Juliana sempre se sentiu descolocada na escola. Era de se imaginar que alguém cujos pais eram celebridades, que possuíam dinheiro e acessórios de ultima geração seria a estrela do circulo social. Mas no Oasis, isso não era nada especial. Maioria das outras crianças vinham de famílias semelhantes, até mais ricas que as de Juliana. E por não possuir o intelecto do pai ou a beleza da mãe, era apenas mais uma no meio da multidão, sendo ignorada por pessoas populares.

Bom. Com exceção de uma...

Cynthia Volskaya, a aluna de intercâmbio, era filha de Katya Volskaya. Considerada Heroína da Rússia pela sua linhagem de robôs mecanóides de combate cujos pilotos usavam para defender todo o país da ameaça dos Omniums. Ela era vista como alguém que valia a pena fazer amizade, e por isso, não dava sua amizade de graça.

Era uma mocinha desconfiada, calada. As vezes tímida, mas somente por que não gostava de se envolver tanto com quem não conhecia. Por isso, a única que conseguiu formar laços duradouros foi Juliana, que jamais se importara com status ou vantagens. Apenas valorizava sentir-se próxima de alguém.

E as duas eram próximas.

Faziam tudo juntas. Tinham um código secreto que consistia de batidas com lápis nas mesas de madeira, e usavam para passar respostas de provas que eram de múltipla escolha. Compartilhavam uma paixão por videogames, gosto semelhante em música e embora Cynthia não fosse tão fã da jogadora coreana D.va, escutava quando sua amiga mestiça tagarelava incessantemente sobre sua ídolo.

Porém, estava calada hoje. Quase evitando a amiga. Juliana ficou imaginando se tivesse feito algo de errado, e somente quando estavam sozinhas no balanço durante o recreio, que soube o por quê.

— Estou indo embora...

Juliana parou de se balançar. E encarou a amiga sem palavras... O que poderia dizer? Cynthia continuou...

— Minha mãe me quer de volta em casa. Ela está ficando paranoica desde que houve um ataque terrorista na Fábrica... e ela tem medo que eu estando longe dela ficarei em perigo...

Juliana encarou o chão. Franzindo. Então, buscando ser otimista, fala mais querendo se convencer do que convencer a amiga:

— Ao menos poderemos falar através do Skype, não é? E você tem meu número, podemos mandar mensagens uma pra outra... E... Temos jogos online... Ainda vamos poder trocar músicas, pôsteres... O correio pode ser caro, mas meus pais pagam e..

Cynthia encara a amiga, meio chocada com sua explosão de emoção. E Juliana olha para baixo. Há um longo momento de silêncio, que só é interrompido pelo som distante de outras crianças brincando. Tudo seria diferente sem a sua amiga ali e nem conseguiria imaginar como seria o dia a dia sem seu apoio. Estava tão absorvida em seus próprios pensamentos que não percebeu Cynthia se levantando e ficando diante dela até que sua sombra bloqueou o sol que lhe tocava o rosto. Ela ergue os braços e Juliana se levanta e abraça a amiga. Chorando em seu ombro.

Cynthia sabia que Juliana era emocional demais. Ao contrário dela que era tão estoica, ocultando seus pensamentos e não compartilhando nem mesmo com a melhor amiga. Por isso, deixou que ela expressasse tristeza pelas duas. Acariciando os cabelos da amiga e consolando ela.

— Vai ficar tudo bem. É como você disse. Ainda vamos poder nos falar.

No decorrer do dia, foi ficando cada vez mais difícil acreditar naquilo. Sabendo que em breve, não iriam mais se ver. O dia letivo acabou, e chegou a hora ir embora. As duas se despediram, como faziam todo dia. Juliana achava que isso iria fazer ela se sentir melhor, mas ao invés de dizer "te vejo online", ela sem querer falou "te vejo amanhã" e isso a entristeceu mais ainda.

O Robô Mordomo chega com o veículo auxiliar da família, planando pela rua e parando perfeitamente na frente da escola, junto com outros carros. Charles não sabia dizer o que estava errado. Talvez faltasse alguns aplicativos, mas não conseguia entender por que a senhorita que estava encarregado de proteger e cuidar possuía lágrimas no rosto. Perguntava se havia sido intimidada e se precisava de apoio moral para falar com a diretoria. Mas claro que não era isso... Juliana apenas esperava que o almoço com seu pai a fizesse se sentir melhor.

Os Carros de ultima geração que percorrem as ruas do Oasis possuem direção automática, não necessitando do manuseamento de um motorista. Isso permitia os ocupantes fazerem várias atividades recreativas durante a viagem à seus destinos. Ver filmes, jogar jogos, ler revistas, livros, e até mesmo cochilar sem se preocupar em manter atenção no percurso. Juliana havia ligado seu videogame portátil nos bancos detrás, afim de distrair-se, e o fazia com sucesso enquanto Charles, sendo cauteloso, mantinha olhos na estrada e mãos no volante, mesmo que o carro estivesse na direção automática, pronto para reagir a qualquer imprevisto.

Chegaram em segurança à Universidade onde seu pai trabalhava. Quando não estava engajando em pesquisas, ele lecionava para uma classe cheia. Juliana torce para que ele já tenha acabado... Ela amava o pai, mas sentar e assistir as Aulas dele era muito chatas e lhe fazia morrer de tédio. Felizmente, após se identificar na recepção, ela e Charles se dirigem para o laboratório onde Yusef estaria.

Quando ela avista o pai, ela quer correr até ele, fazendo-o até a metade do percusso falando alto: — Papai! — Mas logo, percebe que ele não está sozinho pesquisando. Normalmente seu pai não lidava com os inúmeros assistentes que andavam pela sala, mas hoje, ele tinha companhia de uma moça loira muito bonita cuja beleza intimidava Juliana.

Yusef se vira para a filha, movendo sua atenção do que explicava para a dama para a menina quando ela havia gritado por ele. E sussurra para si mesmo:— Ah, eu tinha esquecido...— Ele sorri para criança, dando boas vindas a essa intromissão falando:— Oi filha, venha cá.— Ela se aproxima, olhando para a moça. Não tirando os olhos dela mesmo quando abraça o pai e recebe um beijo carinhoso. Quem era ela? O que ela fazia ali? Não precisou fazer perguntas tão indiscretas, o pai respondeu indiretamente quando apresentava a filha a mulher.

— Senhorita Angela, essa é minha filha, Juliana. Juliana, essa é a Doutora Ziegler.

A Doutora sorri elegantemente, se inclinando sobre a menina e afagando sua cabeça.

— É um prazer conhecê-la.

Juliana não consegue resistir corar. Até a voz da Doutora a emcabulava. A pequena se esconde detrás do pai, e doutora Ziegler dá uma risota. Yusef também dá uma risada curta e fala: — Ela é bastante tímida. Mas não se preocupe, é um anjinho.

Angela olha para Yusef e comenta distraídamente: — Sim, posso ver. Eu sei uma coisa ou duas sobre anjos.

Juliana puxa um pouco as roupas do pai, dizendo timidamente: — Pai.. Vamos... estou com fome...

Angela fica surpresa com o comentário e logo deduz o que Yusef iria falar em seguida. Ele pigarreia e fala: — Espero que não se importe de minha filha se juntar ao nosso almoço.

Juliana franze com o comentário do pai. "Esse deveria ser o NOSSO almoço"...

Notas finais
Fim da segunda parte do episódio 1. Doutora Angela Ziegler, também conhecida como Mercy surge na história qual papel irá desempenhar? Se você gostou, recomende aos amigos, se não gostou, recomende aos inimigos.