Overcome
5 Capítulo IV
P.O.V Anúbis
Eu não queria abrir os olhos e descobrir que estava sonhando mais uma vez e que o que estava em meus braços não passava de um travesseiro extremamente confortável. Mas eu tinha de fazê-lo. Contrariado comecei a abrir os olhos.
Meu sorriso não me deixava mentir sobre a felicidade que senti no momento em que descobri que Sadie realmente estava em meus braços. Ela dormia de costas para mim tão serenamente que fiquei preocupado se a acordaria por simplesmente me ajeitar na cama para observá-la melhor.
Ela realmente conseguira uma forma de vir até mim no Duat sem que eu estivesse confinado àquele mortal. Okay que nós havíamos entrado em um acordo de que seria melhor para nós dois e para Sadie, mas percebi que não era a mesma coisa, não era tão bom assim.
Sadie também pensava dessa forma. Ela de algum modo enxergou que não queria Walt ao seu lado e sim a mim, mas o que eu poderia fazer?Sou um deus egípcio de milênios de existência condenado a não me relacionar com mortais, apesar de ela integrar a Casa da Vida.
Por algumas horas pelo menos eu poderia desfrutar de sua companhia, e cara, foi a melhor noite da minha vida. Afirmo isso com toda certeza, pois possuo muitos anos de experiência, você tem que concordar comigo.
Eu seria capaz de fazer qualquer coisa se houvesse uma chance de os deuses abrirem uma exceção...
E foi em meio à esses pensamentos que ela começou a acordar.
— Bom dia. – Ela sussurrou.
— Ótimo dia, Sadie. – Respondi sorrindo e indo depositar um beijo em seu pescoço.
— Anúbis? – Ela me olhou confusa e logo em seguida sua expressão mudou. É, não foi só eu a pensar que estava sonhando.
Ela se virou para mim se ajeitou nos meus braços, me abraçando e pousando sua cabeça no meu peito.
— Boa a noite? – Perguntei rindo.
— Oh, maravilhosa. – Ela me acompanhou.
Algum tempo em silêncio se passou enquanto eu somente a acariciava, mas foi o suficiente para eu me sentir um pouco zonzo. Como se algo no ar estivesse provocando ondas sonoras e isso me afetasse.
— Também está sentindo isso? – Ela me perguntou sem erguer a cabeça do meu peito.
— Sim. É estranho... Não imagino o que possa ser.
Sadie se deitou sobre mim e ficou me encarando por algum tempo, era impossível não sorrir enquanto a observava subir e descer no ritmo da minha respiração.
— Precisamos levantar, você sabe. Você tem que trabalhar, os mortos não devem ser muito pacientes. – Ela comentou.
— Não vou sair daqui hoje, não enquanto você ainda estiver por aqui. – Deixei bem claro.
— Mas meu pai Osíris não vai gostar muito disso, principalmente quando souber que eu estou aqui...
E foi naquele maldito momento que senti que estava sendo chamado pelo deus azul. Não é possível que ele já esteja sabendo que dormi com sua filha debaixo do seu nariz... Ou pode ser alguma solução para nosso caso, talvez. Ruby nos apóia.
— Parece que já não gostou, está me chamando lá em baixo. – Falei de má vontade.
— Um banho não deve fazer mal a ninguém, não é? – Ela sorriu sugestivamente, e cara, não tinha como resistir.
— Só um banho rápido. – Falei sorrindo também.
Nos levantamos sem nos importar com a falta de roupas e a abracei por trás guiando-a até o banheiro.
Seria um rápido banho, mas a banheira não ajudou muito e digamos que nos inspirou até demais. Deuses, Sadie era perfeita! Seus gemidos confundidos com os meus preencheram o banheiro. Eu já estava esgotado pela noite e ainda pela manhã...
Só me recobrei após um longo tempo e já com a água fria, com Sadie abraçada a mim e dormindo. Lentamente a acordei com beijos no pescoço.
— Agora estou atrasado, com certeza.
— Eu vou com você, então, também estou. Que diferença faz?
— Annoying Lady, senhor Osíris é meu chefe, meu pai e ao mesmo tempo o seu pai e você ainda me pergunta ‘que diferença faz?’?
— Nosso pai? – Ela me perguntou confusa.
— Não sabia da história? Néftis brigou com Seth se passou por Ísis e dormiu com Osíris. Eu nasci e fui criado no mato, escondido...
— Nossa. Dessa eu não sabia... isso faz com o que estamos fazendo, incesto? – Riu.
O que eu fiz? Só pude rir também, não é?
— Vamos, quero minha cabeça ainda por alguns milênios sobre o meu pescoço. – Falei já saindo da banheira.
Osíris estava sentado em seu trono e Ruby ao seu lado tentando acalmá-lo. Percebi que as coisas estavam péssimas para o eu lado. Sadie foi lentamente em direção à mãe que lhe dirigiu um olhar confortante e seu – real – pai lhe lançou um olhar de decepção. Eu me ajoelhei e o cumprimentei.
— Levante-se Anúbis. – As palavras eram ásperas.
Ele nos analisou por algum tempo.
— Vocês têm noção do caos que acabaram de criar?
— Caos? No papiro em que encontrei a informação de como vir aqui não mencionava um caos. – Reclamou Sadie.
— É porque realmente não existiria se vocês não tivessem transado. – Ele gritou com raiva se arrastando para a ponta do trono. Sadie se encolheu onde estava.
— O que houve? – Eu me atrevi a perguntar.
— Seu irresponsável, deveria conhecer a história dos deuses que o rodeiam, então saberia o que houve.
— Se você não nos contar então, não saberemos nunca o caos de que fala! – Sadie aatacou.
— Se você quer realmente saber, eu falo, mas não me venha implorar para reverter que eu não posso, não consigo, não seria mais justo que esta punição! – Ele falou.
Não sabia o que era, mas pelo menos sabia que não poderia ter engravidado Sadie, eu ainda era um deus.
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