Overwatch: Aquela que guarda os guardiões
1 Começando pelo Fim
Notas iniciais
Segunda-feira, noite.
Estava parada a porta do apartamento no coração de Star City, e percebo como tudo deu errado, realmente errado, sabia quais palavras a serem ditas, mas colocá-las para fora… Saber que iria destruir a vida de alguém nunca era uma tarefa fácil. Respirou profundamente, ajeitou as roupas para parecer que a viagem não a amarrotará tanto e por fim anunciou sua presença.
A campainha disparou um choro e ela se sentiu ainda mais culpada. Ela pode ouvir um xingamento antes da porta se abrir.
— Olá — uma jovem de cabelos castanhos e curtos a analisava — Em que posso ser útil?
A ruiva deu um sorriso contido.
— Você deve ser Thea, correto? Felicity fala bastante de você. — “falava” aquele pensamento lhe doeu. — Prazer, sou Barbara.
Enquanto Thea lhe tomava a mãe, Oliver retornava do quarto com sua pequena, com olhos azuis vermelhos pelo choro e um cabelo dourado que seguia para todas as direções. A pequena se agarrava a gola do pai e chorava com uma tristeza profunda, o primeiro pensamento que Barbara teve ao vê-la era que ela sabia. O ar pareceu rarefeito e ela olhou para Oliver.
— Prazer, Barbara, sou Oliver, desculpa, mas se veio em busca de Felicity, lamento dizer que ela não está.
Ela enguliu seco, e admirou a garotinha.
— Está é Emmy…
— Sim, Felicity fala bastante sobre ela também. — “Falava”, droga, estava cada segundo mais difícil.
A garotinha chorava contida, mas a tristeza ainda estava ali.
— Felicity nunca ficou tanto tempo longe, nem 24 e já está assim… Nossa princesinha não está acostumada.
Uma vez ela perguntou ao pai como ele dava aquelas notícias, ele disse da forma mais fria que conseguisse, para que a dor fosse toda e de uma vez só.
— Senhor Queen, acho melhor entregar sua filha a sua irmã, temos que falar e prefiro que a menina não esteja por aqui.
— Quem é você? — Thea já tinha a menina nos braços e se afastava com cuidado, Oliver a encarava procurando por formas como incapacitá-la. — Quem a mandou aqui.
Ela ergueu as mãos em sinal de rendição.
— Meu nome é Barbara Gordon, eu sou amiga de Felicity. — “era” — Oliver eu lamento muito, mas Felicity faleceu.
Ele ficou imóvel, todos os músculos travados, e a respiração controlada. De longe Thea pode ouvir e abraçou a sobrinha com mais força causando um resmungo que distraiu Barbara por um segundo e foi o suficiente.
Oliver a pressionou contra uma pilastra na sala de estar segurando a garganta com força evitando que quebrasse, mas não permitindo a passagem de ar completa.
— Quem é você? De onde tirou esta informação? Onde está a minha esposa?
— Over… tch… Overwatch… — Naquele instante desejou ter feito aquilo por computador, uma mensagem ou uma imagem holográfica, mas não podia, Felicity merecia mais. Ouvir o apelido dela fez efeito, ele relaxou um pouco a mão. — Ela lhe deixou uma mensagem.
— Quem é você?
— Barbara Gordon. Overwatch salvou o mundo todo, mas eu não pude...
— Conferencia, ela estava indo a uma conferencia sobre novas tecnologias em Gotham, ela disse que voltaria amanhã… Ela nunca falou sobre você, me dê uma razão para acreditar nas suas palavras.
Barbara pegou o celular e passou o vídeo, já o havia visto mais vezes que gostaria.
— “... mim. Ei, Oliver… — Ela não olhava para a câmera, digitava com velocidade se mantinha concentrada na tela a sua frente. — Bom, acho que desta vez eu meti os pés pelas mãos, não foi!? Você deve estar furioso agora, mas hum… não mate a mensageira, afinal é graças a ela que vou poder me despedir, então se puder parar de torcer/quebrar/cortar fora os braços de Barbara seria muito grata. Eu deveria ter te contado sobre o que estava aprontando, mas você não permitiria, daria mil jeitos de me manter segura, mas era necessário, eu era necessária, e bom, estou fazendo um trabalho excelente, o megamaluco do mal está bem puto e vindo com tudo em minha direção… — Alertas começaram a soar em todas as direções e pessoas começaram a correr.
— Overwatch, precisamos sair, agora, ele já nos localizou e está…
— Eu sei, mas alguém precisa ficar e garantir que ele não consiga acessar o núcleo e a não ser que você tenha desenvolvido uma supercapacidade de programação imagino que não esteja capacitado para isso…
— Eu não posso sair sem você.
— Dam… Droga... Robin, não temos tempo, retire o máximo de pessoas que conseguir e saia, não vale a pena nós dois morrermos aqui hoje.
— Ov…
— Agora! — O jovem acenou e partiu — Quem diria, poucos meses como mãe e já sei o tom de voz… Ems, oh Deus, Ems… — Ela não conseguiu impedir as lágrimas desta vez — Eu tenho tanto pra falar para vocês, mas tanta coisa… Eu não… Eu… Oh Deus… Eu amo voc…
Nesta parte o vídeo foi interrompido. Oliver permitiu que as lágrimas corressem seu rosto. E com a pausa do vídeo encarrou Barbara.
— O resto.
— Não acho que seja…
— AGORA!
O grito fez que Emma se agitasse novamente, e recomeçasse o choro, Thea em prantos a levou para o quarto.
Barbará deslisou para o vídeo seguinte e entregou o celular para Oliver.
“_… Eu amo vocês… — Os alarmes se tornaram mais altos.
— ATENÇÃO! INVASOR! ATENÇÃO! INVASOR! ACIONAR OMEGA!
Ela olhou desesperada em direção a tela e continuou a digitar.
— Não deixe que ela se esqueça de mim, Oliver, me prometa isso… Ela precisa saber que é a última coisa que passou na minha mente, o quanto…
— Você! — uma voz metálica se fez ouvir. — Você é o maldito inseto que tem me impedido.
— Bom, é isso que sei fazer de melhor.
— Será a última coisa que fará.
— Posso dizer o mesmo.
Ela olhou para a câmera uma última vez. Pronta para apertar a última tecla.
— Adeus. — sorriu triste.
Mas antes de conseguir terminar seu feito uma tentáculo metálico a atravessou no abdome e a puxou em direção a porta da sala, antes que fosse alcançada ela conseguiu acertar o controle da porta fechando seu inimigo do lado de fora e cortando a peça que a prendia, ela se arrastou para o console e pressionou a tecla com uma última olhada para a câmera. Tentou dizer mais alguma coisa, mas não conseguiu. Seu corpo deslisou para fora do alcance da câmera.
— Código aceito, 15 segundo para destruição total.
A porta foi aberta pela força bruta. E um ser alienígena surge com tons de pele verde, pontos de luz vermelhos e tentáculos correndo para todas direções.
— Malditos insetos. — Ele anda até Felicity, a segura pelos cabelos, olha para a câmera.
— 5… 4… 3… — Ele acerta a câmera.
E o vídeo acaba.
— A explosão do noticiário. Escapamento de gás no laboratório? — Ele perguntou desnorteado.
— Uma bomba em um laboratório subterrâneo. Felicity transformou um Tianhe-5 em uma superbomba, uma cratera de 300 metros de diâmetro e 61 de profundidade. A única coisa que sobrou foi esta gravação.
Ele se lembrou da primeira vez que a viu na vida, com o longo cabelo preso, uma caneta nos lábios e comentários descabidos sobre o Sr. Queen, se embolando a cada segundo mais.

O som do choro de Emmy ficou cada vez mais alto, trazendo Oliver de volta a realidade, caminhou até a filha e a abraçou com carinho e cuidado, sua menina.
— Thea, entre em contato com todos que nós devem qualquer tipo de favor e amigos dispostos a ajudar, eu quero saber exatamente cada detalhe das últimas 24 horas da minha esposa.
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