Overdrive & Dark End
26 Capítulo 25- Salvadores
Notas iniciais
Asteriscos representam pensamentos ou ações dos personagens
Algumas horas depois da morte de David, as coisas não pareciam melhorar. Abel enlouqueceu com a fuga de Kay, aquilo ficava explícito em seu olhar, mesmo tentando esconder. Mesmo assim, ele continuava trabalhando em seu projeto, já que estava próximo de conseguir o que queria. Para Azarok, tudo piorava, já que sua saúde não estava nada boa, além de seu corpo. Ele era torturado de muitas maneiras, mas Abel insistia em manter ele vivo. Foi forçado a praticar canibalismo, e Abel enfeitou sua cela com entranhas, tripas e corpos mutilados. Azarok não tinha certeza de até quando iria sobreviver, mas desejava morrer logo. Sem uma mão, e os dedos da outra, não podia fazer nada, pensava em cometer suicídio, mas era quase impossível. De repente, o homem que estava na cela do seu lado começou a conversar com Azarok.
Homem: Qual é o teu nome?
Azarok: Sou Azarok Leone.
Homem: Então ele finalmente pegou os Leones, não é? Sou Ricard Belo.
Azarok: Belo sobrenome...
Ricard: Sim... Na verdade ele veio do meu antigo grupo, os Belos... Tenho certeza que conhece Larry Feitel... Acredite em mim, ele é perigoso.
Azarok: Eu já sabia. Mas, por qual razão diz isso?
Ricard: Esse grupo é dele... Ele está querendo acabar com os Verraters, o mesmo para vocês, mas... É só olhar pra tua situação. Ao menos tem filhos ou algo assim?
Azarok: Não.
Ricard: Entendo. Larry me deixou para trás, e acabei parando aqui... Vou ter uma morte rápida se colaborar com os Verraters... Sei que eles não são santos, mas o que importa? Entre ele e Larry, não sei qual é o pior... Se o seu grupo conseguir passar por tudo isso, as coisas vão ficar muito piores. Larry pode ser louco, mas está com milhares de pessoas ao seu lado. Estupradores, assassinos, ladrões, maníacos, psicopatas, rumores até de pedófilos... Todos lutando ao seu lado para acabar com os Verraters, e satisfazer seus desejos doentios.
Azarok: Eu queria estar morto agora...
Ricard: Quem não queria? Todos estão quietos, pois não aguentam mais de tanto esperar...
Azarok: Não consigo ver, mas posso sentir.
Ricard: Agradeça por estar cego...
Azarok: Pensando por esse lado, sou um homem de sorte.
Abel e Denos apareceram, enquanto conversavam. Azarok não podia ver nada, mas escutava os barulhos deles pegando Ricard para tortura-lo. Em poucos minutos escutavam se só gritos, choros, e barulhos de chicotadas, e cortes.
Abel: Olha só como você está... Agora, me diga o que sabe sobre Larry!
Ricard: Seu exército é formado pelo pior tipo de pessoas nesse mundo...
Abel: Interessante... Mas, o meu exército é formado pelo pior tipo de pessoas! Que contraditório, não acha?
Ricard: Você não entendeu...
Abel: Bem, você parece não falar nada que preste... Denos, você pode deixar homens fazerem o que quiser com esse lixo.
Ricard: Não... Por favor, não! Pare, eu imploro! Eu tenho... Tenho família!
Abel: E trabalhava com um bando de assassinos, e psicopatas, belo exemplo.
Ricard: Droga!
Denos segurava Ricard pelo pescoço, fingia que ia cortar sua garganta, apenas por diversão.
Denos: Vou cortar seu pescoço...
Ricard: Faça isso, por favor!
Denos: Espere...
Ricard: Acabe com isso... É desumano, e doentio!
Denos: Vou te dizer o que é desumano... Prender lixos como você, e ter que visitar esse lugar fedorento todos os dias. Merecemos um pouco de diversão.
Ricard: Pare!
Denos: Mas, eu tenho mais o que fazer... Não posso brincar com você.
Ricard: Isso!
Denos: No entanto, não posso ser egoísta. Vou doar esse brinquedo...
Ricard: Como?
Denos: Venham até aqui se quiserem brincar com esse monte de lixo!
Dava para escutar passos, de muitos Verraters indo até Denos para se divertirem com Ricard. Não dava para saber o que estavam fazendo, e Azarok apenas ouviu os gritos de Ricard, que duraram minutos. Azarok estava perturbado com aquilo. Por fim, Abel foi até ele, apenas para tentar se divertir.
Azarok: Eu agradeço por estar cego...
Abel: Foi um pequeno favor que eu fiz por você.
Azarok: Sabe Abel... Não seria legal se a gente esquecesse tudo isso, e fizéssemos um churrasco para comemorar a paz.
Abel: Foi o que sempre quis fazer com você. Mas, em Noline, os guardas disseram que não podia entrar, pois era muito feio, então tive que usar outros métodos. Pena que fui vitima de péssima interpretação com a invasão.
Azarok: Sabe qual foi uma das piores coisas daquela invasão? Um dia depois seria o último capítulo da minha novela favorita, que agora nem lembro o nome...
Abel: Se for a que estou pensando, David assistia...
Azarok: O mesmo que eu escutei alguma conversa sobre ter sido morto?
Abel: Sim. Aparentemente o mocinho ficou com a mulher sofredora e melancólica, o vilão se ferrou no final, e teve todo aquele trabalho horrível de atuação.
Azarok: Como sempre.
Abel: Se odiava as atuações, por qual razão assistia?
Azarok: Era divertido... Ver o trabalho das atuações fracas, e ver a mesma coisa sempre...
Abel: Nada como um pouco de diversão quando está ferrado, não é Azarok?
Azarok: É ótimo procurar o lado bom das coisas.
Abel: E qual é o lado bom?
Azarok: Bem, não preciso me preocupar com os assuntos dos Leones. Posso me divertir com você.
Abel: E o lado ruim?
Azarok: Esse lugar fede. Mas, e quanto a você... Qual é o lado bom disso tudo?
Abel: Você é meu...
Azarok: Eu sei que você me ama... Mas, e o lado ruim?
Abel: Ter que aguentar esse fedor horrível.
Azarok: E... Ter causado uma guerra enorme, com um exército marchando até sua casa. E, sua filha ter ido embora... Eu escutei algo assim.
Abel: Mesmo sem um ouvido, você ainda escuta bem?
Azarok: É necessário, na falta do que fazer. Além disso, seus gritos de loucura ecoam em todo lugar.
Abel: Volto depois...
Abel e Denos foram até um salão enorme. Muitos cientistas estavam trabalhando na máquina de Abel, e ele queria dar uma olhada no projeto. O salão era completamente branco, e vazio, só tinha uma máquina que estava sendo montada, não tinha o formato de nada.
Abel: Escutem!
Abel gritou, chamando a atenção de todos.
Abel: Quero essa máquina pronta, e logo. Para isso, vou reduzir o horário da soneca de vocês. Pode parecer difícil, mas serão recompensados.
Os cientistas continuaram trabalhando, quase que ignorando o que Abel disse.
Abel: Parece que não ligaram.
Denos: Mas, eles só dormem quatro horas por dia... Tirar duas horas não parece muita coisa.
Abel: Mas é... Você conhece muitas estratégias, mas... Nunca enfrentou uma batalha realmente feroz. Uma vez, escravos tentaram se rebelar, eram milhares deles, e conseguiram até certa parte. Roubaram as armas, e tudo mais... O local era bem grande, então a batalha durou por horas. Eu estava dormindo, em um acampamento próximo, até que escutei o barulho. Só tive uma hora de sono, estava cansado e exausto, mas ignorei aquilo e fui lutar. No entanto, fui atingido por um golpe de espada, que me deixou gravemente ferido, e incapaz de lutar por um tempo. Em uma guerra como essas, o descanso é pouco, e tem de se valorizar todo o tempo que tem.
Denos: Você age como se eu fosse burro...
Abel: Você não é...
Denos: Você sabe de muitas coisas Abel, assim como eu. Mas, quem sabe do que estou falando, além de mim? Eu posso ter participado de batalhas piores, ou não. Servi Ned como um escravo burro e idiota, no entanto, ninguém sabe se eu tinha outras intenções, ou não. Ninguém sabe do meu potencial, nem mesmo você...
Abel: Está bem, mas... Isso não tem nenhuma relação com aquilo que falei.
Denos: Não... Mas, eu tinha que dizer isso...
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No meio da tarde, Schatten sentia um clima depressivo no acampamento. Apesar de toda a bebedeira, e tudo mais, aquilo parecia triste, e estranho. A insegurança dominava sua mente, como um verdadeiro escravo. Ele não conseguia tirar aquilo de sua cabeça, certas vezes de tanto medo começava a tremer. Era raro ele não conseguir derrubar uma garrafa de vinho. Contudo, quando era para definir planos ele sempre parava de pensar em tudo ao seu redor, só para decidir qual era a melhor decisão. Além de agir calmamente perto dos outros, principalmente de Kay. Aquele sentimento de insegurança era forte, mas ficava escondido em sua tenda, onde ele passava maior parte do tempo.
Schatten: *pensando* Estranho o jeito que cheguei até aqui. Um discurso e boas palavras são o suficiente para conquistar pessoas... Os líderes só maquiam e manipulam a verdade, apenas para continuar mantendo a fama. Mas, eu não sou assim, tenho que aceitar a responsabilidade, e descobrir se sou um verdadeiro líder, ou apenas um covarde... É estranho estar tão tenso como em uma entrevista de emprego.
Lince apareceu em sua tenda, querendo saber o que Schatten estava fazendo, assim como os outros.
Lince: Schatten, você ficou aí dentro o dia inteiro, saia um pouco.
Schatten: Já estou indo.
Lince: Bem melhor... Quer dar uma treinada?
Os dois saíram e foram para um campo aberto. Pegaram espadas de madeira e se prepararam para lutar. Schatten não tinha falado nada, apenas fez isso para se animar um pouco.
Schatten: Podemos começar agora?
Lince: Claro.
Os dois começaram a treinar. A luta era obviamente de brincadeira, e eles estavam mais rindo do que treinando. Nenhum atacava o outro de modo sério, e eles pareciam estar brincando com dois gravetos. Passaram alguns minutos, e pararam.
Schatten: Sério, isso é treinamento?
Lince: As coisas saíram um pouco do controle.
Schatten: Eu concordo.
Lince: Você confia em Kay?
Schatten: Eu não sei. Mas, se ela tentar fazer alguma coisa engraçada, escapar da escolta, estará morta.
Lince: Ela pode estar enganando a gente, sabe disso.
Schatten: Eu sei, e caso ela prepare uma armadilha, eu cairei nela.
Lince: O que disse?
Schatten: Esse exército não tem nada para perder, somente ganhar...
Lince: Os Lones não fa...
Schatten: Não somos os Leones.
Lince: Então, o que somos?
Schatten: Somos Salvadores...
Lince: É assim que pretende chamar esse exército?
Schatten: Sim.
Lince: Estranho... Nunca achei que estaríamos em uma situação como essa...
Schatten: Como assim?
Lince: Achei que as coisas poderiam ser bem piores. O exército seria aniquilado, torturariam a gente sem parar, e por fim os Verraters tomariam tudo. Podemos não estar como antes, mas ainda existe uma esperança...
Schatten: ... Vou comer alguma coisa.
Schatten voltou para sua tenda, com uma carne de frango e garrafa de vinho. Aquilo não parecia bom, era como comida de hospital. Schatten se deitou no chão, e ficou lá por alguns minutos. Psycho entrou na tenda, e ficou surpreso com o que viu.
Psycho: Sinto muito por estragar seu sono, mas temos que ir.
Schatten: O que?
Psycho: Você entendeu.
Schatten: O que tem de tão importante?
Psycho: Kay vai contar tudo que sabe.
Schatten: Sério?
Psycho: Sim.
Schatten: Bem, então vamos planejar o ataque agora.
Psycho: Ainda estamos longe, aparentemente.
Schatten: Óbvio, vamos ter que caminhar por mais alguns dias.
Os dois foram até o meio do acampamento, onde estava uma pequena mesa e duas cadeiras. Kay estava sentada em uma delas, enquanto Schatten se sentou na outra. Os outros ficaram em volta dos dois, escutando o que fariam.
Schatten: Então, comece...
Kay: Não se concentrem na base de Abel, para começar. O maior problema é a cidade, que funciona como uma base para os Verraters. Ela é cercada por muros, e quase todo o exército Verrater está lá, então se passar pela cidade, a base não será um problema grande. Os muros são resistentes, contudo, existe uma vantagem e desvantagem para eles. Nos cantos tem uma passagem secreta, a qual se conseguirmos entrar sem sermos percebidos, da para atacar por dentro e fora ao mesmo tempo.
Schatten: Mais alguma coisa?
Kay: Alguns prédios não são resistentes, o que facilita a demolição em cima de qualquer um. No mais, quando eu estava no comando, falei para alguns homens ficarem fora da cidade, para atrasar um pouco os inimigos. Ideia idiota, mas era minha intenção. E cuidado com os atiradores, se for para montar um acampamento antes do ataque, sugiro que seja um pouquinho longe.
Schatten: Entendido. Jack vai liderar um grupo que atacará por dentro, usando a passagem secreta. O resto vai ficar comigo, para destruirmos os muros da cidade. Daniel, eu quero bombas, não tão potentes como a última, mas poderosas mesmo assim. Nós vamos marchar hoje.
Kay: Se reduzirmos as horas de sono, será possível chegar a tempo de impedir Abel. Temos um pouco menos de uma semana, pelo o que calculei.
Schatten: Então, vamos logo.
Schatten não sabia o que sentia, era estranho. Estava decidido a marchar, a insegurança não dominava sua mente, contudo, ele ainda desconfiava se fazia o que era certo.
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Alguns dias se passaram, e o projeto de Abel evoluía. Dessa vez ele começava a ter o formato de canhão, da cor negra, e com um buraco no meio. Abel e Denos passavam lá todo dia para supervisionar o projeto, não falavam com ninguém, apenas mandavam.
Abel: Vá ver como está nosso amigo, Azarok.
Denos: Está bem...
Denos foi até a cela de Azarok, onde ele estava sendo torturado. Um Verrater chicoteava o Leone de modo brutal, e ele tentava resistir. Tinha pedaços de carne humana no chão para Azarok comer. Era nojento e deprimente até para Denos ver Azarok daquela forma. Ele parecia ter 40 anos, seu rosto mutilado fazia qualquer um vomitar, mesmo assim, os Verrraters estavam acostumados. A tortura acabou, e o Verrater saiu. Denos e Azarok ficaram sozinhos, para terem uma conversinha.
Denos: Você parece estar aguentando bem... Não se preocupe, pois isso tudo já vai acabar.
Azarok: Sério? Achei que o torturador tinha começado a gostar de mim. Eu estava querendo convidar ele para meu aniversário, e ele disse que traria uma cerveja e faríamos um churrasco.
Denos: Todos aqui gostam de você, mas não da mesma forma que teus amigos.
Azarok: Eu respeito você, Denos... Consegue controlar Abel, é um bom estrategista. Teve alguma decisão errada sua? Nenhuma, tirando o seu casamento com Ned, é claro.
Denos: E quanto a você? Ou melhor, quanto a nós. Para que essa batalha, e guerra toda? Seus amigos estão tentando salvar você, sabia?
Azarok: Que notícia maravilhosa, eles gostam de mim. Será que seus... Digo, os homens de Abel fariam o mesmo por ele?
Denos: É irônico não é? Todos nós sabemos dos riscos, problemas e consequências, mas continuamos. Parece aquele adolescente viciado em drogas, que sabe o erro, mas continua, pois não consegue parar. Será que nossa natureza é assim?
Azarok: Vou perguntar para o prefeito de Noline, se existir outra vida após essa.
Denos: É religioso?
Azarok: Não, estou falando como se fosse um jogo de videogame.
Denos: Inteligente.
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Dias se passaram, e as coisas ficavam mais tensas. Os Salvadores começaram um ataque na cidade dos Verraters, quando começava a amanhecer. E a máquina de Abel estava quase pronta, mas precisaria de mais um tempo para estar em funcionamento. O exército de Schatten se movimentava, e a batalha começava. No meio daquela correria, Daewnron foi até Schatten, se lembrando de uma coisa. Ambos estavam atrás de uma grande rocha, para conseguirem cobertura.
Daewnron: Aparentemente, se Abel fica na base além dessa cidade, ele não possui nenhum caminho de fuga.
Schatten: Como assim?
Daewnron: Ele só pode escapar se tiver aeronaves.
Schatten: E...?
Daewnron: Se chegarmos até lá, eu posso pegar uma aeronave, e impedir uma possível fuga. Eu sei fazer isso.
Schatten: Era só isso?
Daewnron: Sim.
Schatten: Então faça o que quiser!
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A batalha tinha começado, enquanto isso, Abel, Denos, e alguns Verraters estavam do lado de fora da base.
Denos: O que fazemos agora?
Abel: Você é o estrategista, mas dessa vez... Nós aguardamos. Mesmo assim, temos uma coisa para fazer.
Dois Verraters carregavam Azarok para fora da base, e deixaram-no encostado em uma parede.
Abel: últimas palavras?
Azarok: Acabaram as férias.
Abel: Acabem com isso!
Os tiros se espalhavam pelo corpo de Azarok, e ele aceitava a morte sem nenhum problema. Era um sinal de que tudo tinha acabado para ele, e que fez o possível para impedir os Verraters. Ele já estava morto fazia tempos, Abel só fez o Leone parar de sentir dor. Os pássaros voavam, para nunca mais voltar. O sangue se espalhava no chão, mas era só mais um Leone morto, que não fazia mais diferença.
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