Overcome

2 Capítulo I


Notas iniciais
Essa é curtinha, mas eu simplesmente não aguentava mais essa ideia me perseguindo dia e noite, então passei para o Word. Mas eu, particularmente, não gostei muito do que saiu... às vezes, ouvir a música errada enquanto se escreve pode acabar com o texto...

Era um sábado lindo, Walt ainda estava dormindo – como planejei – e eu me enfiei na biblioteca.

Na última noite, fiz com que ele ficasse acordado até às quatro da manhã, assim eu conseguiria algum tempo sozinha sem que ele soubesse. Eu precisava de uma única resposta. Mas ele não poderia saber, aliás, eles não poderiam saber.

Acordei às nove horas e me enfiei silenciosamente na biblioteca, ele teria que dormir pelo menos até às quatro da tarde – ele treinara por horas e estava esgotado quando começamos a conversar, imaginem quando eu o deixei finalmente ir dormir! – para levantar disposto. Até lá eu pretendia conseguir minha resposta.

Confesso que eu não vi as horas passarem. Eu e Cléo ficamos ali conversando e discutindo sobre os inúmeros rolos de papiro sobre a mesa à nossa frente que em momento algum me lembrei que dormira por poucas horas e que mesmo sendo uma maga do Per Ankh eu ainda precisava me alimentar.

Eu queria trabalhar escondida, mas uma bibliotecária é sempre bem vinda. Podemos encontrar informações tão rapidamente em obras tão desconhecidas e improváveis que por conta própria com certeza demoraria mais de um mês para encontrara a informação.

Estávamos com um registro secreto dos deuses aberto sobre a mesa quando ouvimos da escada:

— Cléo, Sadie está com você? – Era a voz de Walt.

— Está sim! – Ela respondeu de volta me fitando em uma pergunta silenciosa a qual dei de ombros. – Já vamos subir, só um momento.

Desde que Carter me abandonou para ficar com aquele deus chato, Cléo se tornou uma boa amiga, até demais... Eu havia lhe contado em mínimos detalhes o que eu pretendia e o que queria, e então ela me deu a maravilhosa ideia de questionar, e fazer isso através dos séculos de papiros ali naquela biblioteca.

Aquele documento dos deuses estava sendo analisado há muito tempo para conter alguma informação útil que deixamos passar despercebida. Mas quem sou eu para discutir com especialistas? Foi quando Cléo deu um soco na mesa que me fez saltar da cadeira em alerta.

— Eu disse! Está aqui, escute: Há muito tempo este caso foi a julgamento no tribunal de Osíris. Muitos deixaram de acreditar na veracidade dos fatos, porém um caso de amor entre um mero mortal e uma deusa egípcia não é perdoado facilmente pelos demais deuses [...] Até então, os deuses não eram proibidos de manter contato com os mortais, mas esta história mudou o curso da política divina [...] Diz-se que se o sentimento for mútuo e extremamente verdadeiro, o mortal deve se dirigir às pirâmides de Gizé no dia três de dezembro às dezesseis horas – horário do Cairo – e recitar o texto abaixo. [...] Um portal se formará na base de uma das pirâmides [...] Mas cuidado: cada portal aberto na base de cada pirâmide leva a um destino diferente, o tipo de portal indicará o tempo que o mortal poderá permanecer com determinado deus em terras divinas.

Eu a olhei com a boca aberta e olhos arregalados.

— Não é perfeito, mas é o que tem pra hoje; que aliás, é primeiro de dezembro. – Sorri. – Será o suficiente para que possa discutir a questão com certo deus...

— Mas Sadie, aqui diz sobre o tempo... e se você for obrigada a permanecer por lá por eras? – Ela parecia chocada.

— Não será tão ruim, será? Carter já é um imortal com aquele deus metido, meu pai é Osíris, minha mãe é fantasma e Walt... bom você sabe. Não tenho nada a perder.

— É arriscado! – Ela tentou me convencer.

— Eu realmente preciso fazer isso. – Eu falei a olhando nos olhos.

— Não é só por aquele caso estranho, não é? – Me perguntou hesitante.

— Não. Eu realmente queria poder escolher, descobri que não é de Walt que preciso, é de Anúbis.

— Acha que conseguiria convencer deuses a abrir uma exceção para vocês? – Ela perguntou enquanto enrolava o papiro e o escondia estrategicamente na prateleira.

— Não sei, mas o que custa tentar? Por isso não quero que ele saiba.

— Não quero te desanimar, mas não acho que os deuses vão abrir uma exceção para a garota que os isolou junto com Apófis.

— É o Ma’at, não tinha outro jeito, você sabe... Se o Caos vai, a Justiça também deve ir e fazer o equilíbrio como na Grande Balança.

Subi as escadas com a garota de ótimo humor que Walt quase desconfiou do que eu estava aprontando.

Incrivelmente já se passava das dezesseis horas, eu e Walt comemos e nos jogamos no sofá para namorar um pouco, porque eu precisava fingir que estava tudo bem, não é?

Mais para o meio da noite começamos uma animada conversa sobre Amós e o primeiro nomo, que achei o ponto perfeito para dizer que estava com saudades e que queria visitá-lo. Óbvio que ele se ofereceu para ir comigo, mas neguei, dizendo que os iniciados ali precisavam de um bom instrutor substituto, e acredito eu, que consegui disfarçar bem.

E foi naquela mesma noite que comecei a organizar meu plano que tinha tudo para dar certo, ou não.