Notas iniciais
Boa tarde, pessoal c: O capítulo de hoje será mais para explicar o que aconteceu na simulação, mas espero que gostem. Boa leitura, o/ K.

Os alunos ainda pareciam viver a simulação do dia anterior. No pátio, durante o intervalo entre as aulas, o assunto se concentrava em apenas uma coisa: a vitória – ou derrota – inesperada das equipes.

Em duas mesas unidas em um canto da área aberta, o esquadrão de Marin mais Dylan e Aria explicavam, talvez pela décima vez, a estratégia final para alguns curiosos.

— Nós tínhamos acabado de perder um do nosso esquadrão – Aria dizia. – Então ficamos eu e Aiden. Pedimos ajuda ao esquadrão da Marin, que acabou se dividindo, deixando-a com Corine sozinhas na área leste.

— Não vimos movimento algum por um bom tempo – Marin continuou. – Então decidi voltar ao local em que eu e Keith tínhamos eliminado três. Lá encontrei os rádios dos jogadores e, com isso, tive acesso a toda a conversa deles. Descobri sobre os túneis e sobre o ataque que planejavam.

— Antes de tudo, ela precisava eliminar o único que poderia acabar com o seu plano recém-pensado – Keith prosseguiu.

— O sniper – Marin assentiu. – Mas, graças ao rádio, soube que ele estava bem perto da base inimiga, protegido por dois Lupus. É e aí que a Corine entra – olhou para a garota sorrindo, incitando-a a contar sua parte.

— Bem – Corine sorriu timidamente. – Do nada a Marin parou e perguntou se eu já tinha participado de uma peça de teatro. Não entendi, mas logo ela explicou: precisava tirar a dupla que protegia o sniper, então, se eu servisse de isca, ela teria como chegar ao sniper e eliminá-lo sem que percebessem.

— Eu me escondi e ela começou a encenação. Andava confusa de um lado para o outro, chamando por mim como se tivesse sido abandonada. Chorava e falava coisas de cortar o coração – a brasileira relembrava com diversão. – Nisso os Lupus não a mataram, como esperei que fosse acontecer, e a usaram como chamariz lá no centro do mapa para que seus colegas pudessem cercar o esquadrão Um.

“Enfim, consegui eliminar o sniper inimigo e peguei sua arma. Com o rádio, acompanhava praticamente tudo o que acontecia no ponto A. Chegando mais perto, vi que Aria e mais um aluno estavam na mira de todos enquanto Corine, Dojan e aquele rapaz estavam mais distantes. Dylan, lá em cima, mirava para eles, mas não podia atirar; também estava na mira de um Lupus lá embaixo. Até que Corine ganhou distração o suficiente para que ele eliminasse um. Por sorte, os outros eliminaram o que mirava Dylan e mais alguns. Foi inesperado até para mim. Então restavam apenas Dojan, que escapou, e mais um. Tive visão o tempo todo deles, que não desistiram. Fiz com que Dylan me enxergasse por um instante e torci para que pensasse no mesmo que eu: fingir inocência o suficiente para se juntarem novamente, formando uma armadilha.”

— Quando vi Marin de tocaia, a ideia logo surgiu – Dylan continuou. — Atrairíamos os dois restantes para um local e esperaríamos Marin eliminá-los por trás. Prenderíamos a atenção deles até que ela chegasse perto e seria o fim. Ela, sem dúvidas, já tinha dado um jeito no sniper que achávamos estar vivo – sorriu.

— Keith pode estar um tanto irritado até agora – Marin brincou. – Mas não poderia usar o rádio para respondê-los quando me chamaram. Afinal, os Lupus também conseguiram um rádio nosso quando eliminaram o primeiro na explosão.

— Tudo bem – o garoto respondeu com chateação. – Você foi o elemento surpresa que terminou o jogo e tudo mais...

Mas a atenção não estava nele. Continuava em Marin, Aria e Dylan — talvez pelo fato da mestiça ter surpreendido a todos com suas habilidades e os dois últimos serem realmente bonitos e simpáticos.

— Naquele momento em que você jogou as duas granadas pra dentro da casa foi muito bom! – um loiro alto, que ouvira desde o início, comentava.

— A Donna também matou dois! – um sorria, encorajando a pequena garota a se enturmar.

— Ah... – a aluna de cabelos ruivos e curtos começou. – Eu só joguei a granada – sorriu. – Keith chamou a atenção enquanto eu só jogava.

Um aluno deu um tapa leve como “parabéns” no ombro de Keith.

— Vocês ganharam dois pontos a mais no primeiro trabalho, né? Um por terem aceitado participar, já que vocês foram sorteados, e outro por ganharem.

— Isso – Aria sorriu largamente.- É demais!

O grupo riu. Mesmo os Lupus que se juntaram para ouvir pareciam comemorar com os vitoriosos, que, agora, ficavam cada vez mais conhecidos no campus.

— Vocês estão no nível um agora – um dos estudantes do reformatório contou. – Passaram pela “introdução”, então agora não esperem uma partida fácil como aquelas, hein?!

— Fácil? – um Over rebateu. – Eles jogaram na desvantagem. E “fácil” é o que eles podem dizer, não vocês.

— Ah, não venham colocar a culpa na nossa equipe não! – começou a alterar o tom de voz. – Se os juízes não avisaram vocês sobre os túneis, reclamem com eles!

— E vocês não se preocuparam em continuar usando as passagens depois de descobrirem que não sabíamos, né?!

— Ei, ei – Dylan se levantou, colocando-se entre os estudantes. – Pessoal, aquela aula não valeu nada, só como diversão. Nós nos divertimos, vejam desse modo também – pediu calmamente.

Os dois começaram a se tranquilizar e o grupo voltou a conversar novamente, com alunos passando e abordando a equipe até o sinal tocar e finalizar o almoço. Lentamente, o pátio foi se esvaziando até que restasse Keith, Marin, Aria e Dylan. Todos eram do último ano do médio e não possuíam lições urgentes ou complexas, possibilitando uma tarde livre e relaxante após o dia anterior.

— Eu cheguei quebrado na aula de hoje – Keith falava. – Acho que nunca corri e andei tanto antes.

— Que pensamento de idoso – Marin o provocou.

— Ah, eu que fui pedir massagem para você ontem de noite, né? – arqueou a sobrancelha, fazendo-a responder inocentemente “não estou lembrada de nada disso”.

Aria e Dylan riram.

— Acham que poderemos escolher os times daqui pra frente? – Aria questionou, mudando de assunto.

— Se nos deixarem escolher, logo terão vários alunos sobrando, principalmente os mais novos – Keith respondeu pensativamente. – Provavelmente Donna e Corine seriam duas desses.

— Então deveríamos convidá-las – Aria sugeriu espontaneamente.

O grupo se entreolhou e logo sorriu.

— Acho que deveríamos – Keith se manifestou.