Um enorme comboio estava à espera de Momon do lado de fora da capital. Era composto por veículos que Momon nunca havia visto nesse mundo ainda.

"O local para onde estamos indo é o Fort Myrth. E parece que essa é a maior linha de defesa que a capital possui."

Momon pensava enquanto andava pela ponte que levava a capital, indo em direção a Alícia que o aguardava encostada em um dos pequenos pilares responsáveis pelo suporte da mesma. Quando ela o avista se aproximando, ela se afasta do pilar e com uma postura animada, ela acena para ele.

Momon sabia que por trás da atitude animada de Alícia, havia um grande medo que ela não queria deixar transparecer em seu rosto. Mas pensando melhor sobre o assunto, ele percebeu que desde a noite em que pulverizou aquele exército de demônios sozinho, todos tem sido um pouco mais submisso a ele. O medo de alguns era tão grande, que sentiam calafrios apenas ao ver Momon se aproximando, sendo atingidos por uma insuportável ansiedade que os faziam manter distância.

— Momon, por aqui. -Ela chama sua atenção para sua posição. – Nós estamos quase prontos para partir!

Momon faz uma expressão de confusão, mas logo olha para Alícia e diz:

— O que você quer dizer com "nós"!?

— O que você achou que seria? -Ela pergunta com um sorriso brincalhão em seu rosto. – Eu irei com vocês é claro!

— Entendo... -Ele diz.

— Faltam apenas mais algumas caixas de suprimentos para serem colocadas nos veículos, mas logo nós estaremos... -Ela é interrompida.

— Entretanto, não posso deixar que você nos acompanhe! -Momon diz a ela.

Alícia o encara com um olhar surpreso, pronta para protestar diante a sua decisão. Estava se preparando para isso já havia bastante tempo, mas agora que já estavam quase prontos para partir, ela é impedida por Momon, o cavaleiro misterioso que conheceu faz apenas alguns dias.

— Vamos lá. -Ela diz com um sorriso no rosto. – Não é hora para brincadeiras...

Ela fica em silêncio ao ver o rosto sério de Momon, que a encarava sem trocar sua expressão. Vendo que aquilo não era uma brincadeira da parte de Momon, ela inicia seus protestos.

— Não sei qual o seu motivo para me impedir de partir junto de vocês. -Ela diz. – Pode não parecer, mas eu seu forte o suficiente para me cuidar sozinha. Então, é bom que não esteja me tratando como se eu representasse um fardo para a missão!

Momon se aproxima dela e coloca a mão sobre sua cabeça, tentando conforta-la. Ela por sua vez fica em total silêncio e apenas ergue o rosto que estava um pouco corado.

— Não e que eu não confie em sua habilidade. -Momon diz. – Posso sentir seu potencial para batalhas apenas estando próximo a você, assim como seu irmão.

— Então, por quê? -Alicia pergunta.

— Porque preciso de você aqui para apoiar seu irmão e a manter todos a salvo enquanto estamos fora da capital. -Momon responde. – Seria péssimo se a cidade fosse atacada novamente enquanto estivéssemos todos fora para cumprir a tarefa que seu irmão nos deu.
Alícia ainda se recusa a aceitar as palavras de Momon, mas seus argumentos eram algo que realmente deviam ser levados a sério, pois levavam a uma situação real, algo que poderia acontecer até mesmo alguns minutos depois que eles partissem, sendo assim, não havia nada que ela poderia dizer que o faria voltar atrás em sua decisão.

— Tudo bem! -Ela diz. – Mas me prometa que trará o máximo de pessoas a salvo.

Momon retira a mão da cabeça de Alícia e acena positivamente logo em seguida.

— Não trarei o máximo de pessoas que eu conseguir proteger. -Ele disse.
— Trarei todas que estiverem esperando por nós. Uma por uma, sãs e salvas.

Alícia da um pequeno sorriso para Momon. Seu sorriso não demonstrava medo ou qualquer tipo de segundas intenções, era um sorriso de pura gratidão.

— Estou contando com você! -Ela diz.

Ela se virou e andou em direção ao palácio, mas antes de tomar uma grande distância, Momo chama pelo seu nome.

— Preciso que você faça uma coisa por mim. -Ela diz a ela, que o olha surpresa.

— Claro! -Ela responde. – O que você precisa?

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O restante das caixas foi posicionado dentro dos veículos. Os condutores encaixaram um tipo de cristal de formato prismático no centro do que se parecia ser um volante. Faixas luminosas saíram do centro do volante e percorreram algumas partes do carro, como se estivessem analisando o seu estado. Com um ronco vindo da parte da frente, os veículos foram ligados.
Eles faziam uma fila para que todos os soldados pudessem entrar em seu determinado veículo. No centro dessa fila havia um veículo que Momon já conhecia, dois caminhões com longas partes traseiras, o mesmo tipo que Blake usou contra ele quando foi atacado. Mas no lugar do canhão elétrico, haviam vários assentos para pessoas, o que Momon deduziu ser caminhões de resgate.

Momon embarcou no primeiro veículo, o mesmo que seria responsável por guiar a todos os outros pelo caminho até o Fort Myrth. Eles começaram a se mover e aos poucos se afastavam da capital, deixando-a nas mãos de Joseph de Alícia.

Enquanto eles se afastavam, Alícia olha os veículos – Especialmente o que Momon estava – e pensou:

"O que você pretende fazer, Momon?"

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O Caminho até o Fort Myrth era longo, mas devido àqueles veículos que os soldados estavam usando para transporte, a viagem seria bem mais rápida do que eles esperavam.
Passado alguns minutos de viagem, um dos soldados grita de dentro de um dos veículos:

— Uma vila! -Ele aponta. -Estamos nos aproximando de uma vila!

Alguns dos soldados colocaram a cabeça para fora para que pudessem verificar. Ao longe, uma grande muralha era visível de sua posição.

"Hum... Algo parece estar errado quanto àquele lugar."

Nesse momento, um breve calafrio atingiu a todos dentro dos veículos, seguido de uma sensação desconfortável. Apesar de mais fracas, Momon também foi capaz de sentir aquelas estranhas sensações e já sabia muito bem o que estava acontecendo ali. Aquele era o medo que ele observava dentro do olhar de suas vítimas em seus últimos suspiros, era a sensação de estar se aproximando da morte.

Momon abre a porta do veículo e salta para o lado, deslizando pelo chão até que perde velocidade e para. Os veículos param e de um deles desce um soldado para falar com Momon.

— Senhor Momon! -Ele diz. – Temos que nos apressar para...

Momon vira sua atenção para ele e diz:

— Estou indo na frente! -O soldado faz uma expressão que dizia que queria uma explicação. – Algo está errado naquela vila, enquanto vocês avançam até lá, irei fazer uma breve analisa no local.

O soldado pensa um pouco e acena positivamente com a cabeça enquanto entra novamente no veículo.

— Estamos contando com você! -Ele diz pouco antes de o veículo partir.

Momon salta no ar e numa explosão de chamas, as asas flamejantes que Inguiinil havia concedido a ele se materializam em suas costas, permitindo que ele plane rapidamente até a vila.
Pouco a pouco Momon se aproximava das muralhas da vila que pareciam estar em bom estado, pelo menos ao que podia ver daquela distância. Mas a situação mudou quando passou por cima dos enormes muros e olhou ao redor da pequena vila.

A vila estava coberta por cinzas, o fogo havia destruído grande parte das casas, e as que não foram consumidas pelas chamas acabaram por serem pilhadas e destruídas.

Aquela era uma das cenas que Momon mais desprezava, um genocídio por nada além de diversão. Não era hipocrisia por parte dele, pois se fosse pelo bem de nazarick, ele com certeza fazia coisas piores do que destruir uma simples vila, mas nunca mataria ninguém só porque estava entediado ou porque queria se divertir.

Enquanto estava vagando pelos seus pensamentos, Momon escuta o grito de uma mulher em meio as casas e mais uma vez ele sente o mesmo aperto no peito que o obriga a agir para salvar alguém em perigo. Logo ele sobrevoa cada uma das ruas seguindo os gritos da mulher. Quando ele consegue chegar no local, vê uma garota sendo atacada por um morto vivo.

Ela estava encurralada em um pequeno espaço entre duas casas com a criatura a alguns passos a sua frente empunhando uma espada. Quando diminuí a distância entre os dois, o morto vivo lentamente levanta sua espada e se prepara para desferir o ataque contra ela, que vira a cabeça para o lado para não ver o momento em que ela seria fatalmente cortada pela lâmina. Mas antes que ele tivesse a chance de agir, Momon desce do céu em alta velocidade segurando sua espada que permanecia dentro da bainha. Quando se aproximou do monstro, como um raio, ele retirou a espada e fez um corte na direção de seu pescoço.
A mulher olha para o morto vivo novamente, sua cabeça agora estava rolando pelo seu corpo até o momento que atingiu o chão e parou ao seu lado, espada do monstro também caiu de sua mão e seu corpo se forçou para trás. Estava morto novamente, mas agora de forma definitiva.

Momon vira seu corpo enquanto está no ar e vai até a mulher que estava encolhida de medo com a situação que acabou de presenciar. Ela estava encostada na parede de uma das casas que a cercava com os braços agarrados a seus joelhos. Ao se aproximar dela, Momon estende sua mão e diz:

— Está tudo bem agora! -Ele afirma.

A garota ergue seu rosto e brevemente fixa seu olhar em Momon. Logo ela olha em volta para ter certeza de que estava segura e se agarra à mão de Momon.

— Vamos para a entrada da vila. -Ele diz. – Logo a ajuda chegará para nos tirar daqui.

Ela acena positivamente com a cabeça e se levanta com a ajuda de Momon, que a acompanha até o portão para esperar pelo resto dos soldados.

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Os soldados reviram a cidade em busca de possíveis sobreviventes, mas as pessoas que não pereceram para as chamas foram levadas pelos monstros. Fora a garota, a única coisa que encontraram foram os vestígios do massacre que ocorreu ali. Corpos carbonizados e sangue misturado às cinzas enchiam o local que uma vez essas pessoas chamaram de casa.

Um dos soldados que fazia as buscas se aproximou de Momon para passar as informações da ronda ao local.

— A cidade está completamente morta! -Ele afirma. – Vasculhamos cada parte dos destroços, mas não encontramos ninguém vivo além da garota.

Momon acena com a cabeça e responde o soldado.

— Diga a todos que iremos partir. -Ele diz. – Não temos mais tempo para gastar aqui.

— Mais e ela? -O soldado diz enquanto olha para a garota.

— Deixe isso comigo! -Momon diz em resposta ao soldado.

O soldado acena com a cabeça e se prepara para reunir o restante deles para partir, enquanto Momon vai em direção a garota que estava encostada em uma parede com os olhos banhados em lágrimas. Ao se aproximar, ela ergue seu rosto e fixa seu olhar nele.

— Há algo que preciso discutir com você. -Ele diz. – Nós vamos para um reino um pouco distante desta vila. Pode nos acompanhar se quiser, mas também pode voltar para a capital sozinha. Não posso lhe garantir segurança em nenhuma das opções, até porque não sabemos o que vamos encontrar lá.

Ela o encara com um olhar compreensivo.

— Seja como for. -Ele continua. – A decisão é sua!

Ele vira as costas para a garota e segue em direção aos soldados que já estavam subindo em seus veículos.

— Estão todos prontos? -Momon pergunta em voz alta para que todos escutassem.

— Sim! -Todos os soldados respondem de imediato.

Momon sobe novamente no primeiro veículo da fila, mas antes que entre por inteiro, ele consegue ver pelo canto do olho a garota sendo guiada por um dos soldados e entrando no caminhão de resgate.

Inexplicavelmente, Momon sentiu um grande alívio ao ver que a garota os acompanharia, assim ele poderia ter a certeza de que ela estaria segura.

"Essas emoções têm se tornado cada vez mais constantes, só espero que..."

Não era hora para ficar pensando em assuntos como esse.

Assim que Momon entro no carro, ele deu o sinal para que eles dessem partida, deixando a vila para trás em questão de minutos.

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O tempo passou sem que eles percebessem, e ao longe, o Fort Myrth já estava visível, mas...

Os soldados ficaram completamente tensos, uma forte pressão caiu sobre todos. Momon não sentiu muito bem a pressão, mas pelo estado mental em que os soldados ficaram, provavelmente eles estavam se aproximando de algo grande.

Fort Myrth:

Os soldados corriam de um lado para o outro sem descanso. Precisavam entregar as munições nos centros de defesas que ficavam ao longo dos muros do Forte, pois estavam sendo atacados constantemente por monstros que pareciam não acabar.
O cavaleiro que usava a armadura dourada checava cada ponto de defesa para encontrar possíveis falhas que poderiam ser prejudiciais em batalha. Ele estava cansado de correr o dia inteiro, então parou para tonar um folego. Nesse momento, um dos soldados se aproximou dele e disse:

— Senhor! -Ele chama. – Os soldados estão exaustos. Não sei por quanto tempo poderemos aguentar mais sem ter algum tempo para descansar.

O cavaleiro entendia a situação em que estavam, pois ele mesmo estava a um passo de desmaiar por conta do cansaço, e seus soldados também estavam na mesma situação. Ele sabia que era pedir demais, mais isso era sua única escolha. Descansar agora poderia resultar na morte de todos e, como um cavaleiro, não poderia deixar que isso acontecesse, nem que tivesse que fazer todo o serviço sozinho.

— Precisamos aguentar firme. -O cavaleiro diz. – Se aquelas coisas entrarem aqui será o fim de tudo, então não podemos deixar que elas se aproximem do portão de modo algum.

O soldado o encara com um olhar compreensivo e responde.

— Sim senhor... -O soldado é interrompido.

Um tremor atinge a região ao lado do Fort, num local onde havia um pequeno espaço plano a alguns metros de distância, deixando todos em alerta. A intensidade do tremor ficava se alternado, sendo mais forte e mais fraca dentro de alguns poucos segundos. Quando o tremor parou, todos fixaram seus olhos naquele espaço plano, onde a terra agora parecia se mover.
— Mas o que está... -A frase do cavaleiro é interrompida por uma estrondosa explosão de areia que levanta uma densa névoa de poeira naquela região.

Quando a poeira lentamente se dissipa, uma gigantesca mão é vista saindo do chão, seguido de um braço enorme braço, que lentamente se dobrou e se apoiou na montanha que estava ao seu lado. Ele força o braço que segurava o pico da montanha, dando impulso para que o restante de seu corpo pudesse sair de dentro da terra. Aos poucos ele saía da cratera que se formou no solo, deixando a mostra um pouco de seu equipamento que era composto por uma armadura que cobria grande parte de seu corpo. Quando ele estava totalmente fora do solo, os soldados puderam ver que aquele monstro tinha mais de quarenta metros de altura.
O gigante se ajoelha ao lado da cratera e desfere um soco que causa outro tremor dentro do Fort, afundando sua mão no solo. Ele puxa de dentro da cratera uma espada gigante, que tinha pelo menos 20 metros de comprimento, desde sua empunhadura a sua lâmina.

Aquela coisa começou a andar em direção ao Fort onde o cavaleiro dourado e seus soldados observavam sua aproximação sem terem qualquer coisa a se fazer, perdendo a esperança a cada passo que ele dava em direção a eles.

— Esse é... -Sua voz vacila ao mesmo tempo em que a criatura solto um rugido ensurdecedor e intimidador.

— ...nosso fim! -Ele completa a frase enquanto suas pernas vacilam e ele cai de joelhos no chão.

O gigante lentamente levanta sua espada se preparando para desferir o ataque que deixaria o Fort em pedaços junto dos soldados que se encontravam ali. Rapidamente ele desce e sua espada enquanto todos fecham os olhos esperando pelo fim.

Um barulho estridente de metal se chocando contra metal é ouvido por todo o local, seguido pela pressão sufocante da colisão entre os dois.

— Será que... -O cavaleiro diz em voz baixa. — ...estou morto?

— Não! -Uma voz grave chama sua atenção. – Mas se não se mover, logo vai estar.

O cavaleiro e seus soldados abrem os olhos e viram sua atenção para uma cena inacreditável.
Um homem misterioso estava parado a frente deles segurando uma espada pouco acima de sua cabeça, onde a gigantesca espada estava sendo impedida de atingi-los pela força de apenas um dos braços daquela pessoa.

— Mais... -A voz do cavaleiro vacila por um momento. — ...quem é você?

O homem misterioso vira sua atenção para ele e diz.

— Meu nome... -Ele empurra sua espada para trás com tamanha força que fez o gigante se desequilibrar e cair de costas no chão, logo ele termina sua apresentação. — ... é Momon!