Ovelha Negra
30 Capítulo 29
Notas iniciais
Aquele seria o primeiro jantar em família que eles dariam. Queriam comemorar a guarda oficial de Agnes. Tudo tinha corrido muito bem e num prazo menor do que esperavam.
Bella e Edward estavam eufóricos com a notícia. A relação deles estava evoluindo e aos poucos, eles conseguiram criar uma ótima rotina e mesmo com algumas dificuldades, Agnes os considerava grandes pais, e a pequena, mesmo sentindo muita saudade da avó e dos moradores do asilo, exibia um largo sorriso com muita frequência. Ela não era mais importunada na escola e era muito amada pelos novos pais.
—Seu irmão é legal igual você? – perguntou, ajudando Edward a arrumar a mesa.
—Não, mas ele é gente boa. — sorriu para ela e ele a olhou com curiosidade. — Quer perguntar mais alguma coisa? Sabe que não precisa ter vergonha e nem medo de perguntar nada, não sabe? — eles eram bem sinceros com ela e esperavam que ela tivesse confiança neles.
—Por que seus pais não vão vir? É por minha causa? — Edward parou o que estava fazendo e puxou duas cadeiras, uma para ele e outra para Agnes. — Senta aqui. — pediu com doçura. — Não é por sua causa, nunca pense isso. Bella e eu temos uma relação complicada com os nossos pais e estamos mantendo distância deles por enquanto. Tivemos uma briga feia quando fomos para casa de campo. Mas tenho certeza que uma hora resolveremos essa situação e você poderá conhecê-los. Eles não são grandes pais, mas espero que sejam grandes avós para você. — deu um beijo na testa dela. – Agora, vamos terminar logo que nossos convidados já estão chegando.
—Ainda tenho que chamar o Jasper de Jackson? — perguntou rindo. Edward havia pedido para que ela falasse o nome dele errado. Os dois se viam muito, já que Edward praticamente transferiu seu escritório para o apartamento. Enquanto a sede da nova empresa estava sob reforma, ele trabalharia de casa mesmo e assim aproveitava para ficar mais tempo com Agnes.
—Só se você quiser. — ela sorriu marota.
—Chegaram. — Bella anunciou olhando de um para o outro. — O que estão aprontando?
—Nada. — responderam juntos e Bella os olhou com desconfiança.
—Sei… — os três caminharam até a porta de entrada para recepcionar os convidados.
—Espero que tenha bolo de sobremesa. — Alice cumprimentou o casal com um abraço.
—Oi para você também, Alice. Como vai Jasper? — enfatizou o nome dele e ele sorriu. Desde a conversa que tiveram, Edward passou a falar o nome dele corretamente, mas para balancear, Agnes falava errado.
—Muito bem chefe. Encontramos esses dois lá embaixo. — apontou para Emmett e Rosalie.
—Oi irmão. Obrigado pelo convite. — entregou uma garrafa de vinho para ele.
—Não sabia que teria mais convidados. — Rosalie indicou Agnes com um aceno de cabeça.
—Ela não é convidada, é da família. Gostaríamos de apresentar a vocês a Agnes, nossa filha. — Bella anunciou.
Alice ainda não conhecia a garota, mas sabia da novidade. Já Emmett e Rosalie ficaram de boca aberta com a notícia.
—Filha? — Emmett balbuciou. — Como vocês têm uma filha?
—É uma longa história, irmão. Agnes, esse é seu tio Emmett e a sua tia Rosalie.
—Olá. É um prazer conhecê-los. — os cumprimentou um pouco envergonhada.
—Ela é muito linda e fofa. — foi abraçada pelos novos tios e sorriu animada por finalmente ter tios.
—Pode me chamar de tia Alice, se quiser. — entregou um embrulho para ela.
—Obrigada tia Alice, não precisava. — abriu o embrulho e deu um gritinho de alegria ao ver o tênis roxo. — Posso usar agora, mãe? — Bella levou as mãos ao coração, emocionada, era a primeira vez que ela a chamava de mãe.
—É claro. — respondeu segurando a emoção.
—Agnes, porque não mostra para o pessoal o Fish e o Pernalonga? — Edward sugeriu e ela assentiu animada, ela amava os animais e não vai à hora de a levarem ao Pet Shop para comprar um animalzinho para ela. — Eles gostaram dela. — Edward abraçou a esposa e ela deitou a cabeça no peito dele.
—É claro que gostaram. Quem não gostaria? Só se fosse um desalmado.
—Pensei em convidarmos, no próximo mês, os nossos pais para um jantar. Assim aproveitamos e contamos todas as novidades. — Bella suspirou.
—Já tem vários meses que eles não dão notícias e não fizeram nenhuma ligação. — apesar de tudo, ela amava os pais e sentia muita falta deles.
—Vamos fazer o convite, se eles quiserem vir, beleza, se não, seguiremos em frente. — deu um beijo nos lábios dela. — Quero que a Agnes tenha a oportunidade de ter uma família completa e quem sabe ela não amolece o coração deles? Ela tem o poder de fazer transformações. — piscou e Bella riu.
—Vamos fazer a nossa parte então. Vou ver se Maria precisa de ajuda. — deu um beijo nele e Edward levou um susto ao ver Jasper parado os encarando.
—Caramba. Parece um fantasma. — reclamou se refazendo do susto.
—Já falou com ela? — perguntou empolgado.
—Ainda não. — Edward abaixou a voz para que Bella não os ouvisse. — Com essa questão da Agnes e das mudanças que estão ocorrendo, acabei deixando essa questão para depois.
—Não demore muito, Edward. Não espere pelo momento perfeito, pois todo momento é perfeito quando se está ao lado da pessoa que se ama.
—Eu sei, mas também não quero mandar assim do nada. – coçou a nunca, ele não sabia como faria aquilo.
—Por que não? – ele não conseguia entender essa relutância do chefe em dizer logo o que sentia. Era nítido que Bella e Edward eram um casal de verdade, só faltava confessarem o que sentiam.
—Porque a primeira vez tem que ser perfeita. Quero criar um clima especial. Quero que Bella sinta que é de verdade o que sinto por ela. – tentou explicar, mas a verdade era que nem ele sabia o motivo de estar esperando por tanto tempo.
—Ela vai saber de todo jeito. — Jasper garantiu.
—E como pode ter tanta certeza? — ele sabia o que sentia, mas não tinha certeza se Bella sentia o mesmo por ele, talvez fosse esse o motivo de ainda não ter falado nada, e se ela não sentisse o mesmo e o rejeitasse? Não queria que ficasse uma situação chata entre eles e que afetasse Agnes.
—Porque o que vai dizer é a verdade. E quando se fala com o coração, dá para saber que é a verdade. — colocou a mão no ombro dele. — Não perca muito tempo. E se precisar de uma babá, Alice e eu estamos à disposição.
—Obrigado, Jasper. E meus parabéns por finalmente tomar vergonha na cara e a pedir em casamento. — ele sorriu envergonhado.
—Tenho que dar o exemplo de como ter atitude. — sorriu irônico. — Ainda vamos fazer o convite oficial, mas saiba que queremos você e Bella como nossos padrinhos.
—E aceitaremos com o maior prazer. — Edward deu um abraço nele, o considerava como um irmão.
—Não consigo acreditar que você, além de ter uma filha, tem uma iguana como animal de estimação. — Emmett murmurou desacreditado.
—Para você ver como são as coisas, irmãozinho. As pessoas mudam.
—Meus parabéns, Edward. Sempre achei que fosse um idiota completo e sem a menor chance de mudança. Estou surpresa.
—Obrigado, querida cunhada. E aproveitando o momento. Gostaria de me desculpar pelos meus momentos de estupidez, e olha que foram muitos. Não tenho nada contra você, mas eu achava que casamento era uma idiotice e não queria que meu irmãozinho se prendesse tão cedo a alguém. Apesar de achar vocês dois certinhos demais. — apontou para as roupas formais e impecáveis deles. — Desejo toda felicidade do mundo a vocês, e dessa vez é com sinceridade que digo isso. — sorriu lembrando-se do discurso que ele fez no casamento do irmão. — Espero que me desculpem e que possamos esquecer o passado.
—Não guardo rancor de você, cunhado. Espero que você e Bella tenham um casamento tão feliz quanto o nosso. — os dois se abraçaram selando a paz entre eles. Ele já tinha pedido desculpas a Emmett e os dois estavam muito felizes por voltarem a ser companheiros e cúmplices, como era quando criança.
—O jantar está servido. — Bella anunciou olhando sem entender o que estava acontecendo. Todos pareciam emocionados.
—Que ótimo. Temos muito que comemorar. — Edward os conduziu até a sala de jantar.
—Bella? — Agnes a chamou. — O Fish parece meio estranho. Acho que está doente. — ela parecia preocupada, o que deixou Bella ainda mais preocupada.
—Depois do jantar vou dar uma olhada nele. — garantiu e as duas foram atrás dos outros.
[...]
—Três, três, por favor. — Agnes murmurava sacudindo os dados. — Ganhei! — anunciou pulando de alegria. — Ganhei de novo. — cantarolou feliz e Emmett a puxou para seu colo e começou a fazer cócegas nela.
— Você está roubando, não tem condição.
—Estou não, eu juro. — falou em meio às risadas. — Não tenho culpa se vocês são ruins. — debochou e ele intensificou as cócegas. — Eu juro. — deu um gritinho enquanto se debatia tentando se livrar do aperto dele.
—Vai ter que me ensinar a jogar bem assim. — deu um beijo estalado na bochecha dela e a soltou.
—Tudo bem, tio. Um dia eu te ensino. — garantiu ainda rindo.
—Está na hora de dormir. — Edward avisou olhando no relógio.
—Está tão legal o jogo, não quero dormir. – fez bico na tentativa de convencê-lo a mudar de ideia.
—Tem aula amanhã, pequena. Pode brincar outro dia. — ela queria continuar o jogo, mas sabia que Edward estava certo e ela era obediente, por isso, levantou e deu um abraço em cada um deles.
—Boa noite.
—Boa noite, Agnes. — os seis responderam juntos.
—Tão paternal você. — Emmett estava orgulhoso do irmão. Admirava a mudança dele e as decisões que havia tomado, queria ter essa determinação e força. Não estava certo se queria realmente assumir a empresa, mas não queria decepcionar o pai, por isso seguia com o plano e ouvia com atenção tudo o que Edward o ensinava. — Sempre achei que você fosse a ovelha negra da família, quando na verdade, você é um homem admirável.
—Não acho que seja para tanto. – Edward corou com o elogio. Vindo do irmão o deixava muito contente. — Mas também não sou o degenerado que pensavam.
—Nossos pais e os seus. — apontou para Bella. — Vão ficar muito surpresos e admirados quando souberem de tudo isso.
—Gostaríamos que mantivesse em segredo isso Emmett. — Edward pediu servindo mais vinho. — Queremos contar para eles, juntos e no momento certo.
—É claro. Não se preocupe. — garantiu. — Agora será que podemos jogar mais uma rodada? — ajeitou o tabuleiro. — Talvez agora eu ganhe.
—Isso é o que veremos. — retrucou sorrindo. A noite tinha sido um completo sucesso. Bella e Edward estavam felizes pela filha ter sido bem recebida e por ela estar feliz e bem. Isso era tudo o que importava para eles. Ter parte da família e amigos ao lado deles, só aumentava essa alegria.
[...]
—Bella? — ela ergueu os olhos e Edward correu ao ver que ela chorava. Ele achou estranho ao ver que a gaiola de Fish estava aberta. Depois dos convidados irem embora, ela sumiu e ele ficou ajeitando a bagunça. Como já estava tarde, ele resolveu ir atrás dela e a encontrou sentando no chão, entre as casinhas de Fish e Pernalonga. — O que aconteceu? — a apalpou para ver se ela estava ferida. — Está me deixando preocupado.
— Ele morreu. — apontou para a gaiola e só então Edward reparou no corpo verde estirado, sem vida.
—Ah, não. — a puxou para seus braços. Ele sabia o quanto ela gostava dos animais, principalmente da iguana. — Eu sinto muito, Bella. — murmurou a embalando em seus braços.
—Achei que iria ficar feliz com isso. — cerrou os punhos revoltada. Ela sabia que o marido não tinha culpa de nada, mas ela precisava descontar a raiva em alguém e sentiu muito por ser nele. Ele seria incapaz de fazer algo para magoá-la intencionalmente.
—Feliz? É claro que não. Jamais poderia ficar feliz com algo que a magoe. Se algo te deixa feliz, me deixa feliz também. E se algo a deixa infeliz, me deixa infeliz também. Sua dor é a minha dor Bella. Eu me importo com você, em todos os momentos. — beijou os cabelos dela e ela chorou ainda mais.
—Eu sei que ele era um animal, mas para mim, era muito mais do que isso. Foi a minha única companhia em muitos momentos.
—Eu sei amor. — a abraçou mais apertado. — Pode desabafar a vontade. Ficarei ao seu lado, não importa a situação. Pelo tempo que quiser e precisar. – repetiu as palavras dela e ela chorou ainda mais nos braços dele.
[...]
—Estamos aqui reunidos, para nos despedirmos do nosso grande amigo, Fish, a iguana verde. – os três estavam parados, lado a lado, no parque ao lado do prédio em que moravam. Edward havia cavado uma cova e até improvisado um caixão. Agnes segurava Pernalonga junto ao peito. Eles acharam que ele também gostaria de se despedir do amigo. Bella achou a ideia meio ridícula, mas após as insistências do marido e da filha, ela acabou concordando. No fundo, estava feliz por eles se importarem tanto com ela. – Fish foi uma grande iguana, e cumpriu com o seu papel aqui. Trouxe-nos grandes alegrias e momentos de tensão, principalmente quando corria atrás de mim. – Agnes e Bella riram. – Meninas! – as repreendeu e continuou com o discurso. – Vamos sentir a sua falta, grande monstro verde. – Bella o abraçou de lado.
—Obrigada! – sussurrou emocionada. Só mesmo Edward para fazer aquilo por ela.
—Não precisa agradecer. – depositou um beijo na testa dela. – Vem Agnes. – os dois se afastaram para que Bella pudesse ficar uns minutos a sós.
—Podemos ir tomar sorvete? – Agnes perguntou com os olhos brilhando. – Me ajudou muito quando a minha avó morreu. A Bella precisa de apoio. Ela anda tão chorona. – Edward já tinha reparado nisso, ela chorava até quando passava comercial na TV. Talvez fossem apenas as emoções dos últimos acontecimentos.
—Estou pronta. – respondeu fungando.
—Ótimo. Vamos tomar sorvete então. – anunciou e as duas sorriram. Ele segurou a mão de Bella e colocou a outra sobre o ombro de Agnes. Não importava a situação que enfrentariam. Se estivessem juntos, tudo poderia ser superado.
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