Overlord - A batalha de FourKnights
8 Subconsciente
Era dia enquanto Momon seguia para a capital, sempre em um ritmo contínuo e atencioso ao seu caminho. Estava tudo muito quieto, o que não era tão comum nesse mundo, pois agora que estava parando para pensar, desde que chegou, esteve sempre enfrentando problemas, como foi o caso de Blake e dos Ghouls. Deixando isso de lado, ele apenas aproveitou o caminho tranquilo que estava seguindo, mas chegando a determinado ponto, como ele já imaginava, sua tranquilidade não durou muito, pois uma voz ressoou em sua cabeça, fazendo-o sentir algumas tonturas.
“Cavaleiro... você precisa se apressar... escute minha voz e se concentre... posso lhe conceder o poder necessário para avançar em sua viagem...”
Momon para por um momento e se senta em baixo de uma arvore que estava na beira do caminho enquanto a voz ressoava em sua cabeça, ele encosta no tronco e respira fundo enquanto fecha seus olhos, se concentrando na voz. Seu corpo começa a ficar mais e mais relaxado a medida que se concentra, logo sente que a atmosfera a sua volta está mudando, junto ao clima e a brisa que soprava, que cessou gradualmente até parar de vez.
Quando ele para de notar as mudanças a sua volta, abre lentamente seus olhos, mas o que vê é apenas um lugar escuro e vazio, com sombras que cobriam tudo, não sentia literalmente nada, nem frio nem calor, emoções como tristeza, frustração, raiva ou até mesmo a dor eram inexistentes neste lugar, então deduziu que foi arrastado para dentro de seu subconsciente. O espaço possuía apenas uma atmosfera um pouco vibrante, com um ponto de luz acima da posição de Momon.
Passado um tempo desde que estava ali parado, ele novamente escuta a voz que ressoava em sua cabeça enquanto estava andando.
— Estamos mais uma vez cara a cara, não é mesmo cavaleiro? -Uma voz desconhecida percorre o local.
Um ponto de luz maior começa a se formar a frente de Momon, revelando o dono oculto da voz. Começando das enormes garras de suas patas, subindo para as pernas e depois seu tronco, uma luz percorria o corpo da enorme criatura parada a frente. Junto com o longo pescoço, suas asas gradualmente ficavam mais visíveis conforme a luz subia, até que por fim ela revelou sua face, a face que Momon se lembrava muito bem.
O ser a sua frente era o dragão celestial Inguiinil, o inimigo que enfrentou enquanto resgatava o filho de Alber nas mãos dos Ghouls. Ao perceber de quem se tratava, Momon leva uma de suas mãos até a cintura e tenta puxar sua espada, mas logo se da conta de que ela não está com ele.
— Não se preocupe, não tenho a intenção de lutar! -Inguiinil afirma, mas nota que Momon ainda não está convencido. – E mesmo que eu quisesse, não é possível lhe ferir dentro de seu subconsciente.
Momon podia notar que ele não estava mentindo, e como estavam em uma parte de sua mente, realmente ele não poderia o ferir, então parou e escutou o que Inguiinil tinha a dizer.
— Você deve ter muitas perguntas, então vou começar do início. -Inguiinil diz a Momon, que esperava ansioso as respostas para suas dúvidas.
— Como já deve saber, meu nome é Inguiinil, e eu sou um dos quatro dragões celestiais que protegem essas terras. -Ele do início a sua história.
— Recentemente essa área me chamou a atenção devido a um alarmante aumento de poder que desestabilizou varias regiões nas terras de FourKnights, então vim verificar o que estava acontecendo, mas quando me aproximei, um devastador raio de luz cruzou meu caminho, foi algo bem parecido com os canhões que o exército da capital projetou, mas o problema é que os canhões não conseguem nos matar, aquele raio teria me pulverizado se houvesse me atingido, então por não saber com o que eu estava lidando, decidi pousar e esperar na floresta, e foi onde nos encontramos. Assim que te vi enfrentando a criatura que cuspia lava, tive a certeza de que era você que estava causando tal desequilíbrio, pois em todos os meus milênios de vida, nunca houve ninguém que houvesse tal poder, e como guardião da região, minha tarefa era eliminá-lo.
O dragão faz uma breve pausa entre suas palavras e abaixa uma de suas asas, deixando a mostra a marca do local onde Momon cravou a espada Excalibur em suas costas.
— Não imaginei que seu poder podia ser superior ao meu, e por ter o subestimado, acabei sendo derrotado como resultado, agora minha alma reside dentro do cristal do anel em sua mão.
— O que você quis dizer com desequilíbrio? -Momon pergunta.
— O aumento de poder em uma determinada área faz com que algumas espécies de monstros fujam para outras áreas, levando ao aumento repentino de monstros próximos a vilas vizinhas, onde os mesmos causam vários problemas.
Momon se deu por satisfeito com a resposta de Inguiinil, que logo continuou sua história. Ele invoca uma pequena chama que toma a forma do símbolo dentro do cristal do anel de Momon.
— Uma antiga profecia dizia:
“No momento em que o escolhido tiver o poder para obter o primeiro dos quatro itens sagrados, o chão irá ruir em um mar de sangue que inundará o mundo, afogando em dor e desespero todos aqueles que entrarem em seu caminho, levando-os a verdadeira batalha pela sobrevivência que irá começar com o despertar do senhor das trevas.”
— E você obteve o primeiro desses itens, o Anel de Inguiinil, o que faz de você a pessoa que carrega o peso das vidas do mundo, o escolhido que irá salvar os humanos do cataclismo que se aproxima.
Momon permanece apenas escutando as palavras de Inguiinil sem esboçar nenhuma reação, mas logo cessa seu silêncio e faz uma última pergunta ao dragão:
— Quais são os outros itens sagrados que existem? E para que eles servem?
Inguiinil fecha os olhos e balança sua cabeça de um lado para o outro.
— Não posso revelar quais são os outros itens sagrados, apenas posso falar sobre o que você obteve ao me derrotar, mas você vai encontra-los com os outros seres celestiais ao longo de sua jornada. Após juntar todos os itens, você será capaz de entrar no portão celestial e se encontrar com Vritra, que está a sua espera em seu templo.
A breve pausa em sua fala sinalizava que havia acabado a história.
A grande massa negra do ambiente volta a cobrir o imenso corpo do dragão, enquanto isso Momon se vira e anda em direção ao vazio a sua frente, se distanciando gradualmente do dragão que desaparecia em meio as sombras de seu subconsciente.
— Se apresse cavaleiro, pois é quase o chegar da hora do despertar do maior mal que este mundo irá ver! -Inguiinil diz enquanto Momon caminha.
Com as sombras acima de seu pescoço, ele faz uma última pergunta ao cavaleiro:
— Você poderia me dizer seu nome?
Momon cessa seus passos e olha para Inguiinil por cima do ombro direito.
— Momon! -Ele responde à pergunta de Inguiinil.
— Então o nome do cavaleiro que me derrotou é... Momon... -Ele diz enquanto os últimos traços de sua existência no subconsciente de Momon desaparecia engolidos pela escuridão.
Momon olha novamente para frente e continua andando em direção ao nada, até que fica imóvel e sua visão se escurece por completo, enquanto seu corpo mais uma vez volta a ficar relaxado.
“Hora de acordar....”
Um raio de luz corta a escuridão e aumenta bem rápido, até que o céu azul do dia agraciasse os olhos de Momon, que tomou impulso no chão e se levantou, deixando a sombra da arvore que proporcionava uma brisa fresca, para continuar seu caminho sobre a luz do sol até a capital.
— Ainda falta um longo caminho até a capital, levará um bom tempo andando até lá, talvez eu chegue antes de anoitec...
“Eu posso te ajudar com isso!”
Momon escuta novamente a voz de Inguiinil em sua cabeça, mas não se surpreende, pois como sua alma estava presa dentro do anel em sua mão, é normal que eles possam conversar.
Várias partículas se formam a sua volta e se concentram em suas costas, e dá início a formação de algo criado com a energia do dragão Inguiinil, e ao término da formação, duas asas flamejantes surgem na parte traseira da armadura de Momon, que fica impressionado com a nova habilidade, pois agora poderia voar sem ter de gastar sua magia.
— Vamos ver como essas coisas funcionam.
Momon arreda um de seus pés para trás e abaixa seu corpo, e com um rápido e preciso impulso, ele se lança no ar. Suas asas começam com movimentos leves, até que batem mais e mais forte jogando o ar para baixo para darem o impulso necessário para continuar planando. Ele então corta o ar em uma velocidade extrema em direção a capital.
Agora não seria tão demorado para chegar até a capital, onde as primeiras consequências da profecia que Inguiinil descreveu para Momon estariam prestes a acontecer.
Continua......
Fale com o autor