Overdrive & Dark End

6 Capítulo 5- Pagando pelos erros


Notas iniciais
Falas escritas em formato de script
Asteriscos representam ações ou pensamentos dos personagens

Ao voltar para sua base, Abel foi direto até Ilere para interrogar a mesma. Estava sério, e nem falou com ninguém enquanto não encontrava ela.

Abel: Ilere, precisamos conversar.
Ilere: Onde?
Abel: Na Biblioteca, de preferência.

Quando levou Ilere até lá, a mesma ficou impressionada com as vastas prateleiras de livros que Abel tinha, todas organizadas em ordem alfabética, e gênero.

Ilere: O que viemos fazer aqui?
Abel: Poderia se sentar em uma mesa?
Ilere: Sem problemas.

Quando Ilere se sentou, Abel trouxe uma dezena de livros sobre tesouros e colocou sobre a mesa.

Abel: O que você sabe sobre os maiores tesouros de TODO esse reino?
Ilere: Eu conheço quase todos, consegui alguns, enquanto outros alguns piratas infelizes me roubaram. Mas, tem um capaz de tornar qualquer um a pessoa mais rica desse mundo. Eu sei a localização dele, mas não como chegar até o mesmo. Dizem que qualquer erro pode resultar em sua morte, ou em perda de sanidade forçando a viver os piores pesadelos de sua vida.
Abel: Do que você está falando?
Ilere: De um ambiente claustrofóbico, insano, um verdadeiro labirinto que quem saiu de lá escapou teve de se mutilar, passar uma fome horrível, contrair diversas doenças, e conviver com péssimas lembranças.
Abel: E se eu falar que só estou interessado em apenas um único artefato desse tesouro?
Ilere: E de qual você está falando?
Abel: Do círculo congelado. Artefato que apesar de ser feito de gelo, nunca derreteu.
Ilere: O motivo desse tesouro ser escondido, e dessas coisas acontecerem tem uma razão... Manter péssimas pessoas longe de tal poder?
Abel: Mas você e eu não somos diferentes deles, certo?
Ilere: ...
Abel: Que tal um acordo? Você vai me ajudar a encontrar o tesouro por esse artefato, enquanto você pode ficar com o resto.
Ilere: Ótimo... Mas eu preciso me concentrar um pouco sozinha, poderia me dar licença?
Abel: É claro.

Abel sai da biblioteca, e Ilere sorriu por um segundo.

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Em Noline, Azarok convidou o prefeito da cidade para beber um pouco em um bar, já que o mesmo era um grande colega de seu pai. O objetivo era discutir sobre a situação de perigo que a cidade poderia estar correndo, mas Azarok resolveu aliviar um pouco a tensão ao mesmo tempo. O bar era frequentado por uma grande variedade de pessoas, ricas e pobres, bêbados viciados, entre outros. O dono do bar nem liga se tiver brigas e coisas do tipo, pois ele só quer o dinheiro dos outros e eles só querem um estabelecimento com bebida de qualidade pra se frequentar. Enquanto isso, Azarok conversava com o Prefeito Reynald, que pode parecer sério, calmo, e um careca barbudo que não sabe se existe bom humor, mas ainda assim gosta de se descontrair um pouco.

Reynald: Azarok, eu posso te fazer uma pergunta?
Azarok: Qual é?
Reynald: Eu te conheço desde os treze anos de idade, e nunca te vi com uma garota? Não tem uma noiva, ou namorada?
Azarok: Para ser sincero, eu já tive. Eu conhecia desde os sete anos de idade, e nós dois fomos amigos de infância. Aos oito ela disse que queria ser minha namorada, só para andar de mãos dadas por aí, e essas coisas de criança... E isso durou até os doze anos.
Reynald: E o que fez com que acabasse?
Azarok: Basicamente, EU.
Reynald: Terminou com ela?
Azarok: Pois ela namorou comigo. Nosso namoro começou a ficar sério aos doze anos, e nesse período os Verraters, que na época achei que eram simples bandidos, acabaram nos assaltando. Acabaram sequestrando nós dois em uma construção, e...
Reynald: E?
Azarok: Fui forçado a ver eles fuzilando a garota na minha frente. Quando chegou a minha vez, eles me desamarraram de um cano no qual eu estava preso, e me colocaram contra a parede, um dos caras se aproximou de mim, e ataquei o homem com tanta raiva que acabei pegando a espada que o mesmo estava usando... Escapei dos tiros, e matei os cinco que estavam lá, um por um da pior maneira possível... E foi estranho... Eu... Acabei me sentindo bem por aquilo.
Reynald: Sinto muito, Azarok...
Azarok: Até hoje eu não me relaciono com nenhuma outra garota, pois a mesma pode acabar tendo o mesmo destino... Não forçamos ninguém a lutar por nossa causa, então eles também não podem pagar pelo o que fizemos, e o que nos tornamos... Acho que já estou um pouco bêbado depois de um desabafo como esse, hehehe.
Reynald: Seu pai era meu amigo, com você não será diferente. Eu adorava minha companhia da antiga esposa... Eu admito não ter sido o político mais limpo que já nasceu por essas terras, mas mesmo assim ela também não merecia pagar pelos meus erros... Acabei fazendo algumas porcarias no passado, e começaram a fazer protestos violentos. Um dia, eu abri a porta de minha casa, e encontrei na frente dela uma caixa com a cabeça de minha esposa dentro, com uma mensagem desse grupo dizendo que fez isso por protesto. É estranho, os outros tem que pagar o erro que você fez para ver o quão burro acabou sendo.
Azarok: Mas no meu caso, ela pagou por um erro antigo do meu pai, e eu acabei me ferrando.
Reynald: Mas mesmo assim, vamos parar de sermos bêbados reclamando das nossas horríveis vidas amorosas, e sim falar dos negócios? Por que me trouxe aqui?
Azarok: Pois seria relaxante, confortável para falar com você.
Reynald: Inteligente.
Azarok: A questão é: Nós estamos ferrados. Meu pai está morto, a maioria dos Leone foram aniquilados naquele ataque, e temos uma grande desvantagem numérica. O exército de Fido é tão grande que inclusive qualquer ajuda do governo não adiantaria. O que podemos fazer? Acho que deveríamos tentar tirar a maioria das pessoas daqui.
Reynald: O QUE DISSE? NÓS ESTAMOS FALANDO DO CENTRO ECONÔMICO DE TODA ESSA PORCARIA CHAMADA NOMIT, E VOCÊ ME APARECE COM UMA SUGESTÃO DESSAS?

Com o grito, todos do bar ficaram assustados.

Azarok: Estamos em desvantagem, valeria mais se Abel dominasse o local e todas as pessoas fossem livres.
Reynald: Pode parecer fácil para você, mas não vou deixar que abandonem esse lugar...
Azarok: Mas mesmo assim, as pessoas vão sofrer por causa disso!
Reynald: AS PESSOAS VÃO SOFRER POR SUA CULPA, SE ISSO ACONTECER!

Reynald se levantou da mesa, e deixou um aviso para Azarok.

Reynald: Não fale NADA disso para os outros, entendeu? Se fizer, terei que matar um amigo, e não quero fazer isso... As pessoas vão pagar por algo que elas nem envolvidas estavam, nós dois sabemos como é isso.

Reynald saiu do bar, enquanto Azarok ficou calado.

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Abel estava sentado em uma pedra, do lado de fora de sua base, enquanto Ilere foi correndo até ele.

Ilere: Abel, eu preciso saber de tudo o que você conhece sobre esse tesouro!
Abel: Eu sei que existe uma espécie de enigma que foi o motivo de ninguém ter conseguido encontrar o mesmo.
Ilere: E qual é?
Abel: O tesouro faz qualquer pessoa ficar tão rica que ninguém quer dividir o mesmo, então, eles falham por fazerem isso sozinhas. Provavelmente todas as mutilações só ocorrem, pois não tem ninguém para ajudar os caçadores.
Ilere: Você nem sequer sabia disso faz algumas horas.
Abel: Li um livro que relata o que o sobrevivente passou, é meio curto então eu não demorei. Ilere, você sabe que ninguém pode ficar em nosso caminho, não?
Ilere: Quem poderia fazer isso?
Abel: Se esqueceu de seu irmão que fez seus pais desaparecerem, e que quase tentou te matar?
Ilere: ...Não...
Abel: Poderíamos acabar com ele primeiro?
Ilere: Ele tá sumido, Abel, você mesmo me disse. A chance de acabar com ele seria quase a mesma coisa que eu tentar te matar, seria zero.
Abel: Hehehe... Eu tenho que continuar pesquisando sobre o tesouro, amanhã nós dois falamos sobre o que descobrimos.

Ilere deixa Abel sozinho, e novamente começa a sorrir disfarçadamente.

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Na cidade de Poorin, que ficou dominada pelos Verraters depois da batalha entre Abel e Fido, se tornou um local sem muita importância pelos mesmos que dominaram. Basicamente lá a diferença é que um campo de treinamento foi instalado alguns quilômetros fora do perímetro da cidade, e todos os que moram lá fazem trabalho forçado sustentado esse campo. Em um beco da cidade, de madrugada, dois guardas Verraters estavam comendo um sanduíche do lado de fora, e ambos sem perceberem foram mortos com uma facada no pescoço. Em seguida, foi escrito com sangue: Larry Feitel esteve por aqui. Fora isso, um dos guardas mortos teve sua perna amputada. Por onde Larry andava, ele sempre deixava um rastro de maquiagem para acharem o mesmo. Um guarda acabou notando os rastros deixados, e seguiu Larry até uma casa onde um senhor gordo estava dormindo, que em seguida teve sua garganta cortada. Ao chegar na casa, o guarda se depara com a perna do guarda que Larry cortou, e dava para se escutar uma risada na cozinha. O guarda chegou lá, cauteloso, e viu na parede algo escrito com batom: ERRO. Em seguida estava morto levando uma faca na cabeça. Larry pega a gravação de sua voz feita em um celular, e continua indo embora deixando rastros. Sem nenhum problema, Larry consegue chegar no topo do edifício mais alto da cidade, completamente abandonado, e deixou um papel com uma mensagem: VOCÊS VERRATERS, OS LEONES, E EU, NÃO SOMOS DIFERENTES! Odeio cada um de vocês, assim como vocês me odeiam, nós temos os mesmos inimigos E Larry abandona o local, deixando todos os rastros possíveis.

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Enquanto andavam de carro por Noline, ainda na madrugada, Azarok e Lince conversavam.

Azarok: Eu achei que umas mulheres bonitas, bebida boa, e uma conversa emocional acalmaria a situação, mas me enganei. Ele não vai deixar nós levarmos esse pessoal embora, e nem alertar os mesmos.
Lince: E o que nós podemos fazer
Azarok: Defender esse local, eu acho. Precisamos levar alguém lá fora, que conheçam bem o que Abel é capaz de fazer, se conhecerem bem a região daria para ver se tem algum acampamento próximo, talvez. E gente competente para fazer algo no grupo, como Daniel e Psycho, além de Schatten. Precisamos deles. Pretendo conversas com todos amanhã, já que tenho algo GRANDE planejado!
Lince: E sobre aquele papo de deixar Noline?
Azarok: Aquilo vai ter que ser adiado, mas se conseguirmos vencer toda a invasão, eu espero que todos tenham consciência do risco que estão correndo.
Lince: Você não acha isso estranho? Eles não atacarem ainda, teriam a oportunidade de fazerem o mesmo quando voltou.
Azarok: A base deles tinha sido atacada, sua prisão foi destruída, e ele deveria suspeitar que a maioria estava a espera de algo assim. Não faria sentido atacar naquele momento, mas esperar muito também não. Acho que em cinco dias devemos estar prontos para o pior. Só sei que quero sair daqui o mais rápido possível, expandir o território dos Leone, e matar Abel com minhas próprias mãos.
Lince: E a Blackhow?
Azarok: Não quero ficar sedento por vingança, mas eu irei atrás deles, tenha certeza disso. É hora de olhar pra frente, pois tem algo muito maior que isso.
Lince: Azarok, já pensou em abandonar essa área agora? Tirar todos os Leones daqui?
Azarok: E essas pessoas? Nós temos culpa disso tudo acontecer, e não elas. Não somos sociopatas em busca apenas da sobrevivência, capazes de fazer qualquer coisa para conseguir algo que queremos. Nós não somos iguais aos Verraters, igual antigamente. Isso vai além de duas facções lutando, Lince.
Lince: Entendi. Mas acha que vai ser sempre assim, que não vai ter de fazer coisas horríveis?
Azarok: Tenho certeza que não.
Lince: Mas então, qual o motivo de você estar tentando?
Azarok: Para não piorar as coisas. Não se esqueceu que nosso negócio com criminosos foi o que FERROU com nossa organização, foi isso que matou meu pai. Na maioria das vezes, uma morte ou assassinato ocorre por nossas ações, e as consequências que elas trazem. Tenha certeza que a cabeça de Abel como troféu já está reservada na minha sala. Agora Lince, eu estou cansado, me deixe em casa.

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