Notas iniciais
Hey, galera, como estão? c: Primeiramente muito obrigada por estarem acompanhando e participando. Os comentários são sempre maravilhosos, deixando-me bem animada (: E agradeço também pelas fichas que foram enviadas nos últimos capítulos (só peço que seus donos me mandem mp - ou como preferirem - me avisando sobre quem criou o que, já que fui tosca o bastante pra esquecer de pedir isso antes, auheae). É isso, pessoal. Tem personagem nova hoje, o/ Boa leitura e espero que gostem, ^^ Obs: acho que não adicionei a foto do Aiden nos capítulos da simulação, então deixarei aqui, c:

Corine tentava não olhar para os lados enquanto era guiada por Marin e um sonolento Keith pelos corredores do campus. Foi convencida a acompanhá-los a festa de boas-vindas dos estudantes da Lupus, perdendo todo o plano de rever a língua francesa naquela noite. Segundo Marin, ficariam somente um pouco, porque ela e o garoto também não eram realmente fãs de festas colegiais. Poderia, pelo menos, ter a oportunidade de rever um amigo especial.

Andaram até a área externa, chegando no lago com jardim ornamental que o reformatório possuía. Lá, diversas cadeiras e mesas de ferro da cantina estavam espalhadas em meio aos grupos de alunos, que pareciam empolgados em suas conversas ou degustações das mesas de comida. Perto da beira do lago, encontraram Aria e Dylan no centro de um amontoado de pessoas. Ao verem o recente trio, afastaram-se levemente.

— Ei, pensei que não viriam — Dylan tentou se colocar de frente para eles.

— Que bom que vieram! — Aria sorriu.

Alguns dos alunos próximos os cumprimentaram simpaticamente, voltando a encher os outros dois com perguntas — pareciam não se cansar de questionar o Over sobre a simulação de terça. Corine assistia a tudo quieta, satisfazendo-se em ouvir Marin e Keith reclamarem sobre a distância da comida enquanto Dylan e Aria respondiam, mais uma vez, sobre a estratégia que os levou a vitória.

— E-eu pego comida — ofereceu-se, tentando soar amigável.

— Ah, não, não se preocupe — Marin abanou com as mãos, sorrindo com culpa. — Nós que só somos preguiçosos, mas depois iremos até lá.

— Não faz mal, estou sem nada para fazer… — sorriu timidamente.

— Só se não for atrapalhá-la.

A garota assentiu e se levantou. A mesa de aperitivos não estava tão longe, então confirmou que era realmente preguiça dos colegas. Chegando ao objetivo, pegou dois pequenos potes de plástico e começou a enchê-los com batatas fritas e castanhas. Terminou de completá-los e olhou ao redor, vendo se poderia levar algo mais. A metros dali, na direção da mesa, uma figura de cabelos claros prendeu sua atenção. Era alto, magro e com postura fina, como um modelo internacional e bem educado. O rapaz se virou e sorriu ao perceber seu olhar, distanciando-se do grupo de alunos que o cercava.

— Você cresceu, tokki* — disse após parar em sua frente, sorrindo.

Corine sorriu de volta para Alec. Estava feliz em rever o amigo após mais de um ano.

— Como você está? Espero que se acostumando com este campus.

— Estou bem, e você? — respondeu. — E aqui não é ruim como diziam, né?

O garoto soltou uma breve risada.

— Poderia ser pior. Acabei me acostumando mais rápido do que imaginava — deu de ombros.

— Como é estudar aqui...? — referia-se aos Lupus.

— Bem, é realmente diferente do que tínhamos no Over. As pessoas são...diferentes — deu um sorriso fraco.

Corine assentiu com a cabeça. Lembrava-se de um ano e meio atrás, quando o tio de Alec, diretor das instituições, convocou-o àquele campus, ajudando-o com a administração e estudando para, um dia, herdar tudo aquilo de seu único parente vivo.

— Quase não te reconheci, você está bem maior e com cara de adulto — Corine sorriu simpaticamente.

— Ah, pois é — retornou o sorriso. — Mudei tanto que resolvi aceitar e mudar o cabelo. Espero que tenha ficado bom — uma suspeita pairou na face masculina.

— Está bom, oppa* — riu. — Está moderno — disse com tom de aprovação.

O garoto riu com diversão. Corine sentia falta daquela risada às vezes, principalmente quando queria conversar com alguém. Possuía colegas no internato, mas nenhum que compartilhasse o mesmo grau de intimidade que tinha com Alec. Quando entrara, há quatro anos atrás, na instituição, o amigo foi o único que se mostrara realmente prestativo para ajudá-la com as novas regras e pessoas. Além de tudo, demonstrara educação e respeito de um nível incrível. Formara amizade até que, quando ela estava no oitavo ano e ele no primeiro do médio, separaram-se com a inesperada transferência. Desde então, falavam-se raramente pela internet — Alec parecia sempre ocupado.

— É bom vê-la — disse enquanto roubava umas castanhas da mesa. — Qualquer coisa que precisar, me chame, ok?

— Tudo bem — balançou a cabeça.

— Ah, e vi que você estava na simulação de terça. Todos comentaram por um bom tempo, e soube que você foi muito importante para o Over — sorriu.

— Hm, bem… — riu levemente. — Isca é importante para uma armadilha, né?

— Nunca diria o contrário — sorriu. — Você fez amizade com alguém do seu time?

— Hm… Tem a Marin, o Keith, Aria… Eles me chamaram para participar dos próximos testes.

— Sério? — sorriu. — Isso é bom, certo? — Alec desviou o olhar pro lado, pensativo. — Ouvi coisas boas sobre eles.

Antes que Corine pudesse responder, um jovem da Lupus, que parecia ter mais de dezoito anos, apareceu chamando Alec. Soava importante.

— Depois tento te encontrar, tenho que ver o que precisam — disse após o garoto se afastar — Aproveite a festa e conte comigo para qualquer coisa — sorriu e se despediu.

Corine, com os potes em mãos, voltou até a mesa de antes. Aria e Dylan ainda conversavam animadamente com outros alunos.

— Obrigada — Marin agradeceu pela comida com um sorriso. — Você conhece o Alec?

— Ah, s-sim — sorriu timidamente. — Desde a época em que ele estudava conosco.

— Ah, então ele era da Over? — Keith questionou enquanto experimentava as castanhas. — Sabia que o tinha visto antes.

Assentiu com a cabeça junto com Marin.

— Por que ele se mudou?

— O diretor é o tio dele, e o que cuida dele desde que os pais faleceram… Então ele o chamou para ficar com ele aqui até herdar as instituições.

— Hm, entendi… — disse, distraído observando os grupos ao redor.

— Ele está diferente, né? — Marin entrou na conversa. — O cabelo era bem escuro.

Corine concordou com a cabeça e sorriu.

— Parece que a festa acabou — Keith, olhando para além das mesas de comida, disse indiferente.

As garotas olharam para a mesma direção: pessoas começavam a se amontoar em volta de uma aluna assustada e dois rapazes que pareciam gritar um com o outro.

— Acho melhor ver o que está acontecendo — ouviram Dylan, ao lado, falar apressadamente. A garota no meio da confusão era uma antiga amiga de turma dele e um dos jovens era o namorado da mesma.

O jovem se aproximava quando os dois começaram a se empurrar. Asha, a garota, gritava, com os olhos começando a lacrimejar, para que parassem. O grupo formado em volta se dividia entre bater palmas ou vaiar. Todos pareciam ser do Lupus.

Alec logo interviu, saindo de algum lugar do tumulto para separar os alunos. Teve ajuda de outros dois, que seguraram o companheiro de sala fortemente. Naquele momento, todos da festa pareciam prestar atenção naquele ponto, formando murmúrios curiosos em todo o lago.

O casal se retirou, sendo amparados por amigos. O outro estudante, porém, tentava se soltar dos braços teimosos que o prendiam, movendo os lábios freneticamente até que Alec se aproximasse e trocasse algumas palavras. Nisso, foi solto e, em passos largos e duros, caminhou para fora da comemoração.

— Bem, parece que aquele garoto quis mexer com a Asha… — após voltar, Dylan contou.

— Ela deve estar aturdida, tadinha — uma estudante do Over suspirou. A cena pareceu, afinal, negativamente marcante.

— Esses caras… — um colega do sniper começou. — Eu sentia que não ia dar certo nos mudarmos pra cá.

Corine olhou para eles tristemente, chateada pela garota inocente e pela confusão que Alec tivera que resolver — e que parecia já comum em sua rotina. Esperava que estivesse errada, pois não gostaria de ver um peso desses nas costas do amigo.

— O que acham de pegarmos o máximo de batatas possível e voltarmos pros quartos? — Keith opinou. — Parece uma ideia espetacular para mim.

— Eu apoio — Marin riu levemente.

Dylan e Aria concordaram. Levantaram-se e, juntos, voltaram ao prédio dos dormitórios. A parte das batatinhas foi pulada, já que as mesas de comida pareciam estar sofrendo mais tumultos iguais ao de antes. Os rapazes do Lupus, de repente, tinham mudado, desaparecendo com toda a simpatia e diversão que mostraram na primeira semana e atacando verbalmente não só as alunas do Over, mas se aproveitando dos rapazes que tentavam defendê-las. O clima de festa desapareceu rapidamente.

(...)

Finalmente era sábado. Delilah acordou com esse pensamento alegrando as primeiras horas daquela manhã, que apresentava escassos raios de sol entrando pelos pontos descortinados das janelas. Levantou-se rapidamente e se trocou, dando uma olhada na colega de quarto que ainda dormia antes de sair. Esperou pelo final de semana imaginando que tipo de história Jason escreveria na próxima carta, já que a última, enviada no sábado passado, falava sobre os professores novos — e horríveis — da escola onde estudava. Sentindo uma leve alegria, caminhou até o prédio da direção, aproveitando da brisa que balançava seus cabelos negros e longos. Dentro, procurou pela secretaria responsável por encomendas e entregas para os alunos, numa abertura na parede com um balcão cinza separando as funcionárias dos estudantes.

— Bom dia, tem entrega para Delilah Eleanor Allen? — perguntou com um sorriso.

— Um minuto — uma mulher de cabelos avermelhados respondeu, indo para o fundo da salinha encarar uma lista pregada na parede.

Enquanto Delilah esperava, um garoto de cabelos castanhos se aproximou, sendo atendido por outra funcionária. Ouviu-o dizer seu nome. Era Aiden Möde ou coisa do tipo. Pelo nome, julgou ser alemão.

— Aqui está — depois de se mexer até o outro lado, recolhendo um envelope médio de tom azulado, a mulher sorriu e estendeu um papel junto a um envelope médio. — Pode assinar aqui, por favor?

Delilah logo agradeceu e aceitou sua entrega. Começou a abrir o envelope enquanto andava de volta ao pátio, sem ver que alguém estava parado em seu caminho.

— Ah, perdão…! — levantou a cabeça e viu o mesmo rapaz de antes dando passagem para uma mulher, provavelmente funcionária do reformatório, naquele estreito corredor. Ali, percebeu os olhos grandes e incrivelmente azuis que enfeitavam o rosto juvenil. Seu olhar parecia, sobretudo, puro.

— Tudo bem — o garoto deu um sorriso fechado e voltou a andar. Segurava também um envelope, mas pequeno e sem cor.

Delilah pensou em perguntar sobre, mas queria voltar a ler as palavras de Jason. Desculpou-se mais uma vez e se apressou até a entrada do edifício. No pátio, escolheu aleatoriamente um dos bancos de pedra na grama e se sentou, colocando o envelope em seu colo e continuando sua leitura. Sorrisos apareciam em seus lábios conforme descobria a semana agitada do amigo de infância. Segundo Jason, uma garota o chamara para sair e sugerira a lanchonete em que ele, Delilah, Summer e Hazel — amigos de ambos desde o jardim de infância — foram anos atrás, gastando quase toda a mesada em comida que “parecia picles”. A garota lia uma parte sobre o lado vingativo de Summer quando uma voz irritada a despertou. Olhou ao redor e, perto da entrada do prédio dos Lupus, avistou dois garotos gesticulando intensamente.

— O que te faz pensar que pode mexer no que é meu, cara? — o rapaz alto e de porte forte falava nervoso. — Não ache que sou que nem esse bando de cara que fica quieto, com medo se você.

— Você é idiota que nem eles — o outro rebatia com mais paciência. — Se acha que vai ter paz aqui, você é um grande idiota — sorria.

Antes que o primeiro se jogasse sobre seu interlocutor, um inspetor se apresentou tentando dar um fim a bagunça.

— Não mexa nas minhas coisas — com os braços do homem separando-o do outro, o aluno de cabelos curtos e escuros se distanciou. Andando para a direção de Delilah. Percebendo que esta assistia a tudo, falou: — E você, olhando o quê? — e a ultrapassou em passos pesados.

— A paisagem, que é pública, e você? — disparou. Não era de deixar que falassem qualquer coisa para ela.

O garoto, pelo contrário, não respondeu. Delilah talvez tivesse ouvido o jovem bufar, mas não tinha certeza por já estar longe. “Só pode ser de áries”, pensou antes de voltar a carta.

Notas finais
Tokki = coelho em coreano; Oppa = expressão usada por coreanas para se dirigir a garotos/homens mais velhos.