Overdose de Loucura
24 ♡ Capítulo 24
Notas iniciais
♡ Capítulo 24
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Queria tanto ser levado. O mundo estava pesado. E aquele beijo... Ah, aquele beijo o levava para longe!
As mãos trêmulas de Nathaniel tocavam a nuca do outro, afundando os dedos entre os fios vermelhos, como se ele fosse um porto seguro. O loiro jamais saberia dizer o que passava em seus pensamentos naquele momento, pois ele ouvia apenas sua Vontade. E a Vontade que possuía seu corpo gritava-lhe para beijar cada vez mais aqueles lábios, outrora tão odiados, que agora eram responsáveis por uma imensidão insana de prazeres ocultos.
Não havia muito espaço para a respiração. Castiel parava o beijo, e no instante seguinte, recomeçava. Sequer tinham tempo de abrir os olhos e poder trocar um olhar. Na verdade, talvez, ambos tivessem evitando encarar um ao outro. O corpo falava por si só. As mãos grandes e ousadas de Castiel apertando o quadril alheio, enquanto o prensava ainda mais contra seu corpo e a parede, numa tentativa louca de diminuir o espaço que já não existia entre eles. A linguagem corporal era absoluta.
O garoto de olhos dourados não percebeu quando começaram a deixar a sala, ainda em meio ao ósculo. Castiel o guiou até seu quarto, enquanto suas mãos não paravam quietas no corpo alheio, apalpando e descobrindo-o de uma forma diferente. Já esteve, literalmente, sob aquela pele; mas a sensação de tocá-la com suas próprias mãos era incomparável. O desejo de tocá-lo era tanto, que as mãos calejadas já haviam invadido a blusa social do outro, entrando em contato diretamente na tez macia, que ainda assim guardava marcas de agressões. E, saber que existiam aqueles malditos hematomas ali, fazia o ruivo passear com suas mãos de maneira menos afoita, apesar da cobiça crescente em seu âmago desejoso.
— Castiel... – O loiro sussurrou ao sentir as costas contra o colchão macio de uma cama deveras conhecida. – Espera...
— Hm? – Perguntou, cessando o beijo e finalmente podendo fitar o outro sob seu corpo. E, caralho... A imagem de Nathaniel com o rosto corado ao extremo, a blusa branca amassada ligeiramente erguida e os cabelos loiros desalinhados, era sua perdição. Se alguém falasse para Castiel á alguns meses atrás que isso aconteceria, ele acharia impossível, consideraria uma piada ridícula. Mas, neste exato instante, seu corpo inteiro correspondeu ao simples estímulo visual. Estava excitado. – O... O que foi? – A voz soou falha, mas o falso ruivo ainda assim quis mantê-la firme.
— Nós estamos... Bem, nós vamos...? – O loiro abriu e fechou a boca diversas vezes. O constrangimento o dominava, e, sinceramente, Nathaniel ainda não estava crendo naquilo que acontecia.
Mais cedo tentava manter distância de Castiel para sustentar um acordo. E agora, ambos se agarravam como dois amantes loucos. E, para completar a loucura, Nathaniel estava deitado com um Castiel sobre si, de uma maneira nem um pouco puritana.
— Bem, eu... A-acho que sim... – Castiel, mais uma vez, gaguejou. Sentia-se ridículo por estar tão nervoso naquela situação. Entretanto, jamais havia tido uma experiência daquelas com um outro garoto. Aliás, nunca havia ficado tão excitado assim, em toda a sua gloriosa juventude. Era estranho. Nunca parou ‘pra se questionar sobre sua sexualidade, pois tudo o que ele desejava, ele ia atrás. E, bem... As suas motivações libidinosas sempre foram garotas. Até agora...
— Mas... – O loiro ainda tentou pensar. Respirou fundo, puxando de algum lugar a razão que havia se perdido na sua cabeça, em meio à toda loucura. – Você está... P-por cima...
— É... – Concordou, como se fosse o óbvio. Para si, aquilo parecia bastante certo, aliás.
— Mas... Por quê? – Nathaniel franziu o cenho. Apesar da timidez, bem...Ele não previa aquilo. Ou melhor, ele jamais poderia prever uma situação como aquela. Estava aos beijos com Castiel. Tudo bem que, devido aos últimos acontecimentos, talvez nem fosse algo tão absurdo. Todavia, o rumo que aqueles beijos estavam tomando era... Paradoxal?
— Porque... Porque é, oras.
— Porque é?! – O loiro fechou mais a cara. Era até engraçada a expressão tímida e ligeiramente raivosa dele.
— Ah Nathaniel, alguém tem que ficar por cima!
— E por que esse alguém tem que ser você?! – O loiro já estava sentando, enquanto empurrava de leve um louco Castiel pelos ombros, o tirando de cima de si.
— Como assim “por que” ?! – Castiel espinoteou ligeiramente irritado. Era incrível que, mesmo lhe dando tesão, Nathaniel ainda conseguia ser o clássico Nathaniel.
— Você fala como se fosse óbvio. – Respondeu enquanto passava a mão nos cabelos desalinhados, respirando fundo.
Era evidente que Nathaniel também estava cheio de desejos por seu rival. Porém, não era como se ele fosse fazer sexo daquele jeito com Castiel. Sequer estava preparado psicologicamente para cogitar isso. Céus, que situação constrangedora!
— Porque é obvio. – O ruivo bufou. – Não está obvio que eu quero transar com você? – Castiel tinha as bochechas da cor de seus cabelos, mas não deixava que esse detalhe tirasse seus desejos para com o outro.
Nathaniel corou ainda mais. Não sabia que era possível sentir as bochechas tão quentes como agora. No entanto, jamais, em todos os seus dezessete anos de vida, Nath escutou algo assim vindo de alguém. Algo como “eu quero transar com você”. Principalmente se esse algo estivesse vindo justamente de Castiel. O loiro mordeu o lábio inferior e respirou fundo por um instante. Escutar aquilo só provocava ainda mais os desejos carnais que corriam insanos por seu corpo. Como era possível sentir tanto desejo por alguém?!
O loiro levantou-se de supetão, passando as mãos trêmulas pela blusa amassada, desviando o olhar.
— Você... Não quer? – Castiel perguntou por fim, levantando-se também e ponderando se aproximar do outro.
— E-eu... Bem... err... – Nath engoliu o seco. Não era como se todo dia alguém lhe perguntasse “você não quer transar comigo também?”. Talvez aquela fosse a situação mais estrambólica da sua vida. – Não é isso. Eu só... Não pensei em ser.... Assim. E... Bem, e-eu acho melhor eu ir dormir no quarto dos seus pais. Obrigado por me deixar passar a noite aqui. — Dito isto, o loiro praticamente fugiu do quarto de Castiel. Já conhecia bem aquela casa, então no instante seguinte estava no quarto do final do corredor, onde os pais de Cas supostamente deveriam dormir.
O loiro fechou a porta atrás de si e a trancou. Encostou-se na mesma e olhou para o teto com a respiração pesada. Seu corpo estava em brasas, suando, quente e cheio de vontades impudicas. Mas, ainda assim, não é como se ele fosse fazer sexo com Castiel daquela forma. Aliás, não é como se ele fosse fazer sexo com ele!!!
Céus, por que sua razão tinha que ser tão falha justamente naquele momento? E por que seu corpo correspondia tão insanamente aos toques de Castiel?
Já no outro quarto, a loucura também dominava a mente de certo ruivo. Castiel se xingava mentalmente por ter sido tão impulsivo. Que diabos ele estava pensando quando atacou o loiro daquela forma? Na verdade, sequer pensou em algo. Simplesmente agiu de acordo com seus desejos. E aquilo era foda.
— Que merda... – Castiel resmungou consigo mesmo, se jogando novamente na cama, desta vez olhando para o teto de seu quarto. O corpo ainda se encontrava salaz, ansioso para ter concluído aquilo que havia começado, por mais que ele não soubesse, de fato, como proceder com aquilo, caso Nathaniel tivesse deixado a situação seguir adiante.
Sentou-se na cama, resmungando qualquer impropério sobre si mesmo e sobre a situação. Desejava Nathaniel, não tinha mais o que negar. Era estranho admitir aquilo, mas... Mas era isso. Desejava aquele loiro irritante, certinho e perfeito. O desejava tanto que chegava a doer. E, de fato, estava se sentido dolorido no sentido literal da palavra. Sua calça evidenciava o aperto que sentia, e tão logo Castiel resolveu se livrar daquele problema com um banho gelado.
Mas, ao chegar ao banheiro e se jogar debaixo da água fria do chuveiro, o ruivo notou que não seria tão fácil assim resolver aquilo. Teria que usar sua imaginação.
E, sem dúvida alguma, um certo loiro certinho protagonizou seus pensamentos devassos.
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— Quando eu acordei, ele já não estava mais em casa. – Castiel murmurou, cruzando os braços e bufando.
Seu melhor amigo, que ouvia tudo em silêncio até agora, resolveu tentar interromper o monólogo alheio:
— Espere...Isto quer dizer que vocês estão bem agora, um com o outro? – Lysandre perguntou pausadamente, como lhe era característico.
— Hm... Não exatamente. – Castiel coçou a nuca e corou um pouco. Apenas um pouco. Não com exatidão o que aconteceu. Contou para Lysandre apenas a parte em que havia se encontrado sem querer com o representante, e que o chamou para dormir na sua casa, ajudando-o assim a ficar longe do pai carrasco ao menos por algumas horas. E, claro, falou da discussão. Mas não comentou sobre a parte em que havia o beijado, e muito menos a pegação na sua cama e o que aconteceu após isso.
Mas, se tinha algo que aqueles olhos conseguiam observar com atenção, eram sentimentos.
Lysandre simplesmente ergueu a sobrancelha esquerda e deixou os olhos heterocromáticos fixados nos orbes acinzentados do falso ruivo. Não tinha como sair da prisão daqueles olhos de cores diferentes. Castiel jamais conseguiria escapar daquele olhar inquisidor, que despia quaisquer sentimentos de quem quer que seja.
— Nos beijamos. – Complementou por fim, revirando os olhos e cruzando os braços para manter uma postura de “foda-se, não estou ligando”. E era exatamente o contrário que passava em seu âmago.
— Somente se beijaram? – O vitoriano continuou, calmo, basicamente como se estivesse cutucando uma onça com vara curta.
— Pois é, só isso. Tsc...
— Você não me parece feliz por ter acontecido “só isso”. – Lys ergueu novamente a sobrancelha. No fundo, tinha vontade de rir do melhor amigo. Era engraçado como Castiel tentava passar uma pose altiva.
— Ah... – O ruivo finalmente desviou o olhar. Coçou a nuca mais uma vez, meio sem encontrar as palavras para explicar à Lysandre o que aconteceu ontem à noite. Ainda se sentia frustrado. Passou a noite toda se perguntando se deveria ter ido até o quarto onde Nathaniel dormia, mas por fim decidiu não querer apressar nada com o loiro. Quando acordou no dia seguinte, ele já havia saído e deixado apenas um lanche preparado em cima da mesa para si. Tsc... Aquele maldito loiro fujão! E o pior de tudo é que ele se manteve trancado no grêmio estudantil desde cedo. – Ele não quis... Você sabe. — Deu de ombros por fim.
— Tenha paciência, Castiel. – Lysandre tocou o ombro do amigo e sorriu cortês. – Nem mesmo você tem esse tipo de experiência amorosa. Apenas seja amigo dele, para que Nathaniel saiba que agora pode contar com alguém. E sentir-se seguro ao lado de alguém.
Como Lysandre conseguia ter o dom das palavras? Puta merda... Castiel, as vezes, tinha vontade de socar o amigo por ele falar tão bem. Só por isso mesmo.
— É... É, eu sei. – Deu de ombros novamente. – Mas em falar nisso... Você já provou esse tipo de coisa, Lysandre? – Cas perguntou verdadeiramente interessado. Toda informação sobre relacionamento com outro rapaz era válida. Aliás, ainda não estava crendo que o desejo por Nathaniel crescia a cada instante. Mas foda-se. O queria, o desejava. E, como desconfiava, Lysandre não o julgou por isso; pelo contrário. Ele parecia querer empurrá-lo para os braços do loiro.
E agora foi a vez de Lysandre corar. O garoto de cabelos platinados não pensava muito no assunto até algum tempo atrás. Até a aproximação do garoto novo, talvez. Talvez não... era com certeza. Até porque, após aquela pergunta, a imagem dele foi a primeira coisa que veio à sua mente.
— Bem, eu... Não. Mas, ainda assim, creio que seja algo à se pensar. Quer dizer... Socialmente falando, somos cobrados a ter certas posturas e desejos. Mas saiba, meu amigo, que a sociedade não pode controlar quem somos, e muito menos o nosso objeto de desejo. – Sorriu timidamente, porém confiante.
Pela milésima vez, Castiel deu de ombros naquela manhã. Concordava com Lysandre, mas sabia que se o deixasse falar, ele passaria o resto do dia discursando sobre éticas e moralismos.
— Não acredito que vou dizer isso, mas acho melhor irmos para a sala. A aula já vai começar. E, arg, acho que passei tempo demais vivendo como o Representante. – Resmoneou.
— Aliás, Castiel... – Lysandre voltou com a postura séria. – Tem algo mais preocupante que a relação de vocês dois. – Ele falava enquanto andavam em direção à sala de aula. Ao chegarem no recinto, sentaram próximos como de costume, ao final da sala.
Castiel o fitou intrigado. O que poderia ser mais preocupante do que a sua foda não resolvida?
— O que é?
— Sei que vocês destrocaram, e isto é bom. Mas... Quem garante que isto não vá acontecer novamente?
Uma mordida nervosa no lábio foi tudo o que Castiel respondeu. Não tinha pensado naquilo. Estava tão absorto em outros pensamentos que, àquela possibilidade não havia se passado por sua cabeça. E, sinceramente, não gostava nem um pouco daquela ideia. Não queria voltar com toda a loucura de semanas atrás. Não mesmo!
Seus pensamentos só foram interrompidos quando percebeu Nathaniel entrar na sala de aula, sentando-se lá na frente. Certinho como sempre.
Lysandre tinha razão, pois aquilo era algo para se pensar e se preocupar. Mas, Castiel não podia negar: No momento, seus pensamentos seguiam apenas uma direção. E esta direção estava na primeira fileira da sala de aula.
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Continua...
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