Ouvir-te dizer
3 Não gosto de homens!
“Eu devia estar louco quando segui o conselho daquele filósofo...” pensou Alemanha, suspirando diante da Torre Eiffel “Melhor voltar para casa...”.
Ele se virou e tinha acabado de dar um passo quando alguém surgiu na sua frente.
– Alemanha! Que agradável visita! Veio provar da minha deliciosa comida? Degustar de meus vinhos? Cortar o cabelo?
– França! Mas que susto! Não apareça assim do nada na frente das pessoas e... O que você faz com isso, hein? – Alemanha indicou a tesoura nas mãos do francês.
– Nunca se sabe quando vai precisar de uma. – respondeu o outro loiro, guardando o instrumento no bolso da calça.
Alemanha apenas balançou a cabeça, preferindo não buscar o significado daquela frase.
– Eu queria lhe perguntar uma coisa.
– Pergunte o que quiser para o irmãozão França. – ele piscou um olho.
– França... Fale-me... Fale-me sobre “amor”.
– Oooohhhh! E não é que a grande potência tem coração? Alemanha, Alemanha! Não tem ideia de como fico lisonjeado por me escolher entre tantos outros países para resolver essa questão. – disse o França, colocando as mãos sobre os ombros do amigo europeu.
– Apenas seja breve, certo? – Alemanha desvencilhou-se do outro loiro.
– Ah, Alemanha. Escolheu a pessoa certa. Afinal, o francês é a língua mais bela do mundo! Aproxime-se da inocente donzela e diga com todo o seu charme... – França chegou mais perto, já com a rosa vermelha em mãos — Je t'aime. – sussurou em seu ouvido.
– Mas que conversa é essa?! – a potência afastou-se, o rosto dominado pelo rubor.
– Ofereça vinhos deliciosos. Leve-a para um lindo passeio pelas ruas de Paris. E, ao cair da noite, pergunte a ela “Como faço pra chegar na sua cama?”.
– Eu não falei de garota em momento algum, França! – Alemanha berrou a plenos pulmões, atraindo a atenção dos transeuntes.
“Não devia ter dito isso...” pensou, sentindo o rubor esquentar seu rosto.
– É um homem? – os olhos azuis do francês brilhavam surpresos e curiosos.
– E-eu... Er... Hum... É claro que não!
– Sou eu? – França ergueu as sobrancelhas.
– Não, seu imbecil!
– Ah, Dieu merci. Bom, seja lá quer for seu grande amor, e eu sei que é o Itália, acho que deveria ser sincero.
– Tá de gozação com a minha cara, não tá, francês?
– Mas que agressividade! Não é à toa que mulher alguma gosta de você. – França fez beicinho – Mas-que-bom-que-o-amor-da-sua-vida-é-o-Itália-que-para-todos-os-efeitos-é-homem. – ele completou baixinho.
– Eu ouvi isso. – Alemanha estava com vontade de socar alguém.
– Bom, já que despreza totalmente os meus conselhos, que, diga-se de passagem, também servem para conquistar um homem, por que não pede ajuda a outro país?
– Já disse que não gosto de homens! – Alemanha berrou de novo a plenos pulmões.
– Consegue dizer isso em público, mas não consegue se confessar ao amado?! Quelle honte! – França balançou a cabeça em sinal de decepção.
– Apenas deixe isso de lado, está bem? Agora, para quem posso pedir conselhos sobre o que eu sinto pelo Itália?
– Então, você admite que é o Itália!
– Eu nunca... Argh!
– Então, é só levá-lo em um passeio por Veneza, comer pasta com ele e depois perguntar “Como faço para...?”.
– Quer parar com isso, França?! Apenas me diga! A quem posso pedir conselhos?
O loiro bufou.
– Por que não pede conselhos ao China? Ele entende muito de divórcios!
– Cê tá pondo muita fé em mim pra tá falando de divórcio.
– Se seguisse meus conselhos, teria muito sucesso.
– Bem, obrigado de qualquer forma. Estou indo.
– Espera, posso cortar seu cabelo?
– NÃO!
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