Over Again
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Annabeth saiu andando a minha frente pelas ruas de São Francisco. Estava ventando um pouco, então seus cabelos voavam, levando um leve cheiro de limão até minhas narinas.
As ruas não estavam muito cheias, algumas pessoas andavam apressadamente para seus trabalhos e falando ao telefone. Viramos a esquina da escola e andamos mais alguns metros até chegarmos a um antigo prédio.
O prédio devia estar abandonado, pelo menos é como parece por fora. Ele tem no Maximo oito andares, janelas grandes, porta de vidro na entrada e tinha sua pintura de bege e branca já desgastada pelo tempo e a falta de reparos.
Annabeth começou a procurar alguma coisa nos bolsos de sua calça. Quando achou soltou um suspiro de alivio e pegou uma chave com um chaveiro da letra F grande. Ela destrancou a porta e adentrou no prédio. Resolvi entrar também.
O prédio por dentro estava mais conservado do que eu imaginava. A minha direita se encontrava um balcão, que possivelmente era da recepcionista. No outro lado se encontra um sofá e duas poltronas de espera com revistas velhas largadas na mesa do canto. As paredes são pintadas de vinho e tem muitos quadros espalhados.
– Vai ficar ai ou vai vir comigo? – disse Annabeth me despertando. Foi que a percebi de pé no lado da escada. – Vamos logo! Quero te mostrar uma coisa!
Subimos todos os lances da escada até dar de cara com uma porta cinza e velha. Annabeth girou a maçaneta da porta e a abriu. Fechei os olhos e coloquei minha mão na frente de meus olhos para poder abri-los, já que a claridade é muito forte. Quando abri os olhos consegui ver.
Estávamos na cobertura do prédio. Não tinha muita coisa apenas algumas antenas. Em um canto mais afastado e com uma cobertura de telhas velhas se encontrava um sofá antigo de couro preto com alguns rasgadinhos e uma mesinha de centro com o livro “ A cabana”.
– Esse prédio era do meu pai. – explicou-me Annabeth – Eu gosto de vir aqui para pensar ou quando quero paz.
– O que aconteceu com seu pai? – perguntei e seu semblante ficou triste – Se não quiser falar eu entendo, não vou te forçar – aprecei-me a falar.
– Não, não tudo bem. – ela deu um sorriso de lado. – Meu pai era advogado e apaixonado por historia. – falou e sorriu como se a lembrança lh agradasse – Ele sempre que podia, depois de resolver seus casos viajava para o exterior em busca de novas aventuras. Quando eu tinha 10 anos ele fez uma viagem para a Grécia, nessa época meus pais já passavam por um tempo difícil no casamento e eu já até supunha a possível separação chegando, mas o que ocorreu foi mais doloroso. Ele não chegou na data marcada, no começo achamos que adiou um pouco a viagem, mas de um dia se passou para meses. Ele simplesmente sumiu do mapa. – ela disse já com lagrimas nos olhos, mas se recusando a chorar. – Ele simplesmente fugiu ninguém sabe onde ele está! Ele deixou seus filhos e sua mulher para trás sem motivo algum!
– Hey – falei calmamente e fui me aproximando. – Não precisa focar triste, se ele fugiu por que quis, foi um babaca por deixar sua filha linda sozinha. – Coloquei minha mão em sua bochecha e sequei uma lagrima que saiu. – Vem – falei e a puxei para o sofá de couro.
Sentei-me com ela ao meu lado abraçando os joelhos e encostada no braço do sofá.
– Então é verdade que seu pai trabalha como um rei? – perguntou
– Sim, infelizmente. – falei triste
– Então, como é ter um pai famoso? – perguntou erguendo uma sobrancelha.
– È assim. Você tem oito anos, mas ele perde sua festa de aniversario. – falei e me virei para encarar seus olhos, que agora estava claros e avermelhados por conta do choro. – Você chora por conta disso, mas ele esta na TV aquela noite por separar a cabeça de gêmeos siameses. Você tem dez e ele perde seu jogo na escola, já que aquela noite está no New York Times por recuperar a visão de uma criança de cinco anos. Sabe esse rei que comentou? – perguntei, mas não a deixei falar nada – Eu defino como uma desculpa para meu pai perder tudo o que eu tenho de mais importante na vida.
Estalou-se um silencio entre nós, cada um absorto em seus próprios pensamentos e lembranças. MA suma coisa martelava na minha cabeça: “Por que ela estava falando comigo?” eu nunca fui o mais bonito nem o mais musculoso do mundo. E ela, ela é linda, inteligente e popular.
– Annabeth, por que você esta falando comigo? – resolvi ser direto
Ela olhou para o nada e pensou, mas fez uma careta e falou:
– O que? – disse intrigada
– De onde eu venho garotas como você não passa nem perto de garotos como eu – expliquei – Só se elas têm um plano secreto. E me parece que você tem muitos amigos. Por que abandona-los para me fazer sentir bem-vindo?
– Olha esta acontecendo algo trágico com você e eu só quero ajudar. – falou gentilmente me olhando nos olhos. Verde no cinza. Seus olhos são tão lindos, misteriosos e intrigantes. Não sei por quanto tempo ficamos nos olhando, mas Annabeth quebrou nossa troca de olhares.
– Vamos, ainda temos aula – Disse e se levantou.
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Estávamos andando lados a lado a caminho da escola, eu com minha mochila nas costas, pois resolvi levar comigo, não gostava de ninguém mexendo nas minhas coisas.
De longe avistei um menino loiro, alto e com cara de jogador de futebol americano. Junto a ele tinha um menino moreno e com o cabelo bem raspado e bem corpulento. Eles nos encaravam de longe e Annabeth parou e falou que teria que ir para a aula no despedimos e ela seguiu até os dois meninos que nos encaravam.
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No dia seguinte eu andava tranquilamente pelos corredores da escola. Eu estava com um moletom preto e calças jeans de sempre. Quase ninguém estava no corredor ontem fica meu armário, e que estava não se importava com minha presença.
Quando abri o armário vi um bilhete branco que estava ali. O peguei e abri. A caligrafia era perfeita.resolvi ler.
“ Me encontre depois da aula perto da quadra.”
Bjs Annie!
O que será que ela quer falar comigo? Vou esperar ansiosamente essas aulas desgraçadas terminarem!
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