Over The Fairy Rainbow

2 Capítulo 2 - Banheira


Notas iniciais
Bom, o 1º foi só uma indroduçãozinha, que vou tentar desenrolar agora, porém não são todos os casais/personagens que aparecerão em todos os capítulos.
Mesmo assim, espero que gostem!

07 de agosto de X791 – 06:30 AM – Casa de Lucy

Lucy não havia dormido praticamente nada aquela noite, mas o seu cansaço físico não a impedia de continuar querendo ajudar Levy. Colocou água para ferver a fim de preparar um chá e foi ver se estava tudo bem com a maga escritora que tomava banho em seu banheiro.

– Levy! Está tudo bem? — Perguntou Lucy da porta.

Nenhuma resposta. Os únicos sons que ouvia era dos roncos de Natsu que dormia junto com Happy em seu sofá. Lucy revirou os olhos com a cena, porém se preocupou com o fato de Levy não ter lhe respondido. Chamou novamente pela maga, que pela segunda vez não respondeu.

– Levy, eu vou entrar. – Avisou antes de abrir a porta do banheiro não contendo sua inquietação.

Levy estava com o corpo completamente submerso na banheira, inclusive a cabeça, o que fez a maga celestial arregalar os olhos assustada e a correr até ela.

– Levy, o que pensa que está fazendo? — Perguntou Lucy puxando a maga de cabelos azuis pelos ombros tirando sua cabeça da água.

Levy abriu os olhos assustada e começou a chorar.

– Não, não Levy, me desculpa. – Disse Lucy se arrependendo do tom que havia usado. – Eu só fiquei preocupada com você.

Levy deu um leve sorriso, mas voltou a chorar.

– Ainda sente alguma dor? — Perguntou Lucy.

– Não. – Respondeu Levy, que no momento já não se importava mais com isso — Lu-chan, eu não sei o que eu faço. – Disse ela com tom de desespero na voz.

– Quer me contar direitinho o que aconteceu? Quem saiba eu possa te ajudar. – Disse a maga de cabelos loiros.

– Não sei se você pode me ajudar Lucy, você já está fazendo muito.

– Mas é o que eu tenho que fazer: ajudar meus amigos. Vocês são tudo o que eu tenho agora. – Disse Lucy sorrindo. – Se importa se eu tomar banho com você?

As bochechas de Levy coraram, ela balançou a cabeça negativamente. Lucy trancou a porta, por Natsu estar em seu sofá e então tirou a roupa. Levy arregalou os olhos e ficou a fitando por um tempo, Lucy ao perceber enrubesceu.

– O que foi? — Perguntou a loira envergonhada entrando na banheira.

– V-você é muito b-bonita, Lu-chan. – Gaguejou Levy.

– Ah, que isso. – Respondeu a maga com seu rosto parecendo um pimentão vermelho e tentou mudar o rumo da conversa. – Me conta então o que a Polyushka te disse.

– Ok. – Respondeu ela.

07 de agosto de X791 – 03:00 AM – Casa de Polyushka

– Espero que seja algo bem grave para terem vindo aqui a esse horário. – Disse a velha maga mal-humorada.

– O quê? — Gemeu Levy que estava sentada numa cadeira.

Polyushka havia feito os outros magos ficarem do lado de fora, mesmo na chuva, ficando assim a sós com Levy.

– Vamos ver então, levante-se. – Levy a obedeceu.

A maga de cabelos róseos rodeou Levy.

– Hm... onde é que está doendo? – Perguntou ela.

– Aqui. – Disse Levy tocando a parte inferior do abdômen.

– Comeu alguma coisa estranha, diferente, venenosa?

– Que eu me lembre, não. – Respondeu a pequena maga cada vez mais desconfortável com as perguntas.

– Posso tocar? – Perguntou Polyushka.

– Ahn... sim.

– Você teve enjoos, certo? Antes de começar a sentir essas dores. – Perguntou ela enquanto tocava o abdômen de Levy.

– Sim.

– Acho que você não está doente. – Concluiu a velha maga depois de um tempo.

– Mas como? – Perguntou Levy confusa e surpresa.

– O que vou te perguntar agora pode ser meio constrangedor, mas terá que me responder: Andou fazendo alguma coisa de errado?

– Como assim? – Perguntou Levy.

– Com garotos? – Completou Polyushka.

Levy ainda não havia entendido onde a maga mais velha queria chegar, e essa percebendo revirou os olhos.

– Posso levantar o seu vestido?

Levy enrubesceu, primeiro lhe tocava e fazia perguntas estranhas e agora isso, mas percebendo que não haveria outra saída respondeu afirmativamente.

– É, você não está doente. – Concluiu ela após observar o corpo da maga de cabelos azuis por debaixo da roupa, que tentou protestar com um “mas...”, mas foi interrompida. – Você está grávida.

Levy arregalou os olhos ficando totalmente estática.

– O-o quê? – Perguntou ela na esperança de que a outra maga não tivesse mesmo pronunciado aquelas palavras.

– E quanto a isso eu não vou poder fazer nada.

– M-mas eu estou com muita dor, estou até com febre. – Disse Levy se sentando novamente na cadeira. Ela realmente estava se sentindo muito mal.

– Pois é, isso é estranho... – Refletiu Polyushka. – Você sabe quem é o pai?

– Você não pode estar falando sério, acha mesmo que eu estou grávida?

– Eu tenho certeza, por que eu não estaria falando sério sobre isso?

– O único que eu, bem... – Começou Levy envergonhada. – Foi o Gajeel.

– Quem?

– Gajeel, o Dragon Slayer de ferro.

Os olhos Polyushka arregalaram.

– Minha filha, você estava tentando se matar?

– Por quê? – Perguntou Levy.

– Você quer mesmo que eu responda? – Disse a maga de cabelos róseos um tanto sarcástica. – Bom, isso explica bastante coisa, talvez o seu corpo não esteja recebendo bem o bebê, ou ele esteja muito grande pro seu útero.

Levy ficava cada vez mais assustada, desmaiar parecia uma alternativa bem plausível a escutar tudo aquilo como se fosse algo extremamente normal.

– E o que vai acontecer? – Perguntou ela com lágrimas escorrendo de seus olhos.

– Nada, vou te dar uma poção e provavelmente você não vai sentir mais nada em algumas horas. Mas vai ter que tomar sempre, se não você vai sofrer bastante. E prepare-se você vai sentir fome, muita fome!

Mesmo tento ouvido que ia ficar bem, não conseguia parar de chorar. Ela era nova, pequena e frágil, Gajeel estava longe e um bebê crescia anormalmente dentro dela. Mais do que física, aquilo era uma grande tortura psicológica. Tentou, então, desativar suas emoções a fim de criar um bloqueio contra tudo aquilo.

07 de agosto de X791 – 06:45 AM – Casa de Lucy

Lucy abraçou a garota que não parava de chorar a sua frente, esquecendo por um momento o fato de ambas estarem nuas. Um arrepio lhe percorreu a espinha e ela tentou ignorar.

– Calma, calma. – Disse a maga loira tentando tranquilizar a de cabelos azuis afagando os mesmos. – Eu vou te ajudar, em tudo que precisar.

– Ah, Lu-chan eu agradeço muito o que está fazendo. Mas... não consigo parar de pensar no Gajeel, em quando ele vai voltar, como vou contar isso pra ele, como ele vai reagir, como vai ser a minha vida daqui pra frente...

– Eu sei, é muita coisa pra pensar agora...

– Eu estou com medo. – Levy apertou os braços ao redor do corpo de Lucy comprimindo os seios fartos contra os pequenos.

– Levy... – Gemeu a loira desconfortável, mas a outra não se mexeu.

Lucy tentou pensar em qualquer outra coisa, pra desviar a atenção do que estava acontecendo, mas o que conseguiu só piorou a situação.

Aproximadamente 7 anos atrás

Cana e Lucy tomavam banhos juntas na banheira da casa de Lucy, após Cana ter a invadido sem que a maga loira se quer percebesse.

Após Cana ter perguntado sobre o pai de Lucy e essa ter respondido que não haviam se falado novamente, a maga de cabelos castanhos suspirou. Lucy já havia percebido que ela estava diferente.

– O que foi? Se quiser pode me contar qual é o problema... – Disse Lucy.

Cana ficou em pé. Lucy nunca tinha a visto com um olhar tão triste, apesar disso sentiu algo diferente ao ver Cana completamente nua na sua frente, arrepiando-se. “Tão linda” foi a única coisa que pensou.

– Acho... que vou sair da guilda. – Disse Cana.

– Hã? – A maga celestial saiu de seu pequeno devaneio perguntando se realmente havia ouvido aquilo.

Cana ia sair da banheira, e Lucy rapidamente tentou se levantar e impedi-la, mas acabou escorregando levando Cana junto, caindo por cima dessa, soltando um grande grito na queda e fechando os olhos por reflexo.

Ao abrir os olhos viu que Cana apenas fazia uma careta de desconforto.

– Ai... – Gemeu ela, afagando a parte de trás da cabeça, com a mesma voz de como se estivesse bêbada.

– Desculpa! – Disse Lucy tentando sair de cima de Cana, mas na tentativa o seu joelho deslizou bem para o meio das pernas da outra.

Lucy ficou extremamente envergonhada, já tinha caído em cima de Cana, ambas nuas e agora, sem querer, fazia isso.

– Desculpa, desculpa, eu só estava tentando levantar... – Lucy desculpava-se rapidamente, mas percebeu que Cana não estava realmente se importando com a situação constrangedora.

Ela apenas lhe fitava com o mesmo olhar tristonho de antes e as bochechas coradas.

– Seus seios são macios. – Disse ela por fim, com a mesma voz arrastada.

Lucy arregalou os olhos não acreditando no que havia ouvido. Seus seios estavam em contato com os de Cana que sorriu maliciosamente antes de com uma mão apertar um dos seios de Lucy.

– Cana! – Exclamou Lucy irritada. – O que está fazendo?

Lucy rapidamente se livrou das mãos da outra maga e se levantou. Cana riu.

– Calma, só estava brincando... É o que ganha por não ter me deixado sair.

A maga das cartas se levantou, saiu da banheira e rapidamente foi vestindo suas roupas enquanto caminhava pra fora. Lucy que havia ficado um tempo sem reação alguma, voltou-se a realidade.

– Hey, o que está fazendo? – Perguntou a loira saindo da banheira e indo atrás de Cana.

– Indo embora. – Respondeu enquanto colocava seus sapatos já na sala de Lucy.

Então, estando vestida, abriu a porta e saiu.

– Espera, por que você acha que vai sair da guilda? – Cana continuou a andar sem responder.

Lucy não pode segui-la, estava ainda nua. Deixou então a maga sumir de vista, mas uma coisa continuou presente, seu coração acelerado.

07 de agosto de X791

Lucy relembrou tudo. O quanto Cana a havia deixado... diferente. E o quanto seu coração voltou a acelerar quando a ajudou ao encontrá-la bêbada antes dessa lhe contar sobre seu pai e o exame classe S e quando tomaram banho juntas na banheira medicinal. Mas a maga loira guardou tudo pra si e tentava relutar até o último segundo que sentia alguma coisa pela companheira de guilda. E ainda mais, que sentia alguma coisa por mulheres.

E depois de tanto tempo sem reviver nenhuma experiência do tipo, Levy trouxe tudo de volta. A respiração em seu pescoço, as lágrimas quentes caindo em seus ombros, os corpos nus extremamente em contato... Lucy lutava para se segurar.

“Não, Levy é sua amiga. Levy está grávida do Gajeel. E está sofrendo!! Você não pode pensar em nada disso Lucy, você não pode!”

Lucy apenas afagou os cabelos azuis tentando afastar os pensamentos que envolviam ela e Levy serem mais do que amigas. As lágrimas aos poucos foram cessando e os braços em torno de si afrouxando.

Levy percebeu se dar conta da situação: estar fortemente abraçada a Lucy, ambas nuas.

– Oh, desculpe Lu-chan. – Respondeu Levy corando. – Isso é estranho...

– Não foi nada. – Disse Lucy forçando uma risadinha. – Estou aqui pra te ajudar, certo? – Sorriu.

– Obrigada... – Levy sorriu de volta, mesmo com o rosto ainda molhado. – Vou deixar você terminar seu banho.

A maga escritora levantou, se enrolou numa toalha que Lucy lhe emprestara e a deixou sozinha. Ela estava molhada, não só pela água da banheira. “Lucy, você é nojenta”, xingou-se a maga loira em pensamento.

– Droga! – Praguejou afundando a cabeça juntamente com o corpo todo na água.

Notas finais
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