou meus braços para trás como se estivesse me prendendo e colou a boca em meus ouvidos, lentamente.

- Quem te mandou aqui?

- Eu não sei, não sei como vim parar aqui. – Disse eu completamente em estado de choque.

Consegui olhar pelo espelho horizontal que havia no teto da loja de doces e percebi que era um rapaz que havia sumido por um tempo da universidade. Ele fazia aula de matemática voltada à computação na sala ao lado da minha. Ele sumiu, não tivemos mais noticias dele. Ele conseguiu me dominar por alguns instantes, devido a ser mais alto do que eu e por ser musculoso também. Levemente com a minha perna direita consegui colocá-la entre o meio das pernas dele e puxar sua perna direita. Com um empurrão o derrubei no chão e cai com o corpo colado no dele. Seus olhos azuis me chamaram a atenção, seus cabelos loiros me deixaram sem palavras. Eu estava completamente excitado. Ele olhou em meus olhos e me deu um beijo. Senti seus braços fortes me apertarem e suas mãos passando por entre meu corpo. Estava me sentindo estranhamente bem, depois deste susto.

Resolvi parar de beijá-lo de beijar, delicadamente e quando ficamos de pé e um de frente para o outro resolvi perguntar:

- Por favor, me ajude. O que houve com todos da universidade. Não estou entendendo o que está acontecendo.

- Bom, eu já te vi algumas vezes na sala de álgebra linear.

- Tudo bem isso não vem ao caso, eu também já te vi algumas vezes, mas me diga. O que é este lugar exatamente.

- É o chamado submundo. Não sei como você conseguiu entrar neste lugar.

- Submundo?

- Sim, OVERWORLD. Dizem que quando somos assassinados, muitas vezes ficamos no lugar em que morremos, mas em um submundo. Ninguém pode nos ver.

- E como eu estou te vendo agora? Isso é loucura.

- Se me permite, seu nome é?

- Me chamo Clark e você?

- Mike. Muito prazer.

- O prazer foi todo meu. – Disse eu olhando fundo em seus olhos.

- Bom, se você acha isso loucura, tente achar a saída.

- Eu não sei como faço pra voltar à realidade.

- Você deve ter um dom especial Clark. Você consegue enxergar os dois lados. Você deve ser uma espécie de anjo.

- Pode até ser, mas estou confuso.

- Creio que pra você sair daqui, você deve desvendar quem me matou.

- Nossa! Como não tinha pensado nisso antes.

- Eu estava brincando. Não interessa quem me matou. Eu estou aprisionado neste lugar e nem vem me perguntar quem foi que me matou, porque a única coisa que sei é que ele usa uma espécie de capuz preto.

Eu tentei ligar todas as informações possíveis em minha mente. Foi como um de javu. Eu pude ver a morte de Mark, com exata precisão. Não havia ninguém aqui na cantina, com exceção deste homem de capuz preto. Mark estava virado de costas, agachado para pegar algo que havia deixado caído. O homem estranho chegou sorrateiramente e o acertou com taco de baseball. Colocou-o nas costas e o levou para algum lugar... Não consegui acompanhar.

- O que foi? – Perguntou Mark.

- Nada. Tive uma espécie de flashback. Consegui ver sua morte.

- Pois é. Quem me matou sabia que eu estaria ali. Não consigo pensar em quem poderia ser.

- O que você deixou cair no chão?

- O que? No dia do incidente?

- Sim.

- Ah, eu achei um bilhete no chão. O qual dizia:

“Acho que você fez uma coisa que eu não gosto. Você é meu, somente meu!”

- Entendi. Por isso você disse que a pessoa te conhecia.

- Exato.

- Eu o vi, quase agora. Estava fugindo dele.

- Sério! – Disse Mark assustado. – Não o deixe se aproximar de você. Talvez ele possa te aprisionar em seu esconderijo secreto.

Foi num piscar de olhos. Eu fiquei tonto de repente e quando vi Mark havia desaparecido.

Ao longe escutava uma voz aguda e insuportável gritando meu nome.

- Clark, Clark, acorde. Acorde. Já acabou a aula.

Tudo parecia estar tremendo, como se fosse um terremoto. Eu corri em direção contrária a da cantina. Subi uma ladeira que havia perto do prédio B, mas o chão começou a ceder. Eu vi uma luz forte e minha visão começou a ficar embaçada.

Edward me acordou, com alguns leves empurrões. Lá estava eu sentado babando em cima da mesa. Meu cabelo quase roxo ficou vermelho ao perceber que só havia eu e Edward na sala.

- Me desculpe professor. Não irei mais dormir em sua aula. Prometo.

Ele olhando diretamente em meus olhos, iria me fazer uma pergunta, mas meu olhar desviou-se por um instante para dois cantos. Primeiramente eu olhei para o relógio e a hora estava parada. Eram exatamente onze e vinte. Depois olhei para a porta e vi Mark. Levei um susto.

- O que posso fazer para você prestar mais atenção em minha aula?

Assustado, respondi:

- Me tira daqui!

- Como é? – Perguntou ele se virando para o quadro negro.

- Nada não. Vou prestar mais atenção em sua aula.

Ele se virou com tudo e foi em minha direção. Curvou seu corpo lentamente e esticou sua mão em direção ao meu rosto e espreitou sua boca em meu ouvido.

- Nós temos mais em comum do que você pensa. – Disse ele surrando em meu ouvido.

Tornamos a ficar rosto a rosto. Sentia sua respiração ofegante. Ele esticou sua língua lentamente até minha boca. Lambeu cada centímetro dos meus lábios e me beijou. Foi uma coisa muito imprópria para aquele horário. Estávamos na sala de aula, na universidade e se alguém entrasse naquele momento. Eu estava pensando em mil coisas, mas a principal dela era que eu estava ali agora, beijando ele. O que eu mais queria. Eu não pensei que isso iria acontecer, até que ele me soltou e disse:

- Você é meu, somente meu!

- Como?

- Nos falamos depois meu rapaz. Vá para casa, já está tarde.

- Tudo bem, mas e...

- Mas nada. Nos falamos depois. Gostei muito de você Clark, na verdade já sentia uma queda por você e apenas aproveitei que estávamos a sós e...

- Entendi. Nós conversamos então. Boa Noite.

- Boa...

Sai da sala em direção ao elevador. Eu sempre desço no primeiro andar. É um ótimo acesso ao estacionamento. Fui caminhando nas nuvens até chegar ao meu velho carro preto. Antes de entrar no carro, olhei por cima dele, e avistei perto de uma árvore Mark me olhando. Fique assustado. Entrei no carro correndo. Não adiantou muito. Ele estava em meu carro. No banco de trás.

- E então senhor Clark, aproveitando sua realidade?

- Como pode? Você estava lá?

- Sim ainda estou morto, mas estou te observando.

Fiquei confuso. Achei que só podia vê-lo em OVERWORLD, mas percebi que não. Não sabia o que fazer.

- Não se preocupe, meu tempo é curto. Só vim pra te dar um recado.

- Não entendi. Porque seu tempo é curto?

- Fica longe do Edward. Ele é meu!

Liguei a chave do carro e sai em disparada pela rua. Com o rádio no volume máximo, aquela batida eletrônica me fez frear o carro para me acalmar. Mark não estava mais no carro.

Fui pra casa. Completamente confuso e sem saber direito o que estava acontecendo. Eu só queria descansar e comer. Estava com muito sono. Ainda ia ver se dava tempo de pedir comida japonesa, faltava pouco pra meia noite. Tentei refletir, mas ainda fiquei pensado no beijo que dei em Edward. Meus olhos pretos ficaram azuis e minha pela branca ficou vermelha, completamente ardente de desejo por ele. Eu quase passei no farol vermelho... Foi assim o caminho todo até chegar em casa, pra enfim poder pensar no que fazer com essa história.

Notas finais
Clark conseguirá conviver com as duas realidades? Quem será o homem do capuz preto? Dúvidas e mais suspense estão vindo por ai...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.