Overated

4 Shyness and Books


Notas iniciais
Esse capítulo tem uma cena meio safadinha, mas que achei engraçada e legal de escrever. Além disso, o lado cômico de Meggie e Kelly será mais explorado

O tempo estava agradável. Era uma manhã clara de sábado. O relógio marcava dez e meia da manhã. Espera aí, dez e meia...

-AAAAAAH! –Urrei e caí da cama. Me arrastei pelo chão e fui até a gaveta de roupas. Peguei uma camiseta velha, uma regata de alças finas e um short. Arranquei o pijama. Merda, sabia que não devia ter ficado esperando mais cinco minutinhos, acabei dormindo demais. As roupas se espalharam pelo quarto, mas nem me importei. Calcei as sandálias de plástico, peguei a guitarra, sabia que precisaria dela depois dos estudos. Saí correndo pelas escadas, ao mesmo tempo em que saltitava, abotoando as sandálias.

-May, aonde vai? –Perguntou minha mãe, ouvindo os barulhos e olhando para trás quando estava na cozinha.

-Depois falo, nos vemos mais tarde manhê! –Disse aos berros. Ela saiu na porta e tentou dizer algo, mas saí voando com a bicicleta pela ciclovia. Não estava a fim de explicar aonde ia, já estava atrasada mesmo. O papelzinho na minha mão marcava o endereço. Estava a duas quadras da minha casa, perto. Olhava os números cuidadosamente. Quatrocentos e um, quatrocentos e dois... Quatrocentos e três. Uma casa simples. Dei um salto da bicicleta, fui até a campainha.

-Bom dia! –Disse uma voz simpática, que já conhecia bem. Drew abriu a porta lentamente. Vestia camiseta velha e bermudas largas. O cabelo parecia bagunçado. Acabara de acordar. –Ah, entre May. Chegou cedo, acabei de acordar.

-Ah, me desculpe. É que o relógio tava marcando dez e meia e o horário de encontro era dez horas, pensei que tivesse me atrasado demais. –Disse, olhando mais atentamente para ele. Drew espreguiçou e coçou os olhos. Estava uma gracinha descabelado daquele jeito e quase o agarrei.

-Bem, era pra ser, mas o Rafe disse que teria que ir a um compromisso e só viria à tarde e a Kelly e a Meggie disseram que mudaram de idéia e que vão estudar juntas. –Disse Drew, fazendo gesto para que eu entrasse.

-Kelly e Meggie estudando juntas? Duvido. –Dei de ombros e dei alguns passos a frente, entrando na casa. Muito bonita. Lá, havia uma sala grande, onde caderno e livros estavam arrumados numa mesinha de centro. Entrei devagar. Coloquei a guitarra no sofá e sentei, tomando fôlego. De repente, me toquei de que estava sozinha. Onde o Drew estava?

Levantei e me atrevi a dar alguns passos. A casa parecia pequena por fora, mas era grande por dentro. Caminhei, entrando na cozinha. Queria um copo d’água, mas achei má educação pegar sem pedir ao anfitrião. Então, caminhei por um corredor desconhecido. No fundo, havia um barulho de algo se mexendo. Parecia um closet ou um quarto. Me aproximei lentamente e abri a porta com cuidado. A imagem que vi me fez querer recuar e me esconder. May e sua curiosidade infeliz... Tampei os olhos, mas não me tornei invisível. Sou tão imbecil...

-M-May... –Gaguejou Drew, pegando um travesseiro e se escondendo atrás dele. Tentando, não dando muito certo. Eu gritei e corei, tampando os olhos com a mão. Tarde demais para quem vi demais. Drew estava se escondendo atrás do travesseiro e ele estava apenas de cueca, o cabelo bagunçado. Minha primeira reação foi correr, mas minha parte sem noção queria que eu o agarrasse e implorasse por diversão, mas espantei esse diabinho do meu ombro esquerdo.

-M-MIL DESCULPAS! –Disse e saí correndo. Achei um banheiro e me tranquei lá. Entrei no Box onde ficava o chuveiro e fechei-o, mas larguei a porta aberta. Abracei os joelhos e corei muito, envergonhada. Meu pai acharia que é culpa do Drew, mas não foi, foi culpa minha, eu que fui curiosa e fui lá. Poxa, como eu sou burra! Deixei uma lágrima de raiva escorrer, acompanhada pela culpa e vergonha, não queria ter feito aquilo.

-M-May... –Disse Drew calmamente, abrindo a porta do Box. Deve ter ouvido meu soluço baixinho. Parabéns, nem pra se esconder você serve, não é May Jones?! –Ah, calma, não fica assim, foi só um acidente.

-D-Desculpa Drew, f-foi sem querer, eu só escutei uns barulhos e tal. A-Acho melhor eu estudar sozinha em casa hoje! –Disse, levantando e dando um leve empurrão em Drew e saindo do banheiro. Fui para a sala ainda chorando e peguei a guitarra e a bolsa. Estava decidida, não queria ficar lá depois de ter feito uma idiotice dessas.

Quando eu estava prestes a sair no quintal e pegar a bicicleta, Drew entrou na frente da porta. Eu tive vergonha de encará-lo de frente, eu só queria sair dali.

-May, já passou. Acredite, não estou magoado. Sabe, eu não estou bravo, eu sei que foi sem querer. Agora, pode se acalmar, vamos fingir que isso não aconteceu e estudar. Pode ser?

Aqueles olhos com aquele jeito do tipo “Eu sei que foi acidente” me fizeram sentir vontade de abraçá-lo, mas me controlei. Eu apenas fiz um gesto de afirmação e entramos de novo. Sentamos juntos no chão, na mesinha onde estavam os cadernos e livros.

-Então May, está de recuperação do que mesmo? –Perguntou ele, olhando-me com atenção. “Parece um professor”, pensei.

-Química. Só isso, Química. –Respondi com a respiração acelerada, porque estava um tanto nervosa, estávamos perto demais. Isso fazia meu coração acelerar e minhas bochechas corarem. Ele se afastou um pouco de mim e abriu o livro.

-No que você tem dúvidas? –Perguntou ele, me olhando com aquele olhar sincero e calmo.

-B-Bem... Eu não consigo entender direito as fórmulas desse assunto aqui. –Disse, apontando para a página que estava aberta.

Aquela, posso classificar como a melhor manhã que eu passei. A voz dele era repleta de paciência. Ele me passou diversos exercícios com números trocados e me fez entender tudo com muita facilidade. As palavras dele pareciam ter simplesmente dissolvido os conceitos complexos e eu fiquei completamente presa pela minha atenção àquela voz calma e cheia de coisas a me ensinar. Ah, se eu também pudesse ensinar algo a ele...

Alguns dias depois...

-O QUE?! –Exclamaram Kelly e Meggie em coro. As duas tinham o espanto marcado em seus rostos. Elas olhavam atentamente para minha prova de recuperação e depois, para o mural de avisos da sala, onde estavam os nomes dos alunos que precisavam fazer serviços extras.

-C-Como você conseguiu gabaritar? –Perguntou Kelly, espantada e olhando para a prova dele e depois para a minha, trêmula.

-Bem, eu só fui à casa do Drew no sábado de manhã e depois, quando o Rafe chegou, ajudei o Drew a explicar Gramática e o Ray me ajudou a gravar melhor Química. Só...

-C-Como... KELLY, A CULPA É SUA! –Exclamou Meggie, agarrando Kelly pelo pescoço e chacoalhando-a. –A CULPA É SUA, QUEM DEU A IDÉIA DE COLARMOS, HEIN?! HEEEIN?!

-PÁRA, VAI ME MATAR! –Gritou Kelly, como se implorasse que Meggie a soltasse. Meggie largou-a com violência sobre uma cadeira. Rafe chegou e me olhou. Ele nem precisava perguntar muita coisa, já devia ver que as duas estavam se matando. E Drew, o último a entrar na sala, entrou tão sorrateiramente que mal pude perceber.

-Parabéns, foi excelente, não esperava menos de você. –Disse ele, colocando a mão no meu ombro. Dei um salto de surpresa e corei. Sorri sem graça para ele, uma forma de agradecer o elogio.

-AAAAAH! PÁRA, VAI ME MATAR MEGGIEEEE! –Gritou Kelly, sendo chacoalhada e estrangulada por Meggie.

-MEUS PAIS VÃO ME MATAR POR SUA CULPA, DESGRAÇADA! QUEM FOI QUE DISSE QUE ESTUDAR NÃO VALIA A PENA HEIN? MORRAAAA! –Meggie parecia um lutador de boxe enfurecido com seu maior rival que o provocara antes da luta. Ela estapeava Kelly e a chacoalhava. Rafe e eu nos entreolhamos, constrangidos e Drew fez o mesmo.

-Não seria melhor separá-las? –Perguntou ele, meio constrangido com a cena.

-Não se preocupe, alguma hora elas param. –Disse, coçando a cabeça e tendo vontade de esmurrá-las para que parassem logo. Não, melhor não, deixe que se matem. Agora, eu estava feliz demais para pensar em separar aquelas duas. Eu havia conseguido tirar dez em Química! E tudo graças a ele!

Continua...