Overdrive & Dark End
12 Capítulo 11- Terra sem regras
Notas iniciais
Asteriscos representam pensamentos ou ações dos personagens
Ilere estava tomando um chá de ervas natural, na Salvação. Enquanto aprendia a costurar com as outras garotas. Ela ficou um pouco desconfortada da maneira em que elas endeusavam Luderick, mas não abriu sua boca. De repente só se ouvia gritos por toda a vila.
Ilere: O que foi isso?
Ilere foi correndo na direção dos gritos rapidamente, e encontra um homem, que nunca tinha visto antes, todo esfaqueado, e sem um olho. Ele era um caçador, do grupo de Luderick. Ilere olhou para Hedork, que também estava tenso.
Ilere: O que aconteceu?
Hedork: Aparentemente o cara foi torturado até morrer no meio da floresta... Luderick só trouxe o corpo até aqui e já voltou para lá, quer fazer com que os caras que fizeram isso paguem.
Ilere: Caramba... A gente precisa fazer alguma coisa!
Todos ali falavam o grande Luderick vai acabar com tudo, com certeza, tirando alguns que ficavam calados. Ilere correu até a floresta, e se encontrou com Daewron. Ele falava com uma fada, que estava ciente sobre o que estava acontecendo.
Daewron: Ilere, eu apresento Emily Florência. Ela é uma fada, que sabe muito bem dos riscos que estamos correndo.
Emily: Não temos tempo para apresentações, temos que fazer uma coisa, e logo!
Ilere: Sobre a morte daquele homem?
Daewron: Nós precisamos te mostrar uma coisa, Ilere...
Ilere seguiu Daewron e Emily no meio das árvores, e depois de duas horas correndo, Daewron parou um pouco, na frente de um riacho enorme. A partir dali, começou a caminhar, e sempre se esgueirando em rochas, árvores e moitas. Ilere apenas fazia o mesmo, enquanto Emily ficava para trás esperando.
Ilere: Ela parou...
Daewron: Logo você vai saber o motivo.
Depois de quinze minutos andando e se esgueirando, os dois encontram um barranco enorme, e embaixo estava outra vila. A vida ali aparentemente não era nada fácil, montes de feno eram as casas, uma água suja e podre servia de bebida, e todos estavam aparentemente desnutridos. Fora que o número de pessoas morando lá era enorme, cerca de quatro vezes maiores que os da Salvação.
Ilere: Que pena...
Daewron: Acha mesmo que essas pessoas passam fome?
Ilere: Olhe a situação...
Daewron: Sabe, eu conheço sobre esse tal de Abel Verrater... Mas pense, qual seria o motivo de ele construir uma base do lado dessa floresta?
Ilere: Eu lembro que ele ter dito algo sobre essa floresta, falou que assim dificultava a fuga de algumas pessoas, e eu sou a prova viva de como isso é verdade...
Daewron: Certo... Mas, se esqueceu de algo. Abel atualmente CONTRLA essa floresta, assim que todos os fugitivos chegam até aqui, ele já está preparado. Luderick é um Verrater, Ilere... Ofereceu conforto, casa, comida, mas logo ele chega e te entrega para Abel, ou te mata com as próprias mãos, e é capaz de te deixar preso. Essas pessoas passando fome não são nada menos do que perigo irreal para deixar as pessoas com medo de Luderick, como se ele fosse um exemplo de pessoa, assim controlando totalmente elas. Luderick SABE a saída, de onde acha que ele consegue bebida? É muito mais fácil manipular um monte de bêbados trouxas. Essa guerra entre as duas vilas é mentira, ao menos até agora... O acordo foi quebrado, por isso ambos estão em guerra, e aquele homem está morto. Faz tempo que a vila não está realmente em perigo... Mas, você entendeu Ilere? Os Verraters controlam tudo.
Ilere: Eu vou acabar com Luderick, com certeza... Mas antes, precisamos lidar com essas pessoas, e já tenho uma ideia de como fazer isso.
Daewron: Aliás, eles costumam preparar emboscadas fora da vila, por isso Emily ficou para trás, precisamos se certificar de alguém nos dando cobertura.
Os dois começaram a voltar, enquanto Emily já tinha acabado com todos os que tentaram matar ambos. Ao voltarem para a Vila, tinha anoitecido, e Ilere observava as árvores e a natureza. Emily se aproximava tentando conversar.
Emily: O que você está fazendo?
Ilere: Olhando as árvores. Antigamente, eu achava que o lugar perfeito para morar era assim, natural, sem modernidades, apenas a natureza, e a tranquilidade. Eu achava que aqui seria perfeito para morar, pensei em largar mão de tudo que eu estava querendo, mas descobri a verdade...
Emily: O que fazia antes disso tudo?
Ilere: Caçadora de tesouros... Eu usava uma aeronave, mas, roubaram ela de mim.
Emily: Eu não me lembro de nada... Só recordo de como eu vivia em uma cidade legal, mas eu me perdi e... Vim parar aqui. Não tenho nenhuma lembrança.
Ilere: Certas coisas eu prefiro nem lembrar... Eu já fiz coisas horríveis quais eu não suporto ter que lembrar, nem imaginei que seria capaz de fazer aquilo tudo... Algumas vezes, não se lembrar de nada é bom, você pode começar de novo sem nenhum problema...
Emily: Como você dorme? Eu já tentei, mas é difícil, não paro de imaginar se passei por coisas felizes, ou não.
Ilere: Então pare de pensar nisso, você pode começar de novo, apenas não pense em como as coisas podem ter sido antes, se eram melhores ou piores.
Emily: Coisas que você não lembra no passado podem acabar trazendo sérias consequências, Ilere.
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Em Everwinter as coisas ficavam cada vez piores. Ned preparava uma salada de alfaces enquanto se escutava gritos cada vez mais altos. Ao sair do castelo, Ned percebe que todos os Verraters estavam ali, sem fazer nada, esperando suas ordens.
Verrater: O que faremos?
Ned: Esperem... Não façam nada, apenas ameacem com alguns tiros, por enquanto. Não ataquem enquanto eles não atrapalharem o sono de ninguém.
Verrater: Certo!
Ned: DENOS, ONDE VOCÊ ESTÁ?
Denos: Aqui, senhor.
Ned: Ótimo, precisamos conversar.
Denos é o melhor ajudante de Ned em Everwinter. Com apenas vinte e dois anos, Danos se destaca por ser um estrategista excelente, e rigoroso. No combate prefere agir furtivamente, ou analisando a situação e dando ordens para os outros. Possui uma característica de Ned, a vaidade, possuindo um longo cabelo vermelho, procura evitar que seu rosto leve um corte, e possui um costume estranho de usar um pouco de maquiagem. Sua armadura é extremamente espalhafatosa, completamente colorida e com diversos tons de amarelo, azul, roxo e verde. É apelidado de Guerreiro das Cores. Ele e Ned vão até a cozinha, e começam a comer a salada de alfaces que Ned estava preparando, se sentaram nas cadeiras e conversavam.
Ned: Preciso de sua ajuda.
Denos: Deixa eu adivinhar... Um plano para defendermos o castelo e para entrar na prisão?
Ned: Exato.
Denos: Então, Ned... Primeiro de tudo gostaria de dizer que a salada está deliciosa... Em segundo lugar...
Ned: Obrigado.
Denos: Recapitulando... Em segundo lugar, gostaria de recomendar que o portão ficasse bem protegido, com diversos guardas. Ficar em cima dos muros não é recomendado pois é fácil alguém perder o equilíbrio lá em cima e cair. No mais, eles devem atacar com espadas, e os atiradores devem ficar para cobertura.
Ned: Ótimo...
Denos: Os Verraters não podem se espalhar muito e nem ficar juntos demais, o número de prisioneiros é enorme, então caso eles sejam cercados, será muito difícil escapar... Por fim, quando restarem poucos, não mate eles.
Ned: Garanto para você, eu tenho algo reservado para eles...
Denos: O velho e sádico Ned... Isso não me surpreende.
Ned: Cala essa boca...
Denos: Por fim, caso algo acaba dando errado, os soldados vão precisar ficar perto dos portões, para nenhum ficar para trás...
Ned: Caso contrário?
Denos: Eles vão morrer, obviamente.
Ned se levantou da cadeira e foi até a janela observar a vasta região de neve que os cercava.
Ned: E daí?
Denos: Como assim?
Ned: E daí que alguém pode morrer? Qual será a diferença?
Denos: O que?
Ned: Estamos todos mortos mesmo... Não temos nada para viver ou morrer. Aposto que sua mãe nem saberia do que aconteceu com você, caso morresse.
Denos: Eu...
Ned: Estamos cercados pela morte, Denos... O que nos faz continuar vivo? Não sei, talvez o fato de sermos idiotas e não aceitarmos o nosso destino.
Denos: Ou talvez pelo fato de que nós temos de cuidar desse lugar.
Ned: Exato. É estranho, não? Uma decisão inteligente criar isso tudo no meio do nada. Assim ninguém saberá de nada, mesmo... Onde o importante não são as pessoas, mas sim manter essa prisão salva. Um lugar tão importante que não faz diferença entre viver ou morrer.
Denos: Sei do que está falando...
Ned: Denos, qual o motivo de você fazer isso tudo, afinal?
Denos: Para tentar sair daqui, talvez.
Ned: Sinto muito, mas você não vai... O motivo de eu fazer isso? Não sei, apenas é algo que eu sou bom, eu não sei ser de outra maneira.
Denos: Então a gente é ruim por ser assim?
Ned: Não existe bom ou ruim, bem ou mal... Apenas ações, boas ou ruins, inteligentes ou burras, cada uma te define, faz com que seja bom em algo, torna você em alguém... Apenas não consigo me imaginar vivendo de outra forma.
Denos: ...
Ned: Você não entende? Não temos almas, família e nem ninguém. Somos pessoas, com um objetivo, com algo para fazer ou alcançar, mas sem nada... Eu me sinto bem, de certa forma, ao menos posso dormir tranquilo... Não faz diferença entre eu vivo ou morto.
Denos: Ned, eu...
Ned: Sabe, o que está morto é imortal, Denos. E outra coisa, você sabe, mas não se importe com ninguém aqui... Não seja amigo de nenhuma pessoa, e trate os soldados como inúteis que podem morrer a qualquer hora. E pense em mim da mesma forma da qual penso em você.
Denos: Como?
Ned: Sendo um lixo descartável...
Denos: O motivo?
Ned: Eu não sou diferente de você, ou de nenhum dos soldados.
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O grupo de Azarok chegou na cidade chamada Free Paradise. Ela no começo parecia estranha, nenhum muro para defender a mesma ou guardas. Mas ao entrarem se depararam com o paraíso. Crianças brincavam nas ruas tranquilamente, o trânsito era calmo, o comércio livre, e a praça extremamente bela. Eles chegaram na casa do tio de Azarok, chamado John. De longe ela parecia linda, completamente branca. Por dentro, totalmente desarrumada, parecendo o quarto de uma criança que não queria arrumar, cheia de teias de aranha. O grupo se apresentou rapidamente, e o tio de Azarok fez um chá. John pela aparência parecia rude, barbudo, gordo, e careca.
John: Azarok, diga, o que vieram fazer aqui?
Azarok: Estamos tentando matar Abel... Você sabe.
John: Eu sei o que aconteceu com Fido, Azarok. Sinto muito não estar lá no momento.
Azarok: Que nada.
John: Aliás, pretende ficar aqui por quanto tempo?
Azarok: Eu queria só pedir um carro emprestado... Se você tiver ainda a coleção, claro.
John: Ela ficou ainda maior, tenho que guardar os carros no jardim. Mas, pode pegar um.
Azarok: Ótimo... Pretendemos ficar só por um dia, temos de continuar a viagem.
John: Aliás, faria o favor de ir em uma festa hoje, no meu lugar? Eles me convidam devido ao meu parentesco, e não estou com vontade de ir. Ela vai ser de noite.
Azarok: Claro, saudades de tomar aquele vinho extremamente chique. Aliás, eu já vou dar uma saída, tio, quero passear pela cidade, procurar um bar, e tudo mais.
Schatten: Azarok, eu quero ir com você. Preciso conhecer mais essa cidade.
Azarok e Schatten saíram da casa, enquanto Flauspinne ficou lá brincando com as teias de aranha. A cidade não tirava aquela impressão, de ser bela. Continuaram andando mais um pouco até acharem um bairro quieto, e estranho. Encontraram ali um bar aberto, e entraram. Aparentemente estava vazio, com apenas o barman. Somente pediram uma cerveja e se sentaram em uma mesinha.
Schatten: Lugar belo, não?
Azarok: Belo demais... Não é possível.
Schatten: O que quer dizer?
Azarok: Parece perfeito demais, assim como Noline. E aqui não tem muros, o que piora a situação.
Schatten: O que quer dizer?
Entraram dois homens no bar. Um era extremamente magro, e o outro gordo. Usavam as mesmas roupas, camisa preta, e calça cinza. Eles tinham um olhar ameaçador.
Homem (1): Olhe, novos cidadãos.
Azarok: Não somos daqui...
O barman se escondeu atrás do balcão.
Homem (2): Não importa, apenas vão ter que pagar o pedágio.
Schatten: Do que estão falando? O prefeito ordenou algo assim?
Homem (1): Prefeito? Que idiota, estamos em uma terra sem lei. Em toda Nomit não existe presidente, governador, apenas prefeitos que criam regras em suas cidades, mas aqui não existe isso. As pessoas criam suas próprias regras.
Azarok: Mesmo? Então, eu sei de uma... Todo idiota que entre em um bar ameaçando e falando baboseiras, deve ser morto...
O cara gordo tentou sacar sua arma, mas Azarok atirou uma bola de fogo nele. Schatten foi para cima do outro, e cortou seu pescoço.
Schatten: Tem certeza que isso foi inteligente?
Azarok: Eu não sei!
Ao saírem do bar, Azarok e Schatten percebem que havia quatro homens vigiando o que estava acontecendo. Quando eles saíram do bar, começaram a atirar.
Azarok: Shield!
Schatten: Shield!
Ambos estavam protegidos dos tiros. Até que os bandidos desistiram e tentaram ir para cima deles, usando facões.
Homens: Abel Verrater querem vocês mortos! E sua cabeça vale dinheiro!
Azarok desviou das facadas de um dos homens, e em seguida decepou a cabeça dele. Schatten conseguiu deixar dois desacordados. O último que sobrou foi na direção de Schatten para dar uma facada na testa.
Azarok: BURN!
O homem parou de se mexer, sentindo um calor enorme.
Azarok: Me diga uma coisa. Qual a razão de fazerem isso?
Homem: Abel Verrater... Ele colocou uma recompensa para a cabeça de vocês. Quer que tragam vocês vivos, mas mortos também é possível.
Azarok por fim, matou ele com um calor infernal. Azarok e Shcatten saem correndo do bairro, e o barman que estava escondido, continuava assustado.
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