Overlord - A batalha de FourKnights
9 Exército de um homem só!
Momon planava nos céus com as asas flamejantes que Inguiinil lhe proporcionou, reduzindo horas de caminhada para alguns minutos.
Do alto ele possuía uma bela vista da paisagem da área de FourKnights, tendo a chance de observar algumas espécies de monstros que nunca havia visto antes, com variações de cores que deixavam o cenário ainda mais vivo.
Ao longe, grandes construções eram vistas por Momon, logo após uma grande ponte que cortava um profundo abismo e dava acesso a capital.
“Pode ser útil até como linha de defesa contra possíveis ataques inimigos.”
Enquanto se aproximava da cidade, Momon notou uma extensa fila de pessoas a espera para passar pelos guardas do portão, em sua maioria mercadores, que viajavam com suas caravanas para levar produtos para serem vendidos. Ele ficaria ali durante muito tempo apenas para poder ter acesso a capital, mas optou por ir voando até lá, pois como já estava no ar, seria bem mais rápido se ele pousasse em algum lugar dentro da cidade.
Momon então se inclinou para cima para ganhar altitude e sobrevoar as enormes muralhas que cercavam a cidade. Quando tomou altura suficiente para passar por cima da muralha, ele ficou impressionado com a vista de cima. O reino era separado em três blocos, sendo eles: Comercial, residencial e o bloco real.
A área comercial era a base do reino. Era onde todas aquelas pessoas que entravam pelo portão junto de suas caravanas descarregavam seus produtos para serem transportados até onde seriam colocados para venda.
A área residencial era um pouco afastada da área comercial. Era onde os habitantes da capital viviam. As ruas eram pouco movimentadas por lá, mas ainda era possível ver crianças brincando e os adultos interagindo uns com os outros.
O último bloco era a área real, onde ficava o enorme palácio onde o rei dessas terras vivia, rodeado pelas casas que provavelmente eram habitadas pelos nobres. Ligada ao palácio, havia uma pequena rua feito com pedras polidas que descia até uma pequena fonte que ficava no centro de uma encruzilhada entre a área real e a residencial.
Todas as casas eram bem arquitetadas e feitas de pedras e tijolos, as que eram feitas de palha e madeira eram em sua maioria depósitos para caixas e mercadorias em estoque.
Momon seguia admirado com a vista que a capital proporcionava, até que subitamente sentia uma grande quantidade de energia que se aproximava de suas costas. Rapidamente ele puxa da bainha a espada que recebeu de Liz como agradecimento, rotaciona seu corpo em 180° e a usa para desviar a grande massa de luz que o atinge, conseguindo sair sem qualquer ferimento, mas antes que ele perceba, outro raio de luz atinge suas costas, não é forte o suficiente para causar dano a Momon, mas suas asas ficam imobilizadas, fazendo com que ele caiu em alta velocidade dos céus, se chocando contra a pequena fonte no meio da encruzilhada, causando um grande estrago tanto na fonte quanto naquelas pedras polidas que a rodeavam.
Em poucos segundos desde a queda de Momon, vários soldados se juntam ao seu redor, o cercando completamente enquanto ele se levantava. Ele olhou em volta e viu que não podia escapar sem lutar, mas também não podia matar ninguém, pois a capital era seu principal meio para a conquista destas terras, se eles se voltarem contra mim a situação poderá ficar bastante complicada. Ele puxa a espada de sua bainha e a vira para o lado sem fio, pois assim poderia deixá-los inconscientes sem ter que causar ferimentos graves.
Quando Momon se prepara para investir nos soldados, uma voz familiar para ele sai de alguém em meio aos soldados.
— Abaixem as armas! -Uma voz feminina diz.
Passando por entre todos em volta de Momon, a cavaleira de cobre Alícia aparece diante de deles.
— Mas ele invadiu a capital real! –Um dos homens diz. – E a punição para esse crime é a prisão ou a morte.
— Mesmo com os melhores equipamentos do reino tenho certeza que você sequer conseguira encostar nele antes de ser dividido em dois! -Alícia diz em resposta ao soldado protestante.
O soldado encara Momon por um momento e sem mais protestos ele abaixa sua arma ao mesmo tempo que ordena aos outros.
— Todos, abaixem suas armas! -Todos os outros soldados tiram o dedo do gatilho e abaixam suas armas. Apesar de todos atenderem a ordem do soldado, não parecia que ele era o comandante daquele grupo.
Momon também se acalma e coloca sua espada de volta em sua bainha.
Todos permanecem paradas aguardando ordens de seu comandante, que não havia se revelado até aquele momento
— Perdoe nossos soldados, pois não é sempre que eles veem alguém voando por cima das grandes muralhas da capital! -Ela se desculpa em um tom brincalhão, talvez para acabar com a tensão no ar.
Momon não se dá por convencido de que não seria atacado pelas costas, então permanece encarando os soldados ao seu redor. Alícia ao perceber que ele estava inseguro diante daquela situação, ordena mais uma vez.
— Todos vocês já podem retornar para suas posições! -Ela diz em voz alto para que todos os soldados escutem. – Não a mais nada para verem aqui...
Ela é interrompida por outro soldado que não concordava com deixar Momon livre sem nenhuma explicação.
— Esse homem invadiu a capital e ameaçou nossos companheiros com sua espada! -Ele argumenta. – Se nosso comandante estivesse aqui...
— Seu comandante está em uma missão fora do reino. -Ela diz. – E até que ele retorne, vocês seguem às minhas ordens!
O soldado cerra os dentes com força o suficiente para causar um leve ferimento em seu lábio inferior, mas quando vê que não há mais nada a se fazer ou falar, ele resolve obedecer e se dispersa junto dos outros.
— Eles são soldados do esquadrão SilverWings, ou pelo menos o que sobrou deles aqui na capital. -Ela diz enquanto olha os homens deixando o local.
“SilverWings... Onde será que já ouvi esse nome?”
Momon tenta se lembrar de onde ele conhecia os soldados deste esquadrão, pois tinha certeza que já tinha os visto em algum lugar. E de repente, imagens dos soldados que enfrentou quando chegou neste mundo vieram a sua cabeça
“Espera... Será que o comandante deles poderia ser...”
— Blake White é o nome do comandante deles. -Alícia diz enquanto olha para Momon. – Ele saiu em uma missão a alguns dias atrás e não retornou nem mandou notícias de seu paradeiro.
“EHHHHHHH!!!”
Alícia logo reparou no rosto de Momon, que estava tenso e suando um pouco.
— Está tudo bem com você? -Ela pergunta.
— Ah... Não é nada! -Ele responde. – Estava apenas pensando um pouco.
Ela apenas sorri e da alguns passos à frente.
“Não posso deixar que descubram sobre a batalha contra Blake, ou as coisas irão ficar bem feias por aqui.”
Momon pensa enquanto acompanha Alícia até na esquina da rua em que havia caído.
— Imagino que tenha algumas coisas para resolver aqui. -Ela diz enquanto retira um cartão de seu bolso traseiro. – Com isso você deve ser capaz de circular livremente por aí, sem ter muitos problemas com os guardas.
Momon analisa cuidadosamente o cartão que acabou de receber, ele era completamente feito de cobre, e ao virá-lo, mais uma vez ele nota o símbolo de quatro espadas cruzadas na parte de trás.
Momon guarda o cartão na pequena bolsa em sua armadura, acena com a cabeça para Alícia e se vira em direção a área comercial. Mas antes que comece a andar, Alícia lhe diz uma última coisa:
— Após terminar o que veio fazer, dê uma passada no palácio, meu irmão gostaria de vê-lo! -Ela diz.
Sem dar nenhuma resposta, Momon começa a andar e tomar distância de Alícia. Ela apenas o observou indo embora, pois mesmo sem receber nenhuma resposta, ela tinha a impressão de que ele havia entendido e que aquele era apenas seu jeito de agir.
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Ao entrar na área comercial, as ruas ficaram muito mais movimentadas, dificultando a locomoção entre as pessoas que trabalhavam por ali.
Mesmo em meio a grande confusão que as ruas estavam, Momon ainda conseguiu enxergar a placa com o símbolo de um martelo batendo em uma bigorna, ambos entalhados em madeira, o que indicava um ferreiro. Ele vai em direção a porta que ficava em baixo da placa e gira a maçaneta, e com um leve empurrão, ele a abre para adentrar o estabelecimento.
O interior da loja era enfeitado com as várias espadas que ficavam para venda em estantes e em suportes para parede. Eram espadas de todos os tipos e tamanhos, com os mais diversos detalhes em suas bainha e empunhaduras.
Ao fim da loja ficava o balcão onde os clientes faziam seus pedidos, atrás do balcão ficava uma mulher de aproximadamente 30 anos de idade. Quando Momon se aproximou, ela o saldou sem perder tempo.
— Boa tarde, em que posso lhe ajudar. -Ela diz.
Momon retira a metade quebrada de um de seus bolsos e a parte quebrada que ficava dentro da bainha dourada em suas costas e as colocam sobre o balcão, deixando a mulher abismada com a qualidade incrível tanto da lâmina quanto da bainha.
— Preciso que dê um jeito nesta espada o mais rápido possível! -Ele diz.
— O-Ok, vou ver o que posso fazer. -Ela diz gaguejando de nervosismo por ter em mãos uma arma tão bela, a qual nunca viu nenhuma igual.
Ela pega as duas metades da espada e analisa de cima a baixo, enquanto Momon repara em uma pequena gota de suor que escorria de sua testa, percorrendo todo seu rosto, até que parou em seu queixo. Ela então olha para ele novamente e diz:
— P-Posso perguntar onde conseguiu esta espada? -Ela diz com a voz um pouco trêmula.
Momon permanece em silencia, com a mesma postura firme de alguém que se recusa a responder certas perguntas.
— Ok... -Ela diz. – Ela ficará pronta por volta de uma semana, pois como é um item mágico e único, precisamos estudar quais os meus de religar as duas partes e também precisaremos de itens específicos que provavelmente não serão fáceis de se achar, o que também irá lhe custar uma boa quantia em dinheiro.
— De quanto exatamente estamos falando? -Momon pergunta.
— Dez mil moedas de platina. -Ela responde com um pequeno sorriso.
“Ehhhh! Dez mil moedas!? A única moeda que eu tinha foi usada para pagar a pousada na Vila Farhill.”
— Esse não é um preço um tanto abusivo? -Momon diz.
— Concordo! -Ela responde. – Mas tente entender que nossa melhor espada custa em torne de duas mil moedas de platina, mas ela nem se compara a essa espada, com certeza é algo exclusivo em toda a terra de FourKnights, pois em todos os meus anos estudando tipos de espada, nunca sequer ouvi falar de algo parecido. Não sei onde você a conseguiu, mas posso lhe dizer que você possui u item incrivelmente destrutivo em suas mãos.
Momon fica impressionado com a explicação da mulher, pois apenas olhando um pouco a espada, ela conseguiu extrair algumas das mais importantes informações da espada, mesmo não tendo descoberto mais nada além disso, já era impressionante para uma simples Ferreira.
— É impressionante que consiga saber isso tudo apenas olhando por alguns segundos uma espada! – Momon diz. -Me dê um segundo.
Momon coloca uma de suas mãos na pequena bolsa atrás de sua armadura e escondido da mulher, ele usa um pouco de sua magia para abrir uma pequena fenda dimensional dentro da bolsa, sendo capaz de pegar itens que havia guardado naquele espaço. Ele mexe sua mão de um lado para o outro tentando encontrar algo que havia guardado a muito tempo atrás.
“Onde será que está. Tenho certeza de que o coloquei em algum lugar por aqui. Uhum... Encontrei!”
Ao encontrar o que tanto procurava, Momon o agarra firme e puxa para fora da bolsa, fechando a fenda dimensional no momento em que sua mão sai completamente de dentro dela. Trazendo até o balcão junto de sua mão, Momon expõe uma pedra brilhante e lapidada de formato triangular.
A pedra chamou a atenção da mulher quase que instantaneamente, fazendo com que seus olhos brilhassem diante da beleza do pequeno item nas mãos de Momon.
— U-Um diamante!? -Ela diz em uma voz empolgada.
— Creio que isso seja o suficiente para cobrir o preço do concerto de minha espada. -Momon diz. – Então volto daqui uma semana para busca-la!
— S...Sim. -Ela diz enquanto esfrega a pedra em sua bochecha com um grande carinho, mas volta a si assim que escuta o pequeno sino da porta quando Momon a abre para sair.
— Espera! Tenho algumas perguntas para... – Momon não da ouvidos e fecha a porta, a deixando por conta de concertar sua espada.
Quando Momon deixa a loja de espadas, as palavras de Alícia ecoam em sua cabeça.
Lembrança:
“Após terminar o que veio fazer, dê uma passada no palácio, meu irmão gostaria de vê-lo!”
Como Momon não conhecia mais nada ali, ele decidiu subir até o palácio para que pudesse conversar com Alícia e seu irmão, o qual desejava vê-lo. Então pegou a esquina mais próxima e subiu o caminho feito com pedras que levava até a entrada do palácio real.
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Momon estava se aproximando da escadaria do palácio, onde dois guardas permaneciam parados para afastar quem não possuía permissão para entrar no local. Como já esperava, os guardas o impediram de continuar seu trajeto, colocando suas duas lanças de forma simétrica na frente de Momon, mas antes que qualquer um deles diga uma palavra, Alícia aparece no topo da escada.
— Deixem-no passar! -Ela diz aos guardas. – Meu irmão já está ciente da situação e o aguarda na sala do trono.
— Sim! -Os guardas dizem ao mesmo tempo, descruzando as lanças e abrindo caminho para que Momon avance.
Degrau por degrau Momon sobe as escadas, até que se encontra com a cavaleira que o aguardava em frente a porta de entrada do palácio. Alícia deixa escapar um pequeno sorriso no momento em que cumprimenta Momon novamente.
— Olá novamente! -Ela diz. – Você foi mais rápido do que eu esperava, mas se está aqui, posso deduzir que já terminou o que veio fazer.
— Não conheço muito as redondezas, então não há muito o que ver por aqui. -Ele responde. – Por hora não tenho mais nada para fazer, então vim até você e seu irmão.
— Tudo bem. -Ela diz. – Então vamos entrar!
Ela se vira e abre a porta principal, que levava para um enorme saguão, que era decorado com os objetos e quadros mais belos da região. Cada parte da parede possuía um pequeno detalhe em dourado, que combinava com o tapete que se estendia por todo o caminho até a sala do trono.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Depois de algum tempo andando com Alícia pelos corredores sem fim do palácio, eles finalmente chegam em frente a porta que levaria a sala do trono. E sem hesitar, Momon dá um leve empurrão para abrir a porta, e com mais alguns passos, ele estava a alguns metros do trono.
A sala possui um enorme tapete que se estende até a base do trono, onde um homem com uma armadura prateada está sentado, seus olhos estavam fixados em Momon, a cor prata de sua íris se destacava juntamente com seu cabelo branco, que estava perfeitamente organizado, com uma pequena trança que caía sobre seu rosto.
— Então você é o cavaleiro que minha irmã comentou!? -Ele diz em voz de descrença. – Não me parece grande coisa!
Como de costume, Momon apenas permanece em silêncio, encarando o homem a sua frente, que ainda o olhava fixamente.
— Não é de falar muito, não é? -O homem diz. – Que seja, meu nome é Joseph Campbell, aquele que ocupa a posição de Cavaleiro de Platina e atual rei de FourKnights.
O homem mudou sua postura séria e ficou um pouco mais descontraído diante de Momon e sua irmã, um pouco contraditório para quem se dizia rei dessas terras, mas deixou isso de lado.
— Soube que queria falar comigo! -Momon afirma.
— Direto ao assunto, não é? -Joseph diz.
Joseph faz um breve gesto com as mãos, e com isso, todos os guardas se retiram do local. Quando o último dos guardas fecha a porta ao sair, Joseph pede a atenção de Momon em uma questão urgente.
— Bom, como você derrotou Inguiinil, posso deduzir que já esteja com seu item sagrado e que também já saiba sobre a profecia. -Joseph diz, tomando o silêncio constante de Momon como um “sim”. – Com isso, é apenas questão de tempo até o despertar do senhor das trevas, então precisamos de sua ajuda para manter o máximo de pessoas a salvo até que consiga reunir os outros itens sagrados.
— Então vocês querem minha ajuda. -Momon diz.
— Pra resumir, sim! -Joseph responde sem pensar muito. – Algumas cidades já foram afetadas por essa profecia, e como sucessor do rei, tenho como obrigação proteger as pessoas do meu reino.
— E o que eu ganho com isso? -Momon pergunta.
— Podemos lhe dar uma informação muito útil. -Joseph responde. – Algo como a localização do próximo item sagrado que você precisa encontrar, mas apenas posso lhe dizer isso depois de provar que pode ajudar a manter todos a salvo.
Momon não estava disposto em se arriscar para salvar algumas pessoas, mas encontrar esses itens sagrados era de suma importância, então qualquer informação era útil para ele.
— Como posso ajudar? -Momon pergunta.
— Como havia dito, várias cidades estão sofrendo com os efeitos da profecia, e uma delas é onde fica o castelo do cavaleiro dourado. -Joseph diz. – Eles estão conseguindo segurar a situação por lá, mas a cada hora que passa, isso fica cada vez mais difícil. Então preciso que você o ajude a evacuar seus habitantes o quanto antes.
Momon pensa durante um breve período, até que enfim ele dá sua resposta:
— Se for apenas isso, não vejo problema em negar seu pedido. -Ele responde.
A resposta de Momon deixa Joseph espantado, pois ele respondeu como se isso não fosse nada. Ele carregaria a responsabilidade de escoltar todas as pessoas de uma cidade inteira, ele praticamente carregaria a cidade nas costas, sem falar no que ele poderia enfrentar pelo caminho.
— Logo reunirei os soldados necessários para fazer a escolta dos moradores. -Joseph diz. – Até lá, preciso que você...
Joseph é interrompido por uma estrondosa explosão no lado de fora do palácio.
— O que foi isso? -Ele pergunta espantado.
Todos escutam a porta da sala se abrindo, e dela sai um dos guardas que estavam dentro da sala quando Momon chegou. Ele corria desesperado, tropeçando várias vezes até chegar em Joseph.
— Meu senhor! – Ele diz com a voz exaltando um profundo medo. – A capital está sendo atacada!
Os olhos de Joseph se arregalam diante do soldado, e sem nenhum aviso, ele corre a toda velocidade até a porta de saída do palácio. Momon e Alícia vão logo atrás dele, deixando o soldado para trás na sala do trono.
Ao saírem do palácio, os dois veem Joseph no meio da escadaria, olhando fixamente para a cidade que estava em chamas.
Bolas de fogo eram arremessadas contra a muralha, as que não a atingiam, passavam por cima e acertavam as casas tanto da área comercial quanto da residencial, incinerando tudo em seu caminho. As pessoas corriam desesperadas de um lado para o outro para fugirem do caos que a capital se tornou.
Enquanto eles observam a cena, outro soldado se aproxima de Joseph para trazer mais notícias.
— Senhor! -Ele chama. – Um exército de demônios está se aproximando pelo Norte.
— Em quantos eles estão? -Joseph pergunta.
— Aproximadamente sessenta mil demônios. -O soldado diz. – Todos carregando espadas e vestindo armaduras, estão prontos para uma batalha.
Joseph fica pálido ao receber a notícia. Mesmo conhecendo a profecia, nunca lhe passou pela cabeça que enfrentaria tantos inimigos de uma vez e em tão pouco tempo. Alícia cai de joelhos ao lado de Momon, olhando para baixo sem esperanças.
— Se-sessenta mil... -Ela diz em um tom de voz vazio e distante.
“Parece que os dois já desistiram sem nem ao menos lutar”
Momon pensou.
— Soldado! -Joseph chama. – Nossa maior prioridade são os civis. Reúna os soldados restantes e se preparem para tirar todos da cidade.
O soldado corre em direção a área residencial para se juntar ao restante de seus companheiros, mas é impedido por Momon antes que passe por ele.
— O que acha que está fazendo!? – Joseph diz. – Precisamos tirar todos daqui o mais rápido possível. Se os demônios chegarem aqui antes disso, com certeza seria o fim de tudo.
— Isso levaria muito tempo. -Momon diz. – E ainda há coisas que preciso tratar aqui com urgência.
— O que você sugere então? -Joseph pergunta. – Não temos soldados o suficiente para uma batalha, ainda mais contra tantos inimigos. Seriamos dizimados sem poder ao menos atrasá-los!
Momon vira as costas para Joseph.
— Não preciso que seus soldados se envolvam em batalha alguma! -Momon afirma.
Joseph respira mais aliviado.
— Então temos que começar a evacuar todos o quanto antes... -Ele é interrompido por Momon.
— Eu vou sozinho! -Momon diz em um alto tom de voz.
Joseph olha para Momon, o encarando como se fosse louco.
— Você quer enfrenta-los sozinho!? – Ele diz. – Isso é bem diferente da batalha contra Inguiinil. Agora são sessenta mil demônios preparados para uma guerra. É impossível você conseguir vencer!
“Impossível, não é? Não conheço o significado de palavra tão tola.”
— Então se esconda atrás de sua muralha e me observe. -Momon diz. – Lhe mostrarei que “impossível” não significa nada para mim!
Momon então corre em direção a entrada da capital, ignorando e passando por tudo em seu caminho.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Momon andava pela ponte ao norte da capital, a mesma que antes estava cheia de pessoas, mas agora estava deserta. Sempre a passos firmes ele seguia em frente, parecia ignorar a situação em que estava.
Alícia e Joseph olhavam de cima da muralha o que Momon pretendia fazer. Não havia mais tempo para uma evacuação, agora só podiam confiar sua esperança em Momon.
Muitos dos soldados já haviam aceitado seu destino, enquanto outros suplicavam aos deuses por piedade.
Uma grande nuvem de poeira se aproximava cada vez mais, indicando que o exército se aproximava. Momon apenas esperava por eles pacientemente, procurando pelo momento certo de agir.
As tropas já eram visíveis ao longe, composta por vários monstros diferentes, incluindo esqueletos, goblins, ogros e os demônios que todos temiam.
Momon está pronto para atacar quando sente a aproximação do inimigo, e o sinal disso era o pequeno tremor que começou abaixo de seus pés. E quando chegam a uma distância apropriada, ele começa a recitar o encantamento por pacto.
— Ó grandiosa deusa do sol, escute minha voz e aceite meu tributo, peço-lhe seu poder e que sua mão, envolta pelas brilhantes chamas divinas, incinere até o último dos inimigos perante a mim. Em troca, ofereço-lhe a alma de todos aqueles que caírem diante seu julgamento.
Ao final do ritual, uma pequena bola de luz envolta por chamas vermelhas surge sobre a palma de Momon, indicando que seu pedido havia sido aceito. Ele usa o punho para esmagar o orbe de energia, que cobre seu braço com as chamas que o envolviam. Ele fecha a mão levanta seu braço e com um único movimento, ele atinge o chão com força o suficiente para afundar a solo a sua volta.
— Amaterasu Judgment Flames! -Ele finalizou o ritual.
O fogo em seu braço é absorvido pelo solo, que logo começa a tremer mais forte. Gigantescas crateras de lava começam a se abrir no solo em meio ao exército, fazendo com que todos sejam engolidos pelo fogo ardente. Assim, um a um eles eram massacrados, e ao longe podia se ouvir os gritos e grunhidos dos monstros tendo sua carne queimada até os ossos.
O céu estava vermelho devido as chamas, o que se combinou com o pôr-do-sol para formar uma incrível cena destrutiva.
Em meio a lava da cratera, uma silhueta feminina começou a surgir. Não possuía rosto nem órgãos sexuais, mas possuía as proporções de uma mulher, com seu corpo coberto pelo fogo dos pés a cabeça. Não restavam dúvidas, essa era a deusa Amaterasu.
Ela levantou seu braço e disse algo que Momon não conseguiu entender. Então, pequenos orbes azuis começaram a surgir de todos os inimigos que estavam mortos, sendo absorvidos pela deusa. Ela estava recebendo seu tributo por emprestar seus poderes.
E foi assim, que em alguns instantes, um único cavaleiro dizimou um exército de dezenas de milhares de demônios se nem mesmo se aproximar deles.
Todos acima da muralha estavam desacreditados, pois abaixo deles, estava o homem com o poder para superar o próprio Deus que eles acreditavam.
Joseph, do alto da muralha encarava Momon saindo em meio as chamas do local, que agora parecia o próprio inferno, com tudo coberto por fogo e lava, mas ele ignorou a paisagem destrutiva que os cercava. Naquele momento, ele percebeu que Momon podia ser mais perigoso do que eles achavam, mas só conseguia pensar em apenas uma pergunta:
— Mas o que é você!? -Ele diz, com seus olhos refletindo a imagem de Momon junto ao brilho das chamas ao seu redor.
Continua...
Fale com o autor